Suavidade ou eficiência: o grande mito do barbear tradicional.

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Suavidade ou eficiência: o grande mito do barbear tradicional.

Uma das palavras mais utilizadas no barbear tradicional é "agressivo".

Basta alguém perguntar sobre determinado aparelho e logo aparecem comentários como:

"Esse barbeador é agressivo."
"Cuidado, não é para iniciantes."

Mas, afinal, o que realmente faz um barbeador ser agressivo?

Com o passar do tempo, comecei a perceber que muitas vezes confundimos agressividade com eficiência, sensação da lâmina ou até mesmo falta de técnica.

Vou dar um exemplo que muita gente aqui provavelmente já viveu.

O King C. Gillette costuma ser indicado para quem está saindo dos cartuchos e entrando no barbear tradicional. Ele é um barbeador muito suave, bastante tolerante e com pouca sensação de lâmina.

Só que, justamente por ser tão suave, muitos iniciantes acabam mantendo alguns hábitos dos cartuchos: fazem pressão excessiva ou repetem várias passadas na mesma região tentando obter um resultado mais rente.

Se essa combinação vier acompanhada de uma lâmina pouco afiada, temos a receita perfeita para a irritação.

E quanto menos eficiente o aparelho, maior tende a ser a tentação de insistir na mesma região.

Ou seja, o barbeador não era agressivo. O conjunto da obra é que acabou causando o problema.

Inclusive, hoje costumo recomendar o Blue Blades como primeiro barbeador para quem está entrando no hobby. Na minha experiência, ele é mais eficiente que o King C. Gillette e também mais acessível.

Infelizmente, o Super Barba Metal Gold da primeira geração, que também era uma excelente opção de entrada, praticamente desapareceu do mercado e dificilmente será encontrado novamente.

Os Rockwell 6C e 6S ajudam a derrubar outro mito bastante comum: o de que um barbeador eficiente precisa necessariamente apresentar bastante lâmina.

Em algumas placas, a exposição da lâmina é neutra ou até levemente negativa, e mesmo assim o barbeador entrega uma eficiência impressionante.

O vídeo publicado pelo Thonny no final de semana, utilizando o Rockwell 6S, mostrou exatamente isso. O aparelho remove a barba com facilidade, proporciona conforto e, ao mesmo tempo, transmite uma sensação extremamente controlada da lâmina.

Isso demonstra que eficiência e agressividade não são a mesma coisa.

Outro exemplo que merece ser citado são os Gillette Tech.

Tenho um Tech inglês dos anos 40 e também um Tech de 1977. Ambos possuem cabeças extremamente suaves, mas são muito mais eficientes do que muita gente imagina.

Quando o ângulo é encontrado, eles entregam um barbear muito agradável e bastante eficiente, inclusive, na minha experiência, muito superior ao King C. Gillette.

Os pequenos pinos de alinhamento presentes nos Tech ajudam a manter a lâmina muito bem posicionada e bastante rígida.

Essa rigidez reduz a vibração da lâmina durante o corte.

Talvez por isso os Tech tenham permanecido em produção por tantas décadas e ainda hoje sejam considerados referências de suavidade e eficiência.

Aliás, já utilizei barbeadores modernos nos quais era possível sentir claramente a lâmina se curvando ou vibrando a cada passada. Para mim, isso transmite muito mais uma sensação de desconforto do que um barbeador eficiente com a lâmina bem presa.

Por outro lado, temos aparelhos como o Mühle R41.

Talvez ele seja um dos barbeadores mais temidos do hobby e frequentemente apareça em listas de "barbeadores agressivos".

Mas será que ele é realmente tão assustador assim?

Diversos vídeos gringos e também vários vídeos nacionais já mostraram que, quando utilizado com uma boa técnica, o R41 pode ser bastante tranquilo de usar.

Na verdade, o R41 talvez seja um dos melhores exemplos de que eficiência e agressividade não são exatamente a mesma coisa.

Isso acontece porque seu projeto foi pensado para ser extremamente eficiente. O ângulo de corte, a exposição da lâmina, o pente aberto e toda a geometria da cabeça trabalham em conjunto.

A eficiência é tão alta que, muitas vezes, não há necessidade de várias passadas na mesma região.

E justamente aí está uma das grandes causas da irritação: o excesso de passadas.

Isso nos leva a outro assunto que praticamente todos nós já perseguimos: o famoso BBS.

Quem nunca tentou aquele barbear completamente liso, perfeito em todas as direções?

Mas quantas vezes essa busca acaba gerando irritação?

Arrisco dizer que, em muitos casos, o problema não é o barbeador, mas a insistência em fazer retoques e mais retoques para eliminar aquele último ponto de aspereza.

Talvez oito em cada dez irritações aconteçam justamente nessa tentativa de alcançar o BBS perfeito.

Muitas vezes, o problema não está no barbeador, mas na nossa dificuldade em aceitar um DFS excelente em vez de perseguir um BBS a qualquer custo.

Muitas vezes, um barbeador extremamente eficiente termina o trabalho em duas passadas. Já um aparelho excessivamente suave pode acabar exigindo três, quatro ou vários retoques.

Outro ponto importante é a chamada sensação da lâmina, ou "blade feel".

Sentir a lâmina no rosto não significa, obrigatoriamente, que o barbeador seja agressivo.

Da mesma forma:

* Pente aberto não significa obrigatoriamente agressividade.
* Gap grande não significa necessariamente maior agressividade.
* Exposição negativa não significa falta de eficiência.
* Sentir a lâmina não significa que o aparelho seja agressivo.

No fim das contas, a agressividade parece ser resultado da combinação de vários fatores:

* Exposição da lâmina.
* Gap.
* Geometria da cabeça.
* Rigidez da lâmina.
* Técnica do usuário.
* Número de passadas.
* Tipo de barba.
* Sensibilidade da pele.

Depois de alguns anos no hobby, comecei a acreditar que muitos barbeadores considerados agressivos são, na verdade, apenas barbeadores extremamente eficientes.

E, em alguns casos, os barbeadores considerados muito suaves acabam provocando mais irritação justamente porque exigem insistência, pressão e passadas adicionais.

E vocês?

Qual barbeador da coleção tinha fama de agressivo e acabou surpreendendo positivamente? E qual aparelho considerado suave acabou entregando mais irritação do que conforto?

abs,

Igor.
2 curtida(s) para esse Post:
  • Joao Americo, thony
Concordo plenamente com a análise do Igor.
Já tive barbeadores ditos agressivos que eram apenas lenda.



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