Um sabão da 2ª Guerra Mundial ainda faz espuma?

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Um sabão da 2ª Guerra Mundial ainda faz espuma?

Quem gosta de barbear clássico normalmente acaba acumulando alguns cremes e sabões de barbear. Um aroma para o inverno, outro para os dias quentes, um importado, um artesanal, um clássico... e, quando percebemos, já temos uma pequena coleção.

Mas aí surge uma dúvida muito comum: afinal, cremes e sabões de barbear estragam?

A resposta é sim. Eles podem estragar. Porém, a boa notícia é que, quando armazenados corretamente, muitos deles podem durar muito mais tempo do que a maioria das pessoas imagina.

Na verdade, o maior inimigo de um creme ou sabão de barbear quase nunca é o tempo. São a umidade, a luz, o calor e a oxidação.

Os sabões de barbear costumam ser os campeões em durabilidade. Como possuem pouca umidade em sua composição, tendem a resistir muito bem ao passar dos anos. Já os cremes, por conterem uma quantidade maior de água, merecem um pouco mais de atenção, pois podem ressecar, separar seus componentes ou, em situações de armazenamento inadequado, desenvolver fungos e bactérias.

Também vale lembrar que a própria composição influencia nessa estabilidade. A base de um sabão tradicional, formada principalmente pela reação entre gorduras e álcalis, costuma ser extremamente estável. Em muitos casos, fragrâncias, óleos essenciais e outros ingredientes aromáticos sofrem alterações antes que a base do sabão propriamente dita apresente qualquer problema.

E essa longa durabilidade não é apenas teoria.

Em fóruns internacionais de barbear clássico, como o Badger & Blade, existem dezenas de relatos de colecionadores que utilizaram produtos fabricados durante a década de 1940 — em plena Segunda Guerra Mundial — e até mesmo anteriores, produzindo espuma normalmente após décadas de armazenamento.

Um dos casos mais conhecidos é o de um creme Palmolive da década de 1940, utilizado e avaliado por um membro do fórum, que relatou excelente desempenho mesmo após tantos anos. Há também relatos de bastões de sabão Colgate produzidos nas décadas de 1920 e 1930 que permaneceram perfeitamente utilizáveis.

Embora esses relatos não constituam estudos científicos controlados, eles representam a experiência prática de inúmeros colecionadores ao longo de muitos anos e ajudam a demonstrar como esses produtos podem surpreender quando são bem conservados.

Mas então por que quase todos possuem uma validade relativamente curta na embalagem?

No Brasil, a ANVISA estabelece as regras para a rotulagem e para a determinação do prazo de validade dos cosméticos. Na prática, muitos fabricantes adotam períodos próximos de dois anos, durante os quais garantem oficialmente todas as características do produto.

O mesmo acontece com perfumes, cremes, loções e diversos outros cosméticos.

Na prática, porém, isso não significa que o produto deixará de funcionar imediatamente após essa data.

Anos atrás, participei de uma loja em São Paulo especializada em produtos para artesanato, essências, fixadores e matérias-primas para perfumaria. Certa vez, conversei com o químico responsável pela empresa sobre a durabilidade das essências.

Nunca esqueci a resposta dele:

"Se você mantiver a essência protegida da luz solar direta e armazenada corretamente, ela pode durar muitos e muitos anos."

Essa explicação ajuda a entender por que o armazenamento faz tanta diferença.

Você já reparou que muitos perfumes importados são vendidos em frascos de vidro âmbar ou em embalagens mais escuras? O mesmo acontece com diversos uísques de qualidade, que normalmente são engarrafados em garrafas de vidro escurecido e, quando expostos nas prateleiras, costumam permanecer dentro de suas caixas. Tudo isso ajuda a reduzir a incidência da luz sobre o produto durante o armazenamento.

Isso não é apenas uma escolha estética.

O vidro escurecido ajuda a bloquear parte da radiação ultravioleta e da luz visível, reduzindo a oxidação e preservando melhor as características do produto ao longo do tempo. O mesmo princípio é utilizado em medicamentos, óleos essenciais e diversos produtos sensíveis à luz.

Com os cremes e sabões de barbear acontece exatamente a mesma coisa: quanto menor a exposição à luz, ao calor, à umidade e ao oxigênio, maior tende a ser sua vida útil.

Alguns cuidados simples podem fazer toda a diferença:

• Guarde os produtos em local fresco, seco e protegido da luz solar direta.

• Feche bem a embalagem logo após o uso.

• Sempre que possível, retire o produto com uma espátula ou com as mãos limpas.

• Evite deixar água acumulada sobre o sabão após o barbear. Se necessário, deixe-o secar por alguns minutos antes de fechar a tampa.

• Evite guardar seus produtos em locais excessivamente úmidos ou sujeitos a grandes variações de temperatura.

E como saber quando um produto realmente chegou ao fim de sua vida útil?

Alguns sinais costumam indicar que é hora de descartá-lo:

• Odor rançoso ou muito diferente da fragrância original.

• Mudança acentuada de cor.

• Presença de mofo.

• Separação excessiva dos componentes, sem possibilidade de homogeneização.

• Alteração importante da textura.

Na ausência desses sinais, não é incomum encontrar produtos antigos que continuam oferecendo excelente desempenho.

Ainda assim, pessoas com pele muito sensível devem ter cautela ao utilizar cosméticos extremamente antigos, especialmente quando não se conhece a forma como foram armazenados ao longo dos anos.

Podemos fazer uma comparação interessante.

Existem alimentos e bebidas que evoluem positivamente com o passar do tempo quando armazenados corretamente. Um bom exemplo são alguns uísques, que permanecem protegidos da luz em garrafas escuras e, muitas vezes, dentro de suas caixas durante anos. Evidentemente, um sabão de barbear é um produto completamente diferente, mas o princípio da conservação é semelhante: quando protegido da luz, do calor, da umidade e da oxidação, o tempo deixa de ser o principal responsável pela deterioração.

No fim das contas, talvez a maior lição seja esta:

Um bom creme ou sabão de barbear não envelhece apenas com o calendário. Ele envelhece, principalmente, conforme a maneira como foi cuidado.

É por isso que não é raro encontrar verdadeiros veteranos de décadas passadas ainda produzindo uma espuma excelente, enquanto produtos muito mais novos acabam sendo perdidos simplesmente por terem sido armazenados de forma inadequada.

E você?

Qual é o creme ou sabão de barbear mais antigo da sua coleção que ainda está em uso?

Se tiver alguma história interessante sobre um produto antigo que continua funcionando perfeitamente, compartilhe aqui no tópico. Tenho certeza de que será muito interessante conhecer esses verdadeiros veteranos que continuam proporcionando excelentes barbeares mesmo depois de tantos anos.

abs,

Igor.
2 curtida(s) para esse Post:
  • Jairo, thony
Eu tenho vários sabões com mais de dez anos em uso, que uso rm rotação e todos mantém suas características de espumabilidade e aroma. Tomo o cuidado de deixa Los secando após o uso .
Já loções nao tem como ter antigaa pq gasto bastante, atualmente tenho 6 na rotação.
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  • Jairo



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