Entre hype, decepções e unicórnios: minha jornada no barbear clássico

14 Respostas, 1100 Views

Prezado Thomas,

É invejável o seu controle emocional e a sua disciplina financeira ao longo das suas manifestações e decisões. Em um hobby em que é muito fácil se deixar levar por impulsos, principalmente quando surgem oportunidades interessantes e peças raras, manter esse nível de racionalidade não é algo comum. Esse tipo de postura tende a fazer diferença não só na coleção em si, mas na forma como ela se sustenta ao longo do tempo, sem excessos ou decisões precipitadas.

Quanto ao Apolo Mikron, trata-se de uma peça pertencente a um colecionador particular do Rio de Janeiro, conhecido no meio por manter um acervo bastante cuidadoso de aparelhos clássicos e raridades. É um item que raramente aparece disponível, justamente por estar inserido nesse tipo de coleção mais fechada e criteriosa.

No mais, segue apenas uma observação para uma possível aquisição:

O Apolo Mikron é feito em liga de zinco em seus componentes internos. O aparelho é inteiramente desmontável e tem como natureza ser uma máquina de duas peças. Quando for adquirir um exemplar deste, certifique-se de que as partes internas não apresentam sinais de corrosão.

Um grande abraço,
MB
5 curtida(s) para esse Post:
  • Billy, Joao Americo, RuasMensGrooming, Thomas, thony
Fiquei alguns dias sem poder dedicar o tempo suficiente para responder a essas reflexões tão elaboradas de nosso colega Igor (mas lendo, sempre). Estou voltando às postagens mais antigas para contribuir com meus comentários nessas primeiro.

Para mim, o cenário que temos localmente determina o que podemos podemos comprar e o que beira o limite do impossível. Além dos preços, a disponibilidade é o grande problema por aqui. Se não fosse a dificuldade de simplesmente encontrar um modelo desejado à venda, as questões fossem talvez limitadas a estado de conservação (para os barbeadores vintage) e preço (para vintage e novos).

Acompanhando as discussões em inglês, é comum encontrar fóruns com mensagens de entusiastas que encontram barbeadores vintage em estado de novo, vendidos por valores razoáveis. E, para quem não tiver paciência de esperar por uma oportunidade, há vendedores especializados que oferecem algumas opções desses barbeadores. Evidentemente, uma raridade como o Sheraton de que comenta o Maximus teria menor disponibilidade e preço proporcionalmente mais alto – mas entendo que essa é a exceção que confirma a regra. No meu caso, me contentaria com algo simples como um dos Tech pré-guerra fabricado na Inglaterra ou um Monotech Flare Tip. Se fossem fáceis de encontrar por aqui, e pelos valores de vintage praticados nos países onde eles existem em abundância, a essa altura eu provavelmente já teria alguns de cada, blue tip, red tip e sabe-se lá qual outra variação a mais eu pudesse encontrar.

Quanto aos novos, a diversidade disponível fora do Brasil também é impressionante. Em teoria podemos comprar dessas mesmas fontes, arcando com os custos de frete e impostos, mas com isso a conta fica muito alta. Se não fosse isso, teria alguns alvos atingíveis na faixa dos 100-200 dólares e poderia reunir a coragem necessária para comprar alguns deles de tempos em tempos.

Dito isto, e sendo realista, não tenho atualmente muitos barbeadores que mantenho em minha lista de desejos – sempre considerando que teriam que ser comprados em alguma viagem ou encomendados online com apoio de alguém que esteja viajando para trazer como item de bagagem comum. São eles: o Tatara de 3 peças (Nodachi ou Masamuni), o Blackland Blackbird e o R41 em aço inox, nessa ordem.
2 curtida(s) para esse Post:
  • Maximus Brow, Thomas
Prezado João,

É muito bom tê-lo novamente aqui no fórum.

Seus apontamentos são de grande importância para aqueles que desejam adquirir alguma peça vintage. Experiências como as suas ajudam muitos confrades a evitar armadilhas e fazer escolhas mais conscientes.

De fato, se você tem paciência — algo cada vez mais raro entre nós, seres humanos — consegue encontrar excelentes peças por preços bastante razoáveis. Por outro lado, quando colocamos na cabeça que precisamos de um determinado vintage ou de algum modelo moderno vendido apenas por esta ou aquela loja, acabamos pagando mais do que gostaríamos.

Eu mesmo, quando comprei meu R41, paguei pouco menos de 300 reais. Outro dia vi um confrade anunciando um exemplar usado por mais de 400.

Parece que estamos assistindo ao mesmo fenômeno que ocorreu com os carros usados. Hoje em dia, algumas peças parecem sofrer o efeito contrário da depreciação: quanto mais antigas ficam, mais valorizadas se tornam. Confesso que é um fenômeno que ainda me surpreende, especialmente quando vemos determinados modelos sendo anunciados por valores que ninguém imaginaria pagar alguns anos atrás.

Lendo sua mensagem sobre o Tech pré-guerra, gostaria de comentar que possuo um Tech pós-guerra com estojo original, em excelente estado de conservação. O meu tem o cabo Fat Handle estriado e, entre todos os meus barbeadores suaves, é provavelmente o que mais gosto de utilizar.

Em termos de desempenho, ele dá uma verdadeira aula ao King C. Gillette. Embora, para ser justo, isso não seja exatamente uma tarefa difícil. Na minha opinião, o KCG foi uma das maiores decepções que já tive com um barbeador moderno. Não é um aparelho ruim, mas está longe de justificar todo o entusiasmo que costuma despertar.

O que mais me impressiona é que um projeto com mais de sete décadas de existência continue competindo de igual para igual — e muitas vezes superando — aparelhos modernos vendidos como o estado da arte do barbear.

E seguimos assim, amigo: perseguindo os unicórnios do colecionismo, encontrando alguns pelo caminho e aprendendo que, às vezes, aquela peça que aparece sem grandes pretensões acaba se tornando uma das favoritas da coleção.

Um grande abraço,

Igor
1 curtida(s) para esse Post:
  • thony
(09-06-2026)Maximus Brow Escreveu: Prezado João,

É muito bom tê-lo novamente aqui no fórum.

Seus apontamentos são de grande importância para aqueles que desejam adquirir alguma peça vintage. Experiências como as suas ajudam muitos confrades a evitar armadilhas e fazer escolhas mais conscientes.

De fato, se você tem paciência — algo cada vez mais raro entre nós, seres humanos — consegue encontrar excelentes peças por preços bastante razoáveis. Por outro lado, quando colocamos na cabeça que precisamos de um determinado vintage ou de algum modelo moderno vendido apenas por esta ou aquela loja, acabamos pagando mais do que gostaríamos.

Eu mesmo, quando comprei meu R41, paguei pouco menos de 300 reais. Outro dia vi um confrade anunciando um exemplar usado por mais de 400.

Parece que estamos assistindo ao mesmo fenômeno que ocorreu com os carros usados. Hoje em dia, algumas peças parecem sofrer o efeito contrário da depreciação: quanto mais antigas ficam, mais valorizadas se tornam. Confesso que é um fenômeno que ainda me surpreende, especialmente quando vemos determinados modelos sendo anunciados por valores que ninguém imaginaria pagar alguns anos atrás.

Lendo sua mensagem sobre o Tech pré-guerra, gostaria de comentar que possuo um Tech pós-guerra com estojo original, em excelente estado de conservação. O meu tem o cabo Fat Handle estriado e, entre todos os meus barbeadores suaves, é provavelmente o que mais gosto de utilizar.

Em termos de desempenho, ele dá uma verdadeira aula ao King C. Gillette. Embora, para ser justo, isso não seja exatamente uma tarefa difícil. Na minha opinião, o KCG foi uma das maiores decepções que já tive com um barbeador moderno. Não é um aparelho ruim, mas está longe de justificar todo o entusiasmo que costuma despertar.

O que mais me impressiona é que um projeto com mais de sete décadas de existência continue competindo de igual para igual — e muitas vezes superando — aparelhos modernos vendidos como o estado da arte do barbear.

E seguimos assim, amigo: perseguindo os unicórnios do colecionismo, encontrando alguns pelo caminho e aprendendo que, às vezes, aquela peça que aparece sem grandes pretensões acaba se tornando uma das favoritas da coleção.

Um grande abraço,

Igor

Igor, faço alguns comentários em relação ao King C Gillette: talvez você tenha contado, em algum outro tópico, sobre ter usado um R89 ou DE89 e como você os compara com o KCG. A história deles você contou muito bem em um post dedicado, mas não me lembro de ler suas impressões práticas.

Tenho entendido que o KCG segue muito o projeto desses dois barbeadores. Lendo as discussões mais recentes eu fiz o teste de comparação entre o KCG e o R89, em um mesmo barbear -- mesma lâmina, trocando de barbeador, um lado do rosto com um. Não senti diferença que possa comentar. Mas sabemos que cada experiência é muito particular.

A diferença que poderia apontar é de equilíbrio, o cabo do KCG me parece mais pesado (comparando com o R89, não tenho um DE89), ao mesmo tempo que tem acabamento mais liso. Eu neutralizei esse fator no teste, usendo o mesmo cabo com ambos.

Poderiam ser estes, em sua opinião, os pontos fracos do KCG -- o cabo e o equilíbrio do conjunto?
1 curtida(s) para esse Post:
  • Maximus Brow
Prezado João Américo,

Infelizmente não posso fazer essa comparação porque não possuo nem o DE89 nem o R89. Tenho apenas o King C. Gillette.

Particularmente, gosto bastante do peso, do acabamento e da qualidade de construção da peça. Para mim, esses são pontos muito positivos.

O meu "pênalti" com essa máquina está em outros aspectos: considero ela suave demais e não me adaptei muito ao ângulo do cabeçal. É justamente aí que sinto que ela perde desempenho.

Eu costumo compará-la com as opções mais acessíveis que temos no mercado. Na minha experiência, tanto o SuperBarba Metal Gold de primeira geração quanto o Gillette Blue Blades são bem mais efetivos. Da mesma forma, os meus outros Techs — um inglês e o de cabo de alumínio de 1977 — entregam um barbear mais eficiente do que a máquina mais nova da Gillette.

Ao meu ver, e isso é apenas uma opinião pessoal, a Gillette desenvolveu o King C. Gillette para ser uma safety razor bastante suave. Faz sentido do ponto de vista comercial: seria difícil lançar uma máquina muito eficiente quando as lâminas de reposição custam apenas uma fração do preço dos cartuchos modernos. A impressão que tenho é que um usuário curioso compra a máquina, experimenta e pensa: "Então é isso que é uma safety razor das antigas? Era isso que o pessoal tanto elogiava?". Depois acaba voltando para o Mach3 porque consegue um resultado mais rente com menos passadas.

Novamente, essa é apenas a minha percepção de uso. Sei que muita gente gosta bastante do KCG e consegue excelentes barbeados com ele, mas, para o meu gosto, existem opções mais eficientes e mais baratas no mercado.

Outro dia estava conversando com o Thonny, e ele também comentou que o KCG não o agradou muito. Segundo ele, o DE89 oferece um desempenho consideravelmente melhor.

Abs.



usuários a ver este tópico: 1 Visitante(s)