Barbear Tradicional

Versão completa: Sobre os sabões e sua composição
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Os sabões de barbear são produzidos normalmente a partir de três fontes diferentes de “sabões” mais os agregados que são substancias que não fazem parte da produção da saponificação propriamente dita, mas que melhoram de alguma forma o desempenho do dito cujo.

Vou tentar discutir nesse texto de forma bem simples e didática como é feito quimicamente o sabão e a função de cada uma das várias de coisas que são adicionadas neles, para que fique mais claro para todos o que esse tanto de coisa diferente faz nos nossos sabões. Talvez não fique tão simples assim mas vou tentar ao máximo.
Pretendo com o tempo ir completando o tópico, então se parecer alguma coisa no seu sabão ou creme que não está listada aqui é só falar que vou tentar ir acrescentando.
 
Como então são feitos os sabões?
Temos três fontes iniciais de matéria prima, óleos vegetais e gorduras animais, ácidos graxos livres e detergentes, que são tensoativos sintéticos.
Primeiramente vou falar sobre os detergentes usados no sabões de barba.

Detergentes

Os mais comumente utilizados são Lauril éter sulfato de sódio (ou laureth sulfato de sódio ou Sodium laureth sulfate) e Dodecil sulfato de sódio (ou lauril sulfato de sódio ou sodium lauryl sulfate). Existem outros muito parecidos com esses, com nomes muito parecidos, mudando um carbono ou outro, por isso vou me focar apenas nesses.
São esses dois compostos aí abaixo:

[Imagem: adKE2fI.png]


Como vocês podem ver ambos possuem uma parte carregada que interage com a água e uma parte carbônica comprida que interage com os óleos por exemplo. Falei sobre isso no tópico da água dura aqui, é legal dar uma olhada lá. Mais pra frente vai dar pra ver como eles são parecidos com os sabões, estruturalmente são bastante semelhantes.
Eles possuem algumas desvantagens quando comparados com os sabões, primeiro eles normalmente não produzem uma espuma densa e cremosa sozinhos, precisam de sabões e outros aditivos para ficar legal. E o principal problema é que estão relacionados ao aparecimento de câncer. Já é relatado em diversos estudos a presença desse tipo de compostos em canceres de mama por exemplo, mas ainda não existe uma correlação clara.
Como vantagem eles normalmente não sofrem para produzir espuma em lugares com água dura.
 
Vamos a parte realmente importante, os sabões.

Eles são produzidos a partir da reação de saponificação, que é a reação entre um ácido graxo ou triglicerídeo e uma base, normalmente o hidróxido de sódio ou hidróxido de potássio.
Os triglicerídeos são a gordura propriamente dita dos óleos vegetais e gorduras animais e tem a seguinte estrutura base:

[Imagem: y8d4IrB.png]

Uma parte deles é o glicerol que produz a glicerina (seu nome comercial quando tem 95% de pureza) e a outra parte são três ácidos graxos quaisquer. Qualquer combinação de ácidos graxos é possível e é de certa forma aleatória em um tipo de óleo ou gordura.
Vou mostrar um exemplo melhor embaixo:

[Imagem: YRxe6ie.png]

Temos aí nesse triglicerídeo destacado de azul a parte do glicerol e de vermelho os ácidos graxos. Coloquei como exemplo esses três ácidos graxos comuns, ácido esteárico, ácido láurico e ácido oleico.
Vou colocar aqui a estrutura de um ácido graxo livre pra facilitar o entendimento:

[Imagem: rJA6CYM.png]

 
Como vocês podem ver, embora sejam parecidos, existem algumas diferenças claras nas estruturas dos diferentes ácidos graxos, eles mudam de tamanho, presença de ligações duplas a localização dessas ligações e por aí vai. Essas diferenças geram propriedades diferentes nesses ácidos graxos e por consequência nos sabões produzidos. A consistência do sabão produzido, cremosidade e estabilidade da espuma, tudo varia em função das propriedades estruturais dos ácidos graxos dentre outras coisas é claro.
Cada fonte de óleo ou gordura possui proporções diferentes de cada ácido graxo, sendo por isso interessante uma combinação de diversas fontes de gorduras para saponificação nos sabões como vemos por aí, com por exemplo, óleo de castor, óleo de palma, óleo de coco, óleo de oliva, talow e por aí vai. Mas para frente no texto vou listar os principais componentes de cada um.

Vamos para a reação de saponificação.
Essa é uma reação bem simples como pode ser vista abaixo.
Partindo de triglicerídeos:

[Imagem: dlyH0ju.png]

Partindo de ácidos graxos livres:

[Imagem: unnpk7E.png]

Como vocês podem ver o produto principal da reação é o mesmo, um sal do ácido graxo, o dito sabão, e quando se parte de triglicerídeos obtém-se ainda glicerina de gorjeta, alguns fabricantes retiram essa glicerina formada, alguns deixam ela lá e alguns ainda adicionam bastante a mais, mas vou falar mais na parte dela.
É bom ressaltar que em um óleo ou gordura os triglicerídeos não são os únicos componentes, existem alguns compostos não saponificáveis, mas de modo geral estão presentes em quantidade pequena. Mas mesmo em quantidade pequena, cores, sabores ou algumas propriedades desses óleos variam bastante com esses compostos não saponificáveis.
Em sabões de barba existe uma grande preferência pela utilização de hidróxido de potássio na saponificação, produzindo obviamente o sal de potássio do ácido graxo. O hidróxido de sódio é utilizado em menor quantidade de modo geral produzindo comumente uma mistura dos dois sais, de potássio e de sódio.
É interessante notar também que comumente não é toda a gordura adicionada no sabão que é saponificada. Usualmente é feito o chamado de Superfat, que é uma adição de óleo total maior que a quantidade hidróxido ou uma adição extra de algum óleo específico (ou combinação desses) após a saponificação. Dessa forma teremos um pouco de “gordura” em excesso, o que é especialmente importante para sabões de barbear, onde uma espuma mais cremosa, densa, protetora, deslizante e hidratante é procurada, ou seja, só tem vantagens. Obviamente existem sabões em que isso não ocorre, mas de modo geral é uma pratica BEM comum, principalmente nos artesanais.
Bem, acho que sobre os sabões era isso que eu queria falar, agora vou falar sobre os componentes principais e agregados. As coisas que são colocadas nos sabões por algum motivo. Certamente não conheço todas as coisas e nem tenho a pretensão de conhecer, mas vou tentar listar aqui as que eu conheço e vou ir acrescentando outras com o tempo até por que se fosse esperar isso aqui ficar mais completo ia demorar muito pra postar esse tópico.

Ingredientes


Óleos, ácidos graxos e detergentes:

Ácido esteárico, Stearic acid, Estearato de Sódio, Estearato de Potássio, Sodium Stearate e Potassium Stearate.

Esse é de longe o ácido graxo mais utilizado em sabões, se vocês pegarem seus tubos e frascos muito provavelmente ele vai ser primeiro ou segundo ingrediente perdendo apenas para água. Ele pode ser utilizado como ácido graxo na saponificação pelo soapmaker produzindo o sal estearato de potássio ou estearato de sódio após a reação com o respectivo hidróxido ou uma mistura deles. Também pode ser adicionado já na forma de sal, sendo uma forma de preparo de sabão em que o soapmaker não faz a saponificação em si, apenas misturas os sais prontos, geralmente usam uma base de sabão pronta, e acrescentam as coisas que acham convenientes (praticamente todos os outros óleos e ácidos graxos podem ser comprados assim, já saponificados, então nem vou repetir isso mais abaixo). Produz uma espuma densa, cremos e deslizante, tudo que a maioria de nos queremos.

[Imagem: rJA6CYM.png]

 
Coconut oil, Óleo de Coco, Cocos nucifera Oil, Sodium Cocoate, Potassium Cocoate

Assim como o ácido esteárico é o acido graxo mais utilizado em sabões de barba, o óleo de coco é a gordura vegetal mais utilizada para essa função. Como é um óleo vegetal ele é formado basicamente por triglicerídeos, ou seja, um glicerol combinado com 3 ácidos graxos aleatoriamente. Vou listar no fim quais os principais ácidos graxos do coco. Quando é saponificado com hidróxido de sódio pode ser chamado de cocoato de sódio e se for de hidróxido potássio, cocoato de potássio. Um sabão normal produzido apenas com óleo de coco costuma ser um pouco mais adstringente, ou seja, deixa a pele um pouco mais ressecada no fim, logicamente ele nunca é usado sozinho em sabões de barba reduzindo esse efeito, mas é comum em sabonetes para o rosto. A espuma produzida é muito volumosa e pouco densa, sendo obtida com muita facilidade. Funciona bem em conjunto com ácido esteárico e o Tallow que produzem espumas bem densas e pesadas contrabalanceando esse efeito, quanto mais óleo de coco mais fácil será a produção da espuma mas menos densa ela será.


Ácido Láurico                   48%
Ácido Mirístico                  16%
Ácido Palmítico                  9,5%
Ácido Cáprico                   8%
Ácido Caprílico                  7%

Castor Oil, Óleo de Rícino, sodium Castorate, potassium Castorate

É um óleo muito conhecido de nós brasileiros, usado para causar uma diarreia braba. É extraído da semente da mamona e não é tóxico como muita gente pensa, o veneno (ricina, extremamente potente, diga-se de passagem) que também fica na semente é desnaturado durante a extração do óleo, além de ser insolúvel nele, então é tranquilo para uso. O óleo de rícino tem como seu principal constituinte o Ácido ricinoleico, como vocês podem ver na imagem abaixo ele tem um grupo OH (álcool) no meio da cadeia, isso faz com que tenha propriedades bastante diferentes dos ácidos graxos tradicionais. Além do sabão cremoso que procuramos tem propriedades hidratantes. E esse grupo hidroxila faz com que a interação com água seja mais efetiva e o sabão resista uma maior quantidade de água, sendo geralmente mais sedentos quando utilizam esse óleo. Assim como nos casos anteriores se saponificado com hidróxido de potássio será produzido o Castorato de potássio e se for hidróxido de sódio será Castorato de Sódio.
 
Ácido Ricinoleico             90%
Ácido Oleico                    4%
Ácido Linoleico                2%
Ácido linolênico               1%
Ácido Esteárico               1%


[Imagem: idO1zZs.png]


Cocoa butter, manteiga de cacau, Sodium Cocoa Butterate, potassium Cocoa Butterate

É a famosa manteiga de Cacau, usada no nosso chocolate branco. Como as gorduras vegetais anteriores é constituída de triglicerídeos e pode ser saponificada produzindo os sais de sódio e potássio dependendo da base utilizada. Também é utilizada no superfat mas em sabões de barba as vezes se tem relatos de gerar um leve entupimento dos poros. Seu poder hidratante é bastante famoso e conhecido. Os principais ácidos graxos estão listados abaixo.
 
Ácido Oleico                      34,5%
Ácido Esteárico                 34,5%
Ácido Palmítico                  26%
Ácido Linoleico                   3,2%
Ácido Eicosanoico             1%


Olive oil, Azeite Oliva , sodium olivate, potassium olivate


E um óleo bastante utilizado na saponificação, assim como o óleo de coco. É utilizado há séculos na Europa, norte da África e Oriente Médio nos chamados sabões de Castela (normalmente com óleo de oliva puro) e Sabão de Alepo (normalmente uma mistura de óleo de oliva e de louro) são dois dos mais famosos e históricos sabões, tenho muita vontade de experimenta-los, quem sabe um dia. Para os sabões de barba tem características muito interessantes, produz espumas densas cremosas e deslizantes. Além de ser um excelente hidratante e ajudar ainda mais no deslize quando utilizado como superfat, afinal é também utilizado como lubrificante na indústria. O grande problema é conseguir utiliza-lo de forma a se obter uma espuma estável, por isso por muito tempo os usuários olharam torto para sabões com esse óleo. São poucas as empresas que conseguiram usar de forma satisfatória em sabões de barba, mas as que conseguiram obtiveram excelentes produtos. Quando saponificado com hidróxido de sódio forma o sodium olivate e se for potássio o potassium olivate. Segue abaixo os principais ácidos graxos constituintes.


Ácido Oleico                      62%
Ácido Linoleico                 21%
Ácido Palmítico                10%
Ácido Esteárico                4%
Ácido Linolênico              1%


[Atualizado] Palm kernel Oil, óleo de semente de palma, óleo de palmiste, sodium palm kernelate, potassium palm kernelate

Esse juntamente com o óleo de coco são os oleos vegetais mais utilizados nos sabões de barba. Aqui é importante separar o óleo do fruto do da semente. O palm kernel oil, ou óleo de semente de palma, como o próprio no diz é o óleo da semente do fruto do dendezeiro, mas não é o azeite de dendê. O azeite de dendê, que é o próximo óleo da lista, é o óleo do fruto do dendezeiro e não da semente. Então quando é da semente é o Palm kernel oil, e quando é do fruto é o de dendê ou Palm oil. Separados então os dois óleos podemos discutir um pouco sobre esse. Os principais usos dele são na alimentação e na saponificação. No caso especifico da saponificação produz assim como o sabão de coco uma excelente espuma para o barbear, mas um pouco volumosa e pouco densa, por isso é um dos mais utilizados em combinação com ácido esteárico e tallow, ficando supimpa. Funciona como um substituto ao óleo de coco nas formulações, pois seu comportamento é bastante semelhante, contudo é bem mais brando com a pele, causando menos ressecamento. Uma vantagem dele sobre o azeite de dendê é a cor, o Palm Kernel oil é um óleo bastante mais claro, não exigindo outros processos para deixar o sabão branco. Os principais ácidos graxos constituintes seguem abaixo.
 
Ácido Láurico                    48%
Ácido Mirístico                 16%
Ácido Palmítico                8%
Ácido Cáprico                    3%
Ácido Caprílico                  3%


 
[Atualizado] Palm oil, azeite de dendê, sodium palmate, potassium palmate


Esse é o famosíssimo azeite de dendê utilizado na Bahia e nordeste do Brasil. É o óleo vegetal mais utilizado do mundo, apesar de ser consumido de forma mais localizada no brasil. E usado para diversas coisas (principalmente alimentação) e a saponificação é apenas uma pequena parcela de seu uso, não que seja pouco utilizado nos sabões, mas é extremamente utilizado em outras atividades. A suas riquíssima cor vermelho-alaranjada se dá pela presença de uma grande quantidade de carotenoides, principalmente o betacaroteno (o mesmo da cenoura), além de diversos membros da família da vitamina E, que são antioxidantes e ajudam a proteger a pele, mas também são laranjas. Apesar de serem compostos benéficos ao sabão e a pele normalmente a indústria tenta reduzir essa cor forte desse óleo, uma vez que boa parte dela irá passar para o sabão, já que esses carotenoides não são saponificáveis. Já soapmakers caseiros não tem tanto essa preocupação, deixando esses antioxidantes naturais na mistura final, bom pra gente.Ele é o leo vegetal utilizado como um "substituto" do tallow em formulações veganas devido as propriedades semelhantes entre suas espumas (semelhantes e não iguais). Segue a constituição base de ácidos graxos abaixo.
 
Ácido Palmítico                43%
Ácido Oleico                      36%
Ácido Linoleico                 9%
Ácido Esteárico                4%
Ácido Mirístico                 1%

 
Shea butter, Manteiga de Karité, Unrefined Shea butter

A manteiga de Karité é uma gordura extraída do fruto Carité de uma arvore tipicamente africana. É usado principalmente como hidratante. Como é uma gordura pode ser saponificado, e costumeiramente é nos sabões de barba, mas como a quantidade que material não saponificável na manteiga de karité é muito grande ela não ajuda muito na espuma. Elá é utilizada nos sabões de barba principalmente como superfat, é adicionada normalmente após a saponificação, preservando assim suas características hidratantes e melhorando o deslize do sabão. Segue a composição dos ácidos graxos da parte saponificável abaixo.
 
Ácido Oleico                      50%
Ácido Esteárico                 30%
Ácido Linoleico                  10%
Ácido Palmítico                  6%
Ácido linolênico                  0,8%
 

Tallow, sodium Tallowate, potassium Tallowate

Esse é a fonte de gordura mais desejada pelos aficionados pelos sabões como nós. O Tallow é a gordura “purificada”, no caso após o processamento do sebo ou de alguns órgãos específicos que possuem uma porção de gordura livre (a gordura do rim é uma das que tem a melhor qualidade, mas é difícil de encontrar), tallow não é sebo! Só é considerado Tallow se o animal do qual a gordura foi extraída for boi ou cordeiro. Curiosamente não existe uma palavra especifica em português para Tallow, serial algo do tipo “gordura de boi”, mas não existe uma palavra especifica, então até a indústria usa ela mesmo. Historicamente é usado para fazer sabões há tanto tempo que nem sei quanto rsrs. Ela é tão utilizada nos sabões de barba simplesmente porque produz uma espuma com excelentes propriedades, sempre densa cremosa e deslizante. É importante ressaltar que o Tallow não é o ácido esteárico, este ácido é apenas um de seus componentes, representando aproximadamente 14% apenas do seu total de ácidos graxos. Mas como o talow e uma das fontes de ácido esteárico e as propriedades da espuma dos dois são parecidas muitas vezes os usuários se confundem. Para muitos não existe sabões com o deslize dos sabões com tallow, para outros nem tanto. Após sua saponificação é chamado de Tallowato de sódio ou de potássio dependendo da base utilizada. Como é uma “gordura” é composta por triglicerídeos, ou seja, ácidos graxos ligados a um glicerol. Os principais ácidos graxos do Tallow estão listados abaixo.
 
Ácido Oleico                      47%
Ácido Palmítico                  26%
Ácido Esteárico                 14%
Ácido Mirístico                   3%
Ácido Linolênico                3%
 


Safflower oil, óleo de cartamo, Carthamus tinctorius Seed Oil


Esse óleo é a nova moda nos sabões de barba e na alimentação também. Pelo menos dois grandes soapmakers famosos (e alguns pequenos) já estão utilizando em sua composição em alguns tem testado em novas fórmulas. O grande problema é o preço, é um pouco mais caro que os óleos mais comuns. Embora quimicamente seja incrivelmente parecido com o óleo de girassol, nos sabões o desempenho é bem superior. À utilização desse óleo é creditado um grande aumento no deslize do sabão, e nos que testei é bem verdade, incrivelmente deslizantes. Além de ser um pouco mais caro é um pouco mais difícil de trabalhar, já que perde um pouco das suas vantagens se muito aquecido, então normalmente é adicionado bem no fim do processo de saponificação, em processo a frio ou apenas como superfat, reduzindo a sua degradação. Se ingerido segundo as fontes populares é bom pra tudo, e por isso está bem na moda no momento, logo outra coisa chega e a moda passa. Mas nos sabões realmente parece que veio para ficar. Além de tudo ainda possui uma grande quantidade de vitamina E, ajudando como conservador no sabão e na pele. Segue abaixo a composição base:
 
Ácido Linoleico                 75%
Ácido Oleico                      14%
Ácido Palmítico                7%
Ácido Esteárico                3%



[Novo] Sodium Cocoyl Isethionate


O Sodium Cocoyl Isethionate é um dos detergentes utilizados nos sabões de barbear. Os detergentes do tipo Isethionate são sintetizados a partir de qualquer ácido graxo ou óleo vegetal e dependendo de sua fonte ganha o seu nome. Nos sabões de barba (e a bem da verdade em quase qualquer aplicação) é sintetizado a partir do óleo de coco, daí seu nome. Ele é portanto um detergente sintético. Mas ao contrario dos detergentes tradicionais como o sodium laureth sulfate e sodium lauryl sulfate (que foram discutidos no inicio dessa postagem) é extremamente suave com a pele por uma razão bem interessante. Se vocês derem uma olhada no tópico sobre a água dura vocês vão ver que em água os sabões e detergentes se organizam na água na forma de micelas. As micelas dos sodium laureth sulfate e sodium lauryl sulfate são muito pequenas e conseguem penetrar pelos poros da pele e causar certa irritação e adentrar no nosso organismo mais efetivamente. Já o Sodium Cocoyl Isethionate produz micelas bem maiores que não conseguem penetrar a pele e, portanto atua apenas nas superfícies sendo bem mais brando. É quase sempre associado ao ácido esteárico para produzir espumas mais interessantes e hidratantes, uma vez que seu poder hidratante é irrisório e produz espumas bolhosas em grande volume como o óleo de coco, nessa combinação produz uma espuma boa e com facilidade. Possui uma grande vantagem de forma semelhante aos outros detergentes sobre os sabões que é a sua altíssima “resistência” a águas duras e, portanto facilita muito a vida de quem mora em regiões com águas mais complicadas. Dito tudo isso eu ainda sim evitaria ele em meus sabões, mesmo sendo super suave. Se posso ter um sabão excelente sem detergentes por que colocar o danado lá? A não ser que eu morasse em uma região com água muito dura, aí já é outra historia. Segue na imagem a baixo um dos derivados do óleo de coco, lembrando que pode ser qualquer um dos ácidos graxos proveniente do óleo de coco.

[Imagem: 0Sp6JV0.png]








Ingredientes não saponificáveis.


Allantoin, Alantoína



A alantoína é um desses compostos quase mágicos em teoria que servem para te deixar com a pele perfeita. Já foi extraída da planta confrei, mas hoje é usada a sintética mesmo, bem mais barata. Segundo a indústria farmacêutica ele atua principalmente como cicatrizante da pele, aumenta a replicação celular aumentando a velocidade da regeneração da pele, é hidratante, promove uma leve descamação da pele a rejuvenescendo por tirar a camada mais externa, é anti-irritante a anti-inflamatória. Se ela faz tudo isso mesmo ou não não temos certeza, o que é comprovado é que a atividade anti-inflamatória ajuda a regular o crescimento das células nos ferimento e acaba por realmente acelerar a regeneração e melhorar a textura da pele. Bem, ela não é tóxica, seus produtos de decomposição não são tóxicos, ela ajuda no tratamento da pele, então é muito bem vinda. É mais usada nos creme que nos sabões, e é principalmente usada nos balsamos e géis. E eu particularmente gosto muito, sinto rapidamente seus efeitos anti-inflamatórios e hoje em dia tem sido um dos meus ingredientes preferidos em géis e loções.

[Imagem: 9k7jPXb.png]


Coumarin, Cumarina


A cumarina é um composto químico adicionado nos sabões basicamente pelo aroma. Essa não é da classe dos terpenos e terpenóides, mas tem função semelhante. O nome vem de sua principal fonte, a semente de Cumarú, a famosa fava tonka. O Brasil é a principal fone natural desse produto embora a sintética seja a mais utilizada pelo preço. Ela é um pouco toxica, mas como é utilizada principalmente como aromatizante não tem tanto problema pros humanos, é pior se ingerida (mas nem tanto). Tem um aroma doce mais atalcado, e é utilizada como um substituto de baunilha em algumas situações, ou como complemento em aromas mais doces.

[Imagem: FwmGKhT.png]



Citric acid, ácido cítrico, sodium citrate


Esse daqui tem um gosto bastante famoso e está presente em quase todas as frutas cítricas. E utilizado como flavorizante em diversas bebidas por ser um ácido relativamente forte e comestível. Em sabões de barba a sua função é a mesma do EDTA. Ele serve para retirar principalmente íons cálcio e magnésio da solução ajudando na formação da espuma. Como vocês podem ver eles tem algumas semelhanças com o EDTA e por isso exercem uma função semelhante para nós. Assim como o EDTA é utilizado comumente na forma de sal de sódio para interferir menos no pH dos sabões


[Imagem: GKgW0u2.png]


EDTA, ácido etilenodiaminotetraacético, Ethylenediamine tetraacetic acid, Disodium EDTA, Tetrasodium EDTA

O EDTA é uma molécula muito doida que foi desenvolvida nos aos 40 para sequestrar metais em solução. Ela tem diversos grupos diferentes em posições especificas que combinados de certas formas podem se ligar a praticamente qualquer metal, dependendo das condições do meio. Logicamente alguns são “preferidos”. Os vários átomos de oxigênio e os nitrogênios pode se complexar a metais e “encaixa-los” dentro da estrutura do EDTA e então esse íon metálico não vai estar mais livre na solução. Dessa forma, ele é utilizado nos sabões de barba (e shampoos de cabelo) para retirar principalmente íons cálcio e magnésio da água, ajudando na formação da espuma em ambientes com água muito dura. Tem uma discussão mais completa sobre isso no tópico sobre a água dura. Ele também é utilizado no tratamento do envenenamento por alguns metais, sequestrando os mesmos no nosso organismo. Nós sabões é utilizados comumente na forma de sal de sódio para interferir menos no pH.

[Imagem: tEWD8IW.png]


Glicerina, Glycerin, Glycerol, Glicerol

O glicerol é um triol, um tipo de álcool, quando tem mais de 95% de pureza comercialmente é chamado de glicerina (mas todo mundo sempre chama independente de pureza). É um liquido transparente que tem um gosto super doce tipo adoçante (sim já provei), bastante viscoso e escorreguento. É utilizado nos sabões por dois motivos principais, tem propriedades hidratantes bem interessantes e aumenta o deslize da espuma devido a suas propriedades físicas. Um sabão de barba sem glicerina na verdade é bem difícil de encontrar, pois como foi explicado no começo ela é um dos produtos da reação de saponificação dos óleos e gorduras e como ele tem propriedades interessante pros sabões de barba pra que tirar? Existe ainda aquele pessoal que faz os sabões de barba de glicerina (e de banho também claro), o que vem a ser eles? Na verdade não tem nada de mais, são sabões de barba “normais” com uma dose cavalar de glicerina, até 20% é comum. São conhecidos também como sabões do tipo melt and pour, pois como o próprio nome diz são derretidos e vertidos nos frascos. Eles normalmente são produzidos com uma base de sabões pronta a glicerina e outros ingredientes são adicionados para complementar a mistura. O publico alvo tem um pouco de preconceito com isso. Eu nunca usei um então não posso falar nada. Sobre a hidratação da glicerina tem alguns fatos interessantes, não se sabe ainda se ela hidrata bem a pele por ela ser higroscópica (ou seja atrai agua para ela) ou por algum mecanismo próprio especifico da molécula, de qualquer forma ela segura bem a humidade no rosto.
 

[Imagem: 6AQtNy5.png]

 

Kaolin Clay, Caulinita, Kaolinite, White clay, China clay



O Kaolin Clay é uma argila do mineral Caulinita. É um silicato de alumínio e isso será importante mais para frente. Todo mundo já tomou um belo escorregão no barro certo? É basicamente por isso que essa argila é utilizada nos sabões, para aumentar o deslize. Essas partículas que são muito, muito pequenas quanto em presença de água acabam ficando muito escorregadias e deslizantes semelhante ao barro, o funcionamento é bem parecido. Pensando nisso alguns soapmakers resolveram misturar argila ao sabão para aumentar seu deslize. Se vai ser adicionada uma argila é interessante que ela possua outras propriedades boas para a pele, e a kaolin supostamente tem ótimas propriedades. Ela em teoria ajuda a suavizar e melhorar a hidratação e saúde da pele, deixando a pele mais bem tratada e é utilizada em uma quantidade absurda de produtos de beleza principalmente femininos por isso. Mas nenhum estudo comprovou bem essa eficiência, mas como também não faz mal não faz lá muita diferença. O que é realmente comprovado é sua ação como coagulante. Como é um aluminosilicato a presença de alumínio acaba por gerar um efeito cicatrizante razoável, não é um alúmen, mas dá pro gasto. Não são muito soapmakers que utilizam essa argila na composição, mas um sabão que utiliza e eu já testei tem um deslize incrivelmente bom, sendo dos melhores pra mim, se é por conta dela já não sei. Existe uma controvérsia de que a presença de argila pode atrapalhar o fio das lâminas mais rápido pois são partículas na pele contra a lâmina. Eu nunca notei diferença nisso e não lí relatos sobre, mas essa discussão sempre aparece. Resumindo, ela aumenta o deslize do sabão e melhora a cicatrização da pele, pra mim vale a pena.

[Imagem: 6Cbkle4.png]


Lanolina, lanolin, ethoxylated lanolin

A lanolina é, assim como o Tallow, um dos ingredientes mais procurados dos sabões, e com razão. Ela deixa a pele muito macia após o barbear e com uma sensação bem boa de suavidade. Ela não é magica, e outras coisas produzem um efeito semelhante, mas que um sabão com muita lanolina é bom ah isso é. Ela é uma cera produzida pelas ovelhas, e liberada na para sua lã. Para as ovelhas ela tem um efeito protetor contra chuvas e coisas do tipo. Ela deixa a ovelha quase a prova d’agua rs. Reza a lenda que que os trabalhadores que tosquiavam as ovelhas tinham a mão incrivelmente macias e suaves e isso despertou o interesse de várias pessoas, conseguiram extrair uma cera dessa lã e estava aí a lanolina. É um material extremamente complexo em sua composição, mas de forma simplificada seria uma mistura de diversos ésteres esteróis (estrutura base também do colesterol e outras moléculas semelhantes), uma estrutura base está mostrada abaixo. Tem todo tipo de variação nesse esqueleto, produzindo uma variedade bem grande de moléculas. E a indústria farmacêutica tem um interesse bem grande nisso, diga-se de passagem. É bastante comum fazer algumas reações químicas na lanolina para facilitar o trabalho com ela, chamamos isso de derivatização, para produtos de barba é feito principalmente esterificação, etoxilação e hidrólise. Esse tipo de mudança na lanolina é feita para melhorar a solubilidade dela no produto final ou a estabilidade da mistura por exemplo.

[Imagem: 8JbhHAd.png]


Potassium hydroxide, Hidróxido de potássio


E basicamente igual ao hidróxido de sódio, mas mais reativo. Tem um comportamento e funcionamento bastante parecido. E utilizado na saponificação das gorduras para produção dos sabões. É a base mais utilizada para essa finalidade nos sabões de barba. Sua atuação já foi discutida no texto então não vou me alongar.


[Imagem: zezJElm.png]



Sodium hydroxide, Hidróxido de sódio, lye 


É um dos principais hidróxidos utilizados na saponificação dos óleos, gorduras e ácidos graxos. Quem já usou a famosa soda caustica para desentupir pias talvez tenha encostado um pouco na sua solução em água e deve ter sentido a sua mão meio escorreguenta. Isso acontece pois ela saponifica as óleos da sua mão e você sente o seu próprio sabão! Não tente isso de propósito pois a soda caustica queima e é bastante perigosa. A sua forma de ação já foi discutida no texto então não vou me alongar aqui.
 
[Imagem: sPbi8Wv.png]



Sorbitol


O sorbitol é o irmão grande do glicerol. Tem uma estrutura bastante parecida, sendo basicamente uma molécula duas vezes maior e com um funcionamento muito semelhante. Ele é obtido principalmente a partir da redução da molécula de glicose, ou seja, de forma bem simplificada adiciona-se um hidrogênio a molécula de glicose. Pode ser obtido na natureza, mas não vale a pena, a glicose é muito barata. Sua principal utilidade na indústria está longe de ser como hidratante, umectante e emoliente da pele, como o utilizamos, mas sim como adoçante. Ele, assim como a glicerina, absorve e prende humidade na pele. Esses vários grupos OH “prendem” moléculas de água na sua superfície, assim como a glicerina, e deixa nosso rosto mais húmido e macio. A grande diferença para a glicerina é que o sorbitol é solido e não um liquido muito viscoso, então pouco ajuda no deslize dos sabões como o irmão menor.

[Imagem: WUhFxQy.png]





Sodium lactate, lactato de sódio



O lactato de sódio apesar de ter um nome semelhante não é um derivado do leite, é o sal produzido a partir do ácido lático, por isso o nome. A sua utilização em sabões de barba e cremes é principalmente pelo seu auxilio na consistência final do produto. É comum que ele aumente a dureza do sabão final, normalmente os soapmaker o utiliza para deixar os croaps mais duros. Contudo apesar de sua principal função ser uma melhora na textura final do produto ele tem outra aplicação muito importante e frequentemente negligenciada. Ele é um excelente umectante, ou seja, auxilia na hidratação da pele após o barbear. Ele é inclusive, segundo alguns estudos não muito profundos, tão eficiente quanto (ou mais) que a glicerina nesse quesito. Além disso, possui um leve efeito preservador, mas não muito importante. Esse aqui é um ingrediente interessante, que apesar de ser utilizando para uma função especifica acaba atuando de forma positiva em outras áreas.


[Imagem: YlRtG1O.png]


Titanium dioxide, dióxido de titânio, CI 77891


O dióxido de titânio está presente em diversos sabões e cremes industriais, a grande maioria deles o utiliza por uma razão bem simples, ele é branco. Ele é o corante branco mais amplamente utilizado hoje em dia em praticamente tudo que é branco. Se você olhar ao seu redor provavelmente tudo que é terá ele como pigmento, parede, plástico, sabões, revestimentos, papeis, alimentos e tudo mais. Como ele tem uma toxicidade bastante baixa, é praticamente insolúvel em agua e pode ser produzido como um pó tão fino que é facilmente disperso sobre as coisas acaba sendo incrivelmente versátil. Até mesmo os protetores solares o utilizam, como ele é muito branco ele reflete uma boa quantidade dos raios solares e amenizam o efeito na pele (esse é o pior tipo de proteção mas é muito comum). Ele é utilizado apenas como corante nos nossos sabões e cremes.

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Vitamin E, Vitamina E, α-tocopherol, tocopherol



A vitamina E é uma grande classe de compostos chamados de tocoferóis, sendo o principal e mais utilizado o α-tocopherol. Apesar de desempenhar varias funções e ser bastante importante no organismo  nos sabões de barba atua principalmente como antioxidante. Dessa forma ele preserva tanto o sabão quanto a pele. É utilizado como conservante quase que disfarçadamente, pois realmente ajuda a pele, então a desculpa está pronta, além de ter um nome bonito. Realmente funciona e a vitamina E consegue se inserir na membrana celular e atuar como antioxidante por lá, preservando a parte externa da pele. Além disso, uma das melhores formas de adicionar a vitamina E na pele é através de micelas (deem uma olhada no tópico de dureza da água) o que torna seu uso ainda mais propicio em sabões. É um conservante para os sabões não dá pra negar, mas esse é dos bons, pois conserva a gente também! Rs Segue abaixo a estrutura do α-tocopherol, o mais importante deles.
 
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Triethanolamine, Trietanolamina



A trietanolamina é um composto químico bastante versátil, com várias aplicações na indústria cosmética e farmacêutica. As vezes é até um pouco complicado de explicar o que ela realmente faz em alguma formulação devido as suas várias atividades. A trietanolamina é uma base muito forte, e pode ser usada para reagir com ácidos graxos por exemplo e fazer a saponificação deles, ai teríamos sabões de trietanolamina e não de sódio ou potássio. Esse tipo de sabão é usado em aplicações específicas, onde algumas de suas propriedades são importantes, mas não é o caso dos sabões de barba, ela não é utilizada para a saponificação nesse tipo de produto. Outra função que a trietanolamina exerce bem é a de tampão, esse termo é usado na química para compostos que conseguem estabilizar o pH de alguma mistura, faz com que a mistura fique mais “resistente” a mudanças de pH, o que acaba preservando a formulação por mais tempo em alguns casos. Mas essa função de tampão quase nunca é a razão pela qual ela é adicionada, mas uma boa consequência. Normalmente as empresas precisam de algum composto que exerça uma das várias funções da trietaloamina e como ela é um tampão, e a indústria precisa de um, acaba por matar dois coelhos com uma cajadada, pois se economiza um ingrediente na formulação, já que ela faz as duas coisas. Nos sabões e cremes de barba e a função mais comum dela de modo geral é sua atuação como tensoativo. Se vocês relerem o começo do tópico e o da dureza da agua, vocês verão que essa também é a função dos sabões, mas atuação da trietanolamina é um pouquinho diferente. Ela não forma bolhas nem produz muita espuma sozinha, mas ela também facilita com que coisas diferentes se misturem, como os sabões, mas em ocasiões mais especificas. Dessa forma acaba estabilizando a formulação dos produtos, evita que separem fases ou que se mude muito a textura por exemplo, ela ajuda a “homogeneização” das misturas dos vários ingredientes formando emulsões estáveis. Além disso, sua atuação como tensoativo afeta diretamente a espuma, já que ela é o produto de tensoativos. A espuma é basicamente uma mistura de ar, água, óleos, aditivos e os próprios sabões, coisas que normalmente não formariam uma mistura estável sem a presença dos sabões e demais tensoativos. Os soapmkers normalmente não utilizam a trietanolamina pois ela não é lá muito importante em receitas com poucos ingredientes e mais simples, mas as industrias utilizam e com frequência. Como os cremes e sabões comerciais normalmente utilizam uma quantidade muito grande de aditivos para se adequarem às diversas legislações, algo que facilite a mistura da massa final é importante, e aí ela faz seu papel muito bem. Ela ainda exerce diversas outras funções, mas não são importante para os produtos de barbear de modo geral. Segue uma imagem da dita cuja ai em baixo.

 
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Parabens, Parabenos, Methylparaben, Ethylparaben, Propylparaben, Butylparaben, isobutylparaben


Ah, os parabenos. Os parabenos são uma classe de compostos utilizada como conservantes que estão bastante em voga recentemente e com razão. Como todos os compostos dessa classe têm funções e atividades parecidas vou lista-los todos juntos. A função primordial deles é a de antimicrobiano, são adicionados para evitar que as formulações estraguem pela ação de fungos e bactérias. E são bastante eficientes! Por isso a sua larga aplicação. Aliada a sua alta eficiência temos, o baixo custo e a variedade de compostos da mesma classe que funcionam, temos então um prato cheio para indústria. Ela pode usar vários parabenos diferentes em concentrações mais baixas sem atingir o limite legal e no fim ter uma concentração alta global de conservantes. Existe um limite global para parabenos, mas é mais alto que de algum individualmente. Ah, mas se eles são ótimos conservantes qual o problema? Existem dois grandes problemas com eles, o primeiro e de mais comum preocupação é o fato de serem potencialmente cancerígenos. Ainda não existe nenhuma correlação clara e efetiva entre o aparecimento de câncer e os parabenos, mas diversos indícios são conhecidos. Aqui vou contar um pouco de como funciona a pesquisa, para clarificar as coisas. Para que uma pesquisa seja realizada seja no brasil ou no mundo é necessário verba, e muita! Ou seja, não existe pesquisa sem dinheiro. Existem normalmente duas fontes de dinheiro no Brasil e no mundo, o Governo e a Indústria. Então para que algum pesquisador pesquise ou o governo ou a indústria tem que bancar essa pesquisa. É assim que funciona, mas e daí? Os governos de modo geral não têm lá muito interesse em que sejam realizadas pesquisas que prejudiquem grandes indústrias, devido ao forte lobby delas. E as indústrias vão bancar algum estudo que as prejudiquem financeiramente? Claro que não. Então estudos desse tipo são sempre muito difíceis de serem realizados a não ser que alguém com verbas que sobraram de alguma coisa consiga resultados alarmantes para que o governo fique pressionado a liberar a grana. Isso acontece, mas é bem pouco frequente. O caso mais recente disso foi o triclosan. Voltando ao assunto principal, o outro problema grave que os parabenos apresentam é o de terem propriedades estrogênicas. Ele atua de duas formas aqui. Primeiro ele inibe uma enzima que controla o estrogênio, fazendo com que os níveis subam e ele também mimetiza (finge que é) o estrogênio em algumas situações. Isso já é confirmado e prejudicial, além de ser um dos fatores que podem provocar câncer em mulheres por exemplo. Quanto maior o tamanho da cadeia carbônica do parabeno maior sua atividade estrogênica. Bem, com tudo isso eu queria dizer para pararmos de usar formulações com parabenos? Não. Não existem estudos o suficiente para comprovar que realmente fazem mal. É mais um alerta mesmo para ficarmos atento as composições. Fugir hoje dos parabenos é virtualmente impossível! Mas se pudermos reduzir onde dá não faz mal. Agora qualquer molécula que for estudada vai preliminarmente mostrar algum resultado negativo e assustador se usada em excesso e isso não significa que no fim ela realmente fará mal! Até mesmo a água pode ser prejudicial em excesso, se não ninguém morria afogado. rs Segue abaixo as estrutura dos principais parabenos utilizados.


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Isothiazolinone, Isotiazolinona, Methylisothiazolinone, Benzisothiazolinone, Chloromethylisothiazolinone


Bem, como os parabenos estão sendo atacados pelos consumidores que estão rejeitando produtos que os contenha a indústria tem que se mexer e achar alguma coisa que tenha função parecida, comportamento parecido, mas que a população ainda não conheça, aí estão as Isotiazolinonas! Elas tem uma grande eficiência como antimicrobianos, e tem várias moléculas da mesma classe com funções parecidas (olha a semelhança com os parabenos aí), assim, varias moléculas podem ser usadas para que no fim tenhamos uma alta concentração de conservantes, sem ultrapassar os valores individuais máximos. Bem, são assim um bom substituto para os parabenos, pois são eficientes e pode ser usadas em grande quantidade. Mas e as desvantagens? Ainda não existem muito estudos falando mal dessa classe, até mesmo por que ela está sendo utilizada em mais quantidade agora. Num futuro quem sabe seja a próxima vilã? O que realmente é ruim sobre ela é que é bastante alergênica para algumas pessoas. O índice de pessoas que tem alergia as Isotiazolinonas é mais alto que dos conservantes tradicionais, mas nada alarmante. Se serão um bom substituto só o tempo dirá. Segue abaixo os principais representantes da classe.

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[Novo] Silk Pwder, Seda em pó


Como o próprio nome já diz é a seda em pó, sem muitos segredos. É basicamente uma cadeia de proteína muito extensa e complexa, então infelizmente não vou poder colocar o desenho da “molécula” aqui. É uma fonte de aminoácidos nas formulações cosméticas que por sí só já é uma coisa interessante, já que ajuda na hidratação por reter humidade e na recuperação da pele. Mas tem algumas outras propriedades interessantes. A mais importante é para “enganar” um pouco os wetshvers. Ela tem um brilho especial que é incrivelmente semelhante ao brilho da espuma quando fica bem hidratada e formada. Em sabões com seda em pó a espuma quase sempre fica linda e brilhante. A seda em pó é a forma de seda usada em produtos cosméticos com os “grãos mais grossos” (são incrivelmente finos, mas mais grossos que outras formas). Assim fica na superfície da pele e não penetra, tendo suas propriedades hidratantes sendo aplicadas ao máximo e sem entupir os poros. Bem, não faz nenhum mal bem a pele e ainda deixa a espuma bonita, por que não usar?
 


[Novo] Sodium etidronate, disodium etidronate, Etidronato de sódio


O etidronato de sódio tem função bastante semelhante ao EDTA e o acido cítrico em sabões. É adicionado como agente quelante ao retirar cálcio e magnésio da água reduzindo sua dureza. Como ele sequestra esses íons eles não vão mais estar disponíveis em solução e não vão atrapalhar a formação da espuma. É adicionado como sal de sódio para reduzir seu impacto no pH da formulação. Curiosamente é um excelente remédio para a osteoporose.


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Terpenos e Terpenóides:



Essa é uma classe importante de compostos então vou criar uma seção específica para elas. Os terpenóides são compostos derivados dos terpenos. De modo geral são produzidos principalmente pelas plantas e tem como característica comum o seu forte aroma. A maior parte dos terpenos e terpenóides utilizados nos sabões (e perfumes) são adicionados pelo seu aroma, embora sempre tenham alguma utilidade a mais, o seu cheiro é de longe o principal. A maioria das frutas e folhas tem seus aromas definidos pelos seus conteúdos de terpenos e terpenóides, embora outras moléculas ajudem a complementar o aroma final de uma espécie a classe mais comum é ela. Um dos problemas dessas classes é que costumam causar alergias, por isso os utilizados em maior quantidade costumam ser listados nos sabões e outras coisas que os utilizam, mesmo estando na parte da fragrância. Segue abaixo os mais comuns nos sabões e cremes.


Citronellal, Citronelal



 Citronelal tem uma estrutura bem parecida com a do geraniol mas um aroma bem diferente. O citronelal é famoso por ser utilizado nos repelentes de insetos caseiros, e é até bem eficiente nisso. Existem diversas receitas utilizando o óleo de citronela (sua principal fonte natural) como principal ingrediente. Tem um cheiro meio alimonado, mas um pouco diferente da fruta. Lembra bem o capim limão.

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Eugenol



Ele é um fenol pertencente a grande classe dos terpenóides. É o principal componente do aroma do cravo da índia e da Pimenta racemosa (bay leaf, o do rum e não o louro). O cheiro dele é bem fácil de descrever, cheiro de cravo! É o principal componente aromático dos famosos Bay Rums (embora curiosamente alguns não o possuam, o que pra mim não deveria acontecer, mas deixa pra lá). Além de ser utilizado obviamente pelo seu aroma, que casa bem com outros óleos e essências, complementando e dando profundidade às composições em pequenas quantidades, apresenta outras atividades curiosas nos sabões e loções. A primeira e mais notável é que ele dá uma esquentada na pele (ao contrario do mentol, outro terpenoide), e é o responsável pelo punch dos bay rums. Costuma até deixar a pele vermelha por um tempo e tem um leve efeito anestésico. Essa característica é bastante apreciada por seus adoradores. Outra atividade muito interessante é que é um excelente antisséptico, conservando os produtos e principalmente atuando na pele. Os seu afeito antisséptico foi historicamente uma das grandes vantagens dos Bay rum como pós-barba. O problema é que muita gente tem alergia a ele, e em grande quantidade queima a pele. Esse é um dos terpenóides mais importantes na história dos produtos de barbar e merece seu lugar de respeito.


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Geraniol


O geraniol é mais um terpenóide utilizado na aromatização dos sabões. Ele possui um cheiro floral, algo entre rosa e gerânio. Não tem muitas funções importantes além dessa.

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Limonene, Limoneno, d-limonene, l-limonene


É um terpeno utilizado principalmente pelo seu aroma que é de, isso mesmo, laranja e não de limão! Rs Apesar do nome o d-limoneno tem um forte cheiro de laranja sendo o principal componente do óleo da casca de laranja. O l-limoneno tem o cheiro de limão, mas é bem menos utilizado e o aroma do limão é um pouco mais complexo, e o terpeno acaba por ser um pouco incompleto pra representa-lo e o nome limoneno acaba por ser utilizado majoritariamente para o d. Eles possuem esse nome pois são extraídos principalmente dos óleos das cascas de frutas cítricas e são bastante reconhecíveis. Eles são utilizados basicamente pelo cheiro famoso e sabor e nos sabões não é diferente. O limoneno é um tipo composto que na química é conhecido como quiral, onde a direção de uma ligação gera dois produtos aparentemente iguais, mas diferente quimicamente, e nesse caso a direção dessa ligação no dá o cheiro de laranja ou de limão. Segue abaixo a estrutura dos dois para vocês verem a semelhança. A cunha cheia representa a ligação para frente e a tracejada para trás. Essa é a  única diferença entre eles.

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Linalool, Linalol



O linalool é um álcool terpênico, quiral assim como o limoneno, tendo as formas R e S. Normalmente essas formas não são identificadas nos produtos. Assim como os anteriores são utilizados apenas pelo seu cheiro. As duas formas tem aromas diferentes, enquanto a R tem um cheiro mais amadeirado estando presente em diversas madeiras a S tem um toque mais floral e delicado. Esse eu nunca senti isoladamente então não posso dar uma descrição mais detalhada dos cheiros.


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Menthol, Mentol


O mentol é um álcool terpênico, ou um terpenóide, muitíssimo famoso e utilizado nos produtos de barbear (e diversos outros também). Novamente como nos casos anteriores é utilizado pelo seu cheiro, mas nesse caso a sensação na pele é importante como no caso do eugenol. Ele presenta um cheiro bem refrescante quando puro, parecido com halls preto, e provoca uma sensação gelada na pele. É um composto que apresenta diversos isômeros, como os anteriores, mas o mais importante e relevante é o (−)-menthol, que é o utilizado por todos. Aqui tem uma coisa interessante. Ele assim com a capsaicina (o principio ativo da pimenta) ativa os receptores nervosos da pela para causar essa sensação. Ele realmente engana o copo para que ele ache que está frio, tanto a pele, quanto dentro do corpo, como nariz, boca e outras partes internas. É bastante apreciado por essa razão e merecedor de uma posição de destaque nos anais do barbear pela importância histórica, assim com o eugenol, pois gerações de pessoas tiveram contato com esse composto e seu aroma os marcou muito. A mim ele marcou bastante, nas loções e cremes antigos do meu avô. Além de tudo ainda é um bom antibacteriano! O problema é que assim como nos outros casos muita gente tem alergia, e ele pode irritar a pele em grande quantidade. Como acabamos nos adaptando a sensação queremos sempre mais aí pode acontecer de acabar irritando a pele de alguém pelo excesso de uso. Eu mesmo sou meio viciado e quanto mais melhor! rs

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Bisabolol

O bisabolol é mais um terpenóide utilizado em formulações. Mas aqui o aroma é secundário. Ele possui um aroma bem fraco que não justificaria sua presença. A adição dele é pelas suas características benéficas que ele apresenta. Ele tem propriedades comprovadas como anti-inflamatório, anti-irritante e antimicrobiano. Existem poucos estudos sobre a atividade antimicrobiana do bisabolol, mas o Brasil é uma das principais referências nessa nova empreitada, além de estudos como antitumoral. Ele atua como conservante do sabão e como calmante da pele e antisséptico. É um dos vários compostos interessantes extraídos da camomila, além de estar presente em outras espécies.

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[Novo] Alpha Isomethyl Ionone


É um terpenoide utilizado em cosméticos de modo geral como aromatizante, assim como quase todos de sua classe. As plantas o produzem degradando carotenoides, e tem um odor que está entre rosas e violetas. Assim como os membros dessa classe é conhecido por causar alergias e irritações na pele por isso costume vir sempre listado nas composições.


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Legal! Obrigado! Li uma vez que mamona e ricino nao eram a mesma coisa. Mas acho a sua fonte maisnconfiavel
Opa, bem legal Smile
Excelente , topico.
Obrigado
Cumprimentos

Enviado do meu GT-I9301I através de Tapatalk
Muito legal conhecer sobre essas substâncias! Obrigado.
Espero que gostem!


(07-10-2016, 02:19 AM)danilo Escreveu: [ -> ]Legal! Obrigado! Li uma vez que mamona e ricino nao eram a mesma coisa. Mas acho a sua fonte maisnconfiavel

O óleo de Rícino e a mamona geram muita confusão mesmo, isso porque ainda junta o nome em ingles que piora ainda mais as coisas.
O óleo de rícino tecnicamente não vem da mamona, vem da semente dela, que no exterior é chamado de semente de Castor. Aí que ferra tudo.
Como temos uma semente com um nome deferente do do fruto de onde vem fica meio confuso as vezes, e pra piorar no estado de trabalho dela ela é bastante diferente do fruto, parece um feijão grande. Para mim se o óleo vem da semente do fruto da mamona ele vem da mamona rs
Muito bom, será útil, muitoooo...
Rodrigo que bom que saiu o post sobre sabão!!!

Parabéns!!!

Muito obrigado!!!
Muito bom o post Rodrigo, muito obrigado pelos esclarecimentos!

Agora é só comprar sabão a base de Tallow, com bastante lanolina e até pode ter uma manteiga de karité ou óleo de coco... Tongue Tongue Tongue
Tá aqui um tópico que merece ser seguido e ficar fixo Wink
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