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		<title><![CDATA[Fórum Barbear Tradicional - Barbear Diversos]]></title>
		<link>https://www.barbeartradicional.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Fórum Barbear Tradicional - https://www.barbeartradicional.com.br]]></description>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 23:29:53 +0000</pubDate>
		<generator>MyBB</generator>
		<item>
			<title><![CDATA[Velocidade no barbear: pressa, prática ou falta de juízo?]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1378.html</link>
			<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 11:25:11 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1378.html</guid>
			<description><![CDATA[Velocidade no barbear: pressa, prática ou falta de juízo?<br />
<br />
Tem uma coisa que sempre me chamou a atenção no barbear tradicional.<br />
<br />
Você entra no YouTube e vê aquele cidadão fazendo a barba inteira com uma safety razor em cinco minutos.<br />
<br />
Cinco minutos.<br />
<br />
O sujeito prepara a espuma, faz a barba, passa água no rosto, provavelmente ainda dá tempo de lavar o pincel e guardar tudo.<br />
<br />
Enquanto isso, eu levo cinco minutos só para raspar o bigode.<br />
<br />
E olhe lá.<br />
<br />
A primeira reação é pensar:<br />
<br />
"Esse cara deve ter algum segredo."<br />
<br />
Não tem.<br />
<br />
Ele provavelmente tem técnica, prática e, principalmente, conhece o próprio rosto.<br />
<br />
E aqui entra uma coisa que muita gente esquece quando começa no barbear tradicional: esses caras que fazem a barba rapidamente têm muito mais tempo de voo do que você, jovem gafanhoto.<br />
<br />
É quase aquela velha cena:<br />
<br />
"Põe o casaco."<br />
<br />
"Tá."<br />
<br />
"Tira o casaco."<br />
<br />
"Tá."<br />
<br />
"Põe de novo."<br />
<br />
É quase isso.<br />
<br />
O sujeito já fez aquilo tantas vezes que praticamente não precisa mais pensar no que está fazendo.<br />
<br />
A mão sabe onde passar. O ângulo já está na memória. Ele sabe onde pode apertar um pouco mais, onde precisa aliviar, onde o pelo cresce em determinada direção e onde aquele pedaço do rosto resolveu desafiar as leis da física.<br />
<br />
Por isso, para quem está começando, eu sempre recomendo uma coisa simples: faça um lado do rosto de cada vez.<br />
<br />
Eu sei.<br />
<br />
É tentador fazer aquela espuma que mais parece uma cobertura de chantilly.<br />
<br />
Você levou 15 minutos para chegar naquele ponto ideal.<br />
<br />
A espuma está linda.<br />
<br />
Densa.<br />
<br />
Brilhante.<br />
<br />
Perfeita.<br />
<br />
Dá vontade de fotografar.<br />
<br />
Você olha para aquilo e pensa:<br />
<br />
"Isso vai render um belo post no Barbear do Dia."<br />
<br />
Ou uma foto no Instagram com a legenda:<br />
<br />
"Tá quase pago."<br />
<br />
Mas aí vem a pergunta:<br />
<br />
O que adianta você gastar 15 minutos fazendo uma espuma que parece uma nuvem feita para um anjo preguiçoso dormir e, quando pega o barbeador na mão, aquilo virar uma gincana do Domingo Legal?<br />
<br />
Na sua cabeça aparece um cronômetro.<br />
<br />
E ele não é um cronômetro normal.<br />
<br />
Ele grita.<br />
<br />
"VAMOS!"<br />
<br />
"VOCÊ TEM TRÊS MINUTOS!"<br />
<br />
"TRÊS MINUTOS!"<br />
<br />
"VALENDO!"<br />
<br />
Aí você empunha o aparelho contra a pele como se estivesse disputando uma final olímpica.<br />
<br />
Passa a lâmina mais rápido.<br />
<br />
Erra o ângulo.<br />
<br />
Volta.<br />
<br />
Passa de novo.<br />
<br />
Muda a direção.<br />
<br />
Tenta compensar.<br />
<br />
E, nesse momento, você já está convencido de que, se não terminar a barba em três minutos, sua vida vai acabar.<br />
<br />
A bolsa de valores vai despencar.<br />
<br />
Vai estourar uma guerra nuclear.<br />
<br />
Uma frota alienígena vai invadir a Terra.<br />
<br />
Alguém vai bater na porta do seu banheiro com uma crise de diarreia.<br />
<br />
Calma.<br />
<br />
Calma.<br />
<br />
O barbear tradicional, acima de tudo, deve ser prazeroso.<br />
<br />
Não é uma prova de velocidade.<br />
<br />
Eu também já fui assim.<br />
<br />
Quando comecei, queria fazer tudo rápido.<br />
<br />
Na verdade, queria fazer tudo em três minutos.<br />
<br />
Se desse para colocar um miojo para cozinhar e, enquanto a água fervia, aproveitar para fazer a barba e ganhar tempo, melhor ainda.<br />
<br />
Velocidade e lâmina só são uma boa combinação se você for um samurai do século 16.<br />
<br />
E existe outro problema: a gente quer velocidade antes de ter habilidade.<br />
<br />
Só que não funciona assim.<br />
<br />
Como quase tudo na vida, repetição é a fórmula para ganhar agilidade e eficiência.<br />
<br />
Primeiro você aprende.<br />
<br />
Depois você repete.<br />
<br />
Depois começa a fazer sem precisar pensar em cada movimento.<br />
<br />
E, finalmente, percebe que aquela barba que antes parecia uma operação militar começou a ficar simples.<br />
<br />
Não porque você passou a correr.<br />
<br />
Mas porque passou a conhecer o caminho.<br />
<br />
Lembro uma vez que estava vendo uma luta de MMA do Anderson Silva contra um gringo. Ele venceu o cara em coisa de dois minutos, com velocidade, força e agressividade.<br />
<br />
Meu amigo que estava em casa olhou aquilo e disse:<br />
<br />
"Cara, isso aí é simples."<br />
<br />
E começou a dar uma série de formas de como se deveria vencer um cara faixa-preta em pelo menos três artes marciais.<br />
<br />
Complicado, né?<br />
<br />
O Anderson fazia aquilo praticamente a vida toda.<br />
<br />
Treinava de 5 a 8 horas por dia.<br />
<br />
Percebem a relação?<br />
<br />
Você começa a conhecer seu rosto.<br />
<br />
Descobre onde o pelo cresce para cima, para baixo, para o lado e, aparentemente, em uma dimensão paralela.<br />
<br />
Descobre quais regiões precisam de mais cuidado.<br />
<br />
Aprende quanto pode pressionar.<br />
<br />
Aprende a ouvir e sentir a lâmina.<br />
<br />
E, principalmente, percebe que não precisa disputar uma corrida com ninguém.<br />
<br />
Eu moro com minha esposa e duas filhas em um apartamento de 65 metros quadrados, com um único banheiro.<br />
<br />
Então existe uma variável que aqueles vídeos de cinco minutos provavelmente não mostram:<br />
<br />
a vida real.<br />
<br />
Se eu quiser fazer a barba com tranquilidade, sem ouvir alguém bater na porta do banheiro a cada cinco minutos, preciso escolher muito bem o horário.<br />
<br />
Fazer a barba depois das 23 horas?<br />
<br />
Nem pensar.<br />
<br />
Fazer a barba cansado, usando uma BIC em um R41 às 11 da noite?<br />
<br />
Por isso, quando quero realmente curtir o processo, gosto de fazer a barba às 7 da manhã de domingo.<br />
<br />
Casa silenciosa.<br />
<br />
Ninguém esmurrando a porta.<br />
<br />
Sem pressa.<br />
<br />
Sem cronômetro imaginário.<br />
<br />
Apenas eu, o barbeador, o sabão, a lâmina e alguns minutos de paz.<br />
<br />
E o resultado costuma ser muito melhor.<br />
<br />
Então, se você está começando no barbear tradicional, não se preocupe em fazer a barba rapidamente.<br />
<br />
Faça um lado do rosto, observe o que aconteceu, e vá repetindo. Com o tempo, você vai conhecendo seu rosto, entendendo o pelo e descobrindo o que funciona melhor para você.<br />
<br />
E teste lâminas.<br />
<br />
Muitas lâminas.<br />
<br />
A lâmina, aliás, é provavelmente uma das partes mais baratas de todo esse hobby e é justamente uma das que mais vale a pena experimentar.<br />
<br />
Você vai encontrar uma que combina melhor com sua pele, seu pelo, seu barbeador e sua maneira de se barbear.<br />
<br />
E, com o tempo, aquela velocidade que você tanto queria simplesmente aparece.<br />
<br />
Sem cronômetro.<br />
<br />
Sem "valendo".<br />
<br />
E, principalmente, sem essa necessidade de transformar o próprio banheiro em uma pista de Fórmula 1.<br />
<br />
Porque, afinal de contas, por que diabos você está achando que está competindo com alguém?<br />
<br />
O sujeito fez a barba em cinco minutos?<br />
<br />
Ótimo para ele.<br />
<br />
Você levou dez?<br />
<br />
E daí?<br />
<br />
A barba é sua.<br />
<br />
O rosto é seu.<br />
<br />
A lâmina é sua.<br />
<br />
E ninguém está entregando medalha para quem terminar primeiro.<br />
<br />
No barbear tradicional, velocidade é consequência, não objetivo.<br />
<br />
Primeiro você aprende a fazer direito. Depois aprende a fazer bem. E, quando percebe, está fazendo rápido.<br />
<br />
Não porque alguém gritou "valendo!", mas porque você simplesmente aprendeu.<br />
<br />
E isso, meu caro jovem gafanhoto, só vem com tempo de voo.<br />
<br />
abs.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Velocidade no barbear: pressa, prática ou falta de juízo?<br />
<br />
Tem uma coisa que sempre me chamou a atenção no barbear tradicional.<br />
<br />
Você entra no YouTube e vê aquele cidadão fazendo a barba inteira com uma safety razor em cinco minutos.<br />
<br />
Cinco minutos.<br />
<br />
O sujeito prepara a espuma, faz a barba, passa água no rosto, provavelmente ainda dá tempo de lavar o pincel e guardar tudo.<br />
<br />
Enquanto isso, eu levo cinco minutos só para raspar o bigode.<br />
<br />
E olhe lá.<br />
<br />
A primeira reação é pensar:<br />
<br />
"Esse cara deve ter algum segredo."<br />
<br />
Não tem.<br />
<br />
Ele provavelmente tem técnica, prática e, principalmente, conhece o próprio rosto.<br />
<br />
E aqui entra uma coisa que muita gente esquece quando começa no barbear tradicional: esses caras que fazem a barba rapidamente têm muito mais tempo de voo do que você, jovem gafanhoto.<br />
<br />
É quase aquela velha cena:<br />
<br />
"Põe o casaco."<br />
<br />
"Tá."<br />
<br />
"Tira o casaco."<br />
<br />
"Tá."<br />
<br />
"Põe de novo."<br />
<br />
É quase isso.<br />
<br />
O sujeito já fez aquilo tantas vezes que praticamente não precisa mais pensar no que está fazendo.<br />
<br />
A mão sabe onde passar. O ângulo já está na memória. Ele sabe onde pode apertar um pouco mais, onde precisa aliviar, onde o pelo cresce em determinada direção e onde aquele pedaço do rosto resolveu desafiar as leis da física.<br />
<br />
Por isso, para quem está começando, eu sempre recomendo uma coisa simples: faça um lado do rosto de cada vez.<br />
<br />
Eu sei.<br />
<br />
É tentador fazer aquela espuma que mais parece uma cobertura de chantilly.<br />
<br />
Você levou 15 minutos para chegar naquele ponto ideal.<br />
<br />
A espuma está linda.<br />
<br />
Densa.<br />
<br />
Brilhante.<br />
<br />
Perfeita.<br />
<br />
Dá vontade de fotografar.<br />
<br />
Você olha para aquilo e pensa:<br />
<br />
"Isso vai render um belo post no Barbear do Dia."<br />
<br />
Ou uma foto no Instagram com a legenda:<br />
<br />
"Tá quase pago."<br />
<br />
Mas aí vem a pergunta:<br />
<br />
O que adianta você gastar 15 minutos fazendo uma espuma que parece uma nuvem feita para um anjo preguiçoso dormir e, quando pega o barbeador na mão, aquilo virar uma gincana do Domingo Legal?<br />
<br />
Na sua cabeça aparece um cronômetro.<br />
<br />
E ele não é um cronômetro normal.<br />
<br />
Ele grita.<br />
<br />
"VAMOS!"<br />
<br />
"VOCÊ TEM TRÊS MINUTOS!"<br />
<br />
"TRÊS MINUTOS!"<br />
<br />
"VALENDO!"<br />
<br />
Aí você empunha o aparelho contra a pele como se estivesse disputando uma final olímpica.<br />
<br />
Passa a lâmina mais rápido.<br />
<br />
Erra o ângulo.<br />
<br />
Volta.<br />
<br />
Passa de novo.<br />
<br />
Muda a direção.<br />
<br />
Tenta compensar.<br />
<br />
E, nesse momento, você já está convencido de que, se não terminar a barba em três minutos, sua vida vai acabar.<br />
<br />
A bolsa de valores vai despencar.<br />
<br />
Vai estourar uma guerra nuclear.<br />
<br />
Uma frota alienígena vai invadir a Terra.<br />
<br />
Alguém vai bater na porta do seu banheiro com uma crise de diarreia.<br />
<br />
Calma.<br />
<br />
Calma.<br />
<br />
O barbear tradicional, acima de tudo, deve ser prazeroso.<br />
<br />
Não é uma prova de velocidade.<br />
<br />
Eu também já fui assim.<br />
<br />
Quando comecei, queria fazer tudo rápido.<br />
<br />
Na verdade, queria fazer tudo em três minutos.<br />
<br />
Se desse para colocar um miojo para cozinhar e, enquanto a água fervia, aproveitar para fazer a barba e ganhar tempo, melhor ainda.<br />
<br />
Velocidade e lâmina só são uma boa combinação se você for um samurai do século 16.<br />
<br />
E existe outro problema: a gente quer velocidade antes de ter habilidade.<br />
<br />
Só que não funciona assim.<br />
<br />
Como quase tudo na vida, repetição é a fórmula para ganhar agilidade e eficiência.<br />
<br />
Primeiro você aprende.<br />
<br />
Depois você repete.<br />
<br />
Depois começa a fazer sem precisar pensar em cada movimento.<br />
<br />
E, finalmente, percebe que aquela barba que antes parecia uma operação militar começou a ficar simples.<br />
<br />
Não porque você passou a correr.<br />
<br />
Mas porque passou a conhecer o caminho.<br />
<br />
Lembro uma vez que estava vendo uma luta de MMA do Anderson Silva contra um gringo. Ele venceu o cara em coisa de dois minutos, com velocidade, força e agressividade.<br />
<br />
Meu amigo que estava em casa olhou aquilo e disse:<br />
<br />
"Cara, isso aí é simples."<br />
<br />
E começou a dar uma série de formas de como se deveria vencer um cara faixa-preta em pelo menos três artes marciais.<br />
<br />
Complicado, né?<br />
<br />
O Anderson fazia aquilo praticamente a vida toda.<br />
<br />
Treinava de 5 a 8 horas por dia.<br />
<br />
Percebem a relação?<br />
<br />
Você começa a conhecer seu rosto.<br />
<br />
Descobre onde o pelo cresce para cima, para baixo, para o lado e, aparentemente, em uma dimensão paralela.<br />
<br />
Descobre quais regiões precisam de mais cuidado.<br />
<br />
Aprende quanto pode pressionar.<br />
<br />
Aprende a ouvir e sentir a lâmina.<br />
<br />
E, principalmente, percebe que não precisa disputar uma corrida com ninguém.<br />
<br />
Eu moro com minha esposa e duas filhas em um apartamento de 65 metros quadrados, com um único banheiro.<br />
<br />
Então existe uma variável que aqueles vídeos de cinco minutos provavelmente não mostram:<br />
<br />
a vida real.<br />
<br />
Se eu quiser fazer a barba com tranquilidade, sem ouvir alguém bater na porta do banheiro a cada cinco minutos, preciso escolher muito bem o horário.<br />
<br />
Fazer a barba depois das 23 horas?<br />
<br />
Nem pensar.<br />
<br />
Fazer a barba cansado, usando uma BIC em um R41 às 11 da noite?<br />
<br />
Por isso, quando quero realmente curtir o processo, gosto de fazer a barba às 7 da manhã de domingo.<br />
<br />
Casa silenciosa.<br />
<br />
Ninguém esmurrando a porta.<br />
<br />
Sem pressa.<br />
<br />
Sem cronômetro imaginário.<br />
<br />
Apenas eu, o barbeador, o sabão, a lâmina e alguns minutos de paz.<br />
<br />
E o resultado costuma ser muito melhor.<br />
<br />
Então, se você está começando no barbear tradicional, não se preocupe em fazer a barba rapidamente.<br />
<br />
Faça um lado do rosto, observe o que aconteceu, e vá repetindo. Com o tempo, você vai conhecendo seu rosto, entendendo o pelo e descobrindo o que funciona melhor para você.<br />
<br />
E teste lâminas.<br />
<br />
Muitas lâminas.<br />
<br />
A lâmina, aliás, é provavelmente uma das partes mais baratas de todo esse hobby e é justamente uma das que mais vale a pena experimentar.<br />
<br />
Você vai encontrar uma que combina melhor com sua pele, seu pelo, seu barbeador e sua maneira de se barbear.<br />
<br />
E, com o tempo, aquela velocidade que você tanto queria simplesmente aparece.<br />
<br />
Sem cronômetro.<br />
<br />
Sem "valendo".<br />
<br />
E, principalmente, sem essa necessidade de transformar o próprio banheiro em uma pista de Fórmula 1.<br />
<br />
Porque, afinal de contas, por que diabos você está achando que está competindo com alguém?<br />
<br />
O sujeito fez a barba em cinco minutos?<br />
<br />
Ótimo para ele.<br />
<br />
Você levou dez?<br />
<br />
E daí?<br />
<br />
A barba é sua.<br />
<br />
O rosto é seu.<br />
<br />
A lâmina é sua.<br />
<br />
E ninguém está entregando medalha para quem terminar primeiro.<br />
<br />
No barbear tradicional, velocidade é consequência, não objetivo.<br />
<br />
Primeiro você aprende a fazer direito. Depois aprende a fazer bem. E, quando percebe, está fazendo rápido.<br />
<br />
Não porque alguém gritou "valendo!", mas porque você simplesmente aprendeu.<br />
<br />
E isso, meu caro jovem gafanhoto, só vem com tempo de voo.<br />
<br />
abs.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Minha trajetória no Barbear Clássico]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1367.html</link>
			<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 21:53:25 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=646">Haok</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1367.html</guid>
			<description><![CDATA[Em outro <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366-post-22396.html#pid22396" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">tópico</a>, o grande amigo Igor (MaximusBrow) me desafiou a contar um resumo da minha trajetória no barbear clássico.<br />
<br />
Portanto, desafio aceito, confrades!<br />
<br />
Para contar como cheguei até aqui, precisei resgatar alguns arquivos antigos e fotos arquivadas. O registro exato do meu primeiro barbear clássico data de 18 de agosto de 2013 (pouco mais de 13 anos atrás).<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O início de tudo</span></span><br />
<br />
Eu sempre tive uma postura bastante questionadora diante das coisas cotidianas. Na época, aos 21 anos, eu trabalhava como produtor e editor de vídeo para um canal no YouTube. Em certa ocasião, fui escalado para cobrir um evento e, durante os preparativos, fui fazer a barba com os velhos multilâminas descartáveis de costume. O resultado foi desastroso: cortes no pescoço, vermelhidão generalizada e uma sequência dolorosa de pelos encravados. Minha pele sempre foi extremamente sensível, e o ato de barbear era um suplício que eu adiava o quanto podia.<br />
<br />
Meu pai já havia abandonado as lâminas há anos e usava aquele barbeador elétrico tradicional da Philips com três discos giratórios. Para mim, o cenário parecia um beco sem saída: ou eu enfrentava a agressão do plástico descartável, ou apelava para aparelhos elétricos que até resolviam pela metade, mas deixavam o rosto com aspecto e toque de lixa d'água.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Como descobri o barbear clássico?</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano, passei a acompanhar com frequência o blog Art of Manliness. Num dia de pura frustração com o estado da minha pele, entrei na seção de Grooming e dei de cara com um artigo que mudaria tudo: um guia completo ensinando a se barbear com uma navalha tradicional de lâmina fixa. Busquei em meus favoritos e descobri que o post ainda existe: <a href="https://www.artofmanliness.com/style/grooming/how-to-straight-razor-shave/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.artofmanliness.com/style/gro...zor-shave/</a>.<br />
<br />
Este artigo causou uma verdadeira expansão na minha cabeça. Comecei a me perguntar: quanto conhecimento prático e secular nós simplesmente jogamos fora em troca de conveniência barata? Será que as dores que eu sentia no rosto já não haviam sido resolvidas com perfeição décadas atrás? Aos 21 anos, fui tomado por uma nostalgia autêntica de um tempo que não vivi. Ficou claro para mim que antigo não significava obsoleto.<br />
<br />
Decidi que queria usar navalhas. Porém, ao pesquisar os preços, esbarrei na barreira financeira da época. A alternativa viável foi começar pelos navalhetes de lâmina partida. Em julho de 2013, importei pela Amazon o meu primeiro equipamento: um Dovo Shavette.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/D0c2ZpmV/Primeiro-setup.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Primeiro-setup.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Completando com um creme Nívea, lâminas Gillette Azul Aço Inox e um pincel sintético de qualidade duvidosa, fiz minha estreia. Apesar da inexperiência total com a empunhadura do navalhete, o barbear foi surpreendentemente decente. Tive pequenos arranhões por pura falta de destreza motora, mas a partir daquele fatídico 18 de agosto de 2013 eu nunca mais soube o que era sofrer com pelos encravados.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A descoberta do fórum</span></span><br />
<br />
Com o tempo, o alívio na pele deu lugar ao encanto pelo ritual. Em 2015 descobri o fórum antigo do BTB através de um convite do Gago no <a href="https://www.barbearclassico.com/index.php" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">fórum vizinho</a> por meio de uma mensagem direta. No mesmo dia me registrei com este mesmo codinome: Haok. <br />
<br />
Pouco tempo depois comprei meu segundo navalhete, um modelo de edição limitada da Antiga Barbearia de Bairro. Nessa época vieram os primeiros cremes da Proraso e meu primeiro pincel de verdade: um Omega 11137 de cerdas de javali, indicação direta do amigo Ulysses (udrako), que conheci nas discussões da comunidade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/CMbC7G9f/Proraso-e-Pincel-Omega.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Proraso-e-Pincel-Omega.png]" class="mycode_img" /></div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Desbravando as terras do Tio Sam</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano viajei a trabalho para os Estados Unidos, e a viagem virou uma verdadeira expedição de caça a equipamentos. Voltei com mais cremes Proraso, loções Lucky Tiger e Aqua Velva, uma Merkur Futur, uma scuttle de cerâmica da Georgetown Pottery e, para o espanto de quem viu minha mala, um autêntico barber pole. Instalei o dito cujo no meu quarto e montei ali o meu refúgio pessoal.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hntpxvnf/Barber-Pole.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Barber-Pole.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Dessa viagem guardo uma memória afetiva que define o espírito deste hobby. O Ulysses me perguntou se eu poderia trazer uma clássica mug da Old Spice que ele estava de olho no eBay, pois a peça trazia lembranças fortes do pai dele. O combinado era enviar para a casa onde eu estava hospedado e eu depois enviaria para ele quando retornasse ao Brasil. Quando a encomenda chegou e abri a caixa, havia duas canecas idênticas. Mandei mensagem avisando que o vendedor americano devia ter se enganado, e o Ulysses me respondeu: "Uma é para mim e a outra é para você, fica de recordação da nossa amizade!".<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/VkvDKSqc/Mug-Old-Spice.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Mug-Old-Spice.jpg]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Esta mug tornou-se uma das peças mais valiosas da minha coleção. Ela representa o elo intangível da transmissão de valores de pai para filho. Como meu pai nunca teve o hábito do barbear clássico para me ensinar, senti que aquele presente simbolizava a minha adoção nesta irmandade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A primeira navalha</span></span><br />
<br />
Ainda em 2015 dei o salto definitivo para as lâminas fixas adquirindo uma Thiers-Issard Evidé Sonnant Extra 6/8. Junto com ela, comprei uma pedra combinada Coticule belga (da finada loja Monad), alguns strops de couro e mergulhei a fundo na arte da afiação e polimento de fio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/J737P0xJ/Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Nesse mesmo período de intensa experimentação, comecei a explorar peças com alma própria: adquiri uma clássica Gillette Tech Ball End, arrematei uma navalha custom de aço damasco num leilão às cegas no Reino Unido, comprei uma mini navalha feita por um cuteleiro gaúcho através de um confrade do antigo fórum e até me aventurei a produzir meu próprio cabo de pincel em madeira, encomendando um nó de pelo de texugo da Frank Shaving para a montagem manual. Estas reunidas eram minhas máquinas nessa fase:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Vs9sDvgk/Colec-a-o-em-2016.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Colec-a-o-em-2016.png]" class="mycode_img" /><br />
<br />
<div style="text-align: left;" class="mycode_align">E este é o pincel artesanal que mencionei anteriormente:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hkj1bkj0/Pincel-Custom.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Pincel-Custom.jpg]" class="mycode_img" /></div>
</div>
</div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O declínio</span></span><br />
<br />
No fim de 2015, no entanto, a vida real cobrou o seu preço. O término traumático de um noivado longo me jogou numa depressão profunda. Me afastei de quase tudo, silenciei nas redes e me distanciei das postagens do fórum.<br />
<br />
Os anos seguintes foram turbulentos. Em 2017, fundei um restaurante com meus pais aqui na cidade. Entre o calor das grelhas, a gestão de equipe e o fechamento do caixa, assumi a operação integral do negócio por vários anos em ritmo implacável. Em 2018 concluí minha graduação em Administração, mas me sentia desconectado de propósito. Foram anos de dedicação extrema, sem finais de semana livres e sem tempo mental para desfrutar das coisas que me traziam serenidade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A vida se ajeitando</span></span><br />
<br />
Em 2021 me casei, e logo após o matrimônio decidi que era hora de virar a página. Alinhei a transição de carreira com a minha família, deixei a operação do restaurante e iniciei minha guinada para a área de tecnologia, onde atuo hoje como Engenheiro de Software.<br />
<br />
Durante toda essa fase de grandes mudanças, eu nunca deixei de usar meu equipamento tradicional na pia do banheiro. Mas o consumo desenfreado cessou. Entendi que o frenesi de compras muitas vezes é apenas uma busca vazia por picos rápidos de dopamina. O tempo me trouxe maturidade: hoje sei que cada peça da minha bancada precisa carregar sentido, história e função real. Isso não quer dizer que eu não tenha uma wishlist, mas hoje ela está bem mais curada do que um dia já foi.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Dos tempos recentes para cá</span></span><br />
<br />
Para não dizer que não entrou nada recente na gaveta, em 2024 minha esposa me presenteou de surpresa com o aparelho de barbear King C. Gillette (aquele lançado inspirado no modelo clássico de 1901). Ela sabia do carinho que eu guardava por esse hobby adormecido e resolveu me fazer esse agrado. Sei que a máquina divide opiniões entre os veteranos, mas a carga de afeto que veio com ela a coloca em lugar nobre na minha rotação.<br />
<br />
Essa é a jornada que me trouxe até aqui. O reencontro recente com este espaço e a conversa inspiradora com um barbeiro tradicional aqui da minha cidade reacenderam a chama da bancada, história que compartilhei no meu relato anterior e que pode ser lido <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1363.html" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">aqui</a>.<br />
<br />
É uma honra estar de volta à convivência dos senhores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Em outro <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366-post-22396.html#pid22396" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">tópico</a>, o grande amigo Igor (MaximusBrow) me desafiou a contar um resumo da minha trajetória no barbear clássico.<br />
<br />
Portanto, desafio aceito, confrades!<br />
<br />
Para contar como cheguei até aqui, precisei resgatar alguns arquivos antigos e fotos arquivadas. O registro exato do meu primeiro barbear clássico data de 18 de agosto de 2013 (pouco mais de 13 anos atrás).<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O início de tudo</span></span><br />
<br />
Eu sempre tive uma postura bastante questionadora diante das coisas cotidianas. Na época, aos 21 anos, eu trabalhava como produtor e editor de vídeo para um canal no YouTube. Em certa ocasião, fui escalado para cobrir um evento e, durante os preparativos, fui fazer a barba com os velhos multilâminas descartáveis de costume. O resultado foi desastroso: cortes no pescoço, vermelhidão generalizada e uma sequência dolorosa de pelos encravados. Minha pele sempre foi extremamente sensível, e o ato de barbear era um suplício que eu adiava o quanto podia.<br />
<br />
Meu pai já havia abandonado as lâminas há anos e usava aquele barbeador elétrico tradicional da Philips com três discos giratórios. Para mim, o cenário parecia um beco sem saída: ou eu enfrentava a agressão do plástico descartável, ou apelava para aparelhos elétricos que até resolviam pela metade, mas deixavam o rosto com aspecto e toque de lixa d'água.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Como descobri o barbear clássico?</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano, passei a acompanhar com frequência o blog Art of Manliness. Num dia de pura frustração com o estado da minha pele, entrei na seção de Grooming e dei de cara com um artigo que mudaria tudo: um guia completo ensinando a se barbear com uma navalha tradicional de lâmina fixa. Busquei em meus favoritos e descobri que o post ainda existe: <a href="https://www.artofmanliness.com/style/grooming/how-to-straight-razor-shave/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.artofmanliness.com/style/gro...zor-shave/</a>.<br />
<br />
Este artigo causou uma verdadeira expansão na minha cabeça. Comecei a me perguntar: quanto conhecimento prático e secular nós simplesmente jogamos fora em troca de conveniência barata? Será que as dores que eu sentia no rosto já não haviam sido resolvidas com perfeição décadas atrás? Aos 21 anos, fui tomado por uma nostalgia autêntica de um tempo que não vivi. Ficou claro para mim que antigo não significava obsoleto.<br />
<br />
Decidi que queria usar navalhas. Porém, ao pesquisar os preços, esbarrei na barreira financeira da época. A alternativa viável foi começar pelos navalhetes de lâmina partida. Em julho de 2013, importei pela Amazon o meu primeiro equipamento: um Dovo Shavette.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/D0c2ZpmV/Primeiro-setup.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Primeiro-setup.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Completando com um creme Nívea, lâminas Gillette Azul Aço Inox e um pincel sintético de qualidade duvidosa, fiz minha estreia. Apesar da inexperiência total com a empunhadura do navalhete, o barbear foi surpreendentemente decente. Tive pequenos arranhões por pura falta de destreza motora, mas a partir daquele fatídico 18 de agosto de 2013 eu nunca mais soube o que era sofrer com pelos encravados.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A descoberta do fórum</span></span><br />
<br />
Com o tempo, o alívio na pele deu lugar ao encanto pelo ritual. Em 2015 descobri o fórum antigo do BTB através de um convite do Gago no <a href="https://www.barbearclassico.com/index.php" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">fórum vizinho</a> por meio de uma mensagem direta. No mesmo dia me registrei com este mesmo codinome: Haok. <br />
<br />
Pouco tempo depois comprei meu segundo navalhete, um modelo de edição limitada da Antiga Barbearia de Bairro. Nessa época vieram os primeiros cremes da Proraso e meu primeiro pincel de verdade: um Omega 11137 de cerdas de javali, indicação direta do amigo Ulysses (udrako), que conheci nas discussões da comunidade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/CMbC7G9f/Proraso-e-Pincel-Omega.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Proraso-e-Pincel-Omega.png]" class="mycode_img" /></div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Desbravando as terras do Tio Sam</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano viajei a trabalho para os Estados Unidos, e a viagem virou uma verdadeira expedição de caça a equipamentos. Voltei com mais cremes Proraso, loções Lucky Tiger e Aqua Velva, uma Merkur Futur, uma scuttle de cerâmica da Georgetown Pottery e, para o espanto de quem viu minha mala, um autêntico barber pole. Instalei o dito cujo no meu quarto e montei ali o meu refúgio pessoal.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hntpxvnf/Barber-Pole.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Barber-Pole.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Dessa viagem guardo uma memória afetiva que define o espírito deste hobby. O Ulysses me perguntou se eu poderia trazer uma clássica mug da Old Spice que ele estava de olho no eBay, pois a peça trazia lembranças fortes do pai dele. O combinado era enviar para a casa onde eu estava hospedado e eu depois enviaria para ele quando retornasse ao Brasil. Quando a encomenda chegou e abri a caixa, havia duas canecas idênticas. Mandei mensagem avisando que o vendedor americano devia ter se enganado, e o Ulysses me respondeu: "Uma é para mim e a outra é para você, fica de recordação da nossa amizade!".<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/VkvDKSqc/Mug-Old-Spice.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Mug-Old-Spice.jpg]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Esta mug tornou-se uma das peças mais valiosas da minha coleção. Ela representa o elo intangível da transmissão de valores de pai para filho. Como meu pai nunca teve o hábito do barbear clássico para me ensinar, senti que aquele presente simbolizava a minha adoção nesta irmandade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A primeira navalha</span></span><br />
<br />
Ainda em 2015 dei o salto definitivo para as lâminas fixas adquirindo uma Thiers-Issard Evidé Sonnant Extra 6/8. Junto com ela, comprei uma pedra combinada Coticule belga (da finada loja Monad), alguns strops de couro e mergulhei a fundo na arte da afiação e polimento de fio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/J737P0xJ/Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Nesse mesmo período de intensa experimentação, comecei a explorar peças com alma própria: adquiri uma clássica Gillette Tech Ball End, arrematei uma navalha custom de aço damasco num leilão às cegas no Reino Unido, comprei uma mini navalha feita por um cuteleiro gaúcho através de um confrade do antigo fórum e até me aventurei a produzir meu próprio cabo de pincel em madeira, encomendando um nó de pelo de texugo da Frank Shaving para a montagem manual. Estas reunidas eram minhas máquinas nessa fase:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Vs9sDvgk/Colec-a-o-em-2016.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Colec-a-o-em-2016.png]" class="mycode_img" /><br />
<br />
<div style="text-align: left;" class="mycode_align">E este é o pincel artesanal que mencionei anteriormente:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hkj1bkj0/Pincel-Custom.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Pincel-Custom.jpg]" class="mycode_img" /></div>
</div>
</div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O declínio</span></span><br />
<br />
No fim de 2015, no entanto, a vida real cobrou o seu preço. O término traumático de um noivado longo me jogou numa depressão profunda. Me afastei de quase tudo, silenciei nas redes e me distanciei das postagens do fórum.<br />
<br />
Os anos seguintes foram turbulentos. Em 2017, fundei um restaurante com meus pais aqui na cidade. Entre o calor das grelhas, a gestão de equipe e o fechamento do caixa, assumi a operação integral do negócio por vários anos em ritmo implacável. Em 2018 concluí minha graduação em Administração, mas me sentia desconectado de propósito. Foram anos de dedicação extrema, sem finais de semana livres e sem tempo mental para desfrutar das coisas que me traziam serenidade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A vida se ajeitando</span></span><br />
<br />
Em 2021 me casei, e logo após o matrimônio decidi que era hora de virar a página. Alinhei a transição de carreira com a minha família, deixei a operação do restaurante e iniciei minha guinada para a área de tecnologia, onde atuo hoje como Engenheiro de Software.<br />
<br />
Durante toda essa fase de grandes mudanças, eu nunca deixei de usar meu equipamento tradicional na pia do banheiro. Mas o consumo desenfreado cessou. Entendi que o frenesi de compras muitas vezes é apenas uma busca vazia por picos rápidos de dopamina. O tempo me trouxe maturidade: hoje sei que cada peça da minha bancada precisa carregar sentido, história e função real. Isso não quer dizer que eu não tenha uma wishlist, mas hoje ela está bem mais curada do que um dia já foi.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Dos tempos recentes para cá</span></span><br />
<br />
Para não dizer que não entrou nada recente na gaveta, em 2024 minha esposa me presenteou de surpresa com o aparelho de barbear King C. Gillette (aquele lançado inspirado no modelo clássico de 1901). Ela sabia do carinho que eu guardava por esse hobby adormecido e resolveu me fazer esse agrado. Sei que a máquina divide opiniões entre os veteranos, mas a carga de afeto que veio com ela a coloca em lugar nobre na minha rotação.<br />
<br />
Essa é a jornada que me trouxe até aqui. O reencontro recente com este espaço e a conversa inspiradora com um barbeiro tradicional aqui da minha cidade reacenderam a chama da bancada, história que compartilhei no meu relato anterior e que pode ser lido <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1363.html" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">aqui</a>.<br />
<br />
É uma honra estar de volta à convivência dos senhores.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Pergunta aos amigos do BTB.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366.html</link>
			<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 14:47:14 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366.html</guid>
			<description><![CDATA[Pergunta aos amigos do BTB.<br />
<br />
Caros amigos do barbear tradicional,<br />
<br />
Gostaria de fazer uma pergunta aos amigos do fórum: qual tema vocês mais gostam de conversar, discutir e trocar ideias quando o assunto é barbear clássico?<br />
<br />
Lâminas? Safety razors? Pincéis? Sabões e cremes? Navalhas?, as fotos do Insta do João Americo?<br />
<br />
Eu, particularmente, gosto muito de falar sobre três assuntos:<br />
<br />
1. Barbeadores vintage. É algo que aprecio muito e sobre o qual consigo passar horas conversando com um amigo.<br />
<br />
2. Barbeadores open comb. É, sem dúvida, o meu estilo preferido de barbeador.<br />
<br />
3. E, finalmente, falar mal do King C. Gillette.<br />
<br />
Sim, eu simplesmente não consigo compreender como um aparelho tão aquém do nome que carrega pode ser associado ao próprio criador da Gillette.<br />
<br />
A máquina é cara, pouco eficiente e, na minha opinião, absolutamente indigna da alcunha que recebeu.<br />
<br />
Confesso aos vossos senhores que, quando estou de mal com a vida, vou para o meu banheiro com o KCG na mão, observo-o atentamente e o insulto das formas mais inimagináveis.<br />
<br />
E, depois de três ou quatro minutos nessa prática, estou pronto para encarar a vida de frente. Nada de Rivotril... apenas uma boa sessão de desabafo.<br />
<br />
Mas vamos deixar minhas preferências e minhas amarguras de lado.<br />
<br />
Quero saber de vocês: quais são os temas de que vocês mais gostam de falar, discutir, debater e trocar experiências?<br />
<br />
Lâminas, máquinas, técnicas, história, fabricantes, produtos ou alguma outra coisa?<br />
<br />
Estou curioso para saber.<br />
<br />
Abraços,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Pergunta aos amigos do BTB.<br />
<br />
Caros amigos do barbear tradicional,<br />
<br />
Gostaria de fazer uma pergunta aos amigos do fórum: qual tema vocês mais gostam de conversar, discutir e trocar ideias quando o assunto é barbear clássico?<br />
<br />
Lâminas? Safety razors? Pincéis? Sabões e cremes? Navalhas?, as fotos do Insta do João Americo?<br />
<br />
Eu, particularmente, gosto muito de falar sobre três assuntos:<br />
<br />
1. Barbeadores vintage. É algo que aprecio muito e sobre o qual consigo passar horas conversando com um amigo.<br />
<br />
2. Barbeadores open comb. É, sem dúvida, o meu estilo preferido de barbeador.<br />
<br />
3. E, finalmente, falar mal do King C. Gillette.<br />
<br />
Sim, eu simplesmente não consigo compreender como um aparelho tão aquém do nome que carrega pode ser associado ao próprio criador da Gillette.<br />
<br />
A máquina é cara, pouco eficiente e, na minha opinião, absolutamente indigna da alcunha que recebeu.<br />
<br />
Confesso aos vossos senhores que, quando estou de mal com a vida, vou para o meu banheiro com o KCG na mão, observo-o atentamente e o insulto das formas mais inimagináveis.<br />
<br />
E, depois de três ou quatro minutos nessa prática, estou pronto para encarar a vida de frente. Nada de Rivotril... apenas uma boa sessão de desabafo.<br />
<br />
Mas vamos deixar minhas preferências e minhas amarguras de lado.<br />
<br />
Quero saber de vocês: quais são os temas de que vocês mais gostam de falar, discutir, debater e trocar experiências?<br />
<br />
Lâminas, máquinas, técnicas, história, fabricantes, produtos ou alguma outra coisa?<br />
<br />
Estou curioso para saber.<br />
<br />
Abraços,]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Por que os homens vivem menos?]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1364.html</link>
			<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 11:56:27 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1364.html</guid>
			<description><![CDATA[Por que os homens vivem menos?<br />
<br />
A ciência já encontrou várias explicações. Genética, comportamento, acidentes, doenças cardiovasculares, alimentação, estresse, hábitos de vida, tentativa frenética de se divertir com tudo?<br />
<br />
Eu tenho outra teoria.<br />
<br />
O problema começa quando o homem descobre que quase tudo pode esperar.<br />
<br />
Não é exatamente negligência. É uma habilidade. Homem é especialista em postergar problema.<br />
<br />
A torneira começa a pingar.<br />
<br />
“Depois eu vejo.”<br />
<br />
O botão do controle remoto precisa apertar três vezes.<br />
<br />
“É a pilha.”<br />
<br />
O tênis começa a abrir na lateral.<br />
<br />
“Dá para usar mais um pouco.”<br />
<br />
O carro acende uma luz no painel.<br />
<br />
“Essa aí sempre acende.”<br />
<br />
Não é que ele ignore o problema. Ele simplesmente estabelece prioridades.<br />
<br />
E, quando o assunto é o próprio corpo, o método continua funcionando perfeitamente.<br />
<br />
Acorda com uma dor estranha.<br />
<br />
“Deve ser jeito que eu dormi.”<br />
<br />
Dura três dias.<br />
<br />
“Deve ser postura.”<br />
<br />
Dura duas semanas.<br />
<br />
“Deve ser coluna.”<br />
<br />
Depois começa a incomodar o braço.<br />
<br />
“É porque estou trabalhando muito.”<br />
<br />
E assim o sujeito vai acumulando pequenos avisos, até que um dia, incapacitado para sair de rolezinho com os brothers, decide finalmente procurar ajuda.<br />
<br />
O médico pergunta:<br />
<br />
“Há quanto tempo você está sentindo isso?”<br />
<br />
O homem faz uma pequena pausa.<br />
<br />
“Uns oito meses.”<br />
<br />
“E por que não veio antes?”<br />
<br />
O homem olha para ele com a serenidade de quem realmente não entende a pergunta.<br />
<br />
“Porque não estava tão ruim.”<br />
<br />
Talvez esteja aí uma das razões.<br />
<br />
Homem não costuma medir o perigo pelo que está acontecendo. Mede pelo quanto aquilo está atrapalhando.<br />
<br />
Se consegue andar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue trabalhar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue ir no churras, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue levantar da cadeira sem gemer, está excelente.<br />
<br />
O curioso é que o homem sabe fazer manutenção preventiva.<br />
<br />
Troca óleo. Calibra pneu. Faz backup. Atualiza celular.<br />
<br />
Pesquisa durante três horas antes de comprar qualquer equipamento.<br />
<br />
Pode desmontar um barbeador de 60 anos, limpar cada peça, estudar o código de fabricação e discutir durante três horas se determinado cabo é original.<br />
<br />
Mas, se sentir alguma coisa estranha no próprio corpo, toda essa capacidade investigativa desaparece.<br />
<br />
A análise científica termina assim:<br />
<br />
“Vou abrir o Google.”<br />
<br />
Três minutos depois:<br />
<br />
“É gases.”<br />
<br />
Enquanto assiste ao jogo, pensa:<br />
<br />
“Não devia ter repetido aquela feijoada três vezes.”<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Diagnóstico concluído.<br />
<br />
Nem precisa de médico, viu.<br />
<br />
“Gastar com convênio? Pra quê? Tenho só 45 anos.”<br />
<br />
O mais irônico é que esse mesmo sujeito consegue passar três horas lendo fóruns, vendo vídeos no YouTube sobre barbear clássico, reviews de lâminas, barbeadores, pincéis, sabões e qualquer outra coisa que tenha a ver com o que ele gosta.<br />
<br />
Consegue comparar cinco barbeadores que fazem exatamente a mesma coisa.<br />
<br />
Consegue descobrir que uma lâmina fabricada em determinado país é 0,2% mais afiada.<br />
<br />
Consegue discutir se um pincel sintético tem mais backbone.<br />
<br />
Consegue saber todos os códigos da Gillette desde a Segunda Guerra Mundial de cor...<br />
<br />
Mas não consegue lembrar o próprio tipo sanguíneo.<br />
<br />
E não consegue passar três minutos tentando marcar uma consulta no app do convênio.<br />
<br />
Porque aí já envolve saúde.<br />
<br />
E saúde, aparentemente, é assunto para depois, muito depois...<br />
<br />
“Sou jovem, cara. Minha mãe sempre dizia que eu tinha a saúde de um cavalo.”<br />
<br />
“Além disso, tô ocupado lendo o tópico Barbear do Dia.”<br />
<br />
O homem pode investigar durante uma semana qual after comprar.<br />
<br />
Mas, diante de uma dor que está incomodando há meses, prefere confiar na própria teoria de que, se você ignorar, ela some.<br />
<br />
E a teoria quase sempre é alguma variação de:<br />
<br />
“Não deve ser nada.”<br />
<br />
“Preciso dar uma maneirada no bacon.”<br />
<br />
“No próximo jogo, vou ficar no gol.”<br />
<br />
Talvez seja por isso que os homens vivam menos.<br />
<br />
Não porque não saibam cuidar das coisas.<br />
<br />
Pelo contrário.<br />
<br />
Nós cuidamos muito bem delas... pelo menos das que mais gostamos.<br />
<br />
O corpo ficou para depois.<br />
<br />
Como quase tudo.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Por que os homens vivem menos?<br />
<br />
A ciência já encontrou várias explicações. Genética, comportamento, acidentes, doenças cardiovasculares, alimentação, estresse, hábitos de vida, tentativa frenética de se divertir com tudo?<br />
<br />
Eu tenho outra teoria.<br />
<br />
O problema começa quando o homem descobre que quase tudo pode esperar.<br />
<br />
Não é exatamente negligência. É uma habilidade. Homem é especialista em postergar problema.<br />
<br />
A torneira começa a pingar.<br />
<br />
“Depois eu vejo.”<br />
<br />
O botão do controle remoto precisa apertar três vezes.<br />
<br />
“É a pilha.”<br />
<br />
O tênis começa a abrir na lateral.<br />
<br />
“Dá para usar mais um pouco.”<br />
<br />
O carro acende uma luz no painel.<br />
<br />
“Essa aí sempre acende.”<br />
<br />
Não é que ele ignore o problema. Ele simplesmente estabelece prioridades.<br />
<br />
E, quando o assunto é o próprio corpo, o método continua funcionando perfeitamente.<br />
<br />
Acorda com uma dor estranha.<br />
<br />
“Deve ser jeito que eu dormi.”<br />
<br />
Dura três dias.<br />
<br />
“Deve ser postura.”<br />
<br />
Dura duas semanas.<br />
<br />
“Deve ser coluna.”<br />
<br />
Depois começa a incomodar o braço.<br />
<br />
“É porque estou trabalhando muito.”<br />
<br />
E assim o sujeito vai acumulando pequenos avisos, até que um dia, incapacitado para sair de rolezinho com os brothers, decide finalmente procurar ajuda.<br />
<br />
O médico pergunta:<br />
<br />
“Há quanto tempo você está sentindo isso?”<br />
<br />
O homem faz uma pequena pausa.<br />
<br />
“Uns oito meses.”<br />
<br />
“E por que não veio antes?”<br />
<br />
O homem olha para ele com a serenidade de quem realmente não entende a pergunta.<br />
<br />
“Porque não estava tão ruim.”<br />
<br />
Talvez esteja aí uma das razões.<br />
<br />
Homem não costuma medir o perigo pelo que está acontecendo. Mede pelo quanto aquilo está atrapalhando.<br />
<br />
Se consegue andar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue trabalhar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue ir no churras, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue levantar da cadeira sem gemer, está excelente.<br />
<br />
O curioso é que o homem sabe fazer manutenção preventiva.<br />
<br />
Troca óleo. Calibra pneu. Faz backup. Atualiza celular.<br />
<br />
Pesquisa durante três horas antes de comprar qualquer equipamento.<br />
<br />
Pode desmontar um barbeador de 60 anos, limpar cada peça, estudar o código de fabricação e discutir durante três horas se determinado cabo é original.<br />
<br />
Mas, se sentir alguma coisa estranha no próprio corpo, toda essa capacidade investigativa desaparece.<br />
<br />
A análise científica termina assim:<br />
<br />
“Vou abrir o Google.”<br />
<br />
Três minutos depois:<br />
<br />
“É gases.”<br />
<br />
Enquanto assiste ao jogo, pensa:<br />
<br />
“Não devia ter repetido aquela feijoada três vezes.”<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Diagnóstico concluído.<br />
<br />
Nem precisa de médico, viu.<br />
<br />
“Gastar com convênio? Pra quê? Tenho só 45 anos.”<br />
<br />
O mais irônico é que esse mesmo sujeito consegue passar três horas lendo fóruns, vendo vídeos no YouTube sobre barbear clássico, reviews de lâminas, barbeadores, pincéis, sabões e qualquer outra coisa que tenha a ver com o que ele gosta.<br />
<br />
Consegue comparar cinco barbeadores que fazem exatamente a mesma coisa.<br />
<br />
Consegue descobrir que uma lâmina fabricada em determinado país é 0,2% mais afiada.<br />
<br />
Consegue discutir se um pincel sintético tem mais backbone.<br />
<br />
Consegue saber todos os códigos da Gillette desde a Segunda Guerra Mundial de cor...<br />
<br />
Mas não consegue lembrar o próprio tipo sanguíneo.<br />
<br />
E não consegue passar três minutos tentando marcar uma consulta no app do convênio.<br />
<br />
Porque aí já envolve saúde.<br />
<br />
E saúde, aparentemente, é assunto para depois, muito depois...<br />
<br />
“Sou jovem, cara. Minha mãe sempre dizia que eu tinha a saúde de um cavalo.”<br />
<br />
“Além disso, tô ocupado lendo o tópico Barbear do Dia.”<br />
<br />
O homem pode investigar durante uma semana qual after comprar.<br />
<br />
Mas, diante de uma dor que está incomodando há meses, prefere confiar na própria teoria de que, se você ignorar, ela some.<br />
<br />
E a teoria quase sempre é alguma variação de:<br />
<br />
“Não deve ser nada.”<br />
<br />
“Preciso dar uma maneirada no bacon.”<br />
<br />
“No próximo jogo, vou ficar no gol.”<br />
<br />
Talvez seja por isso que os homens vivam menos.<br />
<br />
Não porque não saibam cuidar das coisas.<br />
<br />
Pelo contrário.<br />
<br />
Nós cuidamos muito bem delas... pelo menos das que mais gostamos.<br />
<br />
O corpo ficou para depois.<br />
<br />
Como quase tudo.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1362.html</link>
			<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 11:37:22 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1362.html</guid>
			<description><![CDATA[Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??<br />
<br />
Existe uma pergunta que volta e meia aparece no barbear tradicional:<br />
<br />
Afinal, o que dá mais prazer? Usar uma máquina moderna, precisa, projetada por engenheiros que provavelmente nunca viram uma lâmina DE sendo usada, ou colocar uma lâmina em um barbeador que já estava trabalhando quando nossos pais ainda mijavam nas fraldas??<br />
<br />
Eu já pensei bastante nisso.<br />
<br />
Tenho máquinas modernas muito boas. Tenho minha Rockwell T2, Mühle R41, Parker e, recentemente, comprei uma Yaqi The Final Cut. E preciso fazer justiça à máquina: é excelente. Robusta, ajustes precisos e um cabo relativamente curto, que deixa o conjunto muito bom na mão. É daquelas máquinas que você pega e já percebe que fizeram um negócio direito.<br />
<br />
Mas, quando a conversa é sobre prazer, e não simplesmente sobre eficiência, para mim a coisa muda um pouco.<br />
<br />
Talvez eu tenha aprendido isso com meu irmão mais velho.<br />
<br />
Ele sempre gostou de carros antigos. E não daquele jeito de comprar um carro velho, colocar numa garagem, passar um pano e ficar olhando para ele. Meu irmão gosta é de andar nos carros.<br />
<br />
Já teve dois Fuscas placa preta, um Opala 1973 também placa preta, restaurou uma Brasília quatro portas e, numa dessas loucuras que só quem gosta de carro antigo entende, trouxe a Brasília andando de Belo Horizonte até São Paulo.<br />
<br />
E olha que a Brasília estava precisando urgentemente de restauração.<br />
<br />
Mesmo assim, veio.<br />
<br />
Foi parado uma vez na estrada. Segundo ele, muito mais pela curiosidade do policial em ver uma Brasília quatro portas do que por qualquer outro motivo. Não sei se foi exatamente assim, mas conhecendo meu irmão, é bem possível.<br />
<br />
Ele também já teve um Dodge RT lindo.<br />
<br />
Hoje tem carros modernos, mas continua falando dos antigos.<br />
<br />
Lembro de uma feira de carros aqui em São Paulo. Quando aparecia um Galaxie, um Maverick ou qualquer uma daquelas aberrações maravilhosas da indústria automobilística brasileira, ele olhava e dizia:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Não precisava explicar mais nada.<br />
<br />
Uma vez andei com ele em uma BMW moderna. Não lembro o modelo, então vou preservar minha dignidade e não inventar.<br />
<br />
Meu irmão passou boa parte do passeio reclamando.<br />
<br />
"Olha que dirigibilidade ruim."<br />
<br />
"O carro é duro."<br />
<br />
Eu pensava comigo:<br />
<br />
O sujeito atravessou o Brasil inteiro numa Brasília que estava pedindo arrego e agora está reclamando de uma BMW.<br />
<br />
Mas a parte que mais me chamava atenção era outra.<br />
<br />
Na casa dele havia uma cobertura para quatro carros. Os clássicos ficavam lá, protegidos, cobertos, enquanto os carros modernos, como a Commander ou a LD200, ficavam do lado de fora, tomando chuva.<br />
<br />
Minha cunhada achava aquilo um absurdo.<br />
<br />
Meu irmão e eu achávamos perfeitamente normal.<br />
<br />
E talvez seja por isso que eu entenda um pouco essa história dos barbeadores vintage.<br />
<br />
Porque você pega um Gillette ABC, um Old Type, um Apollo Travel da década de 1940 ou outra dessas velharias e pensa: isso aqui já deveria ter virado história há muito tempo.<br />
<br />
Aí coloca uma lâmina.<br />
<br />
Passa o pincel.<br />
<br />
E vai fazer a barba.<br />
<br />
É aí que a coisa fica interessante.<br />
<br />
Você olha para aquele pedaço de metal, que já tem décadas nas costas, e pensa:<br />
<br />
"Caramba. Isso ainda funciona."<br />
<br />
E funciona mesmo.<br />
<br />
Claro que eu não estou dizendo que todo barbeador antigo é maravilhoso. Tem muita porcaria vintage por aí. Tem máquina velha que deveria continuar exatamente onde estava: esquecida numa gaveta, junto com moedas antigas, botões e aquela chave que ninguém sabe mais de qual porta era.<br />
<br />
Vintage não é sinônimo de bom.<br />
<br />
Da mesma forma que moderno não é sinônimo de ruim.<br />
<br />
Mas, para mim, existe uma diferença na sensação de pegar uma ferramenta nova e colocar uma ferramenta antiga para trabalhar.<br />
<br />
Quando pego um Gillette Old Type, não estou apenas fazendo a barba. Estou usando uma máquina que já passou por outras mãos e atravessou gerações.<br />
<br />
Com o ABC acontece a mesma coisa. Tem a construção, o acabamento, o peso, a maneira como a peça foi feita. É uma coisa que foi produzida numa época em que aparentemente alguém ainda esperava que aquilo durasse bastante.<br />
<br />
E aí aparece um Apollo Travel dos anos 1940.<br />
<br />
Aquilo não está na minha coleção para ficar bonito na prateleira.<br />
<br />
Eu quero colocar uma lâmina e descobrir como uma máquina dessas se comporta depois de todo esse tempo.<br />
<br />
É isso que eu acho interessante.<br />
<br />
Não é só nostalgia.<br />
<br />
É pegar uma coisa antiga e descobrir que ela ainda dá conta do trabalho.<br />
<br />
No começo deste mês aconteceu outra coisa que deixou essa conversa ainda mais interessante para mim.<br />
<br />
Recebi de presente um Gillette Fatboy G1 enviado pelo Geo Fatboy, provavelmente o whatshaver mais conhecido do YouTube.<br />
<br />
Sim.<br />
<br />
Um Fatboy do Geo Fatboy.<br />
<br />
A máquina chegou em excelente estado. As portas abrem uniformemente, o mecanismo está funcionando muito bem e a regulagem de agressividade está perfeita.<br />
<br />
Não pude me aguentar e enviei as fotos para o Leo e para o Thonny.<br />
<br />
Pedi conselhos para o Leo sobre como limpar o barbeador. E o Thonny, educado e atencioso como só ele é, disse:<br />
<br />
"Maximus, apenas um conselho: quando for regular a agressividade, abra as portas do barbeador, ok?"<br />
<br />
Ontem finalmente coloquei uma lâmina nele e fiz a barba.<br />
<br />
Não vou entrar nos detalhes agora porque o Fatboy merece um post só para ele. Em breve compartilho com vocês.<br />
<br />
E, junto com o barbeador, o Geo ainda me mandou uma pedra de alúmen da Osma, marca francesa que fabrica esse produto desde 1957.<br />
<br />
Depois desse barbear fiquei pensando justamente nessa história.<br />
<br />
Por que uma máquina com mais de seis décadas consegue dar uma satisfação dessas?<br />
<br />
Talvez seja simplesmente porque você sabe que aquilo não deveria mais estar ali funcionando tão bem.<br />
<br />
Um pedaço de metal fabricado há décadas, que passou por sabe-se lá quantas mãos, ficou quieto durante anos e, de repente, você coloca uma lâmina nele e ele volta ao trabalho.<br />
<br />
E faz o serviço.<br />
<br />
Ou faz a mágica.<br />
<br />
Sem aplicativo, sem bateria, sem Bluetooth e sem pedir licença para ninguém.<br />
<br />
Talvez seja por isso que eu entenda meu irmão quando ele olha para um Galaxie ou um Maverick e diz:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
Eu olho para um Old Type, um ABC, um Apollo Travel, um Aristocrat ou um Fatboy e penso quase a mesma coisa:<br />
<br />
"Isso aqui é um barbeador."<br />
<br />
Agora quero saber de vocês.<br />
<br />
Qual aparelho dá mais prazer?<br />
<br />
Aquele moderno, recém-saído da caixa, com engenharia atual e tudo funcionando como deveria?<br />
<br />
Ou aquela velha máquina que já viu mais décadas do que muitos de nós e que, quando chega a hora de trabalhar, é só colocar a lâmina que ela faz o serviço?<br />
<br />
Não quero saber qual é tecnicamente melhor.<br />
<br />
Quero saber qual dá mais satisfação.<br />
<br />
Porque são coisas diferentes.<br />
<br />
Me contem: vintage ou moderno?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??<br />
<br />
Existe uma pergunta que volta e meia aparece no barbear tradicional:<br />
<br />
Afinal, o que dá mais prazer? Usar uma máquina moderna, precisa, projetada por engenheiros que provavelmente nunca viram uma lâmina DE sendo usada, ou colocar uma lâmina em um barbeador que já estava trabalhando quando nossos pais ainda mijavam nas fraldas??<br />
<br />
Eu já pensei bastante nisso.<br />
<br />
Tenho máquinas modernas muito boas. Tenho minha Rockwell T2, Mühle R41, Parker e, recentemente, comprei uma Yaqi The Final Cut. E preciso fazer justiça à máquina: é excelente. Robusta, ajustes precisos e um cabo relativamente curto, que deixa o conjunto muito bom na mão. É daquelas máquinas que você pega e já percebe que fizeram um negócio direito.<br />
<br />
Mas, quando a conversa é sobre prazer, e não simplesmente sobre eficiência, para mim a coisa muda um pouco.<br />
<br />
Talvez eu tenha aprendido isso com meu irmão mais velho.<br />
<br />
Ele sempre gostou de carros antigos. E não daquele jeito de comprar um carro velho, colocar numa garagem, passar um pano e ficar olhando para ele. Meu irmão gosta é de andar nos carros.<br />
<br />
Já teve dois Fuscas placa preta, um Opala 1973 também placa preta, restaurou uma Brasília quatro portas e, numa dessas loucuras que só quem gosta de carro antigo entende, trouxe a Brasília andando de Belo Horizonte até São Paulo.<br />
<br />
E olha que a Brasília estava precisando urgentemente de restauração.<br />
<br />
Mesmo assim, veio.<br />
<br />
Foi parado uma vez na estrada. Segundo ele, muito mais pela curiosidade do policial em ver uma Brasília quatro portas do que por qualquer outro motivo. Não sei se foi exatamente assim, mas conhecendo meu irmão, é bem possível.<br />
<br />
Ele também já teve um Dodge RT lindo.<br />
<br />
Hoje tem carros modernos, mas continua falando dos antigos.<br />
<br />
Lembro de uma feira de carros aqui em São Paulo. Quando aparecia um Galaxie, um Maverick ou qualquer uma daquelas aberrações maravilhosas da indústria automobilística brasileira, ele olhava e dizia:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Não precisava explicar mais nada.<br />
<br />
Uma vez andei com ele em uma BMW moderna. Não lembro o modelo, então vou preservar minha dignidade e não inventar.<br />
<br />
Meu irmão passou boa parte do passeio reclamando.<br />
<br />
"Olha que dirigibilidade ruim."<br />
<br />
"O carro é duro."<br />
<br />
Eu pensava comigo:<br />
<br />
O sujeito atravessou o Brasil inteiro numa Brasília que estava pedindo arrego e agora está reclamando de uma BMW.<br />
<br />
Mas a parte que mais me chamava atenção era outra.<br />
<br />
Na casa dele havia uma cobertura para quatro carros. Os clássicos ficavam lá, protegidos, cobertos, enquanto os carros modernos, como a Commander ou a LD200, ficavam do lado de fora, tomando chuva.<br />
<br />
Minha cunhada achava aquilo um absurdo.<br />
<br />
Meu irmão e eu achávamos perfeitamente normal.<br />
<br />
E talvez seja por isso que eu entenda um pouco essa história dos barbeadores vintage.<br />
<br />
Porque você pega um Gillette ABC, um Old Type, um Apollo Travel da década de 1940 ou outra dessas velharias e pensa: isso aqui já deveria ter virado história há muito tempo.<br />
<br />
Aí coloca uma lâmina.<br />
<br />
Passa o pincel.<br />
<br />
E vai fazer a barba.<br />
<br />
É aí que a coisa fica interessante.<br />
<br />
Você olha para aquele pedaço de metal, que já tem décadas nas costas, e pensa:<br />
<br />
"Caramba. Isso ainda funciona."<br />
<br />
E funciona mesmo.<br />
<br />
Claro que eu não estou dizendo que todo barbeador antigo é maravilhoso. Tem muita porcaria vintage por aí. Tem máquina velha que deveria continuar exatamente onde estava: esquecida numa gaveta, junto com moedas antigas, botões e aquela chave que ninguém sabe mais de qual porta era.<br />
<br />
Vintage não é sinônimo de bom.<br />
<br />
Da mesma forma que moderno não é sinônimo de ruim.<br />
<br />
Mas, para mim, existe uma diferença na sensação de pegar uma ferramenta nova e colocar uma ferramenta antiga para trabalhar.<br />
<br />
Quando pego um Gillette Old Type, não estou apenas fazendo a barba. Estou usando uma máquina que já passou por outras mãos e atravessou gerações.<br />
<br />
Com o ABC acontece a mesma coisa. Tem a construção, o acabamento, o peso, a maneira como a peça foi feita. É uma coisa que foi produzida numa época em que aparentemente alguém ainda esperava que aquilo durasse bastante.<br />
<br />
E aí aparece um Apollo Travel dos anos 1940.<br />
<br />
Aquilo não está na minha coleção para ficar bonito na prateleira.<br />
<br />
Eu quero colocar uma lâmina e descobrir como uma máquina dessas se comporta depois de todo esse tempo.<br />
<br />
É isso que eu acho interessante.<br />
<br />
Não é só nostalgia.<br />
<br />
É pegar uma coisa antiga e descobrir que ela ainda dá conta do trabalho.<br />
<br />
No começo deste mês aconteceu outra coisa que deixou essa conversa ainda mais interessante para mim.<br />
<br />
Recebi de presente um Gillette Fatboy G1 enviado pelo Geo Fatboy, provavelmente o whatshaver mais conhecido do YouTube.<br />
<br />
Sim.<br />
<br />
Um Fatboy do Geo Fatboy.<br />
<br />
A máquina chegou em excelente estado. As portas abrem uniformemente, o mecanismo está funcionando muito bem e a regulagem de agressividade está perfeita.<br />
<br />
Não pude me aguentar e enviei as fotos para o Leo e para o Thonny.<br />
<br />
Pedi conselhos para o Leo sobre como limpar o barbeador. E o Thonny, educado e atencioso como só ele é, disse:<br />
<br />
"Maximus, apenas um conselho: quando for regular a agressividade, abra as portas do barbeador, ok?"<br />
<br />
Ontem finalmente coloquei uma lâmina nele e fiz a barba.<br />
<br />
Não vou entrar nos detalhes agora porque o Fatboy merece um post só para ele. Em breve compartilho com vocês.<br />
<br />
E, junto com o barbeador, o Geo ainda me mandou uma pedra de alúmen da Osma, marca francesa que fabrica esse produto desde 1957.<br />
<br />
Depois desse barbear fiquei pensando justamente nessa história.<br />
<br />
Por que uma máquina com mais de seis décadas consegue dar uma satisfação dessas?<br />
<br />
Talvez seja simplesmente porque você sabe que aquilo não deveria mais estar ali funcionando tão bem.<br />
<br />
Um pedaço de metal fabricado há décadas, que passou por sabe-se lá quantas mãos, ficou quieto durante anos e, de repente, você coloca uma lâmina nele e ele volta ao trabalho.<br />
<br />
E faz o serviço.<br />
<br />
Ou faz a mágica.<br />
<br />
Sem aplicativo, sem bateria, sem Bluetooth e sem pedir licença para ninguém.<br />
<br />
Talvez seja por isso que eu entenda meu irmão quando ele olha para um Galaxie ou um Maverick e diz:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
Eu olho para um Old Type, um ABC, um Apollo Travel, um Aristocrat ou um Fatboy e penso quase a mesma coisa:<br />
<br />
"Isso aqui é um barbeador."<br />
<br />
Agora quero saber de vocês.<br />
<br />
Qual aparelho dá mais prazer?<br />
<br />
Aquele moderno, recém-saído da caixa, com engenharia atual e tudo funcionando como deveria?<br />
<br />
Ou aquela velha máquina que já viu mais décadas do que muitos de nós e que, quando chega a hora de trabalhar, é só colocar a lâmina que ela faz o serviço?<br />
<br />
Não quero saber qual é tecnicamente melhor.<br />
<br />
Quero saber qual dá mais satisfação.<br />
<br />
Porque são coisas diferentes.<br />
<br />
Me contem: vintage ou moderno?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Procura-se desesperadamente: um barbeiro raiz.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1361.html</link>
			<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 14:49:51 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1361.html</guid>
			<description><![CDATA[Procura-se desesperadamente: um barbeiro raiz.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro foi uma figura tão comum na cidade quanto o padeiro, o açougueiro ou o dono do boteco.<br />
<br />
Em praticamente qualquer bairro havia uma barbearia. Normalmente era um lugar pequeno, com duas ou três cadeiras, espelhos grandes, algumas revistas e aquele cheiro característico de loção pós-barba. O barbeiro conhecia os clientes pelo nome, sabia como cada um gostava do cabelo e, muitas vezes, também sabia das novidades do bairro antes de todo mundo.<br />
<br />
Para fazer a barba, o sujeito simplesmente ia até lá.<br />
<br />
Hoje isso parece estranho. Em muitas cidades, uma barbearia tradicional virou uma coisa que você precisa procurar. E quando encontra, às vezes ela está cheia de objetos antigos, cadeiras de barbeiro restauradas e barbeadores que poderiam ter saído de uma fotografia de 1950.<br />
<br />
A história dessa mudança começou bem antes do barbeador descartável.<br />
<br />
Em 1901, King Camp Gillette registrou a ideia de uma lâmina fina e substituível montada em um cabo reutilizável. O primeiro barbeador chegou ao mercado em 1903. Pela primeira vez, um homem comum podia comprar um instrumento relativamente barato e fazer em casa uma coisa que, durante muito tempo, esteve ligada à navalha e ao trabalho do barbeiro.<br />
<br />
A novidade não acabou com as barbearias. Longe disso.<br />
<br />
Mas começou a tirar delas uma parte do serviço.<br />
<br />
E os números americanos mostram que essa mudança foi enorme.<br />
<br />
Em 1950, os Estados Unidos tinham aproximadamente 287 mil barbearias. Cinquenta anos depois, restavam cerca de 56 mil. Uma redução superior a 80%.<br />
<br />
É uma diferença difícil de imaginar. Não estamos falando de algumas milhares de lojas que fecharam. Estamos falando de uma profissão que perdeu boa parte do espaço que ocupava no cotidiano americano.<br />
<br />
E há um detalhe interessante: isso começou antes da explosão dos barbeadores descartáveis.<br />
<br />
Em 1950, havia aproximadamente 193 mil barbeiros nos Estados Unidos. Em 1960, eram cerca de 180 mil.<br />
<br />
Aos poucos, fazer a barba deixou de ser necessariamente um serviço comprado de outra pessoa e passou a ser uma tarefa doméstica.<br />
<br />
Depois vieram os descartáveis e aceleraram tudo.<br />
<br />
Em 1971, a Gillette lançou o Trac II, com duas lâminas. Em 1974, a Bic entrou no mercado americano com seu barbeador descartável. No ano seguinte, a Gillette lançou o Good News, também descartável.<br />
<br />
A diferença era enorme.<br />
<br />
Com um safety razor antigo, você comprava o aparelho e depois comprava lâminas para continuar usando o mesmo cabo durante anos.<br />
<br />
Com o descartável, a lógica era outra: usa e joga fora.<br />
<br />
Não precisava afiar.<br />
<br />
Não precisava aprender a lidar com uma navalha.<br />
<br />
Não precisava desmontar o aparelho para limpar.<br />
<br />
Não precisava nem pensar muito sobre manutenção.<br />
<br />
Quando acabava, comprava outro.<br />
<br />
E isso combinava perfeitamente com o estilo de vida que estava surgindo.<br />
<br />
Imagine um sujeito trabalhando oito ou dez horas por dia, morando cada vez mais longe do trabalho e usando o carro para praticamente tudo. Por que ele iria perder tempo indo até uma barbearia para fazer a barba se podia resolver aquilo em alguns minutos diante do espelho?<br />
<br />
O concorrente do barbeiro não era somente a lâmina.<br />
<br />
Era a conveniência.<br />
<br />
A indústria percebeu isso muito bem e passou a vender cada vez mais essa ideia. Primeiro veio a praticidade. Depois, duas lâminas. Cabeça móvel. Faixa lubrificante. Três lâminas. Cinco.<br />
<br />
A mensagem era simples, mesmo quando a propaganda não dizia isso diretamente: você não precisa saber fazer a barba. O aparelho sabe.<br />
<br />
E o mesmo processo atingiu o cabelo.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro ganhava dinheiro com duas coisas que aconteciam no mesmo lugar: cabelo e barba. Quando a barba começou a ser feita em casa, ele perdeu uma parte do serviço. Depois vieram as mudanças nos cortes masculinos, os salões que passaram a atender homens e mulheres e uma quantidade cada vez maior de opções para cortar o cabelo.<br />
<br />
A barbearia foi perdendo espaço por dois lados ao mesmo tempo.<br />
<br />
Enquanto isso, o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
No Brasil, a história tem algumas particularidades, mas a mudança também aconteceu.<br />
<br />
A Gillette já anunciava seus produtos por aqui em 1909, e em 1926 a empresa tinha uma fábrica no Rio de Janeiro. A marca ficou tão associada à lâmina de barbear que “gilete” entrou no vocabulário brasileiro como nome genérico para lâmina.<br />
<br />
Durante décadas, porém, o barbeiro continuou sendo parte da vida dos bairros brasileiros.<br />
<br />
Era o lugar onde se cortava o cabelo, fazia a barba e se ficava conversando.<br />
<br />
Em muitas cidades pequenas, a barbearia era quase uma extensão da calçada. O cliente entrava sem pressa, conhecia o barbeiro, encontrava alguém conhecido e ficava ali alguns minutos. Não era apenas um serviço de higiene. Fazia parte da rotina do bairro.<br />
<br />
Depois, aos poucos, o cabelo passou a ser cortado em outros tipos de estabelecimento, a barba passou a ser feita em casa e os barbeadores descartáveis ficaram baratos e fáceis de encontrar.<br />
<br />
O que aconteceu nos Estados Unidos também aconteceu por aqui, embora em ritmos e condições diferentes.<br />
<br />
E não dá para colocar tudo na conta da lâmina.<br />
<br />
O automóvel mudou as cidades. As pessoas passaram a morar e trabalhar de maneira diferente. Os supermercados e grandes lojas começaram a concentrar produtos que antes eram comprados em pequenos estabelecimentos. A televisão criou novos hábitos de consumo. Os salões de beleza passaram a atender homens e mulheres. E o próprio corte de cabelo masculino mudou bastante ao longo do século.<br />
<br />
A antiga barbearia perdeu espaço enquanto o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
Essa talvez seja a parte mais curiosa da história.<br />
<br />
A indústria não precisou convencer milhões de homens a odiar o barbeiro. Bastou tornar desnecessária uma parte do serviço.<br />
<br />
E funcionou.<br />
<br />
Mas o curioso é que a história não terminou aí.<br />
<br />
Nos últimos anos, a barbearia voltou a aparecer nas cidades. Cadeiras antigas, navalhas, toalhas quentes, pincéis e aquele visual de barbearia dos anos 1950 começaram a aparecer novamente.<br />
<br />
Só que agora existe uma diferença importante.<br />
<br />
O cliente não vai porque precisa.<br />
<br />
Vai porque quer.<br />
<br />
Ele já tem um barbeador em casa. Pode fazer a própria barba em cinco minutos. Pode comprar um aparelho descartável no supermercado e resolver o problema.<br />
<br />
Mesmo assim, paga para sentar numa cadeira e deixar outra pessoa fazer aquilo.<br />
<br />
Talvez porque o barbeiro nunca tenha vendido apenas uma barba bem feita.<br />
<br />
Durante décadas, os fabricantes foram tornando o barbear mais simples, rápido e conveniente. E conseguiram.<br />
<br />
O homem deixou de precisar do barbeiro para fazer a barba.<br />
<br />
Só que a barbearia tinha outras coisas que nenhum barbeador conseguiu colocar dentro de uma embalagem: conversa, costume, convivência e alguns minutos de tempo perdido sem culpa.<br />
<br />
Hoje, quando alguém entra numa barbearia tradicional, provavelmente não está procurando aquilo porque não sabe fazer a própria barba.<br />
<br />
Está procurando justamente aquilo que o barbeador conseguiu eliminar.<br />
<br />
O ritual. <br />
<br />
abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Procura-se desesperadamente: um barbeiro raiz.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro foi uma figura tão comum na cidade quanto o padeiro, o açougueiro ou o dono do boteco.<br />
<br />
Em praticamente qualquer bairro havia uma barbearia. Normalmente era um lugar pequeno, com duas ou três cadeiras, espelhos grandes, algumas revistas e aquele cheiro característico de loção pós-barba. O barbeiro conhecia os clientes pelo nome, sabia como cada um gostava do cabelo e, muitas vezes, também sabia das novidades do bairro antes de todo mundo.<br />
<br />
Para fazer a barba, o sujeito simplesmente ia até lá.<br />
<br />
Hoje isso parece estranho. Em muitas cidades, uma barbearia tradicional virou uma coisa que você precisa procurar. E quando encontra, às vezes ela está cheia de objetos antigos, cadeiras de barbeiro restauradas e barbeadores que poderiam ter saído de uma fotografia de 1950.<br />
<br />
A história dessa mudança começou bem antes do barbeador descartável.<br />
<br />
Em 1901, King Camp Gillette registrou a ideia de uma lâmina fina e substituível montada em um cabo reutilizável. O primeiro barbeador chegou ao mercado em 1903. Pela primeira vez, um homem comum podia comprar um instrumento relativamente barato e fazer em casa uma coisa que, durante muito tempo, esteve ligada à navalha e ao trabalho do barbeiro.<br />
<br />
A novidade não acabou com as barbearias. Longe disso.<br />
<br />
Mas começou a tirar delas uma parte do serviço.<br />
<br />
E os números americanos mostram que essa mudança foi enorme.<br />
<br />
Em 1950, os Estados Unidos tinham aproximadamente 287 mil barbearias. Cinquenta anos depois, restavam cerca de 56 mil. Uma redução superior a 80%.<br />
<br />
É uma diferença difícil de imaginar. Não estamos falando de algumas milhares de lojas que fecharam. Estamos falando de uma profissão que perdeu boa parte do espaço que ocupava no cotidiano americano.<br />
<br />
E há um detalhe interessante: isso começou antes da explosão dos barbeadores descartáveis.<br />
<br />
Em 1950, havia aproximadamente 193 mil barbeiros nos Estados Unidos. Em 1960, eram cerca de 180 mil.<br />
<br />
Aos poucos, fazer a barba deixou de ser necessariamente um serviço comprado de outra pessoa e passou a ser uma tarefa doméstica.<br />
<br />
Depois vieram os descartáveis e aceleraram tudo.<br />
<br />
Em 1971, a Gillette lançou o Trac II, com duas lâminas. Em 1974, a Bic entrou no mercado americano com seu barbeador descartável. No ano seguinte, a Gillette lançou o Good News, também descartável.<br />
<br />
A diferença era enorme.<br />
<br />
Com um safety razor antigo, você comprava o aparelho e depois comprava lâminas para continuar usando o mesmo cabo durante anos.<br />
<br />
Com o descartável, a lógica era outra: usa e joga fora.<br />
<br />
Não precisava afiar.<br />
<br />
Não precisava aprender a lidar com uma navalha.<br />
<br />
Não precisava desmontar o aparelho para limpar.<br />
<br />
Não precisava nem pensar muito sobre manutenção.<br />
<br />
Quando acabava, comprava outro.<br />
<br />
E isso combinava perfeitamente com o estilo de vida que estava surgindo.<br />
<br />
Imagine um sujeito trabalhando oito ou dez horas por dia, morando cada vez mais longe do trabalho e usando o carro para praticamente tudo. Por que ele iria perder tempo indo até uma barbearia para fazer a barba se podia resolver aquilo em alguns minutos diante do espelho?<br />
<br />
O concorrente do barbeiro não era somente a lâmina.<br />
<br />
Era a conveniência.<br />
<br />
A indústria percebeu isso muito bem e passou a vender cada vez mais essa ideia. Primeiro veio a praticidade. Depois, duas lâminas. Cabeça móvel. Faixa lubrificante. Três lâminas. Cinco.<br />
<br />
A mensagem era simples, mesmo quando a propaganda não dizia isso diretamente: você não precisa saber fazer a barba. O aparelho sabe.<br />
<br />
E o mesmo processo atingiu o cabelo.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro ganhava dinheiro com duas coisas que aconteciam no mesmo lugar: cabelo e barba. Quando a barba começou a ser feita em casa, ele perdeu uma parte do serviço. Depois vieram as mudanças nos cortes masculinos, os salões que passaram a atender homens e mulheres e uma quantidade cada vez maior de opções para cortar o cabelo.<br />
<br />
A barbearia foi perdendo espaço por dois lados ao mesmo tempo.<br />
<br />
Enquanto isso, o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
No Brasil, a história tem algumas particularidades, mas a mudança também aconteceu.<br />
<br />
A Gillette já anunciava seus produtos por aqui em 1909, e em 1926 a empresa tinha uma fábrica no Rio de Janeiro. A marca ficou tão associada à lâmina de barbear que “gilete” entrou no vocabulário brasileiro como nome genérico para lâmina.<br />
<br />
Durante décadas, porém, o barbeiro continuou sendo parte da vida dos bairros brasileiros.<br />
<br />
Era o lugar onde se cortava o cabelo, fazia a barba e se ficava conversando.<br />
<br />
Em muitas cidades pequenas, a barbearia era quase uma extensão da calçada. O cliente entrava sem pressa, conhecia o barbeiro, encontrava alguém conhecido e ficava ali alguns minutos. Não era apenas um serviço de higiene. Fazia parte da rotina do bairro.<br />
<br />
Depois, aos poucos, o cabelo passou a ser cortado em outros tipos de estabelecimento, a barba passou a ser feita em casa e os barbeadores descartáveis ficaram baratos e fáceis de encontrar.<br />
<br />
O que aconteceu nos Estados Unidos também aconteceu por aqui, embora em ritmos e condições diferentes.<br />
<br />
E não dá para colocar tudo na conta da lâmina.<br />
<br />
O automóvel mudou as cidades. As pessoas passaram a morar e trabalhar de maneira diferente. Os supermercados e grandes lojas começaram a concentrar produtos que antes eram comprados em pequenos estabelecimentos. A televisão criou novos hábitos de consumo. Os salões de beleza passaram a atender homens e mulheres. E o próprio corte de cabelo masculino mudou bastante ao longo do século.<br />
<br />
A antiga barbearia perdeu espaço enquanto o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
Essa talvez seja a parte mais curiosa da história.<br />
<br />
A indústria não precisou convencer milhões de homens a odiar o barbeiro. Bastou tornar desnecessária uma parte do serviço.<br />
<br />
E funcionou.<br />
<br />
Mas o curioso é que a história não terminou aí.<br />
<br />
Nos últimos anos, a barbearia voltou a aparecer nas cidades. Cadeiras antigas, navalhas, toalhas quentes, pincéis e aquele visual de barbearia dos anos 1950 começaram a aparecer novamente.<br />
<br />
Só que agora existe uma diferença importante.<br />
<br />
O cliente não vai porque precisa.<br />
<br />
Vai porque quer.<br />
<br />
Ele já tem um barbeador em casa. Pode fazer a própria barba em cinco minutos. Pode comprar um aparelho descartável no supermercado e resolver o problema.<br />
<br />
Mesmo assim, paga para sentar numa cadeira e deixar outra pessoa fazer aquilo.<br />
<br />
Talvez porque o barbeiro nunca tenha vendido apenas uma barba bem feita.<br />
<br />
Durante décadas, os fabricantes foram tornando o barbear mais simples, rápido e conveniente. E conseguiram.<br />
<br />
O homem deixou de precisar do barbeiro para fazer a barba.<br />
<br />
Só que a barbearia tinha outras coisas que nenhum barbeador conseguiu colocar dentro de uma embalagem: conversa, costume, convivência e alguns minutos de tempo perdido sem culpa.<br />
<br />
Hoje, quando alguém entra numa barbearia tradicional, provavelmente não está procurando aquilo porque não sabe fazer a própria barba.<br />
<br />
Está procurando justamente aquilo que o barbeador conseguiu eliminar.<br />
<br />
O ritual. <br />
<br />
abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[A véia dos gatos.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1360.html</link>
			<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 13:25:49 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1360.html</guid>
			<description><![CDATA[A véia dos gatos.<br />
<br />
Aquela senhora que mora sozinha, já passou dos 60, e cuja casa começou com dois gatos.<br />
<br />
"Ah, são só dois."<br />
<br />
"Só pra fazer companhia."<br />
<br />
Depois vieram mais três.<br />
<br />
Depois mais quatro.<br />
<br />
Depois era vista na rua de madrugada chamando gato pelo nome:<br />
<br />
"Pelé... o Pelé... onde você tá, meu bem?"<br />
<br />
Quando alguém percebeu, ela já tinha 27 gatos, três caixas de areia na sala e uma explicação perfeitamente racional para cada um deles.<br />
<br />
Pois bem.<br />
<br />
O Whatshaver corre exatamente o mesmo risco.<br />
<br />
Só que, em vez de gatos, ele acumula barbeadores.<br />
<br />
E tudo começa numa feira de antiguidades.<br />
<br />
Você está andando tranquilamente quando, no canto mais esquecido da banca, encontra uma Gillette antiga.<br />
<br />
Toda acabada.<br />
<br />
Suja.<br />
<br />
Oxidada.<br />
<br />
Com aparência de quem passou os últimos 50 anos jogada no fundo de uma gaveta mofada, num banheiro esquecido.<br />
<br />
Para qualquer pessoa normal, aquilo não vale absolutamente nada.<br />
<br />
Zero.<br />
<br />
A pessoa olha e pensa:<br />
<br />
"Que porcaria."<br />
<br />
O Whatshaver olha e pensa:<br />
<br />
"Meu Deus... olha o entalhe deste cabo."<br />
<br />
Pronto.<br />
<br />
Acabou.<br />
<br />
O cérebro já entrou em modo resgate.<br />
<br />
É o mesmo mecanismo psicológico da feira de adoção.<br />
<br />
Você vê um gato com uma pata machucada, um cachorro caolho ou um bichinho abandonado olhando para você daquele jeito e o cérebro simplesmente desliga.<br />
<br />
Cinco minutos depois, você está com ele no colo.<br />
<br />
Com a Gillette é igual.<br />
<br />
Você nem estava procurando barbeador.<br />
<br />
Mas agora está perguntando:<br />
<br />
"Quanto você faz nessa?"<br />
<br />
O vendedor fala o preço.<br />
<br />
Você nem negocia.<br />
<br />
Faz o Pix imediatamente.<br />
<br />
Vai que o vendedor muda de ideia e você perde a oportunidade de salvar aquela pobre safety razor.<br />
<br />
E volta para casa com mais um "filho".<br />
<br />
Sua esposa vem atrás, em silêncio.<br />
<br />
Braços cruzados.<br />
<br />
Bico de 30 centímetros.<br />
<br />
Aquela expressão que não precisa de legenda e que, pelo menos uma vez na vida, todo apreciador de barbear clássico já viu.<br />
<br />
Você conhece aquela expressão.<br />
<br />
É a expressão de quem está fazendo mentalmente a conta de quanto custou o seu hobby nos últimos cinco anos.<br />
<br />
E você, completamente sem vergonha, ainda tenta justificar:<br />
<br />
"Mas, amor... olha o estado dela. Eu precisava salvar."<br />
<br />
Salvar.<br />
<br />
Essa é a palavra.<br />
<br />
Nunca compramos.<br />
<br />
Resgatamos.<br />
<br />
Não acumulamos.<br />
<br />
Preservamos.<br />
<br />
Não temos problema.<br />
<br />
Temos responsabilidade histórica.<br />
<br />
E, aparentemente, também temos algum tipo de missão humanitária que ninguém nos pediu.<br />
<br />
E é assim que começa a doença.<br />
<br />
Primeiro vem uma Gillette.<br />
<br />
Depois você compra outra porque "é uma peça única".<br />
<br />
Depois uma terceira porque "essa é uma variação".<br />
<br />
Depois aparece um estojo.<br />
<br />
Depois um cabo.<br />
<br />
Depois uma máquina que você nem achava bonita, mas que estava "barata demais para deixar passar".<br />
<br />
Quando percebe, já existe uma gaveta específica.<br />
<br />
Depois uma caixa específica.<br />
<br />
Um espaço dedicado para a família feliz que você juntou nos últimos anos.<br />
<br />
Depois uma planilha.<br />
<br />
E quando chega ao ponto de ter uma planilha para controlar os barbeadores, meu amigo...<br />
<br />
Você não é mais colecionador.<br />
<br />
Você é a véia dos gatos. Ou o véio dos barbeadores. O que, no final, dá no mesmo.<br />
<br />
A diferença é que ela precisa explicar por que tem 27 gatos.<br />
<br />
Nós precisamos explicar por que temos 27 máquinas cuja única função é remover pelos do rosto.<br />
<br />
E ainda fazemos isso com convicção:<br />
<br />
"Mas essa é diferente."<br />
<br />
Claro que é.<br />
<br />
Todas são.<br />
<br />
Essa é justamente a parte preocupante.<br />
<br />
O problema não é comprar uma Gillette.<br />
<br />
O problema é que, depois da primeira, você começa a enxergar necessidade onde uma pessoa normal só enxerga sucata.<br />
<br />
O verdadeiro estágio terminal do Whatshaver acontece quando você entra numa feira e começa a olhar para as bancas não procurando alguma coisa que queira comprar, mas alguma coisa que precise ser salva.<br />
<br />
Você já não pergunta:<br />
<br />
"O que eu quero?"<br />
<br />
Você pergunta:<br />
<br />
"Qual delas tem mais potencial de salvamento?"<br />
<br />
E aí o vendedor tira debaixo da mesa uma Gillette de 1962, preta de sujeira, faltando peça e com o mecanismo travado.<br />
<br />
Você olha.<br />
<br />
Ela olha para você.<br />
<br />
A conexão acontece.<br />
<br />
Sua esposa percebe.<br />
<br />
"Nem pense."<br />
<br />
Você já está abrindo o celular e pensando como ela vai ficar linda quando estiver limpa.<br />
<br />
"Quanto é?"<br />
<br />
É assim que um homem normal termina o domingo.<br />
<br />
E é assim que nasce mais um pai de barbeador... ou de pet...<br />
<br />
Ou a morte de um casamento.<br />
<br />
Porque o problema é que, depois da primeira, ela nunca vem sozinha.<br />
<br />
Uma vem da feira.<br />
<br />
Outra aparece no eBay.<br />
<br />
Outra estava "baratinha".<br />
<br />
Outra é "rara".<br />
<br />
Outra "não podia deixar passar".<br />
<br />
E, quando você percebe, sua gaveta já parece um orfanato de Gillettes que você jurou que ia restaurar.<br />
<br />
Eu, por minha vez, tenho 20 máquinas e nenhum pet...<br />
<br />
Ou melhor, minha filha tem um: um peixinho Betta.<br />
<br />
Bem, acho que depois desta revelação, não posso mais ser chamado de véio dos gatos...<br />
<br />
Ou pai dos barbeadores...<br />
<br />
Ou o doido das Gillettes vintage.<br />
<br />
Talvez eu seja apenas um homem de meia-idade que encontrou uma maneira socialmente aceitável de substituir gatos por aparelhos de barbear.<br />
<br />
Bem, você entendeu, né?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A véia dos gatos.<br />
<br />
Aquela senhora que mora sozinha, já passou dos 60, e cuja casa começou com dois gatos.<br />
<br />
"Ah, são só dois."<br />
<br />
"Só pra fazer companhia."<br />
<br />
Depois vieram mais três.<br />
<br />
Depois mais quatro.<br />
<br />
Depois era vista na rua de madrugada chamando gato pelo nome:<br />
<br />
"Pelé... o Pelé... onde você tá, meu bem?"<br />
<br />
Quando alguém percebeu, ela já tinha 27 gatos, três caixas de areia na sala e uma explicação perfeitamente racional para cada um deles.<br />
<br />
Pois bem.<br />
<br />
O Whatshaver corre exatamente o mesmo risco.<br />
<br />
Só que, em vez de gatos, ele acumula barbeadores.<br />
<br />
E tudo começa numa feira de antiguidades.<br />
<br />
Você está andando tranquilamente quando, no canto mais esquecido da banca, encontra uma Gillette antiga.<br />
<br />
Toda acabada.<br />
<br />
Suja.<br />
<br />
Oxidada.<br />
<br />
Com aparência de quem passou os últimos 50 anos jogada no fundo de uma gaveta mofada, num banheiro esquecido.<br />
<br />
Para qualquer pessoa normal, aquilo não vale absolutamente nada.<br />
<br />
Zero.<br />
<br />
A pessoa olha e pensa:<br />
<br />
"Que porcaria."<br />
<br />
O Whatshaver olha e pensa:<br />
<br />
"Meu Deus... olha o entalhe deste cabo."<br />
<br />
Pronto.<br />
<br />
Acabou.<br />
<br />
O cérebro já entrou em modo resgate.<br />
<br />
É o mesmo mecanismo psicológico da feira de adoção.<br />
<br />
Você vê um gato com uma pata machucada, um cachorro caolho ou um bichinho abandonado olhando para você daquele jeito e o cérebro simplesmente desliga.<br />
<br />
Cinco minutos depois, você está com ele no colo.<br />
<br />
Com a Gillette é igual.<br />
<br />
Você nem estava procurando barbeador.<br />
<br />
Mas agora está perguntando:<br />
<br />
"Quanto você faz nessa?"<br />
<br />
O vendedor fala o preço.<br />
<br />
Você nem negocia.<br />
<br />
Faz o Pix imediatamente.<br />
<br />
Vai que o vendedor muda de ideia e você perde a oportunidade de salvar aquela pobre safety razor.<br />
<br />
E volta para casa com mais um "filho".<br />
<br />
Sua esposa vem atrás, em silêncio.<br />
<br />
Braços cruzados.<br />
<br />
Bico de 30 centímetros.<br />
<br />
Aquela expressão que não precisa de legenda e que, pelo menos uma vez na vida, todo apreciador de barbear clássico já viu.<br />
<br />
Você conhece aquela expressão.<br />
<br />
É a expressão de quem está fazendo mentalmente a conta de quanto custou o seu hobby nos últimos cinco anos.<br />
<br />
E você, completamente sem vergonha, ainda tenta justificar:<br />
<br />
"Mas, amor... olha o estado dela. Eu precisava salvar."<br />
<br />
Salvar.<br />
<br />
Essa é a palavra.<br />
<br />
Nunca compramos.<br />
<br />
Resgatamos.<br />
<br />
Não acumulamos.<br />
<br />
Preservamos.<br />
<br />
Não temos problema.<br />
<br />
Temos responsabilidade histórica.<br />
<br />
E, aparentemente, também temos algum tipo de missão humanitária que ninguém nos pediu.<br />
<br />
E é assim que começa a doença.<br />
<br />
Primeiro vem uma Gillette.<br />
<br />
Depois você compra outra porque "é uma peça única".<br />
<br />
Depois uma terceira porque "essa é uma variação".<br />
<br />
Depois aparece um estojo.<br />
<br />
Depois um cabo.<br />
<br />
Depois uma máquina que você nem achava bonita, mas que estava "barata demais para deixar passar".<br />
<br />
Quando percebe, já existe uma gaveta específica.<br />
<br />
Depois uma caixa específica.<br />
<br />
Um espaço dedicado para a família feliz que você juntou nos últimos anos.<br />
<br />
Depois uma planilha.<br />
<br />
E quando chega ao ponto de ter uma planilha para controlar os barbeadores, meu amigo...<br />
<br />
Você não é mais colecionador.<br />
<br />
Você é a véia dos gatos. Ou o véio dos barbeadores. O que, no final, dá no mesmo.<br />
<br />
A diferença é que ela precisa explicar por que tem 27 gatos.<br />
<br />
Nós precisamos explicar por que temos 27 máquinas cuja única função é remover pelos do rosto.<br />
<br />
E ainda fazemos isso com convicção:<br />
<br />
"Mas essa é diferente."<br />
<br />
Claro que é.<br />
<br />
Todas são.<br />
<br />
Essa é justamente a parte preocupante.<br />
<br />
O problema não é comprar uma Gillette.<br />
<br />
O problema é que, depois da primeira, você começa a enxergar necessidade onde uma pessoa normal só enxerga sucata.<br />
<br />
O verdadeiro estágio terminal do Whatshaver acontece quando você entra numa feira e começa a olhar para as bancas não procurando alguma coisa que queira comprar, mas alguma coisa que precise ser salva.<br />
<br />
Você já não pergunta:<br />
<br />
"O que eu quero?"<br />
<br />
Você pergunta:<br />
<br />
"Qual delas tem mais potencial de salvamento?"<br />
<br />
E aí o vendedor tira debaixo da mesa uma Gillette de 1962, preta de sujeira, faltando peça e com o mecanismo travado.<br />
<br />
Você olha.<br />
<br />
Ela olha para você.<br />
<br />
A conexão acontece.<br />
<br />
Sua esposa percebe.<br />
<br />
"Nem pense."<br />
<br />
Você já está abrindo o celular e pensando como ela vai ficar linda quando estiver limpa.<br />
<br />
"Quanto é?"<br />
<br />
É assim que um homem normal termina o domingo.<br />
<br />
E é assim que nasce mais um pai de barbeador... ou de pet...<br />
<br />
Ou a morte de um casamento.<br />
<br />
Porque o problema é que, depois da primeira, ela nunca vem sozinha.<br />
<br />
Uma vem da feira.<br />
<br />
Outra aparece no eBay.<br />
<br />
Outra estava "baratinha".<br />
<br />
Outra é "rara".<br />
<br />
Outra "não podia deixar passar".<br />
<br />
E, quando você percebe, sua gaveta já parece um orfanato de Gillettes que você jurou que ia restaurar.<br />
<br />
Eu, por minha vez, tenho 20 máquinas e nenhum pet...<br />
<br />
Ou melhor, minha filha tem um: um peixinho Betta.<br />
<br />
Bem, acho que depois desta revelação, não posso mais ser chamado de véio dos gatos...<br />
<br />
Ou pai dos barbeadores...<br />
<br />
Ou o doido das Gillettes vintage.<br />
<br />
Talvez eu seja apenas um homem de meia-idade que encontrou uma maneira socialmente aceitável de substituir gatos por aparelhos de barbear.<br />
<br />
Bem, você entendeu, né?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[BARBEARIA: UM EXERCÍCIO de Pura FÉ]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1357.html</link>
			<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 10:19:04 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1357.html</guid>
			<description><![CDATA[BARBEARIA: UM EXERCÍCIO de Pura FÉ <br />
<br />
Pergunta sincera para o pessoal do fórum:<br />
<br />
Alguém aqui ainda faz a barba em barbearia?<br />
<br />
Eu fiz.<br />
<br />
Uma única vez.<br />
<br />
E não gostei muito da experiência.<br />
<br />
Não porque o barbeiro tenha feito um trabalho ruim. Pelo contrário. O sujeito sabia o que estava fazendo, conhecia seu ofício.<br />
<br />
O problema era outro:<br />
<br />
eu estava completamente fora do controle.<br />
<br />
E descobri que isso muda tudo.<br />
<br />
É mais ou menos como quando você era criança e pegava carona na bicicleta de outro coleguinha.<br />
<br />
Se você está pedalando, tudo certo.<br />
<br />
Você conhece o caminho, controla a velocidade, sabe quando vai frear e, principalmente, sabe o que está prestes a acontecer na próxima curva.<br />
<br />
Agora experimente sentar na garupa.<br />
<br />
Você não está pedalando.<br />
<br />
Não está controlando a direção.<br />
<br />
Não sabe exatamente quando a bicicleta vai virar.<br />
<br />
E, naquele momento, aquela pequena descida que antes parecia divertida começa a parecer uma decisão questionável da sua infância.<br />
<br />
Com a barba foi exatamente assim.<br />
<br />
Eu estava sentado.<br />
<br />
O barbeiro com uma navalha na mão.<br />
<br />
E a minha única função era...<br />
<br />
confiar.<br />
<br />
Confiar que ele não ia escorregar.<br />
<br />
Confiar que ele não ia pressionar demais.<br />
<br />
Confiar que aquela navalha estava exatamente onde deveria estar.<br />
<br />
Confiar que o sujeito tinha tomado café, tinha os boletos quitados e estava tendo um excelente dia. E, principalmente, que a esposa não havia dormido de calça jeans na noite anterior.<br />
<br />
E foi aí que percebi uma coisa:<br />
<br />
barbear-se sozinho é uma atividade prazerosa.<br />
<br />
Fazer a barba com outra pessoa é um exercício de fé.<br />
<br />
E nós, que gostamos de escolher o barbeador, a lâmina, o sabão, a espuma, o pincel, a preparação, o ângulo e até a pressão...<br />
<br />
De repente estamos ali:<br />
<br />
sentados, imóveis, entregando o pescoço para um desconhecido e fingindo que estamos completamente tranquilos.<br />
<br />
Com o rosto quase tão impassível quanto o de um jogador de pôquer profissional.<br />
<br />
Eu, que sou um cara bem falante por natureza, não dei um único pio antes, durante ou depois do processo...<br />
<br />
Eu estava apavorado para não distrair o homem com a navalha...<br />
<br />
Quando a lâmina tocou meu rosto, automaticamente meu cérebro iniciou um longo monólogo sobre todas as minhas decisões questionáveis...<br />
<br />
A principal delas foi: mas por que raios você teve esta ideia imbecil de fazer a barba numa barbearia?<br />
<br />
Minha mente ainda me traiu e me torturou com várias imagens do cara errando o ângulo... dando uma vacilada na pressão...<br />
<br />
E naquela tarde simplesmente entreguei meu rosto para outra pessoa tomar todas as decisões.<br />
<br />
Foi a primeira e última vez.<br />
<br />
Nada contra os barbeiros.<br />
<br />
É uma questão de princípio.<br />
<br />
Eu descobri que gosto de fazer a barba porque, no fundo, não quero apenas o resultado.<br />
<br />
Eu quero estar no comando da operação.<br />
<br />
Porque se alguma coisa der errado...<br />
<br />
Pelo menos fui eu que fiz a besteira.<br />
<br />
Agora me digam, os vossos senhores, já foram a uma barbearia?<br />
<br />
Ainda vão a um barbeiro?<br />
<br />
O que acham do processo como um todo?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[BARBEARIA: UM EXERCÍCIO de Pura FÉ <br />
<br />
Pergunta sincera para o pessoal do fórum:<br />
<br />
Alguém aqui ainda faz a barba em barbearia?<br />
<br />
Eu fiz.<br />
<br />
Uma única vez.<br />
<br />
E não gostei muito da experiência.<br />
<br />
Não porque o barbeiro tenha feito um trabalho ruim. Pelo contrário. O sujeito sabia o que estava fazendo, conhecia seu ofício.<br />
<br />
O problema era outro:<br />
<br />
eu estava completamente fora do controle.<br />
<br />
E descobri que isso muda tudo.<br />
<br />
É mais ou menos como quando você era criança e pegava carona na bicicleta de outro coleguinha.<br />
<br />
Se você está pedalando, tudo certo.<br />
<br />
Você conhece o caminho, controla a velocidade, sabe quando vai frear e, principalmente, sabe o que está prestes a acontecer na próxima curva.<br />
<br />
Agora experimente sentar na garupa.<br />
<br />
Você não está pedalando.<br />
<br />
Não está controlando a direção.<br />
<br />
Não sabe exatamente quando a bicicleta vai virar.<br />
<br />
E, naquele momento, aquela pequena descida que antes parecia divertida começa a parecer uma decisão questionável da sua infância.<br />
<br />
Com a barba foi exatamente assim.<br />
<br />
Eu estava sentado.<br />
<br />
O barbeiro com uma navalha na mão.<br />
<br />
E a minha única função era...<br />
<br />
confiar.<br />
<br />
Confiar que ele não ia escorregar.<br />
<br />
Confiar que ele não ia pressionar demais.<br />
<br />
Confiar que aquela navalha estava exatamente onde deveria estar.<br />
<br />
Confiar que o sujeito tinha tomado café, tinha os boletos quitados e estava tendo um excelente dia. E, principalmente, que a esposa não havia dormido de calça jeans na noite anterior.<br />
<br />
E foi aí que percebi uma coisa:<br />
<br />
barbear-se sozinho é uma atividade prazerosa.<br />
<br />
Fazer a barba com outra pessoa é um exercício de fé.<br />
<br />
E nós, que gostamos de escolher o barbeador, a lâmina, o sabão, a espuma, o pincel, a preparação, o ângulo e até a pressão...<br />
<br />
De repente estamos ali:<br />
<br />
sentados, imóveis, entregando o pescoço para um desconhecido e fingindo que estamos completamente tranquilos.<br />
<br />
Com o rosto quase tão impassível quanto o de um jogador de pôquer profissional.<br />
<br />
Eu, que sou um cara bem falante por natureza, não dei um único pio antes, durante ou depois do processo...<br />
<br />
Eu estava apavorado para não distrair o homem com a navalha...<br />
<br />
Quando a lâmina tocou meu rosto, automaticamente meu cérebro iniciou um longo monólogo sobre todas as minhas decisões questionáveis...<br />
<br />
A principal delas foi: mas por que raios você teve esta ideia imbecil de fazer a barba numa barbearia?<br />
<br />
Minha mente ainda me traiu e me torturou com várias imagens do cara errando o ângulo... dando uma vacilada na pressão...<br />
<br />
E naquela tarde simplesmente entreguei meu rosto para outra pessoa tomar todas as decisões.<br />
<br />
Foi a primeira e última vez.<br />
<br />
Nada contra os barbeiros.<br />
<br />
É uma questão de princípio.<br />
<br />
Eu descobri que gosto de fazer a barba porque, no fundo, não quero apenas o resultado.<br />
<br />
Eu quero estar no comando da operação.<br />
<br />
Porque se alguma coisa der errado...<br />
<br />
Pelo menos fui eu que fiz a besteira.<br />
<br />
Agora me digam, os vossos senhores, já foram a uma barbearia?<br />
<br />
Ainda vão a um barbeiro?<br />
<br />
O que acham do processo como um todo?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[FARMÁCIA: O LUGAR ONDE A BARBA VAI PARA MORRER]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1356.html</link>
			<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 11:19:20 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1356.html</guid>
			<description><![CDATA[FARMÁCIA: O LUGAR ONDE A BARBA VAI PARA MORRER<br />
<br />
Você entra numa farmácia com um sonho simples:<br />
<br />
“Vou comprar alguma coisa bacana para fazer a barba.”<br />
<br />
Ingênuo.<br />
<br />
Você ainda acredita que encontrará um universo de possibilidades. Um corredor cheio de barbeadores, lâminas, cremes, loções, pós-barba, sabões, novidades... A verdadeira Disneylandia do barbear clássico.<br />
<br />
Afinal, eu vi um vídeo onde um cara gringo vai numa farmácia e tem até um pote daquele sabão top, Proraso verde, acredita?<br />
<br />
As farmácias lá de fora têm de tudo na prateleira, cara.<br />
<br />
Barbeadores Wilkinson Classic, King C Gillette....<br />
<br />
Sabões italianos, portugueses, aquele espanhol famoso....<br />
<br />
Aí você chega empolgado na seção masculina daquela rede famosa que tem até no shopping.<br />
<br />
E encontra:<br />
<br />
Wilkinson.<br />
<br />
Gillette Mach3.<br />
<br />
Alguns Bics e Gillettes descartáveis.<br />
<br />
Mais Mach3.<br />
<br />
E, em algum canto, duas ou três marcas de espuma em lata.<br />
<br />
Fim.<br />
<br />
Acabou.<br />
<br />
The End.<br />
<br />
Game Over.<br />
<br />
É quase como se a farmácia tivesse recebido um memorando:<br />
<br />
“Senhores, precisamos vender produtos para barba, mas cuidado para não exagerar. Duas opções já são suficientes, afinal, o brasileiro não é exigente com isso.”<br />
<br />
E olha que estou sendo injusto.<br />
<br />
Porque ainda temos os cremes de barbear da Nivea e o Bozano.<br />
<br />
Esses estão lá.<br />
<br />
Firmes.<br />
<br />
Resistentes.<br />
<br />
Como soldados veteranos que sobreviveram a todas as crises do varejo brasileiro.<br />
<br />
Agora vem a melhor parte.<br />
<br />
Você olha para a prateleira.<br />
<br />
Olha novamente.<br />
<br />
Olha para os lados.<br />
<br />
E pergunta ao atendente:<br />
<br />
“É só isso que vocês têm de produto para barba?”<br />
<br />
E o sujeito te olha.<br />
<br />
Silêncio.<br />
<br />
Aquele olhar.<br />
<br />
Aquele olhar de quem está tentando entender por que diabos você está perguntando aquilo.<br />
<br />
Ele olha para a prateleira.<br />
<br />
Olha para você.<br />
<br />
Olha novamente para a prateleira.<br />
<br />
Pensa:<br />
<br />
“O que este idiota funcional está falando?<br />
<br />
Não tem aqui na frente dele um blister lindo com um Mach3 novinho?<br />
<br />
E esta Nivea da lata preta? Eu só uso esta e é ótima...”<br />
<br />
E ainda por cima está na promoção, só R&#36; 39,90.<br />
<br />
E responde:<br />
<br />
“É... só isso mesmo.”<br />
<br />
Nesse momento você percebe que não está numa farmácia.<br />
<br />
Está numa expedição arqueológica.<br />
<br />
Você está procurando vestígios de uma civilização que um dia acreditou que homem poderia ter mais de uma opção para fazer a barba.<br />
<br />
E o mais curioso é que a farmácia vende shampoo para absolutamente qualquer tipo de cabelo existente na humanidade.<br />
<br />
Tem shampoo para cabelo seco.<br />
<br />
Oleoso.<br />
<br />
Misto.<br />
<br />
Cacheado.<br />
<br />
Liso.<br />
<br />
Com química.<br />
<br />
Sem química.<br />
<br />
Com frizz.<br />
<br />
Sem frizz.<br />
<br />
Para reconstrução.<br />
<br />
Hidratação.<br />
<br />
Nutrição.<br />
<br />
Se bobear, daqui a pouco teremos shampoo específico para carecas.....<br />
<br />
Mas para fazer a barba?<br />
<br />
“Tem Mach3.”<br />
<br />
E se você perguntar por creme?<br />
<br />
“Tem Nivea.”<br />
<br />
Espuma?<br />
<br />
“Tem três.”<br />
<br />
Pós-barba?<br />
<br />
Aí você já está abusando, porque esta frescura de pós-barba?<br />
<br />
O balconista começa a lançar olhares para o segurança.<br />
<br />
Você percebe que é melhor ir embora.<br />
<br />
E é exatamente aí que nós, pobres entusiastas do barbear tradicional, percebemos uma coisa:<br />
<br />
O varejo brasileiro conseguiu transformar uma atividade milenar em um mercado com praticamente cinco produtos.<br />
<br />
Wilkinson.<br />
<br />
Mach3.<br />
<br />
Espuma de lata.<br />
<br />
Nivea.<br />
<br />
Bozano.<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Agora pague no caixa e não faça perguntas.<br />
<br />
Porque se você perguntar:<br />
<br />
“Vocês têm alguma lâmina diferente?”<br />
<br />
O atendente pode simplesmente chamar o gerente e alegar que não é pago para atender pessoas com um QI tão baixo.<br />
<br />
E se você mencionar “barbeador de segurança”, existe uma possibilidade real de você ser hostilizado.<br />
<br />
No fim, você sai da farmácia com uma sensação estranha.<br />
<br />
Não encontrou o que queria.<br />
<br />
Mas encontrou uma certeza:<br />
<br />
No Brasil, escolher um produto para cuidar da barba é muito mais difícil do que escolher o barbeador que vai raspar a própria barba.<br />
<br />
E amanhã você volta lá. Você é brasileiro e não desiste nunca, lembra?<br />
<br />
Porque, vai que chegou uma Wilkinson nova.<br />
<br />
Alguma versão Black, Premium... que, no final, é a mesma lâmina, mas com a caixa diferente.....<br />
<br />
Alguma coisa que você, idiota funcional, se engana e compra....<br />
<br />
Vai que desta vez é uma novidade....<br />
<br />
E, no final, quem sabe o atendente esteja certo: ele não é pago para atender pessoas com o QI tão baixo.<br />
<br />
ABS,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[FARMÁCIA: O LUGAR ONDE A BARBA VAI PARA MORRER<br />
<br />
Você entra numa farmácia com um sonho simples:<br />
<br />
“Vou comprar alguma coisa bacana para fazer a barba.”<br />
<br />
Ingênuo.<br />
<br />
Você ainda acredita que encontrará um universo de possibilidades. Um corredor cheio de barbeadores, lâminas, cremes, loções, pós-barba, sabões, novidades... A verdadeira Disneylandia do barbear clássico.<br />
<br />
Afinal, eu vi um vídeo onde um cara gringo vai numa farmácia e tem até um pote daquele sabão top, Proraso verde, acredita?<br />
<br />
As farmácias lá de fora têm de tudo na prateleira, cara.<br />
<br />
Barbeadores Wilkinson Classic, King C Gillette....<br />
<br />
Sabões italianos, portugueses, aquele espanhol famoso....<br />
<br />
Aí você chega empolgado na seção masculina daquela rede famosa que tem até no shopping.<br />
<br />
E encontra:<br />
<br />
Wilkinson.<br />
<br />
Gillette Mach3.<br />
<br />
Alguns Bics e Gillettes descartáveis.<br />
<br />
Mais Mach3.<br />
<br />
E, em algum canto, duas ou três marcas de espuma em lata.<br />
<br />
Fim.<br />
<br />
Acabou.<br />
<br />
The End.<br />
<br />
Game Over.<br />
<br />
É quase como se a farmácia tivesse recebido um memorando:<br />
<br />
“Senhores, precisamos vender produtos para barba, mas cuidado para não exagerar. Duas opções já são suficientes, afinal, o brasileiro não é exigente com isso.”<br />
<br />
E olha que estou sendo injusto.<br />
<br />
Porque ainda temos os cremes de barbear da Nivea e o Bozano.<br />
<br />
Esses estão lá.<br />
<br />
Firmes.<br />
<br />
Resistentes.<br />
<br />
Como soldados veteranos que sobreviveram a todas as crises do varejo brasileiro.<br />
<br />
Agora vem a melhor parte.<br />
<br />
Você olha para a prateleira.<br />
<br />
Olha novamente.<br />
<br />
Olha para os lados.<br />
<br />
E pergunta ao atendente:<br />
<br />
“É só isso que vocês têm de produto para barba?”<br />
<br />
E o sujeito te olha.<br />
<br />
Silêncio.<br />
<br />
Aquele olhar.<br />
<br />
Aquele olhar de quem está tentando entender por que diabos você está perguntando aquilo.<br />
<br />
Ele olha para a prateleira.<br />
<br />
Olha para você.<br />
<br />
Olha novamente para a prateleira.<br />
<br />
Pensa:<br />
<br />
“O que este idiota funcional está falando?<br />
<br />
Não tem aqui na frente dele um blister lindo com um Mach3 novinho?<br />
<br />
E esta Nivea da lata preta? Eu só uso esta e é ótima...”<br />
<br />
E ainda por cima está na promoção, só R&#36; 39,90.<br />
<br />
E responde:<br />
<br />
“É... só isso mesmo.”<br />
<br />
Nesse momento você percebe que não está numa farmácia.<br />
<br />
Está numa expedição arqueológica.<br />
<br />
Você está procurando vestígios de uma civilização que um dia acreditou que homem poderia ter mais de uma opção para fazer a barba.<br />
<br />
E o mais curioso é que a farmácia vende shampoo para absolutamente qualquer tipo de cabelo existente na humanidade.<br />
<br />
Tem shampoo para cabelo seco.<br />
<br />
Oleoso.<br />
<br />
Misto.<br />
<br />
Cacheado.<br />
<br />
Liso.<br />
<br />
Com química.<br />
<br />
Sem química.<br />
<br />
Com frizz.<br />
<br />
Sem frizz.<br />
<br />
Para reconstrução.<br />
<br />
Hidratação.<br />
<br />
Nutrição.<br />
<br />
Se bobear, daqui a pouco teremos shampoo específico para carecas.....<br />
<br />
Mas para fazer a barba?<br />
<br />
“Tem Mach3.”<br />
<br />
E se você perguntar por creme?<br />
<br />
“Tem Nivea.”<br />
<br />
Espuma?<br />
<br />
“Tem três.”<br />
<br />
Pós-barba?<br />
<br />
Aí você já está abusando, porque esta frescura de pós-barba?<br />
<br />
O balconista começa a lançar olhares para o segurança.<br />
<br />
Você percebe que é melhor ir embora.<br />
<br />
E é exatamente aí que nós, pobres entusiastas do barbear tradicional, percebemos uma coisa:<br />
<br />
O varejo brasileiro conseguiu transformar uma atividade milenar em um mercado com praticamente cinco produtos.<br />
<br />
Wilkinson.<br />
<br />
Mach3.<br />
<br />
Espuma de lata.<br />
<br />
Nivea.<br />
<br />
Bozano.<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Agora pague no caixa e não faça perguntas.<br />
<br />
Porque se você perguntar:<br />
<br />
“Vocês têm alguma lâmina diferente?”<br />
<br />
O atendente pode simplesmente chamar o gerente e alegar que não é pago para atender pessoas com um QI tão baixo.<br />
<br />
E se você mencionar “barbeador de segurança”, existe uma possibilidade real de você ser hostilizado.<br />
<br />
No fim, você sai da farmácia com uma sensação estranha.<br />
<br />
Não encontrou o que queria.<br />
<br />
Mas encontrou uma certeza:<br />
<br />
No Brasil, escolher um produto para cuidar da barba é muito mais difícil do que escolher o barbeador que vai raspar a própria barba.<br />
<br />
E amanhã você volta lá. Você é brasileiro e não desiste nunca, lembra?<br />
<br />
Porque, vai que chegou uma Wilkinson nova.<br />
<br />
Alguma versão Black, Premium... que, no final, é a mesma lâmina, mas com a caixa diferente.....<br />
<br />
Alguma coisa que você, idiota funcional, se engana e compra....<br />
<br />
Vai que desta vez é uma novidade....<br />
<br />
E, no final, quem sabe o atendente esteja certo: ele não é pago para atender pessoas com o QI tão baixo.<br />
<br />
ABS,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[“Calma lá, cabeção!]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1355.html</link>
			<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 12:13:25 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1355.html</guid>
			<description><![CDATA[“Calma lá, cabeção!”<br />
<br />
Prezados convivas,<br />
<br />
Hoje quero falar de uma parte do barbeador que quase sempre fica em segundo plano: a cabeça.<br />
<br />
Mais especificamente, sobre sua altura, seu tamanho e o quanto isso interfere na manobrabilidade durante o barbear.<br />
<br />
Eu gosto muito do meu Gillette Old Type justamente por isso.<br />
<br />
A cabeça é baixa, compacta e, por ser um pente aberto, extremamente eficiente. É uma combinação de geometria simples com uma capacidade de movimentação que considero excelente.<br />
<br />
Quando comparo o Old Type com um Mühle R41, por exemplo, a diferença fica bastante evidente. Mesmo sendo dois barbeadores de três peças e bastante eficientes, o Old Type tem uma cabeça consideravelmente menor.<br />
<br />
E isso faz diferença.<br />
<br />
Principalmente nas áreas em que precisamos de mais precisão, como ao redor do queixo e, evidentemente, debaixo do nariz.<br />
<br />
Mas vamos deixar os três peças de lado e falar dos TTO.<br />
<br />
Por sua própria construção, um TTO já parte de uma desvantagem nesse aspecto. O mecanismo de abertura das portas ocupa espaço e, consequentemente, temos uma cabeça maior.<br />
<br />
Não chega a ser um grande problema, mas a manobrabilidade acaba sendo um pouco sacrificada justamente em alguns dos pontos mais chatos do rosto.<br />
<br />
Ao redor do queixo e debaixo do nariz, por exemplo, uma cabeça maior pode exigir um pouco mais de trabalho.<br />
<br />
Nada que não possa ser resolvido inclinando o barbeador e fazendo a passagem lateralmente. Depois de algum tempo usando, isso se torna natural.<br />
<br />
Eu possuo alguns TTO, como o Rockwell T2, o Monotech e o Wilkinson Classic.<br />
<br />
E aqui aparece uma exceção bastante interessante.<br />
<br />
Os TTO mais modernos, em sua grande maioria, possuem cabeças robustas, altas e largas.<br />
<br />
O Wilkinson Classic segue justamente na contramão.<br />
<br />
Ele possui um dos cabos mais compridos que já vi em uma safety razor. E, como tenho mãos grandes, confesso que o tamanho do cabo mesmo assim me incomoda um pouco.<br />
<br />
Mas sua cabeça é baixa.<br />
<br />
Isso mesmo.<br />
<br />
Um TTO de cabeça baixa.<br />
<br />
E considero o desenho da cabeça muito interessante, principalmente quando pensamos nos padrões atuais. É uma construção relativamente compacta e que proporciona uma manobrabilidade bastante boa.<br />
<br />
Deixo abaixo um link para os confrades analisarem.<br />
<br />
<a href="http://www.wilkinsonsword.com/products/classic-double-edge-razor" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.wilkinsonsword.com/products/c...edge-razor</a><br />
<br />
Recentemente adquiri também um Yaqi The Final Cut e ainda não tive oportunidade de testá-lo.<br />
<br />
É um duas peças e estou bastante curioso para ver como essa geometria vai se comportar no meu rosto. Principalmente porque, nesse caso, não temos o mecanismo TTO ocupando espaço na cabeça.<br />
<br />
E já que estamos falando de TTO, não podemos esquecer de dois clássicos que provavelmente são os mais discutidos quando o assunto é ajustável: Fatboy e Slim Adjustable.<br />
<br />
As duas são excelentes máquinas, mas a sensação durante a movimentação é diferente.<br />
<br />
A Fatboy tem uma cabeça mais robusta e uma construção mais compacta. A Slim, por outro lado, é mais esguia e transmite uma sensação de maior agilidade.<br />
<br />
É justamente por isso que entendo perfeitamente os confrades que preferem a Slim.<br />
<br />
Não necessariamente porque ela proporcione um barbear mais rente.<br />
<br />
Mas porque sua geometria pode facilitar determinados movimentos, principalmente nas regiões mais apertadas do rosto.<br />
<br />
Seguem ótmos links com alguns comparativos lado a lado- <br />
<br />
<a href="http://www.badgerandblade.com/forum/threads/gillette-fat-boy-and-slim-compare-and-contrast.525386/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.badgerandblade.com/forum/thre...st.525386/</a><br />
<br />
<a href="http://www.badgerandblade.com/forum/media/fatboy-slim-comparo.17488/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.badgerandblade.com/forum/medi...aro.17488/</a><br />
<br />
E aqui está o ponto que considero mais interessante:<br />
<br />
Altura e tamanho da cabeça não determinam sozinhos se um barbeador é agressivo, suave, eficiente ou ineficiente.<br />
<br />
Eles interferem principalmente na maneira como conseguimos posicionar e movimentar a lâmina.<br />
<br />
É uma característica que muitas vezes passa despercebida quando olhamos apenas para especificações, mas que aparece imediatamente quando colocamos o barbeador no rosto.<br />
<br />
Outro dia estava lendo sobre barbeadores ajustáveis e comecei a reparar na quantidade de verdadeiros "monstros" que já foram fabricados e, naturalmente, descontinuados.<br />
<br />
O Merkur Vision é um bom exemplo.<br />
<br />
Cabeça grande, corpo pesado e um mecanismo de ajuste bastante complexo, além de uma reputação que divide opiniões até hoje.<br />
<br />
<a href="http://www.badgerandblade.com/forum/wiki/Merkur_Vision" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.badgerandblade.com/forum/wiki/Merkur_Vision</a><br />
<br />
isso é o que torna os barbeadores antigos tão interessantes.<br />
<br />
Existem várias maneiras de resolver o mesmo problema.<br />
<br />
Alguns fabricantes preferiram cabeças maiores e mecanismos mais complexos. Outros conseguiram fazer muito com uma geometria extremamente simples.<br />
<br />
Se hoje eu tivesse a oportunidade de desenvolver alguns modelos de safety razor, certamente buscaria inspiração em alguns clássicos da Gillette.<br />
<br />
Primeiro, o Old Type, obviamente.<br />
<br />
Segundo, o Gillette Tech inglês.<br />
<br />
E terceiro, o Gillette Sheraton.<br />
<br />
Observação importante:<br />
<br />
Provavelmente já falei umas cinco vezes nas últimas 24 horas sobre o quanto gosto dos Old Type e dos Sheraton.<br />
<br />
Mas prometo que este é o último post sobre o assunto.<br />
<br />
Pelo menos até eu usar o Old Type novamente!<br />
<br />
Mas e os confrades?<br />
<br />
Para vocês, quanto a altura e o tamanho da cabeça interferem na manobrabilidade?<br />
<br />
Preferem cabeças compactas e baixas ou não dão tanta importância a essa característica?<br />
<br />
Quero saber a experiência de vocês.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[“Calma lá, cabeção!”<br />
<br />
Prezados convivas,<br />
<br />
Hoje quero falar de uma parte do barbeador que quase sempre fica em segundo plano: a cabeça.<br />
<br />
Mais especificamente, sobre sua altura, seu tamanho e o quanto isso interfere na manobrabilidade durante o barbear.<br />
<br />
Eu gosto muito do meu Gillette Old Type justamente por isso.<br />
<br />
A cabeça é baixa, compacta e, por ser um pente aberto, extremamente eficiente. É uma combinação de geometria simples com uma capacidade de movimentação que considero excelente.<br />
<br />
Quando comparo o Old Type com um Mühle R41, por exemplo, a diferença fica bastante evidente. Mesmo sendo dois barbeadores de três peças e bastante eficientes, o Old Type tem uma cabeça consideravelmente menor.<br />
<br />
E isso faz diferença.<br />
<br />
Principalmente nas áreas em que precisamos de mais precisão, como ao redor do queixo e, evidentemente, debaixo do nariz.<br />
<br />
Mas vamos deixar os três peças de lado e falar dos TTO.<br />
<br />
Por sua própria construção, um TTO já parte de uma desvantagem nesse aspecto. O mecanismo de abertura das portas ocupa espaço e, consequentemente, temos uma cabeça maior.<br />
<br />
Não chega a ser um grande problema, mas a manobrabilidade acaba sendo um pouco sacrificada justamente em alguns dos pontos mais chatos do rosto.<br />
<br />
Ao redor do queixo e debaixo do nariz, por exemplo, uma cabeça maior pode exigir um pouco mais de trabalho.<br />
<br />
Nada que não possa ser resolvido inclinando o barbeador e fazendo a passagem lateralmente. Depois de algum tempo usando, isso se torna natural.<br />
<br />
Eu possuo alguns TTO, como o Rockwell T2, o Monotech e o Wilkinson Classic.<br />
<br />
E aqui aparece uma exceção bastante interessante.<br />
<br />
Os TTO mais modernos, em sua grande maioria, possuem cabeças robustas, altas e largas.<br />
<br />
O Wilkinson Classic segue justamente na contramão.<br />
<br />
Ele possui um dos cabos mais compridos que já vi em uma safety razor. E, como tenho mãos grandes, confesso que o tamanho do cabo mesmo assim me incomoda um pouco.<br />
<br />
Mas sua cabeça é baixa.<br />
<br />
Isso mesmo.<br />
<br />
Um TTO de cabeça baixa.<br />
<br />
E considero o desenho da cabeça muito interessante, principalmente quando pensamos nos padrões atuais. É uma construção relativamente compacta e que proporciona uma manobrabilidade bastante boa.<br />
<br />
Deixo abaixo um link para os confrades analisarem.<br />
<br />
<a href="http://www.wilkinsonsword.com/products/classic-double-edge-razor" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.wilkinsonsword.com/products/c...edge-razor</a><br />
<br />
Recentemente adquiri também um Yaqi The Final Cut e ainda não tive oportunidade de testá-lo.<br />
<br />
É um duas peças e estou bastante curioso para ver como essa geometria vai se comportar no meu rosto. Principalmente porque, nesse caso, não temos o mecanismo TTO ocupando espaço na cabeça.<br />
<br />
E já que estamos falando de TTO, não podemos esquecer de dois clássicos que provavelmente são os mais discutidos quando o assunto é ajustável: Fatboy e Slim Adjustable.<br />
<br />
As duas são excelentes máquinas, mas a sensação durante a movimentação é diferente.<br />
<br />
A Fatboy tem uma cabeça mais robusta e uma construção mais compacta. A Slim, por outro lado, é mais esguia e transmite uma sensação de maior agilidade.<br />
<br />
É justamente por isso que entendo perfeitamente os confrades que preferem a Slim.<br />
<br />
Não necessariamente porque ela proporcione um barbear mais rente.<br />
<br />
Mas porque sua geometria pode facilitar determinados movimentos, principalmente nas regiões mais apertadas do rosto.<br />
<br />
Seguem ótmos links com alguns comparativos lado a lado- <br />
<br />
<a href="http://www.badgerandblade.com/forum/threads/gillette-fat-boy-and-slim-compare-and-contrast.525386/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.badgerandblade.com/forum/thre...st.525386/</a><br />
<br />
<a href="http://www.badgerandblade.com/forum/media/fatboy-slim-comparo.17488/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.badgerandblade.com/forum/medi...aro.17488/</a><br />
<br />
E aqui está o ponto que considero mais interessante:<br />
<br />
Altura e tamanho da cabeça não determinam sozinhos se um barbeador é agressivo, suave, eficiente ou ineficiente.<br />
<br />
Eles interferem principalmente na maneira como conseguimos posicionar e movimentar a lâmina.<br />
<br />
É uma característica que muitas vezes passa despercebida quando olhamos apenas para especificações, mas que aparece imediatamente quando colocamos o barbeador no rosto.<br />
<br />
Outro dia estava lendo sobre barbeadores ajustáveis e comecei a reparar na quantidade de verdadeiros "monstros" que já foram fabricados e, naturalmente, descontinuados.<br />
<br />
O Merkur Vision é um bom exemplo.<br />
<br />
Cabeça grande, corpo pesado e um mecanismo de ajuste bastante complexo, além de uma reputação que divide opiniões até hoje.<br />
<br />
<a href="http://www.badgerandblade.com/forum/wiki/Merkur_Vision" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.badgerandblade.com/forum/wiki/Merkur_Vision</a><br />
<br />
isso é o que torna os barbeadores antigos tão interessantes.<br />
<br />
Existem várias maneiras de resolver o mesmo problema.<br />
<br />
Alguns fabricantes preferiram cabeças maiores e mecanismos mais complexos. Outros conseguiram fazer muito com uma geometria extremamente simples.<br />
<br />
Se hoje eu tivesse a oportunidade de desenvolver alguns modelos de safety razor, certamente buscaria inspiração em alguns clássicos da Gillette.<br />
<br />
Primeiro, o Old Type, obviamente.<br />
<br />
Segundo, o Gillette Tech inglês.<br />
<br />
E terceiro, o Gillette Sheraton.<br />
<br />
Observação importante:<br />
<br />
Provavelmente já falei umas cinco vezes nas últimas 24 horas sobre o quanto gosto dos Old Type e dos Sheraton.<br />
<br />
Mas prometo que este é o último post sobre o assunto.<br />
<br />
Pelo menos até eu usar o Old Type novamente!<br />
<br />
Mas e os confrades?<br />
<br />
Para vocês, quanto a altura e o tamanho da cabeça interferem na manobrabilidade?<br />
<br />
Preferem cabeças compactas e baixas ou não dão tanta importância a essa característica?<br />
<br />
Quero saber a experiência de vocês.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[TTO, Three-Piece, Two-Piece ou PTO: Qual é o seu preferido?]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1350.html</link>
			<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 15:48:44 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1350.html</guid>
			<description><![CDATA[TTO, Three-Piece, Two-Piece ou PTO: Qual é o seu preferido?<br />
<br />
Prezados confrades,<br />
<br />
Gostaria de saber dos senhores qual tipo de safety razor mais lhes agrada.<br />
<br />
Não estou me referindo a marcas ou modelos específicos, mas sim aos diferentes formatos de construção e mecanismos de abertura.<br />
<br />
Particularmente, gosto mais dos TTO (Twist to Open) pela praticidade. Basta girar o cabo, abrir as portas, colocar a lâmina e fechar. Simples e rápido.<br />
<br />
Também aprecio bastante os three-piece, que considero o formato mais clássico de todos. São extremamente tradicionais e, para mim, têm aquele charme dos barbeadores clássicos.<br />
<br />
Temos ainda os two-piece, dos quais não sou exatamente um grande fã. Confesso, porém, que quando se trata de um duas peças ajustável, a coisa muda um pouco.<br />
<br />
No TTO, você precisa abrir as portas, fazer o ajuste e depois fechá-las novamente. Já em um duas peças ajustável, basta girar o mecanismo de regulagem localizado no final do cabo. Na prática, acaba sendo bastante conveniente.<br />
<br />
E temos ainda uma configuração que pouca gente conhece: o PTO. Isso mesmo, PTO (push to open).<br />
<br />
Trata-se de um mecanismo no qual você pressiona o botão localizado na extremidade do cabo, comprimindo uma mola que, por sua vez, faz com que as portas do barbeador se abram.<br />
<br />
Visualmente, ele é bastante semelhante a um TTO convencional. A diferença está justamente no funcionamento: em vez de girar o cabo para abrir as portas, você empurra o botão.<br />
<br />
Um exemplo disponível no mercado é o Yaqi Monarch, que utiliza justamente esse projeto.<br />
<br />
E os senhores?<br />
<br />
Qual desses formatos lhes agrada mais?<br />
<br />
TTO, three-piece, two-piece ou PTO?<br />
<br />
Não incluí os single edge na enquete porque, na prática, grande parte deles utiliza construção em três peças e, portanto, já estaria contemplada nessa categoria.<br />
<br />
Também não incluí outras soluções de abertura e fechamento, como os mecanismos acionados por mola ou aqueles que utilizam ímãs, entre outras alternativas menos comuns.<br />
<br />
A ideia aqui é justamente conhecer a preferência dos confrades entre essas quatro opções.<br />
<br />
Quero saber qual formato vocês preferem e, principalmente, por quê.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[TTO, Three-Piece, Two-Piece ou PTO: Qual é o seu preferido?<br />
<br />
Prezados confrades,<br />
<br />
Gostaria de saber dos senhores qual tipo de safety razor mais lhes agrada.<br />
<br />
Não estou me referindo a marcas ou modelos específicos, mas sim aos diferentes formatos de construção e mecanismos de abertura.<br />
<br />
Particularmente, gosto mais dos TTO (Twist to Open) pela praticidade. Basta girar o cabo, abrir as portas, colocar a lâmina e fechar. Simples e rápido.<br />
<br />
Também aprecio bastante os three-piece, que considero o formato mais clássico de todos. São extremamente tradicionais e, para mim, têm aquele charme dos barbeadores clássicos.<br />
<br />
Temos ainda os two-piece, dos quais não sou exatamente um grande fã. Confesso, porém, que quando se trata de um duas peças ajustável, a coisa muda um pouco.<br />
<br />
No TTO, você precisa abrir as portas, fazer o ajuste e depois fechá-las novamente. Já em um duas peças ajustável, basta girar o mecanismo de regulagem localizado no final do cabo. Na prática, acaba sendo bastante conveniente.<br />
<br />
E temos ainda uma configuração que pouca gente conhece: o PTO. Isso mesmo, PTO (push to open).<br />
<br />
Trata-se de um mecanismo no qual você pressiona o botão localizado na extremidade do cabo, comprimindo uma mola que, por sua vez, faz com que as portas do barbeador se abram.<br />
<br />
Visualmente, ele é bastante semelhante a um TTO convencional. A diferença está justamente no funcionamento: em vez de girar o cabo para abrir as portas, você empurra o botão.<br />
<br />
Um exemplo disponível no mercado é o Yaqi Monarch, que utiliza justamente esse projeto.<br />
<br />
E os senhores?<br />
<br />
Qual desses formatos lhes agrada mais?<br />
<br />
TTO, three-piece, two-piece ou PTO?<br />
<br />
Não incluí os single edge na enquete porque, na prática, grande parte deles utiliza construção em três peças e, portanto, já estaria contemplada nessa categoria.<br />
<br />
Também não incluí outras soluções de abertura e fechamento, como os mecanismos acionados por mola ou aqueles que utilizam ímãs, entre outras alternativas menos comuns.<br />
<br />
A ideia aqui é justamente conhecer a preferência dos confrades entre essas quatro opções.<br />
<br />
Quero saber qual formato vocês preferem e, principalmente, por quê.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[NÃO ALIMENTE OS URSOS.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1343.html</link>
			<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 12:14:41 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1343.html</guid>
			<description><![CDATA[NÃO ALIMENTE OS URSOS.<br />
<br />
Existe uma questão que divide os confrades do barbear clássico e que, curiosamente, quase nunca recebe a atenção que merece: com que frequência um homem deve fazer a barba?<br />
<br />
Eu, particularmente, faço a barba duas vezes por semana. Em semanas de maior inspiração, chego a três.<br />
<br />
Considero uma frequência bastante razoável. Afinal, temos uma vida para viver, trabalho para fazer, contas para pagar e, em alguns casos, até barbeadores para justificar a compra.<br />
<br />
Mas existem confrades que não pensam assim.<br />
<br />
Temos, por exemplo, o nosso estimado ADM Thonny.<br />
<br />
O homem faz a barba todos os dias.<br />
<br />
E não estamos falando de uma passada preguiçosa de espuma no rosto para dizer que cumpriu a obrigação. Não. O confrade encara o negócio de maneira espartana.<br />
<br />
Nasce a barba?<br />
<br />
Ela é eliminada.<br />
<br />
Volta a nascer?<br />
<br />
É eliminada novamente.<br />
<br />
Não há negociação.<br />
<br />
Não há anistia.<br />
<br />
Não há sequer direito adquirido.<br />
<br />
E é justamente aí que entra o nosso problema.<br />
<br />
Porque nós, que fazemos a barba duas ou três vezes por semana, ainda conseguimos manter uma convivência razoavelmente pacífica com nossos pelos faciais.<br />
<br />
Mas o confrade que faz a barba todos os dias vive em outro nível de relacionamento com a própria barba.<br />
<br />
É uma guerra.<br />
<br />
Uma guerra sem fim.<br />
<br />
Se algum dos confrades já assistiu a um documentário sobre a vida dos ursos, sabe que esses respeitáveis animais são grandes apreciadores de mel. O nosso conhecido Ursinho Pooh que o diga.<br />
<br />
Então fica aqui uma pergunta que a ciência ainda não respondeu: será que, se os nossos caros amigos que fazem a barba todos os dias consumissem um pouco mais de mel, poderiam fazer menos a barba e, consequentemente, ter uma vida um pouco mais doce?<br />
<br />
Não sei.<br />
<br />
Mas, diante da gravidade da situação, acho que deveríamos investigar.<br />
<br />
Prezados confrades, fora os absurdos que escrevi acima, queria saber dos vossos senhores:<br />
<br />
Qual é a frequência com que vocês fazem a barba?<br />
<br />
Claro que isto vai de cada um, pois todos temos barbas diferentes e blá-blá-blá.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[NÃO ALIMENTE OS URSOS.<br />
<br />
Existe uma questão que divide os confrades do barbear clássico e que, curiosamente, quase nunca recebe a atenção que merece: com que frequência um homem deve fazer a barba?<br />
<br />
Eu, particularmente, faço a barba duas vezes por semana. Em semanas de maior inspiração, chego a três.<br />
<br />
Considero uma frequência bastante razoável. Afinal, temos uma vida para viver, trabalho para fazer, contas para pagar e, em alguns casos, até barbeadores para justificar a compra.<br />
<br />
Mas existem confrades que não pensam assim.<br />
<br />
Temos, por exemplo, o nosso estimado ADM Thonny.<br />
<br />
O homem faz a barba todos os dias.<br />
<br />
E não estamos falando de uma passada preguiçosa de espuma no rosto para dizer que cumpriu a obrigação. Não. O confrade encara o negócio de maneira espartana.<br />
<br />
Nasce a barba?<br />
<br />
Ela é eliminada.<br />
<br />
Volta a nascer?<br />
<br />
É eliminada novamente.<br />
<br />
Não há negociação.<br />
<br />
Não há anistia.<br />
<br />
Não há sequer direito adquirido.<br />
<br />
E é justamente aí que entra o nosso problema.<br />
<br />
Porque nós, que fazemos a barba duas ou três vezes por semana, ainda conseguimos manter uma convivência razoavelmente pacífica com nossos pelos faciais.<br />
<br />
Mas o confrade que faz a barba todos os dias vive em outro nível de relacionamento com a própria barba.<br />
<br />
É uma guerra.<br />
<br />
Uma guerra sem fim.<br />
<br />
Se algum dos confrades já assistiu a um documentário sobre a vida dos ursos, sabe que esses respeitáveis animais são grandes apreciadores de mel. O nosso conhecido Ursinho Pooh que o diga.<br />
<br />
Então fica aqui uma pergunta que a ciência ainda não respondeu: será que, se os nossos caros amigos que fazem a barba todos os dias consumissem um pouco mais de mel, poderiam fazer menos a barba e, consequentemente, ter uma vida um pouco mais doce?<br />
<br />
Não sei.<br />
<br />
Mas, diante da gravidade da situação, acho que deveríamos investigar.<br />
<br />
Prezados confrades, fora os absurdos que escrevi acima, queria saber dos vossos senhores:<br />
<br />
Qual é a frequência com que vocês fazem a barba?<br />
<br />
Claro que isto vai de cada um, pois todos temos barbas diferentes e blá-blá-blá.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Nota de falecimento.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1342.html</link>
			<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 11:52:44 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1342.html</guid>
			<description><![CDATA[A espuma em lata está morrendo? Calma, confrades. Ainda não é necessário organizar o velório.<br />
<br />
De tempos em tempos aparece aquela sensação de que a espuma de barbear em lata está com os dias contados. Afinal, estamos falando de um produto que parece pertencer a uma época em que o homem entrava no banheiro, apertava um botão e acreditava que aquilo era tecnologia de ponta.<br />
<br />
Mas os números contam uma história um pouco diferente.<br />
<br />
O mercado mundial de espuma de barbear continua crescendo e a boa e velha lata aerossol ainda responde por aproximadamente 75% das receitas. Ou seja: enquanto alguns de nós discutimos se a lâmina deve ser usada três ou quatro vezes, milhões de homens continuam apertando a lata e produzindo uma nuvem branca no rosto.<br />
<br />
<a href="http://www.mordorintelligence.com/industry-reports/shaving-foam-market" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.mordorintelligence.com/indust...oam-market</a> <br />
<br />
E, convenhamos, há uma razão para isso.<br />
<br />
A espuma em lata é prática. Não exige tigela, pincel, água na temperatura correta, pré-barba, pós-barba, oração, incenso ou conhecimento de alquimia medieval.<br />
<br />
É apertar, passar no rosto e raspar.<br />
<br />
Fim.<br />
<br />
O problema é que o mundo do barbear mudou.<br />
<br />
Cremes, sabões, géis e produtos sem aerossol vêm conquistando espaço, especialmente entre consumidores que procuram uma experiência mais elaborada ou estão preocupados com embalagem e sustentabilidade.<br />
<br />
E aí entramos nós.<br />
<br />
O sujeito comum olha para um sabão de barbear e pensa:<br />
<br />
“Por que eu pagaria 250 pilas por isso se existe espuma em lata?”<br />
<br />
O confrade olha para o mesmo sabão e pensa:<br />
<br />
“Será que essa espuma melhora se eu usar água morna, uma tigela de cerâmica e o pincel de 24 mm de pelo de javali?”<br />
<br />
São dois universos completamente diferentes.<br />
<br />
Para o primeiro, fazer a barba é uma tarefa.<br />
<br />
Para o segundo, fazer a barba é praticamente uma religião.<br />
<br />
E seja justamente aí que esteja o futuro da espuma em lata.<br />
<br />
Ela provavelmente não vai desaparecer. Vai continuar sendo o produto de quem quer rapidez e praticidade. Enquanto isso, cremes e sabões continuarão atraindo aqueles malucos que compram um barbeador novo porque o cabo “tem uma geometria interessante”.<br />
<br />
No fundo, não estamos vendo o fim da espuma em lata.<br />
<br />
Estamos vendo uma divisão cada vez mais clara.<br />
<br />
De um lado, o homem que quer simplesmente tirar a barba.<br />
<br />
Do outro, o sujeito que possui 20 barbeadores, 15 pincéis diferentes, uma coleção de sabões e consegue passar meia hora discutindo a agressividade de uma cabeça open comb de zamac.<br />
<br />
E, sinceramente?<br />
<br />
A espuma em lata que se cuide.<br />
<br />
Porque enquanto houver confrades militantes como nós, sempre haverá alguém dizendo:<br />
<br />
“Essa espuma é boa, mas você já experimentou fazer a sua própria espuma com um pincel de texugo?”<br />
<br />
Eu já declarei algumas vezes que sou um apreciador de espumas em lata.<br />
<br />
Creio que isto se deve mais à memória afetiva do que ao produto em si. Gosto das latas, das artes usadas nelas e, em 95% dos casos, das fragrâncias das espumas.<br />
<br />
Apesar de a maioria de nós, apreciadores do barbear clássico, torcermos o nariz para as espumas em lata, elas ainda têm a maioria esmagadora do mercado.<br />
<br />
Estamos no século XXI, onde o tempo é o recurso mais escasso e valioso.<br />
<br />
Eu já tive latas de espuma de barbear que duraram mais que o casamento de alguns amigos...<br />
<br />
E agora vem a pergunta, caro conviva: nunca tivestes a curiosidade de experimentar uma espuma em lata?<br />
<br />
Vou dar uma dica: a espuma em lata da Gillette Prestobarba custa 17 reais, tem 150 ml e, por mais incrível que isto possa parecer, tem um deslize bastante razoável.<br />
<br />
Se algum confrade já usou espuma em lata, deixe seu comentário abaixo.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A espuma em lata está morrendo? Calma, confrades. Ainda não é necessário organizar o velório.<br />
<br />
De tempos em tempos aparece aquela sensação de que a espuma de barbear em lata está com os dias contados. Afinal, estamos falando de um produto que parece pertencer a uma época em que o homem entrava no banheiro, apertava um botão e acreditava que aquilo era tecnologia de ponta.<br />
<br />
Mas os números contam uma história um pouco diferente.<br />
<br />
O mercado mundial de espuma de barbear continua crescendo e a boa e velha lata aerossol ainda responde por aproximadamente 75% das receitas. Ou seja: enquanto alguns de nós discutimos se a lâmina deve ser usada três ou quatro vezes, milhões de homens continuam apertando a lata e produzindo uma nuvem branca no rosto.<br />
<br />
<a href="http://www.mordorintelligence.com/industry-reports/shaving-foam-market" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">http://www.mordorintelligence.com/indust...oam-market</a> <br />
<br />
E, convenhamos, há uma razão para isso.<br />
<br />
A espuma em lata é prática. Não exige tigela, pincel, água na temperatura correta, pré-barba, pós-barba, oração, incenso ou conhecimento de alquimia medieval.<br />
<br />
É apertar, passar no rosto e raspar.<br />
<br />
Fim.<br />
<br />
O problema é que o mundo do barbear mudou.<br />
<br />
Cremes, sabões, géis e produtos sem aerossol vêm conquistando espaço, especialmente entre consumidores que procuram uma experiência mais elaborada ou estão preocupados com embalagem e sustentabilidade.<br />
<br />
E aí entramos nós.<br />
<br />
O sujeito comum olha para um sabão de barbear e pensa:<br />
<br />
“Por que eu pagaria 250 pilas por isso se existe espuma em lata?”<br />
<br />
O confrade olha para o mesmo sabão e pensa:<br />
<br />
“Será que essa espuma melhora se eu usar água morna, uma tigela de cerâmica e o pincel de 24 mm de pelo de javali?”<br />
<br />
São dois universos completamente diferentes.<br />
<br />
Para o primeiro, fazer a barba é uma tarefa.<br />
<br />
Para o segundo, fazer a barba é praticamente uma religião.<br />
<br />
E seja justamente aí que esteja o futuro da espuma em lata.<br />
<br />
Ela provavelmente não vai desaparecer. Vai continuar sendo o produto de quem quer rapidez e praticidade. Enquanto isso, cremes e sabões continuarão atraindo aqueles malucos que compram um barbeador novo porque o cabo “tem uma geometria interessante”.<br />
<br />
No fundo, não estamos vendo o fim da espuma em lata.<br />
<br />
Estamos vendo uma divisão cada vez mais clara.<br />
<br />
De um lado, o homem que quer simplesmente tirar a barba.<br />
<br />
Do outro, o sujeito que possui 20 barbeadores, 15 pincéis diferentes, uma coleção de sabões e consegue passar meia hora discutindo a agressividade de uma cabeça open comb de zamac.<br />
<br />
E, sinceramente?<br />
<br />
A espuma em lata que se cuide.<br />
<br />
Porque enquanto houver confrades militantes como nós, sempre haverá alguém dizendo:<br />
<br />
“Essa espuma é boa, mas você já experimentou fazer a sua própria espuma com um pincel de texugo?”<br />
<br />
Eu já declarei algumas vezes que sou um apreciador de espumas em lata.<br />
<br />
Creio que isto se deve mais à memória afetiva do que ao produto em si. Gosto das latas, das artes usadas nelas e, em 95% dos casos, das fragrâncias das espumas.<br />
<br />
Apesar de a maioria de nós, apreciadores do barbear clássico, torcermos o nariz para as espumas em lata, elas ainda têm a maioria esmagadora do mercado.<br />
<br />
Estamos no século XXI, onde o tempo é o recurso mais escasso e valioso.<br />
<br />
Eu já tive latas de espuma de barbear que duraram mais que o casamento de alguns amigos...<br />
<br />
E agora vem a pergunta, caro conviva: nunca tivestes a curiosidade de experimentar uma espuma em lata?<br />
<br />
Vou dar uma dica: a espuma em lata da Gillette Prestobarba custa 17 reais, tem 150 ml e, por mais incrível que isto possa parecer, tem um deslize bastante razoável.<br />
<br />
Se algum confrade já usou espuma em lata, deixe seu comentário abaixo.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Kampfe, fabricando safety razors desde 1880?]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1341.html</link>
			<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 10:57:21 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1341.html</guid>
			<description><![CDATA[Kampfe, fabricando safety razors desde 1880?<br />
Prezados confrades,<br />
<br />
Como os senhores já sabem, sou um curioso por natureza...<br />
<br />
Como estamos falando de barbeadores da marca Kämpfe, fiquei interessado e resolvi pesquisar um pouco sobre a origem desse nome. E, para minha surpresa, encontrei um material histórico muito rico. Resolvi, então, compartilhá-lo com os demais convivas.<br />
<br />
Quando ouvimos falar em Kämpfe hoje, provavelmente pensamos em uma fabricante chinesa relativamente nova, que vem aparecendo com alguns barbeadores bastante interessantes e que, pelo que tenho visto nos fóruns, divide opiniões entre os confrades.<br />
<br />
Mas o nome Kämpfe está longe de ser novo.<br />
<br />
Os irmãos Frederick e Otto Kampfe eram imigrantes alemães estabelecidos em Nova York e, ainda no século XIX, começaram a trabalhar na fabricação de barbeadores. Por volta de 1875, a família já estava envolvida na produção do famoso Star Safety Razor.<br />
<br />
Em 15 de junho de 1880, Frederick e Otto Kampfe obtiveram a patente americana US 228.904 para um aperfeiçoamento de um safety razor. O próprio documento da patente utiliza o termo "safety-razor".<br />
<br />
A marca Star foi utilizada pelos irmãos Kampfe desde 1880 e acabou se tornando uma das marcas pioneiras na história do barbeador de segurança.<br />
<br />
E aqui está a parte que mais me chamou a atenção: os irmãos Kampfe chegaram a obter mais de 50 patentes relacionadas a barbeadores e dispositivos de afiação, além de produzirem diversas versões do Star.<br />
<br />
Estamos, portanto, falando de uma empresa que fabricava safety razors décadas antes de a Gillette se tornar o gigante que conhecemos.<br />
<br />
Em 1919, a Kampfe Brothers foi adquirida pela American Safety Razor Corporation, empresa que posteriormente ficaria associada também às marcas GEM e Ever-Ready. A Kampfe, como fabricante independente, deixou então de existir.<br />
<br />
E aí vem a minha pergunta:<br />
<br />
O que vocês acham de uma fabricante chinesa contemporânea utilizar novamente o nome Kämpfe/Kampfe?<br />
<br />
Para quem simplesmente olha o nome, talvez não haja nada demais. Mas, para um colecionador de barbeadores antigos, Kampfe não é simplesmente um sobrenome alemão.<br />
<br />
Kampfe significa Star, Nova York, final do século XIX, as primeiras gerações de safety razors e uma parte muito importante da própria história do barbear clássico.<br />
<br />
Por isso, encontrei alguns confrades americanos bastante incomodados com a utilização do nome pela empresa chinesa atual. Não necessariamente pelo fato de ela ser chinesa, mas porque existe a sensação de que um nome histórico está sendo reutilizado por uma empresa que, ao menos pelo que consegui encontrar, não possui uma continuidade empresarial comprovada com a Kampfe Brothers original.<br />
<br />
E aqui faço uma ressalva importante: não encontrei evidências suficientes para afirmar que a Kämpfe atual tenha "roubado" o nome ou cometido alguma irregularidade. Para fazer uma afirmação dessas, seria necessário investigar a propriedade e o registro atual da marca.<br />
<br />
O que sabemos é que existe uma distância de mais de um século entre a Kampfe Brothers original e a Kämpfe que encontramos hoje no mercado.<br />
<br />
Para quem quiser pesquisar por conta própria, deixo algumas referências:<br />
<br />
Patente americana dos irmãos Kampfe, de 1880:<br />
<a href="https://patents.google.com/patent/US228904A/en" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://patents.google.com/patent/US228904A/en</a><br />
<br />
História da Kampfe Brothers e dos primeiros Star Safety Razors:<br />
<a href="https://www.shaveworld.org/images/PerrettKampfe-rev2.html" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.shaveworld.org/images/Perret...-rev2.html</a><br />
<br />
Registro histórico da marca Star:<br />
<a href="https://razors.page/patents/USTM43257/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://razors.page/patents/USTM43257/</a><br />
<br />
Discussão de colecionadores sobre os primeiros safety razors da Kampfe:<br />
<a href="https://www.badgerandblade.com/forum/threads/the-very-first-safety-razors-kampfe-pics.340115/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.badgerandblade.com/forum/thr...cs.340115/</a><br />
<br />
E aí fica a pergunta aos confrades,<br />
<br />
Vocês acham interessante uma fabricante moderna resgatar um nome tão importante da história do barbear, ou consideram estranho uma empresa sem ligação histórica comprovada com a Kampfe Brothers utilizar novamente esse nome?<br />
<br />
Particularmente, achei a história muito mais interessante do que imaginava quando comecei a pesquisar os barbeadores atuais da Kämpfe.<br />
<br />
Espero ter acrescentado algo interessante ao fórum.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Kampfe, fabricando safety razors desde 1880?<br />
Prezados confrades,<br />
<br />
Como os senhores já sabem, sou um curioso por natureza...<br />
<br />
Como estamos falando de barbeadores da marca Kämpfe, fiquei interessado e resolvi pesquisar um pouco sobre a origem desse nome. E, para minha surpresa, encontrei um material histórico muito rico. Resolvi, então, compartilhá-lo com os demais convivas.<br />
<br />
Quando ouvimos falar em Kämpfe hoje, provavelmente pensamos em uma fabricante chinesa relativamente nova, que vem aparecendo com alguns barbeadores bastante interessantes e que, pelo que tenho visto nos fóruns, divide opiniões entre os confrades.<br />
<br />
Mas o nome Kämpfe está longe de ser novo.<br />
<br />
Os irmãos Frederick e Otto Kampfe eram imigrantes alemães estabelecidos em Nova York e, ainda no século XIX, começaram a trabalhar na fabricação de barbeadores. Por volta de 1875, a família já estava envolvida na produção do famoso Star Safety Razor.<br />
<br />
Em 15 de junho de 1880, Frederick e Otto Kampfe obtiveram a patente americana US 228.904 para um aperfeiçoamento de um safety razor. O próprio documento da patente utiliza o termo "safety-razor".<br />
<br />
A marca Star foi utilizada pelos irmãos Kampfe desde 1880 e acabou se tornando uma das marcas pioneiras na história do barbeador de segurança.<br />
<br />
E aqui está a parte que mais me chamou a atenção: os irmãos Kampfe chegaram a obter mais de 50 patentes relacionadas a barbeadores e dispositivos de afiação, além de produzirem diversas versões do Star.<br />
<br />
Estamos, portanto, falando de uma empresa que fabricava safety razors décadas antes de a Gillette se tornar o gigante que conhecemos.<br />
<br />
Em 1919, a Kampfe Brothers foi adquirida pela American Safety Razor Corporation, empresa que posteriormente ficaria associada também às marcas GEM e Ever-Ready. A Kampfe, como fabricante independente, deixou então de existir.<br />
<br />
E aí vem a minha pergunta:<br />
<br />
O que vocês acham de uma fabricante chinesa contemporânea utilizar novamente o nome Kämpfe/Kampfe?<br />
<br />
Para quem simplesmente olha o nome, talvez não haja nada demais. Mas, para um colecionador de barbeadores antigos, Kampfe não é simplesmente um sobrenome alemão.<br />
<br />
Kampfe significa Star, Nova York, final do século XIX, as primeiras gerações de safety razors e uma parte muito importante da própria história do barbear clássico.<br />
<br />
Por isso, encontrei alguns confrades americanos bastante incomodados com a utilização do nome pela empresa chinesa atual. Não necessariamente pelo fato de ela ser chinesa, mas porque existe a sensação de que um nome histórico está sendo reutilizado por uma empresa que, ao menos pelo que consegui encontrar, não possui uma continuidade empresarial comprovada com a Kampfe Brothers original.<br />
<br />
E aqui faço uma ressalva importante: não encontrei evidências suficientes para afirmar que a Kämpfe atual tenha "roubado" o nome ou cometido alguma irregularidade. Para fazer uma afirmação dessas, seria necessário investigar a propriedade e o registro atual da marca.<br />
<br />
O que sabemos é que existe uma distância de mais de um século entre a Kampfe Brothers original e a Kämpfe que encontramos hoje no mercado.<br />
<br />
Para quem quiser pesquisar por conta própria, deixo algumas referências:<br />
<br />
Patente americana dos irmãos Kampfe, de 1880:<br />
<a href="https://patents.google.com/patent/US228904A/en" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://patents.google.com/patent/US228904A/en</a><br />
<br />
História da Kampfe Brothers e dos primeiros Star Safety Razors:<br />
<a href="https://www.shaveworld.org/images/PerrettKampfe-rev2.html" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.shaveworld.org/images/Perret...-rev2.html</a><br />
<br />
Registro histórico da marca Star:<br />
<a href="https://razors.page/patents/USTM43257/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://razors.page/patents/USTM43257/</a><br />
<br />
Discussão de colecionadores sobre os primeiros safety razors da Kampfe:<br />
<a href="https://www.badgerandblade.com/forum/threads/the-very-first-safety-razors-kampfe-pics.340115/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.badgerandblade.com/forum/thr...cs.340115/</a><br />
<br />
E aí fica a pergunta aos confrades,<br />
<br />
Vocês acham interessante uma fabricante moderna resgatar um nome tão importante da história do barbear, ou consideram estranho uma empresa sem ligação histórica comprovada com a Kampfe Brothers utilizar novamente esse nome?<br />
<br />
Particularmente, achei a história muito mais interessante do que imaginava quando comecei a pesquisar os barbeadores atuais da Kämpfe.<br />
<br />
Espero ter acrescentado algo interessante ao fórum.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Qual barbeador você escolheria pra vida toda se pudesse ter apenas 1?]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1339.html</link>
			<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 13:29:23 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1339.html</guid>
			<description><![CDATA[Qual barbeador você escolheria pra vida toda se pudesse ter apenas 1?<br />
<br />
Caros foristas,<br />
<br />
Tenho perto de 20 barbeadores, entre antigos e modernos.<br />
<br />
Mas fiquei pensando em uma coisa: se eu tivesse que escolher apenas um deles para continuar usando até os 80 anos, qual seria?<br />
<br />
No meu caso, não precisaria pensar duas vezes: seria o meu Gillette Old Type.<br />
<br />
Eu possuo um Rockwell T2, lindo, ajustável e uma máquina premium. Tenho também outros barbeadores dos quais gosto muito.<br />
<br />
Mas, se fosse para ficar com apenas um, seria o bom e velho Gillette Old Type.<br />
<br />
Explico: é um barbeador do ano de nascimento do meu avô, faz a barba muito bem e tem uma eficiência brutal.<br />
<br />
Além de todo o apelo emocional que essa peça representa para mim, é um dos poucos barbeadores que realmente me proporcionam prazer ao me barbear.<br />
<br />
E, claro, depois da restauração feita pela Ruas Men's Grooming, ele ficou ainda mais especial.<br />
<br />
Veja aqui a restauração do meu Gillette Old Type:<br />
<br />
<a href="https://barbeartradicional.com.br/showthread.php?mode=linear&amp;tid=985&amp;pid=19241&amp;utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://barbeartradicional.com.br/showth...hatgpt.com</a><br />
<br />
Estou até pensando em dar uma reduzida na coleção e ficar apenas com aquilo que realmente gosto de usar.<br />
<br />
E vocês?<br />
<br />
Se pudessem escolher apenas um barbeador para continuar usando pelo resto da vida, qual seria?<br />
<br />
E, principalmente, por quê?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Qual barbeador você escolheria pra vida toda se pudesse ter apenas 1?<br />
<br />
Caros foristas,<br />
<br />
Tenho perto de 20 barbeadores, entre antigos e modernos.<br />
<br />
Mas fiquei pensando em uma coisa: se eu tivesse que escolher apenas um deles para continuar usando até os 80 anos, qual seria?<br />
<br />
No meu caso, não precisaria pensar duas vezes: seria o meu Gillette Old Type.<br />
<br />
Eu possuo um Rockwell T2, lindo, ajustável e uma máquina premium. Tenho também outros barbeadores dos quais gosto muito.<br />
<br />
Mas, se fosse para ficar com apenas um, seria o bom e velho Gillette Old Type.<br />
<br />
Explico: é um barbeador do ano de nascimento do meu avô, faz a barba muito bem e tem uma eficiência brutal.<br />
<br />
Além de todo o apelo emocional que essa peça representa para mim, é um dos poucos barbeadores que realmente me proporcionam prazer ao me barbear.<br />
<br />
E, claro, depois da restauração feita pela Ruas Men's Grooming, ele ficou ainda mais especial.<br />
<br />
Veja aqui a restauração do meu Gillette Old Type:<br />
<br />
<a href="https://barbeartradicional.com.br/showthread.php?mode=linear&amp;tid=985&amp;pid=19241&amp;utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://barbeartradicional.com.br/showth...hatgpt.com</a><br />
<br />
Estou até pensando em dar uma reduzida na coleção e ficar apenas com aquilo que realmente gosto de usar.<br />
<br />
E vocês?<br />
<br />
Se pudessem escolher apenas um barbeador para continuar usando pelo resto da vida, qual seria?<br />
<br />
E, principalmente, por quê?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
	</channel>
</rss>