BARBEARIA: UM EXERCÍCIO de Pura FÉ
Pergunta sincera para o pessoal do fórum:
Alguém aqui ainda faz a barba em barbearia?
Eu fiz.
Uma única vez.
E não gostei muito da experiência.
Não porque o barbeiro tenha feito um trabalho ruim. Pelo contrário. O sujeito sabia o que estava fazendo, conhecia seu ofício.
O problema era outro:
eu estava completamente fora do controle.
E descobri que isso muda tudo.
É mais ou menos como quando você era criança e pegava carona na bicicleta de outro coleguinha.
Se você está pedalando, tudo certo.
Você conhece o caminho, controla a velocidade, sabe quando vai frear e, principalmente, sabe o que está prestes a acontecer na próxima curva.
Agora experimente sentar na garupa.
Você não está pedalando.
Não está controlando a direção.
Não sabe exatamente quando a bicicleta vai virar.
E, naquele momento, aquela pequena descida que antes parecia divertida começa a parecer uma decisão questionável da sua infância.
Com a barba foi exatamente assim.
Eu estava sentado.
O barbeiro com uma navalha na mão.
E a minha única função era...
confiar.
Confiar que ele não ia escorregar.
Confiar que ele não ia pressionar demais.
Confiar que aquela navalha estava exatamente onde deveria estar.
Confiar que o sujeito tinha tomado café, tinha os boletos quitados e estava tendo um excelente dia. E, principalmente, que a esposa não havia dormido de calça jeans na noite anterior.
E foi aí que percebi uma coisa:
barbear-se sozinho é uma atividade prazerosa.
Fazer a barba com outra pessoa é um exercício de fé.
E nós, que gostamos de escolher o barbeador, a lâmina, o sabão, a espuma, o pincel, a preparação, o ângulo e até a pressão...
De repente estamos ali:
sentados, imóveis, entregando o pescoço para um desconhecido e fingindo que estamos completamente tranquilos.
Com o rosto quase tão impassível quanto o de um jogador de pôquer profissional.
Eu, que sou um cara bem falante por natureza, não dei um único pio antes, durante ou depois do processo...
Eu estava apavorado para não distrair o homem com a navalha...
Quando a lâmina tocou meu rosto, automaticamente meu cérebro iniciou um longo monólogo sobre todas as minhas decisões questionáveis...
A principal delas foi: mas por que raios você teve esta ideia imbecil de fazer a barba numa barbearia?
Minha mente ainda me traiu e me torturou com várias imagens do cara errando o ângulo... dando uma vacilada na pressão...
E naquela tarde simplesmente entreguei meu rosto para outra pessoa tomar todas as decisões.
Foi a primeira e última vez.
Nada contra os barbeiros.
É uma questão de princípio.
Eu descobri que gosto de fazer a barba porque, no fundo, não quero apenas o resultado.
Eu quero estar no comando da operação.
Porque se alguma coisa der errado...
Pelo menos fui eu que fiz a besteira.
Agora me digam, os vossos senhores, já foram a uma barbearia?
Ainda vão a um barbeiro?
O que acham do processo como um todo?
Abs,
Igor.
Pergunta sincera para o pessoal do fórum:
Alguém aqui ainda faz a barba em barbearia?
Eu fiz.
Uma única vez.
E não gostei muito da experiência.
Não porque o barbeiro tenha feito um trabalho ruim. Pelo contrário. O sujeito sabia o que estava fazendo, conhecia seu ofício.
O problema era outro:
eu estava completamente fora do controle.
E descobri que isso muda tudo.
É mais ou menos como quando você era criança e pegava carona na bicicleta de outro coleguinha.
Se você está pedalando, tudo certo.
Você conhece o caminho, controla a velocidade, sabe quando vai frear e, principalmente, sabe o que está prestes a acontecer na próxima curva.
Agora experimente sentar na garupa.
Você não está pedalando.
Não está controlando a direção.
Não sabe exatamente quando a bicicleta vai virar.
E, naquele momento, aquela pequena descida que antes parecia divertida começa a parecer uma decisão questionável da sua infância.
Com a barba foi exatamente assim.
Eu estava sentado.
O barbeiro com uma navalha na mão.
E a minha única função era...
confiar.
Confiar que ele não ia escorregar.
Confiar que ele não ia pressionar demais.
Confiar que aquela navalha estava exatamente onde deveria estar.
Confiar que o sujeito tinha tomado café, tinha os boletos quitados e estava tendo um excelente dia. E, principalmente, que a esposa não havia dormido de calça jeans na noite anterior.
E foi aí que percebi uma coisa:
barbear-se sozinho é uma atividade prazerosa.
Fazer a barba com outra pessoa é um exercício de fé.
E nós, que gostamos de escolher o barbeador, a lâmina, o sabão, a espuma, o pincel, a preparação, o ângulo e até a pressão...
De repente estamos ali:
sentados, imóveis, entregando o pescoço para um desconhecido e fingindo que estamos completamente tranquilos.
Com o rosto quase tão impassível quanto o de um jogador de pôquer profissional.
Eu, que sou um cara bem falante por natureza, não dei um único pio antes, durante ou depois do processo...
Eu estava apavorado para não distrair o homem com a navalha...
Quando a lâmina tocou meu rosto, automaticamente meu cérebro iniciou um longo monólogo sobre todas as minhas decisões questionáveis...
A principal delas foi: mas por que raios você teve esta ideia imbecil de fazer a barba numa barbearia?
Minha mente ainda me traiu e me torturou com várias imagens do cara errando o ângulo... dando uma vacilada na pressão...
E naquela tarde simplesmente entreguei meu rosto para outra pessoa tomar todas as decisões.
Foi a primeira e última vez.
Nada contra os barbeiros.
É uma questão de princípio.
Eu descobri que gosto de fazer a barba porque, no fundo, não quero apenas o resultado.
Eu quero estar no comando da operação.
Porque se alguma coisa der errado...
Pelo menos fui eu que fiz a besteira.
Agora me digam, os vossos senhores, já foram a uma barbearia?
Ainda vão a um barbeiro?
O que acham do processo como um todo?
Abs,
Igor.
