(05-05-2026)Maximus Brow Escreveu: Prezado J. Américo,
vossa observação permanece irrepreensível, quase um farol de lucidez em meio às névoas do entusiasmo consumista. Em minhas andanças por fóruns além-mar, deparei-me com relatos que descrevem tal barbeador como um curioso paradoxo: ostenta o nobre estandarte do pente aberto, mas atua com a mansidão de um cordeiro recém-tosquiado dos closed komb.
E eis que surge o ponto que mais me causou espanto: sua leveza. Não uma leveza honesta, equilibrada como a de um Gillette Tech, mas algo próximo de uma experiência metafísica — um objeto que parece flutuar entre os dedos, como se tivesse receio de assumir qualquer compromisso com a gravidade ou, pior, com a barba que deveria enfrentar. Um instrumento que, ao invés de inspirar firmeza, sugere delicadeza excessiva, quase pedindo desculpas antes de tocar o rosto. um carrasco que, antes de cumprir sua função, inclina a cabeça, pede desculpas pela inconveniência e segura o machado com tanto constrangimento que quase se convence a não executar ninguém — uma figura cuja própria natureza nega o ato que deveria definir sua existência
Como sou adepto confesso da sensação da lâmina e aprecio barbeadores com personalidade mais incisiva, optei pelo Parker 48R — este sim, um artefato que não se envergonha de sua própria existência. Pesado, sólido, quase insolente em sua robustez, como se dissesse: “vim para trabalhar e incetar medo em quem me manipula.
Considerando ainda que já possuo um respeitável arsenal de open combs — Gillette Old Type, Gillette New BR, Gillette ABC, Gillette New Regent e o sempre destemido Muhle R41 — todos com desempenho que beira o entusiasmo, pareceu-me que o Merkur 15C (ou seu irmão 25C) talvez me oferecesse mais contemplação estética do que satisfação prática.
Dizei-me, se vos aprouver: tendes vós experiência com outros pente aberto? Pois não deixa de ser curioso — quase uma contradição filosófica — que um instrumento concebido para ser mais agressivo venha com a promessa de suavidade exemplar. É como anunciar, com toda a pompa, um Fusca com alma de Ferrari… uma ideia encantadora, sem dúvida, mas que desafia as leis mais básicas da realidade mecânica.
E assim, após estas divagações talvez mais longas do que necessárias, retiro-me com a dignidade possível. Quando o Parker finalmente estiver em minhas mãos, retornarei para relatar, com a devida franqueza, se ele honra ou não as expectativas que ora deposito sobre suas formas metálicas.
Com respeitosos cumprimentos,
MB
Maximus,
Agradeço pelos gentis comentários. Para não alongar tanto o tema nesse tópico e permitir que seja retomado o foco dele (oportunidades), vou responder mais diretamente a alguns pontos de sua última mensagem e em seguida inicio um novo tópico para falarmos um pouco mais sobre o Merkur 15C ou barbeadores de pente aberto em geral.
Eu também considero que ter a lâmina em contato mais direto com a pele é quase essencial, foi a sensação que mais ficou a desejar no primeiro uso do Merkur 15C. Uma moderada decepção. Hoje usei ele com uma lâmina Bic e gostei mais, também certamente com o fator de começar a me acostumar com o aparelho em si.
Tenho outros 2 barbeadores de pente aberto: um R41, na versão mais simples em liga cromada e um antigo que acompanhou outro barbeador em uma compra de leilão. Este eu nunca usei, está com as guarnições laterias tortas e quero tentar alguma forma de alinhamento antes de tentar usar. O R41 é realmente tudo que se fala dele, a geometria deixa a lâmina agir muito livremente e com isso vem o risco de se cortar. Mas, para mim, é um barbeador interessante para se usar eventualmente.
