“Lâmina suave: quando menos poder de corte pode significar mais sofrimento.
Caros confrades,
Ontem resolvi fazer a barba com uma combinação que, naquele momento, parecia inocente. Hoje, olhando para trás, percebo que talvez tenha sido uma sugestão feita pelo meu inconsciente pelo próprio senhor do submundo: uma Gillette Mono Tech com uma lâmina Mister Barba nova.
A princípio, tudo parecia perfeito. A Mono Tech é conhecida por ser uma máquina suave, confortável e extremamente dócil. É aquele tipo de barbeador confiável, que entrega exatamente aquilo que se espera dele: uma experiência tranquila, sem grandes surpresas.
O problema é que eu estou acostumado com máquinas e lâminas mais eficientes, aquelas que cortam a barba sem o mínimo esforço. Então coloquei uma lâmina com pouco poder de corte em uma máquina que também privilegia a suavidade.
O resultado?
A receita perfeita para o caos.
Depois dos três passes tradicionais, respirei fundo achando que tinha vencido mais uma batalha contra a barba. Mas faltava o teste final: a loção alcoólica.
E aí aconteceu.
Quando o álcool encontrou meu rosto, por alguns segundos tive certeza de que havia cometido um erro grave. A sensação foi tão intensa que parecia que eu tinha sido condenado ao fogo do inferno por algum pecado cometido contra a arte do barbear.
A ardência foi tão absurda que confesso que lágrimas me vieram aos olhos.
Depois desta experiência ruim, pensei:
“Cara, ainda bem que você não resolveu usar pedra hume...”
Mas a grande lição ficou clara: muita gente pensa que o perigo está apenas nas lâminas agressivas. Nem sempre.
Uma lâmina com pouco poder de corte também pode ser uma armadilha. Ela exige mais pressão, mais passadas e mais insistência para conseguir o mesmo resultado. E quem paga essa conta é a pele.
Fiz as três passadas clássicas, mas analisando depois, acredito que meu inconsciente tentou compensar a falta de corte aplicando força excessiva.
Eu utilizo a mesma Mister Barba, com poder de corte mediano, em máquinas como a Mühle R41 e a Parker 55 SL, e tenho resultados muito bons, sem nenhuma sensação de ardência e conseguindo um BBS fácil, fácil.
No barbear tradicional, eficiência não é inimiga da segurança. Muitas vezes, uma lâmina que corta bem, trabalhando com a técnica correta, é muito mais gentil do que uma lâmina que obriga você a ficar passando e repassando no mesmo lugar, aplicando força desnecessária e irritando a pele.
Essa situação me lembrou uma comparação que ouvi certa vez sobre afiação de facas.
A pessoa disse algo que ficou na minha cabeça:
“A faca cega é muito mais perigosa que a faca afiada. Com a faca afiada, você respeita o equipamento e sabe até onde pode ir. Com a faca cega, você aplica força desnecessária e, nesse processo, pode acabar se cortando feio.”
E acredito que essa comparação serve perfeitamente para o barbear clássico.
O problema nem sempre está no equipamento mais agressivo. Às vezes, o perigo está justamente naquele que parece inofensivo, mas que obriga você a compensar suas limitações com mais pressão e mais passadas.
E para os vossos senhores?
Qual é a combinação perfeita entre lâmina x barbeador?
Quando estou com a Mühle R41, não uso nada muito afiado. Uma Wilkinson já resolve.
Quando estou com um barbeador mais suave, já utilizo uma Feather.
Lembro que já utilizei a Mono Tech com uma Feather e o resultado foi muito bom.
No fim das contas, aprendi mais uma vez que, no barbear clássico, a combinação correta entre máquina, lâmina e técnica vale muito mais do que simplesmente buscar a lâmina mais afiada.
Abs,
Igor.
Caros confrades,
Ontem resolvi fazer a barba com uma combinação que, naquele momento, parecia inocente. Hoje, olhando para trás, percebo que talvez tenha sido uma sugestão feita pelo meu inconsciente pelo próprio senhor do submundo: uma Gillette Mono Tech com uma lâmina Mister Barba nova.
A princípio, tudo parecia perfeito. A Mono Tech é conhecida por ser uma máquina suave, confortável e extremamente dócil. É aquele tipo de barbeador confiável, que entrega exatamente aquilo que se espera dele: uma experiência tranquila, sem grandes surpresas.
O problema é que eu estou acostumado com máquinas e lâminas mais eficientes, aquelas que cortam a barba sem o mínimo esforço. Então coloquei uma lâmina com pouco poder de corte em uma máquina que também privilegia a suavidade.
O resultado?
A receita perfeita para o caos.
Depois dos três passes tradicionais, respirei fundo achando que tinha vencido mais uma batalha contra a barba. Mas faltava o teste final: a loção alcoólica.
E aí aconteceu.
Quando o álcool encontrou meu rosto, por alguns segundos tive certeza de que havia cometido um erro grave. A sensação foi tão intensa que parecia que eu tinha sido condenado ao fogo do inferno por algum pecado cometido contra a arte do barbear.
A ardência foi tão absurda que confesso que lágrimas me vieram aos olhos.
Depois desta experiência ruim, pensei:
“Cara, ainda bem que você não resolveu usar pedra hume...”
Mas a grande lição ficou clara: muita gente pensa que o perigo está apenas nas lâminas agressivas. Nem sempre.
Uma lâmina com pouco poder de corte também pode ser uma armadilha. Ela exige mais pressão, mais passadas e mais insistência para conseguir o mesmo resultado. E quem paga essa conta é a pele.
Fiz as três passadas clássicas, mas analisando depois, acredito que meu inconsciente tentou compensar a falta de corte aplicando força excessiva.
Eu utilizo a mesma Mister Barba, com poder de corte mediano, em máquinas como a Mühle R41 e a Parker 55 SL, e tenho resultados muito bons, sem nenhuma sensação de ardência e conseguindo um BBS fácil, fácil.
No barbear tradicional, eficiência não é inimiga da segurança. Muitas vezes, uma lâmina que corta bem, trabalhando com a técnica correta, é muito mais gentil do que uma lâmina que obriga você a ficar passando e repassando no mesmo lugar, aplicando força desnecessária e irritando a pele.
Essa situação me lembrou uma comparação que ouvi certa vez sobre afiação de facas.
A pessoa disse algo que ficou na minha cabeça:
“A faca cega é muito mais perigosa que a faca afiada. Com a faca afiada, você respeita o equipamento e sabe até onde pode ir. Com a faca cega, você aplica força desnecessária e, nesse processo, pode acabar se cortando feio.”
E acredito que essa comparação serve perfeitamente para o barbear clássico.
O problema nem sempre está no equipamento mais agressivo. Às vezes, o perigo está justamente naquele que parece inofensivo, mas que obriga você a compensar suas limitações com mais pressão e mais passadas.
E para os vossos senhores?
Qual é a combinação perfeita entre lâmina x barbeador?
Quando estou com a Mühle R41, não uso nada muito afiado. Uma Wilkinson já resolve.
Quando estou com um barbeador mais suave, já utilizo uma Feather.
Lembro que já utilizei a Mono Tech com uma Feather e o resultado foi muito bom.
No fim das contas, aprendi mais uma vez que, no barbear clássico, a combinação correta entre máquina, lâmina e técnica vale muito mais do que simplesmente buscar a lâmina mais afiada.
Abs,
Igor.
