Prezado conviva Stenio,
Agora que Vossa Senhoria concluiu, com absoluto êxito, a venda do Rockwell C2, imagino que o valor obtido já esteja devidamente inserido em um sólido planejamento financeiro, desses que qualquer consultor do mercado recomendaria. Talvez aplicado em um investimento de alta rentabilidade, talvez reservado para aquela tão sonhada viagem com a patroa ou, quem sabe, destinado à troca da casinha do cachorro, em um admirável gesto de responsabilidade.
...Ou não.
Porque convenhamos: o cenário mais provável é que esse dinheiro já esteja a caminho da conta bancária de algum vendedor de Gillette vintage que, graças ao senhor, provavelmente já esteja planejando as próximas férias.
Um belo Old Type, um Super Speed, aquele Tech inglês de cabo largo... as possibilidades são praticamente infinitas para quem já foi definitivamente fisgado pelo vírus dos Gillette antigos.
Arrisco dizer que o ilustre conviva deve ter passado boa parte da madrugada vasculhando anúncios, comparando datas de fabricação, acabamentos, estojos e preços, enquanto, para a patroa, a versão oficial era algo como: "Estou pesquisando investimentos", "Analisando formas de aplicar melhor o dinheiro" ou "Estudando economia". Tecnicamente, não deixa de ser verdade. Apenas omite o pequeno detalhe de que o ativo em questão tem entre 70 e 100 anos de idade.
A essa altura, a sequência dos acontecimentos já é conhecida por todos.
Primeiro vem o clássico: "Essa será a última."
Depois: "Essa eu ainda não tenho."
Em seguida: "Esse preço não aparece todo dia."
Logo depois: "É investimento... essas máquinas só valorizam."
E, quando menos se espera, mais uma caixinha dos Correios chega à porta, pronta para receber um caloroso acolhimento dos demais irmãos vintage da coleção.
Sua paixão pelos antigos Gillette já ultrapassou, há muito tempo, a fase de hobby. Hoje ela pode ser descrita como uma condição crônica, estável e aparentemente irreversível.
Meus sinceros parabéns pela venda do Rockwell... e boa sorte na árdua missão de convencer a si mesmo de que, desta vez, você realmente não vai comprar outra máquina.
abs,
Igor.
Agora que Vossa Senhoria concluiu, com absoluto êxito, a venda do Rockwell C2, imagino que o valor obtido já esteja devidamente inserido em um sólido planejamento financeiro, desses que qualquer consultor do mercado recomendaria. Talvez aplicado em um investimento de alta rentabilidade, talvez reservado para aquela tão sonhada viagem com a patroa ou, quem sabe, destinado à troca da casinha do cachorro, em um admirável gesto de responsabilidade.
...Ou não.
Porque convenhamos: o cenário mais provável é que esse dinheiro já esteja a caminho da conta bancária de algum vendedor de Gillette vintage que, graças ao senhor, provavelmente já esteja planejando as próximas férias.
Um belo Old Type, um Super Speed, aquele Tech inglês de cabo largo... as possibilidades são praticamente infinitas para quem já foi definitivamente fisgado pelo vírus dos Gillette antigos.
Arrisco dizer que o ilustre conviva deve ter passado boa parte da madrugada vasculhando anúncios, comparando datas de fabricação, acabamentos, estojos e preços, enquanto, para a patroa, a versão oficial era algo como: "Estou pesquisando investimentos", "Analisando formas de aplicar melhor o dinheiro" ou "Estudando economia". Tecnicamente, não deixa de ser verdade. Apenas omite o pequeno detalhe de que o ativo em questão tem entre 70 e 100 anos de idade.
A essa altura, a sequência dos acontecimentos já é conhecida por todos.
Primeiro vem o clássico: "Essa será a última."
Depois: "Essa eu ainda não tenho."
Em seguida: "Esse preço não aparece todo dia."
Logo depois: "É investimento... essas máquinas só valorizam."
E, quando menos se espera, mais uma caixinha dos Correios chega à porta, pronta para receber um caloroso acolhimento dos demais irmãos vintage da coleção.
Sua paixão pelos antigos Gillette já ultrapassou, há muito tempo, a fase de hobby. Hoje ela pode ser descrita como uma condição crônica, estável e aparentemente irreversível.
Meus sinceros parabéns pela venda do Rockwell... e boa sorte na árdua missão de convencer a si mesmo de que, desta vez, você realmente não vai comprar outra máquina.
abs,
Igor.
