Prezados e ilustríssimos confrades,
Venho, por meio deste respeitável espaço de erudição, discorrer sobre a nobilíssima Pedra Hume, esse pequeno artefato alquímico que divide opiniões, provoca caretas e, quando mal utilizado, gera traumas dignos de sessão terapêutica.
Antes de tudo, é preciso compreender: a Pedra Hume não é um tijolo, tampouco uma lixa industrial, embora em mãos inexperientes ela se esforce bastante para parecer ambas as coisas. Seu uso requer parcimônia, delicadeza e, sobretudo, respeito mútuo entre a pedra e a epiderme.
Primeira e fundamental regra: a Pedra Hume deve ser levemente umedecida. Enfatizo o “levemente”. Não é banho, não é mergulho, não é batismo por imersão. Água demais transforma o momento em sofrimento desnecessário; água de menos, em punição medieval.
Ao aplicá-la no rosto, evite qualquer ímpeto de esfregar como se estivesse lavando panela engordurada. A Pedra Hume aprecia movimentos suaves, quase cerimoniais, como quem pede licença antes de entrar. Passe-a com calma, sem pressão, permitindo que ela faça seu trabalho ancestral de fechar pequenos cortes, acalmar a pele e, claro, lembrar-lhe de todos os erros cometidos durante o barbear.
Sentiu arder? Excelente. Está funcionando.
Sentiu arder demais? Parabéns, você exagerou.
Após a aplicação, recomenda-se lavar o rosto com água fria ou em temperatura ambiente, removendo os resíduos da pedra e devolvendo à pele um mínimo de dignidade e conforto. Somente depois desse ritual é que se deve prosseguir com o pós-barba de sua preferência, se voce assim achar cabível.
Em seguida, enxágue bem a pedra em água corrente, removendo os vestígios de sangue, sabão e arrependimentos. Deixe-a secar naturalmente, longe de umidade excessiva. Guardá-la molhada é pedir para que ela se dissolva lentamente, como a dignidade de quem insiste em não estudar as maravilhas do barbear classico.
Quanto à conservação, trate-a com o mínimo de civilidade: nada de quedas no chão, pois a Pedra Hume se estilhaça com a mesma facilidade que o ego de um barbeador iniciante. Se cair, ela não perdoa — quebra, lasca e ainda o julga em silêncio.
Por fim, lembre-se: a Pedra Hume não substitui técnica, lâmina decente ou bom senso. Ela é apenas a testemunha silenciosa dos seus acertos… e a cruel narradora dos seus deslizes.
Fica aqui o conselho, o aviso e a bênção final: use com moderação, conserve com cuidado e jamais subestime o poder desse pequeno bloco de sal vingativo.
singelos cumprimentos, MB.
Venho, por meio deste respeitável espaço de erudição, discorrer sobre a nobilíssima Pedra Hume, esse pequeno artefato alquímico que divide opiniões, provoca caretas e, quando mal utilizado, gera traumas dignos de sessão terapêutica.
Antes de tudo, é preciso compreender: a Pedra Hume não é um tijolo, tampouco uma lixa industrial, embora em mãos inexperientes ela se esforce bastante para parecer ambas as coisas. Seu uso requer parcimônia, delicadeza e, sobretudo, respeito mútuo entre a pedra e a epiderme.
Primeira e fundamental regra: a Pedra Hume deve ser levemente umedecida. Enfatizo o “levemente”. Não é banho, não é mergulho, não é batismo por imersão. Água demais transforma o momento em sofrimento desnecessário; água de menos, em punição medieval.
Ao aplicá-la no rosto, evite qualquer ímpeto de esfregar como se estivesse lavando panela engordurada. A Pedra Hume aprecia movimentos suaves, quase cerimoniais, como quem pede licença antes de entrar. Passe-a com calma, sem pressão, permitindo que ela faça seu trabalho ancestral de fechar pequenos cortes, acalmar a pele e, claro, lembrar-lhe de todos os erros cometidos durante o barbear.
Sentiu arder? Excelente. Está funcionando.
Sentiu arder demais? Parabéns, você exagerou.
Após a aplicação, recomenda-se lavar o rosto com água fria ou em temperatura ambiente, removendo os resíduos da pedra e devolvendo à pele um mínimo de dignidade e conforto. Somente depois desse ritual é que se deve prosseguir com o pós-barba de sua preferência, se voce assim achar cabível.
Em seguida, enxágue bem a pedra em água corrente, removendo os vestígios de sangue, sabão e arrependimentos. Deixe-a secar naturalmente, longe de umidade excessiva. Guardá-la molhada é pedir para que ela se dissolva lentamente, como a dignidade de quem insiste em não estudar as maravilhas do barbear classico.
Quanto à conservação, trate-a com o mínimo de civilidade: nada de quedas no chão, pois a Pedra Hume se estilhaça com a mesma facilidade que o ego de um barbeador iniciante. Se cair, ela não perdoa — quebra, lasca e ainda o julga em silêncio.
Por fim, lembre-se: a Pedra Hume não substitui técnica, lâmina decente ou bom senso. Ela é apenas a testemunha silenciosa dos seus acertos… e a cruel narradora dos seus deslizes.
Fica aqui o conselho, o aviso e a bênção final: use com moderação, conserve com cuidado e jamais subestime o poder desse pequeno bloco de sal vingativo.
singelos cumprimentos, MB.
