Pablo Marçal, Queratina e Espartanos: a resistência da barba.

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Pablo Marçal, Queratina e Espartanos: a resistência da barba.

Existe uma crueldade biológica que a ciência ainda não explicou direito: justamente os pelos que gostaríamos de eliminar se tornam cada vez mais resistentes, enquanto os que gostaríamos de manter simplesmente vão embora, como o nosso primeiro amor.

A vilã atende pelo nome de queratina. Eu sei, parece nome de tia-avó que reclama do volume da televisão e carrega uma Tele Sena na bolsa. Mas trata-se de uma proteína extremamente resistente, presente nos cabelos, nas unhas e, aparentemente, nas garras do Wolverine.

Mas a barba não se contenta em ser dura. Ela também cresce em todas as direções possíveis. Alguns fios descem, outros sobem, alguns apontam para a orelha e certos exemplares parecem tentar voltar para dentro da pele apenas por diversão.

O folículo piloso define a direção do crescimento: o pelo no pescoço pode ir contra o da mandíbula. No queixo, às vezes, nem a própria barba sabe para onde está crescendo.

E você se olha no espelho e pensa: "Cara, como minha barba consegue crescer em oito direções diferentes?" Em algum ponto da árvore genealógica deve ter existido um viking, um lenhador canadense ou quem sabe um cão São Bernardo.

É justamente por isso que muita gente sofre no barbear. A pessoa compra uma lâmina nova, um sabão caro e um pincel bonito do AliExpress, mas enfrenta uma barba que acordou decidida a defender o território. São pequenos guerreiros espartanos entrincheirados no rosto, gritando "Aú! Aú! Aú!" toda vez que o barbeador se aproxima.

A boa notícia é que a queratina pode ser convencida a cooperar com água morna, um bom banho antes do barbear, shampoo e condicionador. A água penetra na estrutura do pelo e reduz parte da rigidez.

Caro forista, a barba dura não é sinal de masculinidade extrema. É apenas a natureza dizendo: "Vamos ver o quanto ele realmente gosta de se barbear."

E aqui entra a famosa rotina pré-barba. Isso não é frescura de fórum nem invenção de youtuber famosinho. Basta assistir a alguns vídeos gringos: os caras sempre estão com uma toalha quente ou molhando o rosto com água quente antes do barbear.

O problema é que nós moramos em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Na maior parte do Brasil, praticamente ninguém tem água quente na pia do banheiro. Nossos amigos do Sul, que enfrentam temperaturas baixíssimas no inverno, talvez entendam melhor essa necessidade.

E não faz sentido algum você tomar um banho quente, amolecer a barba e, em seguida, jogar água gelada no rosto para iniciar o barbear.

Um bom banho quente, com shampoo e condicionador na barba, já é suficiente para transformar um fio que parecia algo tão inabalável quanto o ego do Pablo Marçal em algo muito mais dócil e flexível.

No meu caso, o que aprendi nesses anos, e que funciona muito bem para mim, é o seguinte: tomo banho, lavo o cabelo com shampoo e passo o mesmo shampoo na barba. Depois, vou para o condicionador e faço exatamente a mesma coisa. Aplico no cabelo e na barba, deixo agir por dois ou três minutos, enxáguo, termino o banho e então vou fazer a barba.

E não estou falando de shampoo ou condicionador caros próprios para barba. Estou falando daquele que você usa na cabeça mesmo. Afinal, a queratina presente no cabelo, nas unhas e na barba é praticamente a mesma.

Isso tem ajudado muito a amolecer os pelos. No meu caso, a diferença foi enorme. Os fios ficam mais macios, a lâmina trabalha melhor e o barbear se torna muito mais confortável.

E isso ajuda até no desempenho de lâminas medianas. Nos meus últimos barbeares, por exemplo, estou usando uma Mister Barba, que não está entre as lâminas mais afiadas do mercado. Mesmo assim, ela tem se mostrado bastante eficiente com a ajuda desse protocolo de pré-barba.

Pode não funcionar para todo mundo, mas vale a experiência.

E, por favor, pare de jogar água gelada no rosto antes de iniciar o barbear. Se você está enfrentando um verão sul-africano, tudo bem. Mas, em temperaturas normais, evite isso.

No fim das contas, o barbear tradicional é uma guerra diária. De um lado, você. Do outro, milhares de fios de queratina que passaram a noite inteira planejando um motim.

E quando finalmente termina o barbear sem cortes, sem irritação e com aquele rosto lisinho, você percebe que não venceu a guerra.

Você apenas venceu uma batalha. Pequena. Temporária.

Porque amanhã cedo, enquanto você ainda estiver tomando café, aqueles pequenos guerreiros espartanos já estarão novamente em seus postos, gritando "Aú! Aú! Aú!", afiando suas espadas e preparando mais um dia de resistência.

E você, como todo praticante do barbear tradicional, retornará ao campo de batalha na manhã seguinte, porque a barba não conhece tréguas, não aceita acordos e, aparentemente, desconhece completamente o conceito de derrota.

Abs,
Igor
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  • Jairo, João Clodoaldo., RuasMensGrooming, thony

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Pablo Marçal, Queratina e Espartanos: a resistência da barba. - por Maximus Brow - 25-06-2026



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