Pergunta aos amigos do BTB.

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(08-10-2026)Joao Americo Escreveu: Apesar de que alguns comentários a seguir podem ser vistos como positivos em relação ao fabricante, não é minha intenção advogar em favor da Gillette  Big Grin

Indo muito diretamente a alguns pontos que eu considero relevantes nessa discussão:

A Gillette literalmente conduziu a mudança do modelo tradicional de aparelhos duráveis com lâminas descartáveis para o modelo definido como de cartuchos em plástico, descartáveis ou de barbeadores que são descartáveis por inteiro, cabo e tudo mais. Não me parece que a empresa agora entenderia como ameaça o retorno aos produtos tradicionais. E também não levantariam a bandeira da superioridade da lâmina única frente aos cartuchos, como comentou o Haok.

Mais do que isso, se assim entendesse, a Gillette poderia se posicionar de outra maneira, com modelos diferentes para todos os gostos, em termos de estilo e agressividade. Certamente não faltariam recursos para pesquisa, desenvolvimento e distribuição. Por isso também não me parece que querem defender o território ou terem qualquer competitividade nesse nicho, tendo somente 1 produto.

A questão de que a agressividade moderada teria o propósito de evitar processos judiciais me pasou pela cabeça em algum momento mas eu avaliei como pouco sustentável também considerando que eles vendem as lâminas, que em si são muito mais perigosas se manuseadas incorretamente. Não sei se caberia um questionamento judicial para um produto em que o risco de corte é inerente, é sua função principal. Todas as empresas vendendo barbeadores agressivos estariam sijeitas aos mesmos processos. Temos ainda como exemplo outra grande corporação que lançou um produto ainda mais agressivo com sua marca, um navalhete > https://www.wilkinsonsword.com/products/the-straight-edge-razor

Aqui podemos aplicar um princípio de lógica que se torna interessante para essa discussão também pela coincidência de termos: uma navalha filosófica, no caso a de Occam (Occam's razor). Por esse princípio, se considera que a explicação mais provável é aquela que necessita de menos suposições para fazer sentido.

Navegando pelo site, que eu já conhecia mas agora com mais atenção para o posicionamento dos produtos, noto que o barbeador KCG faz parte de uma linha particular (specialty) com produtos para cuidados com a barba. As próprias imagens de uso são de um indivídio com barba, fazendo apenas a manutenção do contorno (o verbo utilizado é edging). Nos ícones, ao lado dos textos descritivos mais abaixo, também são representados homens com barba.

Minha conclusão, com base no próprio conteúdo de apresentação da Gillette, é de que se buscou o posicionamento em um nicho, mas não exatamente em nosso nicho (entusiastas de barbeadores tradicionais): o KCG é apresentado como complemento de uma linha de aparadores, shampoos, óleos etc para uam boa manutenção da barba. Eu nunca usei barba mas suponho que para tratar o contorno, um aparelho de cartucho pode ser menos prático pois não têm o fio bem definido. Ser eficiente ou agressivo não seria necessariamente o objetivo maior, tendo isso em mente. E até o preço das lâminas ficaria como uma questão secundária nesse aspecto pois para trabalhar somente no contorno uma lâmina pode durar bastante tempo.

Enfim, essa é só mais uma percepção – fazendo sentido ou não, trocar ideias sobre esse tema é sempre agradável.

Você tocou no ponto nevrálgico, Joao!

Acho que conseguiu amarrar todo o quebra-cabeça: a King C. Gillette não nasceu sob a divisão clássica de Shaving, mas sim dentro da esteira de Beard Care & Grooming.

Olhando sob essa ótica, a mecânica da peça e a escolha conservadora do cabeçote fazem sentido imediato. Para o sujeito que ostenta barba cheia e precisa apenas alinhar as bochechas e limpar o excesso do pescoço (o famoso edging que você bem pontuou), a máquina não precisa de agressividade nem de eficiência para múltiplos passes. Ela precisa apenas de uma guia reta e visível, algo que os cartuchos com cabeçotes plásticos gigantescos e fitas lubrificantes gosmentas realmente dificultam na hora de enxergar o desenho.

Isso explica também o ecossistema de produtos que citei anteriormente: o foco nunca foi a espuma densa com pincel de texugo, mas sim o público do shampoo para barba, do bálsamo e do aparador elétrico.

A beleza de debater com confrades atentos é justamente essa: cada um traz uma lente diferente sobre o tabuleiro corporativo. O Igor trouxe a provocação sobre a retenção de clientes, eu olhei pelo prisma da reação tardia à debandada do mercado durante a pandemia, e você pescou com precisão cirúrgica a segmentação de prateleira da P&G.

No fim das contas, a Navalha de Occam cortou dos dois lados: a Gillette encontrou uma forma simples de vender um produto de nicho para barbudos usando o apelo vintage do fundador, sem precisar assumir o compromisso real de entregar uma máquina para a alta performance que a confraria busca.

Discussão de altíssimo nível, senhores!  Big Grin
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  • Joao Americo, Maximus Brow

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RE: Pergunta aos amigos do BTB. - por Haok - 08-10-2026



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