<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">
	<channel>
		<title><![CDATA[Fórum Barbear Tradicional - Portal
]]></title>
		<link>https://www.barbeartradicional.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Fórum Barbear Tradicional - https://www.barbeartradicional.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 15:07:03 +0000</pubDate>
		<generator>MyBB</generator>
		<item>
			<title><![CDATA[Minha trajetória no Barbear Clássico]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1367.html</link>
			<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 21:53:25 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=646">Haok</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1367.html</guid>
			<description><![CDATA[Em outro <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366-post-22396.html#pid22396" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">tópico</a>, o grande amigo Igor (MaximusBrow) me desafiou a contar um resumo da minha trajetória no barbear clássico.<br />
<br />
Portanto, desafio aceito, confrades!<br />
<br />
Para contar como cheguei até aqui, precisei resgatar alguns arquivos antigos e fotos arquivadas. O registro exato do meu primeiro barbear clássico data de 18 de agosto de 2013 (pouco mais de 13 anos atrás).<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O início de tudo</span></span><br />
<br />
Eu sempre tive uma postura bastante questionadora diante das coisas cotidianas. Na época, aos 21 anos, eu trabalhava como produtor e editor de vídeo para um canal no YouTube. Em certa ocasião, fui escalado para cobrir um evento e, durante os preparativos, fui fazer a barba com os velhos multilâminas descartáveis de costume. O resultado foi desastroso: cortes no pescoço, vermelhidão generalizada e uma sequência dolorosa de pelos encravados. Minha pele sempre foi extremamente sensível, e o ato de barbear era um suplício que eu adiava o quanto podia.<br />
<br />
Meu pai já havia abandonado as lâminas há anos e usava aquele barbeador elétrico tradicional da Philips com três discos giratórios. Para mim, o cenário parecia um beco sem saída: ou eu enfrentava a agressão do plástico descartável, ou apelava para aparelhos elétricos que até resolviam pela metade, mas deixavam o rosto com aspecto e toque de lixa d'água.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Como descobri o barbear clássico?</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano, passei a acompanhar com frequência o blog Art of Manliness. Num dia de pura frustração com o estado da minha pele, entrei na seção de Grooming e dei de cara com um artigo que mudaria tudo: um guia completo ensinando a se barbear com uma navalha tradicional de lâmina fixa. Busquei em meus favoritos e descobri que o post ainda existe: <a href="https://www.artofmanliness.com/style/grooming/how-to-straight-razor-shave/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.artofmanliness.com/style/gro...zor-shave/</a>.<br />
<br />
Este artigo causou uma verdadeira expansão na minha cabeça. Comecei a me perguntar: quanto conhecimento prático e secular nós simplesmente jogamos fora em troca de conveniência barata? Será que as dores que eu sentia no rosto já não haviam sido resolvidas com perfeição décadas atrás? Aos 21 anos, fui tomado por uma nostalgia autêntica de um tempo que não vivi. Ficou claro para mim que antigo não significava obsoleto.<br />
<br />
Decidi que queria usar navalhas. Porém, ao pesquisar os preços, esbarrei na barreira financeira da época. A alternativa viável foi começar pelos navalhetes de lâmina partida. Em julho de 2013, importei pela Amazon o meu primeiro equipamento: um Dovo Shavette.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/D0c2ZpmV/Primeiro-setup.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Primeiro-setup.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Completando com um creme Nívea, lâminas Gillette Azul Aço Inox e um pincel sintético de qualidade duvidosa, fiz minha estreia. Apesar da inexperiência total com a empunhadura do navalhete, o barbear foi surpreendentemente decente. Tive pequenos arranhões por pura falta de destreza motora, mas a partir daquele fatídico 18 de agosto de 2013 eu nunca mais soube o que era sofrer com pelos encravados.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A descoberta do fórum</span></span><br />
<br />
Com o tempo, o alívio na pele deu lugar ao encanto pelo ritual. Em 2015 descobri o fórum antigo do BTB através de um convite do Gago no <a href="https://www.barbearclassico.com/index.php" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">fórum vizinho</a> por meio de uma mensagem direta. No mesmo dia me registrei com este mesmo codinome: Haok. <br />
<br />
Pouco tempo depois comprei meu segundo navalhete, um modelo de edição limitada da Antiga Barbearia de Bairro. Nessa época vieram os primeiros cremes da Proraso e meu primeiro pincel de verdade: um Omega 11137 de cerdas de javali, indicação direta do amigo Ulysses (udrako), que conheci nas discussões da comunidade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/CMbC7G9f/Proraso-e-Pincel-Omega.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Proraso-e-Pincel-Omega.png]" class="mycode_img" /></div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Desbravando as terras do Tio Sam</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano viajei a trabalho para os Estados Unidos, e a viagem virou uma verdadeira expedição de caça a equipamentos. Voltei com mais cremes Proraso, loções Lucky Tiger e Aqua Velva, uma Merkur Futur, uma scuttle de cerâmica da Georgetown Pottery e, para o espanto de quem viu minha mala, um autêntico barber pole. Instalei o dito cujo no meu quarto e montei ali o meu refúgio pessoal.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hntpxvnf/Barber-Pole.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Barber-Pole.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Dessa viagem guardo uma memória afetiva que define o espírito deste hobby. O Ulysses me perguntou se eu poderia trazer uma clássica mug da Old Spice que ele estava de olho no eBay, pois a peça trazia lembranças fortes do pai dele. O combinado era enviar para a casa onde eu estava hospedado e eu depois enviaria para ele quando retornasse ao Brasil. Quando a encomenda chegou e abri a caixa, havia duas canecas idênticas. Mandei mensagem avisando que o vendedor americano devia ter se enganado, e o Ulysses me respondeu: "Uma é para mim e a outra é para você, fica de recordação da nossa amizade!".<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/VkvDKSqc/Mug-Old-Spice.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Mug-Old-Spice.jpg]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Esta mug tornou-se uma das peças mais valiosas da minha coleção. Ela representa o elo intangível da transmissão de valores de pai para filho. Como meu pai nunca teve o hábito do barbear clássico para me ensinar, senti que aquele presente simbolizava a minha adoção nesta irmandade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A primeira navalha</span></span><br />
<br />
Ainda em 2015 dei o salto definitivo para as lâminas fixas adquirindo uma Thiers-Issard Evidé Sonnant Extra 6/8. Junto com ela, comprei uma pedra combinada Coticule belga (da finada loja Monad), alguns strops de couro e mergulhei a fundo na arte da afiação e polimento de fio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/J737P0xJ/Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Nesse mesmo período de intensa experimentação, comecei a explorar peças com alma própria: adquiri uma clássica Gillette Tech Ball End, arrematei uma navalha custom de aço damasco num leilão às cegas no Reino Unido, comprei uma mini navalha feita por um cuteleiro gaúcho através de um confrade do antigo fórum e até me aventurei a produzir meu próprio cabo de pincel em madeira, encomendando um nó de pelo de texugo da Frank Shaving para a montagem manual. Estas reunidas eram minhas máquinas nessa fase:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Vs9sDvgk/Colec-a-o-em-2016.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Colec-a-o-em-2016.png]" class="mycode_img" /><br />
<br />
<div style="text-align: left;" class="mycode_align">E este é o pincel artesanal que mencionei anteriormente:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hkj1bkj0/Pincel-Custom.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Pincel-Custom.jpg]" class="mycode_img" /></div>
</div>
</div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O declínio</span></span><br />
<br />
No fim de 2015, no entanto, a vida real cobrou o seu preço. O término traumático de um noivado longo me jogou numa depressão profunda. Me afastei de quase tudo, silenciei nas redes e me distanciei das postagens do fórum.<br />
<br />
Os anos seguintes foram turbulentos. Em 2017, fundei um restaurante com meus pais aqui na cidade. Entre o calor das grelhas, a gestão de equipe e o fechamento do caixa, assumi a operação integral do negócio por vários anos em ritmo implacável. Em 2018 concluí minha graduação em Administração, mas me sentia desconectado de propósito. Foram anos de dedicação extrema, sem finais de semana livres e sem tempo mental para desfrutar das coisas que me traziam serenidade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A vida se ajeitando</span></span><br />
<br />
Em 2021 me casei, e logo após o matrimônio decidi que era hora de virar a página. Alinhei a transição de carreira com a minha família, deixei a operação do restaurante e iniciei minha guinada para a área de tecnologia, onde atuo hoje como Engenheiro de Software.<br />
<br />
Durante toda essa fase de grandes mudanças, eu nunca deixei de usar meu equipamento tradicional na pia do banheiro. Mas o consumo desenfreado cessou. Entendi que o frenesi de compras muitas vezes é apenas uma busca vazia por picos rápidos de dopamina. O tempo me trouxe maturidade: hoje sei que cada peça da minha bancada precisa carregar sentido, história e função real. Isso não quer dizer que eu não tenha uma wishlist, mas hoje ela está bem mais curada do que um dia já foi.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Dos tempos recentes para cá</span></span><br />
<br />
Para não dizer que não entrou nada recente na gaveta, em 2024 minha esposa me presenteou de surpresa com o aparelho de barbear King C. Gillette (aquele lançado inspirado no modelo clássico de 1901). Ela sabia do carinho que eu guardava por esse hobby adormecido e resolveu me fazer esse agrado. Sei que a máquina divide opiniões entre os veteranos, mas a carga de afeto que veio com ela a coloca em lugar nobre na minha rotação.<br />
<br />
Essa é a jornada que me trouxe até aqui. O reencontro recente com este espaço e a conversa inspiradora com um barbeiro tradicional aqui da minha cidade reacenderam a chama da bancada, história que compartilhei no meu relato anterior e que pode ser lido <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1363.html" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">aqui</a>.<br />
<br />
É uma honra estar de volta à convivência dos senhores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Em outro <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366-post-22396.html#pid22396" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">tópico</a>, o grande amigo Igor (MaximusBrow) me desafiou a contar um resumo da minha trajetória no barbear clássico.<br />
<br />
Portanto, desafio aceito, confrades!<br />
<br />
Para contar como cheguei até aqui, precisei resgatar alguns arquivos antigos e fotos arquivadas. O registro exato do meu primeiro barbear clássico data de 18 de agosto de 2013 (pouco mais de 13 anos atrás).<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O início de tudo</span></span><br />
<br />
Eu sempre tive uma postura bastante questionadora diante das coisas cotidianas. Na época, aos 21 anos, eu trabalhava como produtor e editor de vídeo para um canal no YouTube. Em certa ocasião, fui escalado para cobrir um evento e, durante os preparativos, fui fazer a barba com os velhos multilâminas descartáveis de costume. O resultado foi desastroso: cortes no pescoço, vermelhidão generalizada e uma sequência dolorosa de pelos encravados. Minha pele sempre foi extremamente sensível, e o ato de barbear era um suplício que eu adiava o quanto podia.<br />
<br />
Meu pai já havia abandonado as lâminas há anos e usava aquele barbeador elétrico tradicional da Philips com três discos giratórios. Para mim, o cenário parecia um beco sem saída: ou eu enfrentava a agressão do plástico descartável, ou apelava para aparelhos elétricos que até resolviam pela metade, mas deixavam o rosto com aspecto e toque de lixa d'água.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Como descobri o barbear clássico?</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano, passei a acompanhar com frequência o blog Art of Manliness. Num dia de pura frustração com o estado da minha pele, entrei na seção de Grooming e dei de cara com um artigo que mudaria tudo: um guia completo ensinando a se barbear com uma navalha tradicional de lâmina fixa. Busquei em meus favoritos e descobri que o post ainda existe: <a href="https://www.artofmanliness.com/style/grooming/how-to-straight-razor-shave/" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.artofmanliness.com/style/gro...zor-shave/</a>.<br />
<br />
Este artigo causou uma verdadeira expansão na minha cabeça. Comecei a me perguntar: quanto conhecimento prático e secular nós simplesmente jogamos fora em troca de conveniência barata? Será que as dores que eu sentia no rosto já não haviam sido resolvidas com perfeição décadas atrás? Aos 21 anos, fui tomado por uma nostalgia autêntica de um tempo que não vivi. Ficou claro para mim que antigo não significava obsoleto.<br />
<br />
Decidi que queria usar navalhas. Porém, ao pesquisar os preços, esbarrei na barreira financeira da época. A alternativa viável foi começar pelos navalhetes de lâmina partida. Em julho de 2013, importei pela Amazon o meu primeiro equipamento: um Dovo Shavette.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/D0c2ZpmV/Primeiro-setup.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Primeiro-setup.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Completando com um creme Nívea, lâminas Gillette Azul Aço Inox e um pincel sintético de qualidade duvidosa, fiz minha estreia. Apesar da inexperiência total com a empunhadura do navalhete, o barbear foi surpreendentemente decente. Tive pequenos arranhões por pura falta de destreza motora, mas a partir daquele fatídico 18 de agosto de 2013 eu nunca mais soube o que era sofrer com pelos encravados.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A descoberta do fórum</span></span><br />
<br />
Com o tempo, o alívio na pele deu lugar ao encanto pelo ritual. Em 2015 descobri o fórum antigo do BTB através de um convite do Gago no <a href="https://www.barbearclassico.com/index.php" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">fórum vizinho</a> por meio de uma mensagem direta. No mesmo dia me registrei com este mesmo codinome: Haok. <br />
<br />
Pouco tempo depois comprei meu segundo navalhete, um modelo de edição limitada da Antiga Barbearia de Bairro. Nessa época vieram os primeiros cremes da Proraso e meu primeiro pincel de verdade: um Omega 11137 de cerdas de javali, indicação direta do amigo Ulysses (udrako), que conheci nas discussões da comunidade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/CMbC7G9f/Proraso-e-Pincel-Omega.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Proraso-e-Pincel-Omega.png]" class="mycode_img" /></div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Desbravando as terras do Tio Sam</span></span><br />
<br />
Naquele mesmo ano viajei a trabalho para os Estados Unidos, e a viagem virou uma verdadeira expedição de caça a equipamentos. Voltei com mais cremes Proraso, loções Lucky Tiger e Aqua Velva, uma Merkur Futur, uma scuttle de cerâmica da Georgetown Pottery e, para o espanto de quem viu minha mala, um autêntico barber pole. Instalei o dito cujo no meu quarto e montei ali o meu refúgio pessoal.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hntpxvnf/Barber-Pole.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Barber-Pole.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Dessa viagem guardo uma memória afetiva que define o espírito deste hobby. O Ulysses me perguntou se eu poderia trazer uma clássica mug da Old Spice que ele estava de olho no eBay, pois a peça trazia lembranças fortes do pai dele. O combinado era enviar para a casa onde eu estava hospedado e eu depois enviaria para ele quando retornasse ao Brasil. Quando a encomenda chegou e abri a caixa, havia duas canecas idênticas. Mandei mensagem avisando que o vendedor americano devia ter se enganado, e o Ulysses me respondeu: "Uma é para mim e a outra é para você, fica de recordação da nossa amizade!".<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/VkvDKSqc/Mug-Old-Spice.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Mug-Old-Spice.jpg]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Esta mug tornou-se uma das peças mais valiosas da minha coleção. Ela representa o elo intangível da transmissão de valores de pai para filho. Como meu pai nunca teve o hábito do barbear clássico para me ensinar, senti que aquele presente simbolizava a minha adoção nesta irmandade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A primeira navalha</span></span><br />
<br />
Ainda em 2015 dei o salto definitivo para as lâminas fixas adquirindo uma Thiers-Issard Evidé Sonnant Extra 6/8. Junto com ela, comprei uma pedra combinada Coticule belga (da finada loja Monad), alguns strops de couro e mergulhei a fundo na arte da afiação e polimento de fio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/J737P0xJ/Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Thiers-Issard-Evide-Sonnant-Extra-6-8.png]" class="mycode_img" /></div>
<br />
Nesse mesmo período de intensa experimentação, comecei a explorar peças com alma própria: adquiri uma clássica Gillette Tech Ball End, arrematei uma navalha custom de aço damasco num leilão às cegas no Reino Unido, comprei uma mini navalha feita por um cuteleiro gaúcho através de um confrade do antigo fórum e até me aventurei a produzir meu próprio cabo de pincel em madeira, encomendando um nó de pelo de texugo da Frank Shaving para a montagem manual. Estas reunidas eram minhas máquinas nessa fase:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Vs9sDvgk/Colec-a-o-em-2016.png" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Colec-a-o-em-2016.png]" class="mycode_img" /><br />
<br />
<div style="text-align: left;" class="mycode_align">E este é o pincel artesanal que mencionei anteriormente:<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.postimg.cc/Hkj1bkj0/Pincel-Custom.jpg" loading="lazy"  width="400" height="400" alt="[Imagem: Pincel-Custom.jpg]" class="mycode_img" /></div>
</div>
</div>
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">O declínio</span></span><br />
<br />
No fim de 2015, no entanto, a vida real cobrou o seu preço. O término traumático de um noivado longo me jogou numa depressão profunda. Me afastei de quase tudo, silenciei nas redes e me distanciei das postagens do fórum.<br />
<br />
Os anos seguintes foram turbulentos. Em 2017, fundei um restaurante com meus pais aqui na cidade. Entre o calor das grelhas, a gestão de equipe e o fechamento do caixa, assumi a operação integral do negócio por vários anos em ritmo implacável. Em 2018 concluí minha graduação em Administração, mas me sentia desconectado de propósito. Foram anos de dedicação extrema, sem finais de semana livres e sem tempo mental para desfrutar das coisas que me traziam serenidade.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">A vida se ajeitando</span></span><br />
<br />
Em 2021 me casei, e logo após o matrimônio decidi que era hora de virar a página. Alinhei a transição de carreira com a minha família, deixei a operação do restaurante e iniciei minha guinada para a área de tecnologia, onde atuo hoje como Engenheiro de Software.<br />
<br />
Durante toda essa fase de grandes mudanças, eu nunca deixei de usar meu equipamento tradicional na pia do banheiro. Mas o consumo desenfreado cessou. Entendi que o frenesi de compras muitas vezes é apenas uma busca vazia por picos rápidos de dopamina. O tempo me trouxe maturidade: hoje sei que cada peça da minha bancada precisa carregar sentido, história e função real. Isso não quer dizer que eu não tenha uma wishlist, mas hoje ela está bem mais curada do que um dia já foi.<br />
<hr class="mycode_hr" />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><span style="font-size: medium;" class="mycode_size">Dos tempos recentes para cá</span></span><br />
<br />
Para não dizer que não entrou nada recente na gaveta, em 2024 minha esposa me presenteou de surpresa com o aparelho de barbear King C. Gillette (aquele lançado inspirado no modelo clássico de 1901). Ela sabia do carinho que eu guardava por esse hobby adormecido e resolveu me fazer esse agrado. Sei que a máquina divide opiniões entre os veteranos, mas a carga de afeto que veio com ela a coloca em lugar nobre na minha rotação.<br />
<br />
Essa é a jornada que me trouxe até aqui. O reencontro recente com este espaço e a conversa inspiradora com um barbeiro tradicional aqui da minha cidade reacenderam a chama da bancada, história que compartilhei no meu relato anterior e que pode ser lido <a href="https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1363.html" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">aqui</a>.<br />
<br />
É uma honra estar de volta à convivência dos senhores.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Pergunta aos amigos do BTB.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366.html</link>
			<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 14:47:14 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1366.html</guid>
			<description><![CDATA[Pergunta aos amigos do BTB.<br />
<br />
Caros amigos do barbear tradicional,<br />
<br />
Gostaria de fazer uma pergunta aos amigos do fórum: qual tema vocês mais gostam de conversar, discutir e trocar ideias quando o assunto é barbear clássico?<br />
<br />
Lâminas? Safety razors? Pincéis? Sabões e cremes? Navalhas?, as fotos do Insta do João Americo?<br />
<br />
Eu, particularmente, gosto muito de falar sobre três assuntos:<br />
<br />
1. Barbeadores vintage. É algo que aprecio muito e sobre o qual consigo passar horas conversando com um amigo.<br />
<br />
2. Barbeadores open comb. É, sem dúvida, o meu estilo preferido de barbeador.<br />
<br />
3. E, finalmente, falar mal do King C. Gillette.<br />
<br />
Sim, eu simplesmente não consigo compreender como um aparelho tão aquém do nome que carrega pode ser associado ao próprio criador da Gillette.<br />
<br />
A máquina é cara, pouco eficiente e, na minha opinião, absolutamente indigna da alcunha que recebeu.<br />
<br />
Confesso aos vossos senhores que, quando estou de mal com a vida, vou para o meu banheiro com o KCG na mão, observo-o atentamente e o insulto das formas mais inimagináveis.<br />
<br />
E, depois de três ou quatro minutos nessa prática, estou pronto para encarar a vida de frente. Nada de Rivotril... apenas uma boa sessão de desabafo.<br />
<br />
Mas vamos deixar minhas preferências e minhas amarguras de lado.<br />
<br />
Quero saber de vocês: quais são os temas de que vocês mais gostam de falar, discutir, debater e trocar experiências?<br />
<br />
Lâminas, máquinas, técnicas, história, fabricantes, produtos ou alguma outra coisa?<br />
<br />
Estou curioso para saber.<br />
<br />
Abraços,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Pergunta aos amigos do BTB.<br />
<br />
Caros amigos do barbear tradicional,<br />
<br />
Gostaria de fazer uma pergunta aos amigos do fórum: qual tema vocês mais gostam de conversar, discutir e trocar ideias quando o assunto é barbear clássico?<br />
<br />
Lâminas? Safety razors? Pincéis? Sabões e cremes? Navalhas?, as fotos do Insta do João Americo?<br />
<br />
Eu, particularmente, gosto muito de falar sobre três assuntos:<br />
<br />
1. Barbeadores vintage. É algo que aprecio muito e sobre o qual consigo passar horas conversando com um amigo.<br />
<br />
2. Barbeadores open comb. É, sem dúvida, o meu estilo preferido de barbeador.<br />
<br />
3. E, finalmente, falar mal do King C. Gillette.<br />
<br />
Sim, eu simplesmente não consigo compreender como um aparelho tão aquém do nome que carrega pode ser associado ao próprio criador da Gillette.<br />
<br />
A máquina é cara, pouco eficiente e, na minha opinião, absolutamente indigna da alcunha que recebeu.<br />
<br />
Confesso aos vossos senhores que, quando estou de mal com a vida, vou para o meu banheiro com o KCG na mão, observo-o atentamente e o insulto das formas mais inimagináveis.<br />
<br />
E, depois de três ou quatro minutos nessa prática, estou pronto para encarar a vida de frente. Nada de Rivotril... apenas uma boa sessão de desabafo.<br />
<br />
Mas vamos deixar minhas preferências e minhas amarguras de lado.<br />
<br />
Quero saber de vocês: quais são os temas de que vocês mais gostam de falar, discutir, debater e trocar experiências?<br />
<br />
Lâminas, máquinas, técnicas, história, fabricantes, produtos ou alguma outra coisa?<br />
<br />
Estou curioso para saber.<br />
<br />
Abraços,]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Wet Shaving: Barbear Molhado?!]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1365.html</link>
			<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 02:33:06 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=647">GPrime97</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1365.html</guid>
			<description><![CDATA[Saudações, respeitáveis portadores de barba.<br />
<br />
Este é o meu primeiro post nesta bonita comunidade. Comecei a praticar o barbear tradicional há cerca de 1 mês. Ainda sou um mero filhote nesta atividade secular. Mas fiquei surpreso e feliz ao descobrir que existe — pasmem — um fórum dedicado exclusivamente à isso! E por isso, gostaria de fazer minha primeira contribuição à comunidade levantando a seguinte discussão:<br />
<br />
É fácil encontrar defensores da barba pós-banho. Fácil nada, são literalmente a maioria. E faz sentido, não é? O rosto está limpo, a barba amolecida, os poros abertos. É uma tela em branco para o artista criar sua obra.<br />
<br />
Mas minha indagação é: Alguém aqui se barbeia <span style="font-style: italic;" class="mycode_i">durante</span> o banho? (o título do post foi um trocadilho)<br />
<br />
Nos meus anos de Prestobarba, sempre fiz assim. Acho mais prático e rápido para o dia-a-dia. Só pendurar um espelhinho na parede do box, e pronto. Então ao migrar para o barbear tradicional, não vi motivos para mudar este hábito.<br />
<br />
Bom... Pelo visto existem alguns motivos. Aparentemente, lâminas e aparelhos low-end adoram oxidar em contato com a umidade. Creio que o barbear durante o banho só vai acelerar este processo.<br />
<br />
Alguém mais faz a barba no chuveiro? ou será que eu estou cometendo uma infração gravíssima? Será que alguém deve me parar?<br />
<br />
Um excelente fim de semana à todos!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Saudações, respeitáveis portadores de barba.<br />
<br />
Este é o meu primeiro post nesta bonita comunidade. Comecei a praticar o barbear tradicional há cerca de 1 mês. Ainda sou um mero filhote nesta atividade secular. Mas fiquei surpreso e feliz ao descobrir que existe — pasmem — um fórum dedicado exclusivamente à isso! E por isso, gostaria de fazer minha primeira contribuição à comunidade levantando a seguinte discussão:<br />
<br />
É fácil encontrar defensores da barba pós-banho. Fácil nada, são literalmente a maioria. E faz sentido, não é? O rosto está limpo, a barba amolecida, os poros abertos. É uma tela em branco para o artista criar sua obra.<br />
<br />
Mas minha indagação é: Alguém aqui se barbeia <span style="font-style: italic;" class="mycode_i">durante</span> o banho? (o título do post foi um trocadilho)<br />
<br />
Nos meus anos de Prestobarba, sempre fiz assim. Acho mais prático e rápido para o dia-a-dia. Só pendurar um espelhinho na parede do box, e pronto. Então ao migrar para o barbear tradicional, não vi motivos para mudar este hábito.<br />
<br />
Bom... Pelo visto existem alguns motivos. Aparentemente, lâminas e aparelhos low-end adoram oxidar em contato com a umidade. Creio que o barbear durante o banho só vai acelerar este processo.<br />
<br />
Alguém mais faz a barba no chuveiro? ou será que eu estou cometendo uma infração gravíssima? Será que alguém deve me parar?<br />
<br />
Um excelente fim de semana à todos!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Por que os homens vivem menos?]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1364.html</link>
			<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 11:56:27 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1364.html</guid>
			<description><![CDATA[Por que os homens vivem menos?<br />
<br />
A ciência já encontrou várias explicações. Genética, comportamento, acidentes, doenças cardiovasculares, alimentação, estresse, hábitos de vida, tentativa frenética de se divertir com tudo?<br />
<br />
Eu tenho outra teoria.<br />
<br />
O problema começa quando o homem descobre que quase tudo pode esperar.<br />
<br />
Não é exatamente negligência. É uma habilidade. Homem é especialista em postergar problema.<br />
<br />
A torneira começa a pingar.<br />
<br />
“Depois eu vejo.”<br />
<br />
O botão do controle remoto precisa apertar três vezes.<br />
<br />
“É a pilha.”<br />
<br />
O tênis começa a abrir na lateral.<br />
<br />
“Dá para usar mais um pouco.”<br />
<br />
O carro acende uma luz no painel.<br />
<br />
“Essa aí sempre acende.”<br />
<br />
Não é que ele ignore o problema. Ele simplesmente estabelece prioridades.<br />
<br />
E, quando o assunto é o próprio corpo, o método continua funcionando perfeitamente.<br />
<br />
Acorda com uma dor estranha.<br />
<br />
“Deve ser jeito que eu dormi.”<br />
<br />
Dura três dias.<br />
<br />
“Deve ser postura.”<br />
<br />
Dura duas semanas.<br />
<br />
“Deve ser coluna.”<br />
<br />
Depois começa a incomodar o braço.<br />
<br />
“É porque estou trabalhando muito.”<br />
<br />
E assim o sujeito vai acumulando pequenos avisos, até que um dia, incapacitado para sair de rolezinho com os brothers, decide finalmente procurar ajuda.<br />
<br />
O médico pergunta:<br />
<br />
“Há quanto tempo você está sentindo isso?”<br />
<br />
O homem faz uma pequena pausa.<br />
<br />
“Uns oito meses.”<br />
<br />
“E por que não veio antes?”<br />
<br />
O homem olha para ele com a serenidade de quem realmente não entende a pergunta.<br />
<br />
“Porque não estava tão ruim.”<br />
<br />
Talvez esteja aí uma das razões.<br />
<br />
Homem não costuma medir o perigo pelo que está acontecendo. Mede pelo quanto aquilo está atrapalhando.<br />
<br />
Se consegue andar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue trabalhar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue ir no churras, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue levantar da cadeira sem gemer, está excelente.<br />
<br />
O curioso é que o homem sabe fazer manutenção preventiva.<br />
<br />
Troca óleo. Calibra pneu. Faz backup. Atualiza celular.<br />
<br />
Pesquisa durante três horas antes de comprar qualquer equipamento.<br />
<br />
Pode desmontar um barbeador de 60 anos, limpar cada peça, estudar o código de fabricação e discutir durante três horas se determinado cabo é original.<br />
<br />
Mas, se sentir alguma coisa estranha no próprio corpo, toda essa capacidade investigativa desaparece.<br />
<br />
A análise científica termina assim:<br />
<br />
“Vou abrir o Google.”<br />
<br />
Três minutos depois:<br />
<br />
“É gases.”<br />
<br />
Enquanto assiste ao jogo, pensa:<br />
<br />
“Não devia ter repetido aquela feijoada três vezes.”<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Diagnóstico concluído.<br />
<br />
Nem precisa de médico, viu.<br />
<br />
“Gastar com convênio? Pra quê? Tenho só 45 anos.”<br />
<br />
O mais irônico é que esse mesmo sujeito consegue passar três horas lendo fóruns, vendo vídeos no YouTube sobre barbear clássico, reviews de lâminas, barbeadores, pincéis, sabões e qualquer outra coisa que tenha a ver com o que ele gosta.<br />
<br />
Consegue comparar cinco barbeadores que fazem exatamente a mesma coisa.<br />
<br />
Consegue descobrir que uma lâmina fabricada em determinado país é 0,2% mais afiada.<br />
<br />
Consegue discutir se um pincel sintético tem mais backbone.<br />
<br />
Consegue saber todos os códigos da Gillette desde a Segunda Guerra Mundial de cor...<br />
<br />
Mas não consegue lembrar o próprio tipo sanguíneo.<br />
<br />
E não consegue passar três minutos tentando marcar uma consulta no app do convênio.<br />
<br />
Porque aí já envolve saúde.<br />
<br />
E saúde, aparentemente, é assunto para depois, muito depois...<br />
<br />
“Sou jovem, cara. Minha mãe sempre dizia que eu tinha a saúde de um cavalo.”<br />
<br />
“Além disso, tô ocupado lendo o tópico Barbear do Dia.”<br />
<br />
O homem pode investigar durante uma semana qual after comprar.<br />
<br />
Mas, diante de uma dor que está incomodando há meses, prefere confiar na própria teoria de que, se você ignorar, ela some.<br />
<br />
E a teoria quase sempre é alguma variação de:<br />
<br />
“Não deve ser nada.”<br />
<br />
“Preciso dar uma maneirada no bacon.”<br />
<br />
“No próximo jogo, vou ficar no gol.”<br />
<br />
Talvez seja por isso que os homens vivam menos.<br />
<br />
Não porque não saibam cuidar das coisas.<br />
<br />
Pelo contrário.<br />
<br />
Nós cuidamos muito bem delas... pelo menos das que mais gostamos.<br />
<br />
O corpo ficou para depois.<br />
<br />
Como quase tudo.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Por que os homens vivem menos?<br />
<br />
A ciência já encontrou várias explicações. Genética, comportamento, acidentes, doenças cardiovasculares, alimentação, estresse, hábitos de vida, tentativa frenética de se divertir com tudo?<br />
<br />
Eu tenho outra teoria.<br />
<br />
O problema começa quando o homem descobre que quase tudo pode esperar.<br />
<br />
Não é exatamente negligência. É uma habilidade. Homem é especialista em postergar problema.<br />
<br />
A torneira começa a pingar.<br />
<br />
“Depois eu vejo.”<br />
<br />
O botão do controle remoto precisa apertar três vezes.<br />
<br />
“É a pilha.”<br />
<br />
O tênis começa a abrir na lateral.<br />
<br />
“Dá para usar mais um pouco.”<br />
<br />
O carro acende uma luz no painel.<br />
<br />
“Essa aí sempre acende.”<br />
<br />
Não é que ele ignore o problema. Ele simplesmente estabelece prioridades.<br />
<br />
E, quando o assunto é o próprio corpo, o método continua funcionando perfeitamente.<br />
<br />
Acorda com uma dor estranha.<br />
<br />
“Deve ser jeito que eu dormi.”<br />
<br />
Dura três dias.<br />
<br />
“Deve ser postura.”<br />
<br />
Dura duas semanas.<br />
<br />
“Deve ser coluna.”<br />
<br />
Depois começa a incomodar o braço.<br />
<br />
“É porque estou trabalhando muito.”<br />
<br />
E assim o sujeito vai acumulando pequenos avisos, até que um dia, incapacitado para sair de rolezinho com os brothers, decide finalmente procurar ajuda.<br />
<br />
O médico pergunta:<br />
<br />
“Há quanto tempo você está sentindo isso?”<br />
<br />
O homem faz uma pequena pausa.<br />
<br />
“Uns oito meses.”<br />
<br />
“E por que não veio antes?”<br />
<br />
O homem olha para ele com a serenidade de quem realmente não entende a pergunta.<br />
<br />
“Porque não estava tão ruim.”<br />
<br />
Talvez esteja aí uma das razões.<br />
<br />
Homem não costuma medir o perigo pelo que está acontecendo. Mede pelo quanto aquilo está atrapalhando.<br />
<br />
Se consegue andar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue trabalhar, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue ir no churras, está tudo bem.<br />
<br />
Se consegue levantar da cadeira sem gemer, está excelente.<br />
<br />
O curioso é que o homem sabe fazer manutenção preventiva.<br />
<br />
Troca óleo. Calibra pneu. Faz backup. Atualiza celular.<br />
<br />
Pesquisa durante três horas antes de comprar qualquer equipamento.<br />
<br />
Pode desmontar um barbeador de 60 anos, limpar cada peça, estudar o código de fabricação e discutir durante três horas se determinado cabo é original.<br />
<br />
Mas, se sentir alguma coisa estranha no próprio corpo, toda essa capacidade investigativa desaparece.<br />
<br />
A análise científica termina assim:<br />
<br />
“Vou abrir o Google.”<br />
<br />
Três minutos depois:<br />
<br />
“É gases.”<br />
<br />
Enquanto assiste ao jogo, pensa:<br />
<br />
“Não devia ter repetido aquela feijoada três vezes.”<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Diagnóstico concluído.<br />
<br />
Nem precisa de médico, viu.<br />
<br />
“Gastar com convênio? Pra quê? Tenho só 45 anos.”<br />
<br />
O mais irônico é que esse mesmo sujeito consegue passar três horas lendo fóruns, vendo vídeos no YouTube sobre barbear clássico, reviews de lâminas, barbeadores, pincéis, sabões e qualquer outra coisa que tenha a ver com o que ele gosta.<br />
<br />
Consegue comparar cinco barbeadores que fazem exatamente a mesma coisa.<br />
<br />
Consegue descobrir que uma lâmina fabricada em determinado país é 0,2% mais afiada.<br />
<br />
Consegue discutir se um pincel sintético tem mais backbone.<br />
<br />
Consegue saber todos os códigos da Gillette desde a Segunda Guerra Mundial de cor...<br />
<br />
Mas não consegue lembrar o próprio tipo sanguíneo.<br />
<br />
E não consegue passar três minutos tentando marcar uma consulta no app do convênio.<br />
<br />
Porque aí já envolve saúde.<br />
<br />
E saúde, aparentemente, é assunto para depois, muito depois...<br />
<br />
“Sou jovem, cara. Minha mãe sempre dizia que eu tinha a saúde de um cavalo.”<br />
<br />
“Além disso, tô ocupado lendo o tópico Barbear do Dia.”<br />
<br />
O homem pode investigar durante uma semana qual after comprar.<br />
<br />
Mas, diante de uma dor que está incomodando há meses, prefere confiar na própria teoria de que, se você ignorar, ela some.<br />
<br />
E a teoria quase sempre é alguma variação de:<br />
<br />
“Não deve ser nada.”<br />
<br />
“Preciso dar uma maneirada no bacon.”<br />
<br />
“No próximo jogo, vou ficar no gol.”<br />
<br />
Talvez seja por isso que os homens vivam menos.<br />
<br />
Não porque não saibam cuidar das coisas.<br />
<br />
Pelo contrário.<br />
<br />
Nós cuidamos muito bem delas... pelo menos das que mais gostamos.<br />
<br />
O corpo ficou para depois.<br />
<br />
Como quase tudo.<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Retornando ao fórum]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1363.html</link>
			<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 23:49:48 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=646">Haok</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1363.html</guid>
			<description><![CDATA[Boa noite, senhores!<br />
<br />
É com enorme satisfação que encontro esta comunidade em plena atividade. Estive presente durante um bom período na fase anterior do fórum e guardo excelentes recordações desse tempo, em particular da camaradagem com o Udrako (Ulysses), com quem cheguei a partilhar a caça e importação daquelas clássicas <span style="font-style: italic;" class="mycode_i">mugs</span> da Old Spice.<br />
<br />
Por força das reviravoltas da rotina, acabei por deixar o barbear tradicional em segundo plano durante alguns anos. Contudo, uma conversa recente com um barbeiro clássico local reavivou o interesse e motivou-me a procurar saber se a confraria ainda se mantinha de pé.<br />
<br />
Hoje decidi desempacotar a coleção e acabei por resgatar uma relíquia: um sabão da Saboaria Ingá (um abraço ao Ivan!) de uma tiragem especial para o fórum de 2015. Surpreendentemente, a fragrância e a densidade da espuma continuam exemplares.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.ibb.co/HfYFnzCv/IMG-1544.png" loading="lazy"  width="300" height="300" alt="[Imagem: IMG-1544.png]" class="mycode_img" /></div>
<div style="text-align: left;" class="mycode_align">
<br />
Estou agora a inteirar-me das novidades do meio após este hiato. Um forte abraço a todos os confrades, tanto aos veteranos da velha guarda como aos membros mais recentes! </div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Boa noite, senhores!<br />
<br />
É com enorme satisfação que encontro esta comunidade em plena atividade. Estive presente durante um bom período na fase anterior do fórum e guardo excelentes recordações desse tempo, em particular da camaradagem com o Udrako (Ulysses), com quem cheguei a partilhar a caça e importação daquelas clássicas <span style="font-style: italic;" class="mycode_i">mugs</span> da Old Spice.<br />
<br />
Por força das reviravoltas da rotina, acabei por deixar o barbear tradicional em segundo plano durante alguns anos. Contudo, uma conversa recente com um barbeiro clássico local reavivou o interesse e motivou-me a procurar saber se a confraria ainda se mantinha de pé.<br />
<br />
Hoje decidi desempacotar a coleção e acabei por resgatar uma relíquia: um sabão da Saboaria Ingá (um abraço ao Ivan!) de uma tiragem especial para o fórum de 2015. Surpreendentemente, a fragrância e a densidade da espuma continuam exemplares.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><img src="https://i.ibb.co/HfYFnzCv/IMG-1544.png" loading="lazy"  width="300" height="300" alt="[Imagem: IMG-1544.png]" class="mycode_img" /></div>
<div style="text-align: left;" class="mycode_align">
<br />
Estou agora a inteirar-me das novidades do meio após este hiato. Um forte abraço a todos os confrades, tanto aos veteranos da velha guarda como aos membros mais recentes! </div>]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1362.html</link>
			<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 11:37:22 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1362.html</guid>
			<description><![CDATA[Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??<br />
<br />
Existe uma pergunta que volta e meia aparece no barbear tradicional:<br />
<br />
Afinal, o que dá mais prazer? Usar uma máquina moderna, precisa, projetada por engenheiros que provavelmente nunca viram uma lâmina DE sendo usada, ou colocar uma lâmina em um barbeador que já estava trabalhando quando nossos pais ainda mijavam nas fraldas??<br />
<br />
Eu já pensei bastante nisso.<br />
<br />
Tenho máquinas modernas muito boas. Tenho minha Rockwell T2, Mühle R41, Parker e, recentemente, comprei uma Yaqi The Final Cut. E preciso fazer justiça à máquina: é excelente. Robusta, ajustes precisos e um cabo relativamente curto, que deixa o conjunto muito bom na mão. É daquelas máquinas que você pega e já percebe que fizeram um negócio direito.<br />
<br />
Mas, quando a conversa é sobre prazer, e não simplesmente sobre eficiência, para mim a coisa muda um pouco.<br />
<br />
Talvez eu tenha aprendido isso com meu irmão mais velho.<br />
<br />
Ele sempre gostou de carros antigos. E não daquele jeito de comprar um carro velho, colocar numa garagem, passar um pano e ficar olhando para ele. Meu irmão gosta é de andar nos carros.<br />
<br />
Já teve dois Fuscas placa preta, um Opala 1973 também placa preta, restaurou uma Brasília quatro portas e, numa dessas loucuras que só quem gosta de carro antigo entende, trouxe a Brasília andando de Belo Horizonte até São Paulo.<br />
<br />
E olha que a Brasília estava precisando urgentemente de restauração.<br />
<br />
Mesmo assim, veio.<br />
<br />
Foi parado uma vez na estrada. Segundo ele, muito mais pela curiosidade do policial em ver uma Brasília quatro portas do que por qualquer outro motivo. Não sei se foi exatamente assim, mas conhecendo meu irmão, é bem possível.<br />
<br />
Ele também já teve um Dodge RT lindo.<br />
<br />
Hoje tem carros modernos, mas continua falando dos antigos.<br />
<br />
Lembro de uma feira de carros aqui em São Paulo. Quando aparecia um Galaxie, um Maverick ou qualquer uma daquelas aberrações maravilhosas da indústria automobilística brasileira, ele olhava e dizia:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Não precisava explicar mais nada.<br />
<br />
Uma vez andei com ele em uma BMW moderna. Não lembro o modelo, então vou preservar minha dignidade e não inventar.<br />
<br />
Meu irmão passou boa parte do passeio reclamando.<br />
<br />
"Olha que dirigibilidade ruim."<br />
<br />
"O carro é duro."<br />
<br />
Eu pensava comigo:<br />
<br />
O sujeito atravessou o Brasil inteiro numa Brasília que estava pedindo arrego e agora está reclamando de uma BMW.<br />
<br />
Mas a parte que mais me chamava atenção era outra.<br />
<br />
Na casa dele havia uma cobertura para quatro carros. Os clássicos ficavam lá, protegidos, cobertos, enquanto os carros modernos, como a Commander ou a LD200, ficavam do lado de fora, tomando chuva.<br />
<br />
Minha cunhada achava aquilo um absurdo.<br />
<br />
Meu irmão e eu achávamos perfeitamente normal.<br />
<br />
E talvez seja por isso que eu entenda um pouco essa história dos barbeadores vintage.<br />
<br />
Porque você pega um Gillette ABC, um Old Type, um Apollo Travel da década de 1940 ou outra dessas velharias e pensa: isso aqui já deveria ter virado história há muito tempo.<br />
<br />
Aí coloca uma lâmina.<br />
<br />
Passa o pincel.<br />
<br />
E vai fazer a barba.<br />
<br />
É aí que a coisa fica interessante.<br />
<br />
Você olha para aquele pedaço de metal, que já tem décadas nas costas, e pensa:<br />
<br />
"Caramba. Isso ainda funciona."<br />
<br />
E funciona mesmo.<br />
<br />
Claro que eu não estou dizendo que todo barbeador antigo é maravilhoso. Tem muita porcaria vintage por aí. Tem máquina velha que deveria continuar exatamente onde estava: esquecida numa gaveta, junto com moedas antigas, botões e aquela chave que ninguém sabe mais de qual porta era.<br />
<br />
Vintage não é sinônimo de bom.<br />
<br />
Da mesma forma que moderno não é sinônimo de ruim.<br />
<br />
Mas, para mim, existe uma diferença na sensação de pegar uma ferramenta nova e colocar uma ferramenta antiga para trabalhar.<br />
<br />
Quando pego um Gillette Old Type, não estou apenas fazendo a barba. Estou usando uma máquina que já passou por outras mãos e atravessou gerações.<br />
<br />
Com o ABC acontece a mesma coisa. Tem a construção, o acabamento, o peso, a maneira como a peça foi feita. É uma coisa que foi produzida numa época em que aparentemente alguém ainda esperava que aquilo durasse bastante.<br />
<br />
E aí aparece um Apollo Travel dos anos 1940.<br />
<br />
Aquilo não está na minha coleção para ficar bonito na prateleira.<br />
<br />
Eu quero colocar uma lâmina e descobrir como uma máquina dessas se comporta depois de todo esse tempo.<br />
<br />
É isso que eu acho interessante.<br />
<br />
Não é só nostalgia.<br />
<br />
É pegar uma coisa antiga e descobrir que ela ainda dá conta do trabalho.<br />
<br />
No começo deste mês aconteceu outra coisa que deixou essa conversa ainda mais interessante para mim.<br />
<br />
Recebi de presente um Gillette Fatboy G1 enviado pelo Geo Fatboy, provavelmente o whatshaver mais conhecido do YouTube.<br />
<br />
Sim.<br />
<br />
Um Fatboy do Geo Fatboy.<br />
<br />
A máquina chegou em excelente estado. As portas abrem uniformemente, o mecanismo está funcionando muito bem e a regulagem de agressividade está perfeita.<br />
<br />
Não pude me aguentar e enviei as fotos para o Leo e para o Thonny.<br />
<br />
Pedi conselhos para o Leo sobre como limpar o barbeador. E o Thonny, educado e atencioso como só ele é, disse:<br />
<br />
"Maximus, apenas um conselho: quando for regular a agressividade, abra as portas do barbeador, ok?"<br />
<br />
Ontem finalmente coloquei uma lâmina nele e fiz a barba.<br />
<br />
Não vou entrar nos detalhes agora porque o Fatboy merece um post só para ele. Em breve compartilho com vocês.<br />
<br />
E, junto com o barbeador, o Geo ainda me mandou uma pedra de alúmen da Osma, marca francesa que fabrica esse produto desde 1957.<br />
<br />
Depois desse barbear fiquei pensando justamente nessa história.<br />
<br />
Por que uma máquina com mais de seis décadas consegue dar uma satisfação dessas?<br />
<br />
Talvez seja simplesmente porque você sabe que aquilo não deveria mais estar ali funcionando tão bem.<br />
<br />
Um pedaço de metal fabricado há décadas, que passou por sabe-se lá quantas mãos, ficou quieto durante anos e, de repente, você coloca uma lâmina nele e ele volta ao trabalho.<br />
<br />
E faz o serviço.<br />
<br />
Ou faz a mágica.<br />
<br />
Sem aplicativo, sem bateria, sem Bluetooth e sem pedir licença para ninguém.<br />
<br />
Talvez seja por isso que eu entenda meu irmão quando ele olha para um Galaxie ou um Maverick e diz:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
Eu olho para um Old Type, um ABC, um Apollo Travel, um Aristocrat ou um Fatboy e penso quase a mesma coisa:<br />
<br />
"Isso aqui é um barbeador."<br />
<br />
Agora quero saber de vocês.<br />
<br />
Qual aparelho dá mais prazer?<br />
<br />
Aquele moderno, recém-saído da caixa, com engenharia atual e tudo funcionando como deveria?<br />
<br />
Ou aquela velha máquina que já viu mais décadas do que muitos de nós e que, quando chega a hora de trabalhar, é só colocar a lâmina que ela faz o serviço?<br />
<br />
Não quero saber qual é tecnicamente melhor.<br />
<br />
Quero saber qual dá mais satisfação.<br />
<br />
Porque são coisas diferentes.<br />
<br />
Me contem: vintage ou moderno?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??<br />
<br />
Existe uma pergunta que volta e meia aparece no barbear tradicional:<br />
<br />
Afinal, o que dá mais prazer? Usar uma máquina moderna, precisa, projetada por engenheiros que provavelmente nunca viram uma lâmina DE sendo usada, ou colocar uma lâmina em um barbeador que já estava trabalhando quando nossos pais ainda mijavam nas fraldas??<br />
<br />
Eu já pensei bastante nisso.<br />
<br />
Tenho máquinas modernas muito boas. Tenho minha Rockwell T2, Mühle R41, Parker e, recentemente, comprei uma Yaqi The Final Cut. E preciso fazer justiça à máquina: é excelente. Robusta, ajustes precisos e um cabo relativamente curto, que deixa o conjunto muito bom na mão. É daquelas máquinas que você pega e já percebe que fizeram um negócio direito.<br />
<br />
Mas, quando a conversa é sobre prazer, e não simplesmente sobre eficiência, para mim a coisa muda um pouco.<br />
<br />
Talvez eu tenha aprendido isso com meu irmão mais velho.<br />
<br />
Ele sempre gostou de carros antigos. E não daquele jeito de comprar um carro velho, colocar numa garagem, passar um pano e ficar olhando para ele. Meu irmão gosta é de andar nos carros.<br />
<br />
Já teve dois Fuscas placa preta, um Opala 1973 também placa preta, restaurou uma Brasília quatro portas e, numa dessas loucuras que só quem gosta de carro antigo entende, trouxe a Brasília andando de Belo Horizonte até São Paulo.<br />
<br />
E olha que a Brasília estava precisando urgentemente de restauração.<br />
<br />
Mesmo assim, veio.<br />
<br />
Foi parado uma vez na estrada. Segundo ele, muito mais pela curiosidade do policial em ver uma Brasília quatro portas do que por qualquer outro motivo. Não sei se foi exatamente assim, mas conhecendo meu irmão, é bem possível.<br />
<br />
Ele também já teve um Dodge RT lindo.<br />
<br />
Hoje tem carros modernos, mas continua falando dos antigos.<br />
<br />
Lembro de uma feira de carros aqui em São Paulo. Quando aparecia um Galaxie, um Maverick ou qualquer uma daquelas aberrações maravilhosas da indústria automobilística brasileira, ele olhava e dizia:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
E pronto.<br />
<br />
Não precisava explicar mais nada.<br />
<br />
Uma vez andei com ele em uma BMW moderna. Não lembro o modelo, então vou preservar minha dignidade e não inventar.<br />
<br />
Meu irmão passou boa parte do passeio reclamando.<br />
<br />
"Olha que dirigibilidade ruim."<br />
<br />
"O carro é duro."<br />
<br />
Eu pensava comigo:<br />
<br />
O sujeito atravessou o Brasil inteiro numa Brasília que estava pedindo arrego e agora está reclamando de uma BMW.<br />
<br />
Mas a parte que mais me chamava atenção era outra.<br />
<br />
Na casa dele havia uma cobertura para quatro carros. Os clássicos ficavam lá, protegidos, cobertos, enquanto os carros modernos, como a Commander ou a LD200, ficavam do lado de fora, tomando chuva.<br />
<br />
Minha cunhada achava aquilo um absurdo.<br />
<br />
Meu irmão e eu achávamos perfeitamente normal.<br />
<br />
E talvez seja por isso que eu entenda um pouco essa história dos barbeadores vintage.<br />
<br />
Porque você pega um Gillette ABC, um Old Type, um Apollo Travel da década de 1940 ou outra dessas velharias e pensa: isso aqui já deveria ter virado história há muito tempo.<br />
<br />
Aí coloca uma lâmina.<br />
<br />
Passa o pincel.<br />
<br />
E vai fazer a barba.<br />
<br />
É aí que a coisa fica interessante.<br />
<br />
Você olha para aquele pedaço de metal, que já tem décadas nas costas, e pensa:<br />
<br />
"Caramba. Isso ainda funciona."<br />
<br />
E funciona mesmo.<br />
<br />
Claro que eu não estou dizendo que todo barbeador antigo é maravilhoso. Tem muita porcaria vintage por aí. Tem máquina velha que deveria continuar exatamente onde estava: esquecida numa gaveta, junto com moedas antigas, botões e aquela chave que ninguém sabe mais de qual porta era.<br />
<br />
Vintage não é sinônimo de bom.<br />
<br />
Da mesma forma que moderno não é sinônimo de ruim.<br />
<br />
Mas, para mim, existe uma diferença na sensação de pegar uma ferramenta nova e colocar uma ferramenta antiga para trabalhar.<br />
<br />
Quando pego um Gillette Old Type, não estou apenas fazendo a barba. Estou usando uma máquina que já passou por outras mãos e atravessou gerações.<br />
<br />
Com o ABC acontece a mesma coisa. Tem a construção, o acabamento, o peso, a maneira como a peça foi feita. É uma coisa que foi produzida numa época em que aparentemente alguém ainda esperava que aquilo durasse bastante.<br />
<br />
E aí aparece um Apollo Travel dos anos 1940.<br />
<br />
Aquilo não está na minha coleção para ficar bonito na prateleira.<br />
<br />
Eu quero colocar uma lâmina e descobrir como uma máquina dessas se comporta depois de todo esse tempo.<br />
<br />
É isso que eu acho interessante.<br />
<br />
Não é só nostalgia.<br />
<br />
É pegar uma coisa antiga e descobrir que ela ainda dá conta do trabalho.<br />
<br />
No começo deste mês aconteceu outra coisa que deixou essa conversa ainda mais interessante para mim.<br />
<br />
Recebi de presente um Gillette Fatboy G1 enviado pelo Geo Fatboy, provavelmente o whatshaver mais conhecido do YouTube.<br />
<br />
Sim.<br />
<br />
Um Fatboy do Geo Fatboy.<br />
<br />
A máquina chegou em excelente estado. As portas abrem uniformemente, o mecanismo está funcionando muito bem e a regulagem de agressividade está perfeita.<br />
<br />
Não pude me aguentar e enviei as fotos para o Leo e para o Thonny.<br />
<br />
Pedi conselhos para o Leo sobre como limpar o barbeador. E o Thonny, educado e atencioso como só ele é, disse:<br />
<br />
"Maximus, apenas um conselho: quando for regular a agressividade, abra as portas do barbeador, ok?"<br />
<br />
Ontem finalmente coloquei uma lâmina nele e fiz a barba.<br />
<br />
Não vou entrar nos detalhes agora porque o Fatboy merece um post só para ele. Em breve compartilho com vocês.<br />
<br />
E, junto com o barbeador, o Geo ainda me mandou uma pedra de alúmen da Osma, marca francesa que fabrica esse produto desde 1957.<br />
<br />
Depois desse barbear fiquei pensando justamente nessa história.<br />
<br />
Por que uma máquina com mais de seis décadas consegue dar uma satisfação dessas?<br />
<br />
Talvez seja simplesmente porque você sabe que aquilo não deveria mais estar ali funcionando tão bem.<br />
<br />
Um pedaço de metal fabricado há décadas, que passou por sabe-se lá quantas mãos, ficou quieto durante anos e, de repente, você coloca uma lâmina nele e ele volta ao trabalho.<br />
<br />
E faz o serviço.<br />
<br />
Ou faz a mágica.<br />
<br />
Sem aplicativo, sem bateria, sem Bluetooth e sem pedir licença para ninguém.<br />
<br />
Talvez seja por isso que eu entenda meu irmão quando ele olha para um Galaxie ou um Maverick e diz:<br />
<br />
"Isto é um automóvel."<br />
<br />
Eu olho para um Old Type, um ABC, um Apollo Travel, um Aristocrat ou um Fatboy e penso quase a mesma coisa:<br />
<br />
"Isso aqui é um barbeador."<br />
<br />
Agora quero saber de vocês.<br />
<br />
Qual aparelho dá mais prazer?<br />
<br />
Aquele moderno, recém-saído da caixa, com engenharia atual e tudo funcionando como deveria?<br />
<br />
Ou aquela velha máquina que já viu mais décadas do que muitos de nós e que, quando chega a hora de trabalhar, é só colocar a lâmina que ela faz o serviço?<br />
<br />
Não quero saber qual é tecnicamente melhor.<br />
<br />
Quero saber qual dá mais satisfação.<br />
<br />
Porque são coisas diferentes.<br />
<br />
Me contem: vintage ou moderno?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Procura-se desesperadamente: um barbeiro raiz.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1361.html</link>
			<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 14:49:51 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1361.html</guid>
			<description><![CDATA[Procura-se desesperadamente: um barbeiro raiz.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro foi uma figura tão comum na cidade quanto o padeiro, o açougueiro ou o dono do boteco.<br />
<br />
Em praticamente qualquer bairro havia uma barbearia. Normalmente era um lugar pequeno, com duas ou três cadeiras, espelhos grandes, algumas revistas e aquele cheiro característico de loção pós-barba. O barbeiro conhecia os clientes pelo nome, sabia como cada um gostava do cabelo e, muitas vezes, também sabia das novidades do bairro antes de todo mundo.<br />
<br />
Para fazer a barba, o sujeito simplesmente ia até lá.<br />
<br />
Hoje isso parece estranho. Em muitas cidades, uma barbearia tradicional virou uma coisa que você precisa procurar. E quando encontra, às vezes ela está cheia de objetos antigos, cadeiras de barbeiro restauradas e barbeadores que poderiam ter saído de uma fotografia de 1950.<br />
<br />
A história dessa mudança começou bem antes do barbeador descartável.<br />
<br />
Em 1901, King Camp Gillette registrou a ideia de uma lâmina fina e substituível montada em um cabo reutilizável. O primeiro barbeador chegou ao mercado em 1903. Pela primeira vez, um homem comum podia comprar um instrumento relativamente barato e fazer em casa uma coisa que, durante muito tempo, esteve ligada à navalha e ao trabalho do barbeiro.<br />
<br />
A novidade não acabou com as barbearias. Longe disso.<br />
<br />
Mas começou a tirar delas uma parte do serviço.<br />
<br />
E os números americanos mostram que essa mudança foi enorme.<br />
<br />
Em 1950, os Estados Unidos tinham aproximadamente 287 mil barbearias. Cinquenta anos depois, restavam cerca de 56 mil. Uma redução superior a 80%.<br />
<br />
É uma diferença difícil de imaginar. Não estamos falando de algumas milhares de lojas que fecharam. Estamos falando de uma profissão que perdeu boa parte do espaço que ocupava no cotidiano americano.<br />
<br />
E há um detalhe interessante: isso começou antes da explosão dos barbeadores descartáveis.<br />
<br />
Em 1950, havia aproximadamente 193 mil barbeiros nos Estados Unidos. Em 1960, eram cerca de 180 mil.<br />
<br />
Aos poucos, fazer a barba deixou de ser necessariamente um serviço comprado de outra pessoa e passou a ser uma tarefa doméstica.<br />
<br />
Depois vieram os descartáveis e aceleraram tudo.<br />
<br />
Em 1971, a Gillette lançou o Trac II, com duas lâminas. Em 1974, a Bic entrou no mercado americano com seu barbeador descartável. No ano seguinte, a Gillette lançou o Good News, também descartável.<br />
<br />
A diferença era enorme.<br />
<br />
Com um safety razor antigo, você comprava o aparelho e depois comprava lâminas para continuar usando o mesmo cabo durante anos.<br />
<br />
Com o descartável, a lógica era outra: usa e joga fora.<br />
<br />
Não precisava afiar.<br />
<br />
Não precisava aprender a lidar com uma navalha.<br />
<br />
Não precisava desmontar o aparelho para limpar.<br />
<br />
Não precisava nem pensar muito sobre manutenção.<br />
<br />
Quando acabava, comprava outro.<br />
<br />
E isso combinava perfeitamente com o estilo de vida que estava surgindo.<br />
<br />
Imagine um sujeito trabalhando oito ou dez horas por dia, morando cada vez mais longe do trabalho e usando o carro para praticamente tudo. Por que ele iria perder tempo indo até uma barbearia para fazer a barba se podia resolver aquilo em alguns minutos diante do espelho?<br />
<br />
O concorrente do barbeiro não era somente a lâmina.<br />
<br />
Era a conveniência.<br />
<br />
A indústria percebeu isso muito bem e passou a vender cada vez mais essa ideia. Primeiro veio a praticidade. Depois, duas lâminas. Cabeça móvel. Faixa lubrificante. Três lâminas. Cinco.<br />
<br />
A mensagem era simples, mesmo quando a propaganda não dizia isso diretamente: você não precisa saber fazer a barba. O aparelho sabe.<br />
<br />
E o mesmo processo atingiu o cabelo.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro ganhava dinheiro com duas coisas que aconteciam no mesmo lugar: cabelo e barba. Quando a barba começou a ser feita em casa, ele perdeu uma parte do serviço. Depois vieram as mudanças nos cortes masculinos, os salões que passaram a atender homens e mulheres e uma quantidade cada vez maior de opções para cortar o cabelo.<br />
<br />
A barbearia foi perdendo espaço por dois lados ao mesmo tempo.<br />
<br />
Enquanto isso, o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
No Brasil, a história tem algumas particularidades, mas a mudança também aconteceu.<br />
<br />
A Gillette já anunciava seus produtos por aqui em 1909, e em 1926 a empresa tinha uma fábrica no Rio de Janeiro. A marca ficou tão associada à lâmina de barbear que “gilete” entrou no vocabulário brasileiro como nome genérico para lâmina.<br />
<br />
Durante décadas, porém, o barbeiro continuou sendo parte da vida dos bairros brasileiros.<br />
<br />
Era o lugar onde se cortava o cabelo, fazia a barba e se ficava conversando.<br />
<br />
Em muitas cidades pequenas, a barbearia era quase uma extensão da calçada. O cliente entrava sem pressa, conhecia o barbeiro, encontrava alguém conhecido e ficava ali alguns minutos. Não era apenas um serviço de higiene. Fazia parte da rotina do bairro.<br />
<br />
Depois, aos poucos, o cabelo passou a ser cortado em outros tipos de estabelecimento, a barba passou a ser feita em casa e os barbeadores descartáveis ficaram baratos e fáceis de encontrar.<br />
<br />
O que aconteceu nos Estados Unidos também aconteceu por aqui, embora em ritmos e condições diferentes.<br />
<br />
E não dá para colocar tudo na conta da lâmina.<br />
<br />
O automóvel mudou as cidades. As pessoas passaram a morar e trabalhar de maneira diferente. Os supermercados e grandes lojas começaram a concentrar produtos que antes eram comprados em pequenos estabelecimentos. A televisão criou novos hábitos de consumo. Os salões de beleza passaram a atender homens e mulheres. E o próprio corte de cabelo masculino mudou bastante ao longo do século.<br />
<br />
A antiga barbearia perdeu espaço enquanto o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
Essa talvez seja a parte mais curiosa da história.<br />
<br />
A indústria não precisou convencer milhões de homens a odiar o barbeiro. Bastou tornar desnecessária uma parte do serviço.<br />
<br />
E funcionou.<br />
<br />
Mas o curioso é que a história não terminou aí.<br />
<br />
Nos últimos anos, a barbearia voltou a aparecer nas cidades. Cadeiras antigas, navalhas, toalhas quentes, pincéis e aquele visual de barbearia dos anos 1950 começaram a aparecer novamente.<br />
<br />
Só que agora existe uma diferença importante.<br />
<br />
O cliente não vai porque precisa.<br />
<br />
Vai porque quer.<br />
<br />
Ele já tem um barbeador em casa. Pode fazer a própria barba em cinco minutos. Pode comprar um aparelho descartável no supermercado e resolver o problema.<br />
<br />
Mesmo assim, paga para sentar numa cadeira e deixar outra pessoa fazer aquilo.<br />
<br />
Talvez porque o barbeiro nunca tenha vendido apenas uma barba bem feita.<br />
<br />
Durante décadas, os fabricantes foram tornando o barbear mais simples, rápido e conveniente. E conseguiram.<br />
<br />
O homem deixou de precisar do barbeiro para fazer a barba.<br />
<br />
Só que a barbearia tinha outras coisas que nenhum barbeador conseguiu colocar dentro de uma embalagem: conversa, costume, convivência e alguns minutos de tempo perdido sem culpa.<br />
<br />
Hoje, quando alguém entra numa barbearia tradicional, provavelmente não está procurando aquilo porque não sabe fazer a própria barba.<br />
<br />
Está procurando justamente aquilo que o barbeador conseguiu eliminar.<br />
<br />
O ritual. <br />
<br />
abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Procura-se desesperadamente: um barbeiro raiz.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro foi uma figura tão comum na cidade quanto o padeiro, o açougueiro ou o dono do boteco.<br />
<br />
Em praticamente qualquer bairro havia uma barbearia. Normalmente era um lugar pequeno, com duas ou três cadeiras, espelhos grandes, algumas revistas e aquele cheiro característico de loção pós-barba. O barbeiro conhecia os clientes pelo nome, sabia como cada um gostava do cabelo e, muitas vezes, também sabia das novidades do bairro antes de todo mundo.<br />
<br />
Para fazer a barba, o sujeito simplesmente ia até lá.<br />
<br />
Hoje isso parece estranho. Em muitas cidades, uma barbearia tradicional virou uma coisa que você precisa procurar. E quando encontra, às vezes ela está cheia de objetos antigos, cadeiras de barbeiro restauradas e barbeadores que poderiam ter saído de uma fotografia de 1950.<br />
<br />
A história dessa mudança começou bem antes do barbeador descartável.<br />
<br />
Em 1901, King Camp Gillette registrou a ideia de uma lâmina fina e substituível montada em um cabo reutilizável. O primeiro barbeador chegou ao mercado em 1903. Pela primeira vez, um homem comum podia comprar um instrumento relativamente barato e fazer em casa uma coisa que, durante muito tempo, esteve ligada à navalha e ao trabalho do barbeiro.<br />
<br />
A novidade não acabou com as barbearias. Longe disso.<br />
<br />
Mas começou a tirar delas uma parte do serviço.<br />
<br />
E os números americanos mostram que essa mudança foi enorme.<br />
<br />
Em 1950, os Estados Unidos tinham aproximadamente 287 mil barbearias. Cinquenta anos depois, restavam cerca de 56 mil. Uma redução superior a 80%.<br />
<br />
É uma diferença difícil de imaginar. Não estamos falando de algumas milhares de lojas que fecharam. Estamos falando de uma profissão que perdeu boa parte do espaço que ocupava no cotidiano americano.<br />
<br />
E há um detalhe interessante: isso começou antes da explosão dos barbeadores descartáveis.<br />
<br />
Em 1950, havia aproximadamente 193 mil barbeiros nos Estados Unidos. Em 1960, eram cerca de 180 mil.<br />
<br />
Aos poucos, fazer a barba deixou de ser necessariamente um serviço comprado de outra pessoa e passou a ser uma tarefa doméstica.<br />
<br />
Depois vieram os descartáveis e aceleraram tudo.<br />
<br />
Em 1971, a Gillette lançou o Trac II, com duas lâminas. Em 1974, a Bic entrou no mercado americano com seu barbeador descartável. No ano seguinte, a Gillette lançou o Good News, também descartável.<br />
<br />
A diferença era enorme.<br />
<br />
Com um safety razor antigo, você comprava o aparelho e depois comprava lâminas para continuar usando o mesmo cabo durante anos.<br />
<br />
Com o descartável, a lógica era outra: usa e joga fora.<br />
<br />
Não precisava afiar.<br />
<br />
Não precisava aprender a lidar com uma navalha.<br />
<br />
Não precisava desmontar o aparelho para limpar.<br />
<br />
Não precisava nem pensar muito sobre manutenção.<br />
<br />
Quando acabava, comprava outro.<br />
<br />
E isso combinava perfeitamente com o estilo de vida que estava surgindo.<br />
<br />
Imagine um sujeito trabalhando oito ou dez horas por dia, morando cada vez mais longe do trabalho e usando o carro para praticamente tudo. Por que ele iria perder tempo indo até uma barbearia para fazer a barba se podia resolver aquilo em alguns minutos diante do espelho?<br />
<br />
O concorrente do barbeiro não era somente a lâmina.<br />
<br />
Era a conveniência.<br />
<br />
A indústria percebeu isso muito bem e passou a vender cada vez mais essa ideia. Primeiro veio a praticidade. Depois, duas lâminas. Cabeça móvel. Faixa lubrificante. Três lâminas. Cinco.<br />
<br />
A mensagem era simples, mesmo quando a propaganda não dizia isso diretamente: você não precisa saber fazer a barba. O aparelho sabe.<br />
<br />
E o mesmo processo atingiu o cabelo.<br />
<br />
Durante muito tempo, o barbeiro ganhava dinheiro com duas coisas que aconteciam no mesmo lugar: cabelo e barba. Quando a barba começou a ser feita em casa, ele perdeu uma parte do serviço. Depois vieram as mudanças nos cortes masculinos, os salões que passaram a atender homens e mulheres e uma quantidade cada vez maior de opções para cortar o cabelo.<br />
<br />
A barbearia foi perdendo espaço por dois lados ao mesmo tempo.<br />
<br />
Enquanto isso, o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
No Brasil, a história tem algumas particularidades, mas a mudança também aconteceu.<br />
<br />
A Gillette já anunciava seus produtos por aqui em 1909, e em 1926 a empresa tinha uma fábrica no Rio de Janeiro. A marca ficou tão associada à lâmina de barbear que “gilete” entrou no vocabulário brasileiro como nome genérico para lâmina.<br />
<br />
Durante décadas, porém, o barbeiro continuou sendo parte da vida dos bairros brasileiros.<br />
<br />
Era o lugar onde se cortava o cabelo, fazia a barba e se ficava conversando.<br />
<br />
Em muitas cidades pequenas, a barbearia era quase uma extensão da calçada. O cliente entrava sem pressa, conhecia o barbeiro, encontrava alguém conhecido e ficava ali alguns minutos. Não era apenas um serviço de higiene. Fazia parte da rotina do bairro.<br />
<br />
Depois, aos poucos, o cabelo passou a ser cortado em outros tipos de estabelecimento, a barba passou a ser feita em casa e os barbeadores descartáveis ficaram baratos e fáceis de encontrar.<br />
<br />
O que aconteceu nos Estados Unidos também aconteceu por aqui, embora em ritmos e condições diferentes.<br />
<br />
E não dá para colocar tudo na conta da lâmina.<br />
<br />
O automóvel mudou as cidades. As pessoas passaram a morar e trabalhar de maneira diferente. Os supermercados e grandes lojas começaram a concentrar produtos que antes eram comprados em pequenos estabelecimentos. A televisão criou novos hábitos de consumo. Os salões de beleza passaram a atender homens e mulheres. E o próprio corte de cabelo masculino mudou bastante ao longo do século.<br />
<br />
A antiga barbearia perdeu espaço enquanto o banheiro de casa ganhava.<br />
<br />
Essa talvez seja a parte mais curiosa da história.<br />
<br />
A indústria não precisou convencer milhões de homens a odiar o barbeiro. Bastou tornar desnecessária uma parte do serviço.<br />
<br />
E funcionou.<br />
<br />
Mas o curioso é que a história não terminou aí.<br />
<br />
Nos últimos anos, a barbearia voltou a aparecer nas cidades. Cadeiras antigas, navalhas, toalhas quentes, pincéis e aquele visual de barbearia dos anos 1950 começaram a aparecer novamente.<br />
<br />
Só que agora existe uma diferença importante.<br />
<br />
O cliente não vai porque precisa.<br />
<br />
Vai porque quer.<br />
<br />
Ele já tem um barbeador em casa. Pode fazer a própria barba em cinco minutos. Pode comprar um aparelho descartável no supermercado e resolver o problema.<br />
<br />
Mesmo assim, paga para sentar numa cadeira e deixar outra pessoa fazer aquilo.<br />
<br />
Talvez porque o barbeiro nunca tenha vendido apenas uma barba bem feita.<br />
<br />
Durante décadas, os fabricantes foram tornando o barbear mais simples, rápido e conveniente. E conseguiram.<br />
<br />
O homem deixou de precisar do barbeiro para fazer a barba.<br />
<br />
Só que a barbearia tinha outras coisas que nenhum barbeador conseguiu colocar dentro de uma embalagem: conversa, costume, convivência e alguns minutos de tempo perdido sem culpa.<br />
<br />
Hoje, quando alguém entra numa barbearia tradicional, provavelmente não está procurando aquilo porque não sabe fazer a própria barba.<br />
<br />
Está procurando justamente aquilo que o barbeador conseguiu eliminar.<br />
<br />
O ritual. <br />
<br />
abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[A véia dos gatos.]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1360.html</link>
			<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 13:25:49 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=275">Maximus Brow</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1360.html</guid>
			<description><![CDATA[A véia dos gatos.<br />
<br />
Aquela senhora que mora sozinha, já passou dos 60, e cuja casa começou com dois gatos.<br />
<br />
"Ah, são só dois."<br />
<br />
"Só pra fazer companhia."<br />
<br />
Depois vieram mais três.<br />
<br />
Depois mais quatro.<br />
<br />
Depois era vista na rua de madrugada chamando gato pelo nome:<br />
<br />
"Pelé... o Pelé... onde você tá, meu bem?"<br />
<br />
Quando alguém percebeu, ela já tinha 27 gatos, três caixas de areia na sala e uma explicação perfeitamente racional para cada um deles.<br />
<br />
Pois bem.<br />
<br />
O Whatshaver corre exatamente o mesmo risco.<br />
<br />
Só que, em vez de gatos, ele acumula barbeadores.<br />
<br />
E tudo começa numa feira de antiguidades.<br />
<br />
Você está andando tranquilamente quando, no canto mais esquecido da banca, encontra uma Gillette antiga.<br />
<br />
Toda acabada.<br />
<br />
Suja.<br />
<br />
Oxidada.<br />
<br />
Com aparência de quem passou os últimos 50 anos jogada no fundo de uma gaveta mofada, num banheiro esquecido.<br />
<br />
Para qualquer pessoa normal, aquilo não vale absolutamente nada.<br />
<br />
Zero.<br />
<br />
A pessoa olha e pensa:<br />
<br />
"Que porcaria."<br />
<br />
O Whatshaver olha e pensa:<br />
<br />
"Meu Deus... olha o entalhe deste cabo."<br />
<br />
Pronto.<br />
<br />
Acabou.<br />
<br />
O cérebro já entrou em modo resgate.<br />
<br />
É o mesmo mecanismo psicológico da feira de adoção.<br />
<br />
Você vê um gato com uma pata machucada, um cachorro caolho ou um bichinho abandonado olhando para você daquele jeito e o cérebro simplesmente desliga.<br />
<br />
Cinco minutos depois, você está com ele no colo.<br />
<br />
Com a Gillette é igual.<br />
<br />
Você nem estava procurando barbeador.<br />
<br />
Mas agora está perguntando:<br />
<br />
"Quanto você faz nessa?"<br />
<br />
O vendedor fala o preço.<br />
<br />
Você nem negocia.<br />
<br />
Faz o Pix imediatamente.<br />
<br />
Vai que o vendedor muda de ideia e você perde a oportunidade de salvar aquela pobre safety razor.<br />
<br />
E volta para casa com mais um "filho".<br />
<br />
Sua esposa vem atrás, em silêncio.<br />
<br />
Braços cruzados.<br />
<br />
Bico de 30 centímetros.<br />
<br />
Aquela expressão que não precisa de legenda e que, pelo menos uma vez na vida, todo apreciador de barbear clássico já viu.<br />
<br />
Você conhece aquela expressão.<br />
<br />
É a expressão de quem está fazendo mentalmente a conta de quanto custou o seu hobby nos últimos cinco anos.<br />
<br />
E você, completamente sem vergonha, ainda tenta justificar:<br />
<br />
"Mas, amor... olha o estado dela. Eu precisava salvar."<br />
<br />
Salvar.<br />
<br />
Essa é a palavra.<br />
<br />
Nunca compramos.<br />
<br />
Resgatamos.<br />
<br />
Não acumulamos.<br />
<br />
Preservamos.<br />
<br />
Não temos problema.<br />
<br />
Temos responsabilidade histórica.<br />
<br />
E, aparentemente, também temos algum tipo de missão humanitária que ninguém nos pediu.<br />
<br />
E é assim que começa a doença.<br />
<br />
Primeiro vem uma Gillette.<br />
<br />
Depois você compra outra porque "é uma peça única".<br />
<br />
Depois uma terceira porque "essa é uma variação".<br />
<br />
Depois aparece um estojo.<br />
<br />
Depois um cabo.<br />
<br />
Depois uma máquina que você nem achava bonita, mas que estava "barata demais para deixar passar".<br />
<br />
Quando percebe, já existe uma gaveta específica.<br />
<br />
Depois uma caixa específica.<br />
<br />
Um espaço dedicado para a família feliz que você juntou nos últimos anos.<br />
<br />
Depois uma planilha.<br />
<br />
E quando chega ao ponto de ter uma planilha para controlar os barbeadores, meu amigo...<br />
<br />
Você não é mais colecionador.<br />
<br />
Você é a véia dos gatos. Ou o véio dos barbeadores. O que, no final, dá no mesmo.<br />
<br />
A diferença é que ela precisa explicar por que tem 27 gatos.<br />
<br />
Nós precisamos explicar por que temos 27 máquinas cuja única função é remover pelos do rosto.<br />
<br />
E ainda fazemos isso com convicção:<br />
<br />
"Mas essa é diferente."<br />
<br />
Claro que é.<br />
<br />
Todas são.<br />
<br />
Essa é justamente a parte preocupante.<br />
<br />
O problema não é comprar uma Gillette.<br />
<br />
O problema é que, depois da primeira, você começa a enxergar necessidade onde uma pessoa normal só enxerga sucata.<br />
<br />
O verdadeiro estágio terminal do Whatshaver acontece quando você entra numa feira e começa a olhar para as bancas não procurando alguma coisa que queira comprar, mas alguma coisa que precise ser salva.<br />
<br />
Você já não pergunta:<br />
<br />
"O que eu quero?"<br />
<br />
Você pergunta:<br />
<br />
"Qual delas tem mais potencial de salvamento?"<br />
<br />
E aí o vendedor tira debaixo da mesa uma Gillette de 1962, preta de sujeira, faltando peça e com o mecanismo travado.<br />
<br />
Você olha.<br />
<br />
Ela olha para você.<br />
<br />
A conexão acontece.<br />
<br />
Sua esposa percebe.<br />
<br />
"Nem pense."<br />
<br />
Você já está abrindo o celular e pensando como ela vai ficar linda quando estiver limpa.<br />
<br />
"Quanto é?"<br />
<br />
É assim que um homem normal termina o domingo.<br />
<br />
E é assim que nasce mais um pai de barbeador... ou de pet...<br />
<br />
Ou a morte de um casamento.<br />
<br />
Porque o problema é que, depois da primeira, ela nunca vem sozinha.<br />
<br />
Uma vem da feira.<br />
<br />
Outra aparece no eBay.<br />
<br />
Outra estava "baratinha".<br />
<br />
Outra é "rara".<br />
<br />
Outra "não podia deixar passar".<br />
<br />
E, quando você percebe, sua gaveta já parece um orfanato de Gillettes que você jurou que ia restaurar.<br />
<br />
Eu, por minha vez, tenho 20 máquinas e nenhum pet...<br />
<br />
Ou melhor, minha filha tem um: um peixinho Betta.<br />
<br />
Bem, acho que depois desta revelação, não posso mais ser chamado de véio dos gatos...<br />
<br />
Ou pai dos barbeadores...<br />
<br />
Ou o doido das Gillettes vintage.<br />
<br />
Talvez eu seja apenas um homem de meia-idade que encontrou uma maneira socialmente aceitável de substituir gatos por aparelhos de barbear.<br />
<br />
Bem, você entendeu, né?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A véia dos gatos.<br />
<br />
Aquela senhora que mora sozinha, já passou dos 60, e cuja casa começou com dois gatos.<br />
<br />
"Ah, são só dois."<br />
<br />
"Só pra fazer companhia."<br />
<br />
Depois vieram mais três.<br />
<br />
Depois mais quatro.<br />
<br />
Depois era vista na rua de madrugada chamando gato pelo nome:<br />
<br />
"Pelé... o Pelé... onde você tá, meu bem?"<br />
<br />
Quando alguém percebeu, ela já tinha 27 gatos, três caixas de areia na sala e uma explicação perfeitamente racional para cada um deles.<br />
<br />
Pois bem.<br />
<br />
O Whatshaver corre exatamente o mesmo risco.<br />
<br />
Só que, em vez de gatos, ele acumula barbeadores.<br />
<br />
E tudo começa numa feira de antiguidades.<br />
<br />
Você está andando tranquilamente quando, no canto mais esquecido da banca, encontra uma Gillette antiga.<br />
<br />
Toda acabada.<br />
<br />
Suja.<br />
<br />
Oxidada.<br />
<br />
Com aparência de quem passou os últimos 50 anos jogada no fundo de uma gaveta mofada, num banheiro esquecido.<br />
<br />
Para qualquer pessoa normal, aquilo não vale absolutamente nada.<br />
<br />
Zero.<br />
<br />
A pessoa olha e pensa:<br />
<br />
"Que porcaria."<br />
<br />
O Whatshaver olha e pensa:<br />
<br />
"Meu Deus... olha o entalhe deste cabo."<br />
<br />
Pronto.<br />
<br />
Acabou.<br />
<br />
O cérebro já entrou em modo resgate.<br />
<br />
É o mesmo mecanismo psicológico da feira de adoção.<br />
<br />
Você vê um gato com uma pata machucada, um cachorro caolho ou um bichinho abandonado olhando para você daquele jeito e o cérebro simplesmente desliga.<br />
<br />
Cinco minutos depois, você está com ele no colo.<br />
<br />
Com a Gillette é igual.<br />
<br />
Você nem estava procurando barbeador.<br />
<br />
Mas agora está perguntando:<br />
<br />
"Quanto você faz nessa?"<br />
<br />
O vendedor fala o preço.<br />
<br />
Você nem negocia.<br />
<br />
Faz o Pix imediatamente.<br />
<br />
Vai que o vendedor muda de ideia e você perde a oportunidade de salvar aquela pobre safety razor.<br />
<br />
E volta para casa com mais um "filho".<br />
<br />
Sua esposa vem atrás, em silêncio.<br />
<br />
Braços cruzados.<br />
<br />
Bico de 30 centímetros.<br />
<br />
Aquela expressão que não precisa de legenda e que, pelo menos uma vez na vida, todo apreciador de barbear clássico já viu.<br />
<br />
Você conhece aquela expressão.<br />
<br />
É a expressão de quem está fazendo mentalmente a conta de quanto custou o seu hobby nos últimos cinco anos.<br />
<br />
E você, completamente sem vergonha, ainda tenta justificar:<br />
<br />
"Mas, amor... olha o estado dela. Eu precisava salvar."<br />
<br />
Salvar.<br />
<br />
Essa é a palavra.<br />
<br />
Nunca compramos.<br />
<br />
Resgatamos.<br />
<br />
Não acumulamos.<br />
<br />
Preservamos.<br />
<br />
Não temos problema.<br />
<br />
Temos responsabilidade histórica.<br />
<br />
E, aparentemente, também temos algum tipo de missão humanitária que ninguém nos pediu.<br />
<br />
E é assim que começa a doença.<br />
<br />
Primeiro vem uma Gillette.<br />
<br />
Depois você compra outra porque "é uma peça única".<br />
<br />
Depois uma terceira porque "essa é uma variação".<br />
<br />
Depois aparece um estojo.<br />
<br />
Depois um cabo.<br />
<br />
Depois uma máquina que você nem achava bonita, mas que estava "barata demais para deixar passar".<br />
<br />
Quando percebe, já existe uma gaveta específica.<br />
<br />
Depois uma caixa específica.<br />
<br />
Um espaço dedicado para a família feliz que você juntou nos últimos anos.<br />
<br />
Depois uma planilha.<br />
<br />
E quando chega ao ponto de ter uma planilha para controlar os barbeadores, meu amigo...<br />
<br />
Você não é mais colecionador.<br />
<br />
Você é a véia dos gatos. Ou o véio dos barbeadores. O que, no final, dá no mesmo.<br />
<br />
A diferença é que ela precisa explicar por que tem 27 gatos.<br />
<br />
Nós precisamos explicar por que temos 27 máquinas cuja única função é remover pelos do rosto.<br />
<br />
E ainda fazemos isso com convicção:<br />
<br />
"Mas essa é diferente."<br />
<br />
Claro que é.<br />
<br />
Todas são.<br />
<br />
Essa é justamente a parte preocupante.<br />
<br />
O problema não é comprar uma Gillette.<br />
<br />
O problema é que, depois da primeira, você começa a enxergar necessidade onde uma pessoa normal só enxerga sucata.<br />
<br />
O verdadeiro estágio terminal do Whatshaver acontece quando você entra numa feira e começa a olhar para as bancas não procurando alguma coisa que queira comprar, mas alguma coisa que precise ser salva.<br />
<br />
Você já não pergunta:<br />
<br />
"O que eu quero?"<br />
<br />
Você pergunta:<br />
<br />
"Qual delas tem mais potencial de salvamento?"<br />
<br />
E aí o vendedor tira debaixo da mesa uma Gillette de 1962, preta de sujeira, faltando peça e com o mecanismo travado.<br />
<br />
Você olha.<br />
<br />
Ela olha para você.<br />
<br />
A conexão acontece.<br />
<br />
Sua esposa percebe.<br />
<br />
"Nem pense."<br />
<br />
Você já está abrindo o celular e pensando como ela vai ficar linda quando estiver limpa.<br />
<br />
"Quanto é?"<br />
<br />
É assim que um homem normal termina o domingo.<br />
<br />
E é assim que nasce mais um pai de barbeador... ou de pet...<br />
<br />
Ou a morte de um casamento.<br />
<br />
Porque o problema é que, depois da primeira, ela nunca vem sozinha.<br />
<br />
Uma vem da feira.<br />
<br />
Outra aparece no eBay.<br />
<br />
Outra estava "baratinha".<br />
<br />
Outra é "rara".<br />
<br />
Outra "não podia deixar passar".<br />
<br />
E, quando você percebe, sua gaveta já parece um orfanato de Gillettes que você jurou que ia restaurar.<br />
<br />
Eu, por minha vez, tenho 20 máquinas e nenhum pet...<br />
<br />
Ou melhor, minha filha tem um: um peixinho Betta.<br />
<br />
Bem, acho que depois desta revelação, não posso mais ser chamado de véio dos gatos...<br />
<br />
Ou pai dos barbeadores...<br />
<br />
Ou o doido das Gillettes vintage.<br />
<br />
Talvez eu seja apenas um homem de meia-idade que encontrou uma maneira socialmente aceitável de substituir gatos por aparelhos de barbear.<br />
<br />
Bem, você entendeu, né?<br />
<br />
Abs,<br />
<br />
Igor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Primeiras impressões com Parker 55 SL]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1359.html</link>
			<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 17:52:08 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=578">Gustavo CDL</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1359.html</guid>
			<description><![CDATA[Boa tarde!<br />
<br />
Há algum tempo estou devendo as minhas primeiras impressões sobre o Parker 55 SL.<br />
<br />
Fiquei um pouco reticente em falar antes devido à minha pouca experiência com ele e à falta de conhecimento técnico, apesar da minha grande curiosidade e satisfação com o hobby.<br />
<br />
Em relação ao aparelho, achei-o elegante, bem robusto e bastante eficaz. <br />
Ele é um pouco mais pesado do que os modelos que costumo usar, mas é muito bem equilibrado — diferente do Gillette King C., cujo peso chega a me incomodar.<br />
<br />
O corte realmente é diferente, tanto na eficiência quanto na técnica de uso (e é justamente aí que ainda me faltam prática e costume). <br />
Com o Parker, bastam duas passadas e, no máximo, um retoque em poucos lugares.<br />
<br />
Ainda não consegui concluir qual combinação de lâmina funciona melhor com ele. Já experimentei com a Treet, a King C. e a Astra, mas nenhuma me convenceu completamente. Penso que talvez uma Personna ou uma Bic venham a me agradar mais. Por outro lado, ainda não me sinto confortável para usar a Perma-Sharp nele, embora seja a minha lâmina favorita na maioria dos aparelhos que tenho. (Às vezes penso que essa relação aparelho/lâmina está se tornando uma obsessão, rsrsrs).<br />
<br />
Apesar do pouco tempo de uso, o Parker 55 SL já entrou para o meu top 2 ou, no máximo, top 3 de aparelhos favoritos.<br />
<br />
Caso alguém faça uso do mesmo, se puder expressar suas impressões e também qual melhor combinação de lâminas, ficarei grato.<br />
<br />
Abraço a todos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Boa tarde!<br />
<br />
Há algum tempo estou devendo as minhas primeiras impressões sobre o Parker 55 SL.<br />
<br />
Fiquei um pouco reticente em falar antes devido à minha pouca experiência com ele e à falta de conhecimento técnico, apesar da minha grande curiosidade e satisfação com o hobby.<br />
<br />
Em relação ao aparelho, achei-o elegante, bem robusto e bastante eficaz. <br />
Ele é um pouco mais pesado do que os modelos que costumo usar, mas é muito bem equilibrado — diferente do Gillette King C., cujo peso chega a me incomodar.<br />
<br />
O corte realmente é diferente, tanto na eficiência quanto na técnica de uso (e é justamente aí que ainda me faltam prática e costume). <br />
Com o Parker, bastam duas passadas e, no máximo, um retoque em poucos lugares.<br />
<br />
Ainda não consegui concluir qual combinação de lâmina funciona melhor com ele. Já experimentei com a Treet, a King C. e a Astra, mas nenhuma me convenceu completamente. Penso que talvez uma Personna ou uma Bic venham a me agradar mais. Por outro lado, ainda não me sinto confortável para usar a Perma-Sharp nele, embora seja a minha lâmina favorita na maioria dos aparelhos que tenho. (Às vezes penso que essa relação aparelho/lâmina está se tornando uma obsessão, rsrsrs).<br />
<br />
Apesar do pouco tempo de uso, o Parker 55 SL já entrou para o meu top 2 ou, no máximo, top 3 de aparelhos favoritos.<br />
<br />
Caso alguém faça uso do mesmo, se puder expressar suas impressões e também qual melhor combinação de lâminas, ficarei grato.<br />
<br />
Abraço a todos]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Sabão de Barbear Mirra Tonka — Edição Especial Fórum Barbear Tradicional 2026]]></title>
			<link>https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1358.html</link>
			<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 18:58:13 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://www.barbeartradicional.com.br/member.php?action=profile&uid=4">RuasMensGrooming</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://www.barbeartradicional.com.br/thread-1358.html</guid>
			<description><![CDATA[<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Sabão de Barbear Mirra Tonka — Edição Especial Fórum Barbear Tradicional 2026</span><br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tradição, exclusividade e uma fragrância oriental marcante.</span><br />
<br />
O <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mirra Tonka</span> é uma edição especial criada para celebrar a <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">11ª edição do Fórum Barbear Tradicional</span>, unindo a tradição do barbear clássico à sofisticação de uma fragrância quente, envolvente e atemporal.<br />
<br />
A fragrância traz a <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">profundidade resinosa e misteriosa da Mirra</span>, combinada às notas <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">adocicadas, cremosas e levemente especiadas da Fava Tonka</span>. Uma composição oriental elegante e marcante, desenvolvida para transformar o ritual do barbear em uma experiência sensorial única.<br />
<br />
Produzido artesanalmente no Brasil pela <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ruas Men's Grooming</span>, o Mirra Tonka possui uma base cuidadosamente elaborada com <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ácido Esteárico, óleos de Coco, Rícino e Oliva, manteiga de Karité e Glicerina</span>, proporcionando uma espuma cremosa e consistente para o preparo da barba.<br />
<br />
A <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vitamina E</span> complementa a formulação, enquanto a combinação aromática confere ao produto sua identidade sofisticada e característica.<br />
Uma edição que celebra a tradição.<br />
<br />
O <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mirra Tonka</span> representa uma homenagem ao <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Fórum Barbear Tradicional</span> e à comunidade que, desde 2015, mantém viva a cultura do barbear clássico no Brasil.<br />
<br />
Sua identidade visual, inspirada em <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">mapas antigos, navegação e instrumentos de orientação</span>, simboliza essa trajetória construída ao longo dos anos — uma verdadeira jornada pela história e pela tradição do barbear.<br />
Perfil da fragrância<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Família olfativa:</span> Oriental<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Notas predominantes:</span> Mirra e Fava Tonka<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Perfil:</span> Quente • Resinoso • Adocicado • Cremoso • Levemente especiado • Sofisticado<br />
Informações do produto<ul class="mycode_list"><li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Peso:</span> 110 g <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Edição:</span> 11ª edição do Fórum Barbear Tradicional <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ano:</span> 2026 <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Produção:</span> Artesanal <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Origem:</span> Brasil <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Uso:</span> Externo <br />
</li>
</ul>
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ingredientes:</span> Água, Ácido Esteárico, Hidróxidos de Sódio e Potássio, Óleos de Coco, Rícino e Oliva, Manteiga de Karité, Glicerina, Vitamina E, Óleos Essenciais e Fragrância.<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Produzido artesanalmente no Brasil por Ruas Men's Grooming.</span><br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Link para aquisição: <a href="https://www.ruasmensgrooming.com.br/produto/sabao-de-barbear-mirra-tonka-forum-bt" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.ruasmensgrooming.com.br/prod...a-forum-bt</a></span><br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mirra Tonka</span><br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Uma fragrância que celebra a tradição. Uma edição especial para marcar uma história.</span><br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><!-- start: postbit_attachments_attachment -->
<br /><!-- start: attachment_icon -->
<img src="https://www.barbeartradicional.com.br/images/attachtypes/image.png" title="JPG Image" border="0" alt=".jpg" style="vertical-align: sub;" />
<!-- end: attachment_icon -->&nbsp;&nbsp;<a href="attachment.php?aid=3881" target="_blank" title="">mockup.jpg</a> (Tamanho: 117.51 KB / Downloads: 38)
<!-- end: postbit_attachments_attachment --></span></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Sabão de Barbear Mirra Tonka — Edição Especial Fórum Barbear Tradicional 2026</span><br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tradição, exclusividade e uma fragrância oriental marcante.</span><br />
<br />
O <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mirra Tonka</span> é uma edição especial criada para celebrar a <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">11ª edição do Fórum Barbear Tradicional</span>, unindo a tradição do barbear clássico à sofisticação de uma fragrância quente, envolvente e atemporal.<br />
<br />
A fragrância traz a <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">profundidade resinosa e misteriosa da Mirra</span>, combinada às notas <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">adocicadas, cremosas e levemente especiadas da Fava Tonka</span>. Uma composição oriental elegante e marcante, desenvolvida para transformar o ritual do barbear em uma experiência sensorial única.<br />
<br />
Produzido artesanalmente no Brasil pela <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ruas Men's Grooming</span>, o Mirra Tonka possui uma base cuidadosamente elaborada com <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ácido Esteárico, óleos de Coco, Rícino e Oliva, manteiga de Karité e Glicerina</span>, proporcionando uma espuma cremosa e consistente para o preparo da barba.<br />
<br />
A <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vitamina E</span> complementa a formulação, enquanto a combinação aromática confere ao produto sua identidade sofisticada e característica.<br />
Uma edição que celebra a tradição.<br />
<br />
O <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mirra Tonka</span> representa uma homenagem ao <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Fórum Barbear Tradicional</span> e à comunidade que, desde 2015, mantém viva a cultura do barbear clássico no Brasil.<br />
<br />
Sua identidade visual, inspirada em <span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">mapas antigos, navegação e instrumentos de orientação</span>, simboliza essa trajetória construída ao longo dos anos — uma verdadeira jornada pela história e pela tradição do barbear.<br />
Perfil da fragrância<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Família olfativa:</span> Oriental<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Notas predominantes:</span> Mirra e Fava Tonka<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Perfil:</span> Quente • Resinoso • Adocicado • Cremoso • Levemente especiado • Sofisticado<br />
Informações do produto<ul class="mycode_list"><li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Peso:</span> 110 g <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Edição:</span> 11ª edição do Fórum Barbear Tradicional <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ano:</span> 2026 <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Produção:</span> Artesanal <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Origem:</span> Brasil <br />
</li>
<li><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Uso:</span> Externo <br />
</li>
</ul>
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ingredientes:</span> Água, Ácido Esteárico, Hidróxidos de Sódio e Potássio, Óleos de Coco, Rícino e Oliva, Manteiga de Karité, Glicerina, Vitamina E, Óleos Essenciais e Fragrância.<br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Produzido artesanalmente no Brasil por Ruas Men's Grooming.</span><br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Link para aquisição: <a href="https://www.ruasmensgrooming.com.br/produto/sabao-de-barbear-mirra-tonka-forum-bt" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.ruasmensgrooming.com.br/prod...a-forum-bt</a></span><br />
<br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mirra Tonka</span><br />
<span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Uma fragrância que celebra a tradição. Uma edição especial para marcar uma história.</span><br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b"><!-- start: postbit_attachments_attachment -->
<br /><!-- start: attachment_icon -->
<img src="https://www.barbeartradicional.com.br/images/attachtypes/image.png" title="JPG Image" border="0" alt=".jpg" style="vertical-align: sub;" />
<!-- end: attachment_icon -->&nbsp;&nbsp;<a href="attachment.php?aid=3881" target="_blank" title="">mockup.jpg</a> (Tamanho: 117.51 KB / Downloads: 38)
<!-- end: postbit_attachments_attachment --></span></div>]]></content:encoded>
		</item>
	</channel>
</rss>