Entre hype, decepções e unicórnios: minha jornada no barbear clássico

0 Respostas, 41 Views

Caros foristas,

Dizem que o unicórnio é uma criatura mágica, rara, perfeita e praticamente impossível de encontrar.

No barbear clássico, o unicórnio normalmente atende por outro nome: “o próximo barbeador”.

Você compra um razor novo acreditando que finalmente encontrou O aparelho. Aquele que vai unir suavidade de seda, eficiência de espada Gedy, zero irritação, BBS em duas passagens e, se possível, ainda pagar seus boletos e resolver seus problemas emocionais.

Aí você assiste aos reviews no YouTube:
“Game changer.”
“O melhor razor da década.”
“Suave mas eficiente.”
“Eficiência absurda sem agressividade.”

Traduzindo: você já abriu a carteira antes mesmo do vídeo terminar.

E lá vai mais um pacote chegando em casa… seguido de mais uma longa e elucidativa explicação para a patroa sobre por que, desta vez, você finalmente encontrou “o melhor barbeador da sua vida”.

O hobby do barbear clássico às vezes parece exatamente isso: uma eterna caça ao unicórnio cromado.

E falando em unicórnio… existe um aparelho que, para mim, talvez seja O unicórnio definitivo: o Gillette Sheraton de 1937.

Sou completamente maluco para adquirir um desses.

Para quem conhece a história da Gillette, sabe que o Sheraton é uma peça raríssima. Foi fabricado basicamente por apenas um ano, e ao meu ver ele reúne o melhor dos mundos: um TTO open comb. É praticamente a combinação perfeita entre praticidade e eficiência clássica.

Recentemente tive o prazer de conversar com o nosso confrade João Américo, que gentilmente me indicou um leilão onde estavam vendendo uma peça dessas.

E eu vacilei.

Deixei passar.

E quem gosta de barbeadores vintage sabe muito bem: existem oportunidades que aparecem poucas vezes na vida. Depois que passam, você fica olhando para o teto às 2 da manhã se maldizendo e pensando:
“Por que eu não comprei aquele barbeador?”

Depois de algum tempo nisso tudo, comecei a perceber uma coisa curiosa: quantidade não significa satisfação.

Hoje tenho cerca de 20 barbeadores. Já passei por aparelhos vintage, modernos, agressivos, suaves, open comb, closed comb… aquela eterna busca pelo “próximo grande razor”. E, sinceramente? Apenas 3 ou 4 realmente me satisfazem de verdade.

Recentemente tive duas decepções seguidas que me fizeram refletir bastante sobre isso. Comprei o Parker 48R e também o Feather Popular. Ambos tinham ótima reputação, muitos elogios, reviews positivas, vídeos no YouTube… e nenhum deles funcionou bem para mim.

O Feather Popular simplesmente não me agradou. Achei leve demais, sem personalidade, quase sem feedback de lâmina. Já o 48R me decepcionou bastante porque eu esperava uma eficiência muito maior pelo peso e pela construção do aparelho.

E isso me fez perceber algo importante no hobby: gosto pessoal vale muito mais do que hype, marca ou opinião da internet.

Hoje, os aparelhos que realmente me satisfazem continuam sendo:

* Parker 87R
* Mühle R41
* Gillette Old Type
* Parker 55SL

E olhando para eles, percebi um padrão: todos têm alta eficiência. São aparelhos que entregam sensação clara de lâmina, eficiência real e aquele feedback que faz você sentir o corte acontecendo. Parece que meu rosto simplesmente funciona melhor com esse tipo de razor.

O mais curioso é perceber como o hobby muda com o tempo.

No começo, a gente acredita que existe um barbeador perfeito esperando para ser descoberto. Então começamos a comprar mais e mais aparelhos. Cada lançamento parece revolucionário. Cada review parece definitiva.

Mas chega um momento em que você percebe que:

* muitos aparelhos entregam experiências muito parecidas;
* reviews frequentemente exageram;
* e o mercado vive de novidade constante.

Depois de um tempo, a técnica, a preparação da barba e o conhecimento do próprio rosto passam a importar muito mais do que comprar outro razor.

A verdade é que, às vezes, aquele aparelho antigo que já está na gaveta há anos continua sendo melhor para você do que qualquer lançamento novo cheio de hype.

Hoje sinto que entrei numa fase mais tranquila do hobby. Continuo gostando muito de barbeadores, da história, das diferenças mecânicas e de testar coisas novas. Mas já não tenho mais aquela sensação de que preciso comprar o próximo aparelho para finalmente alcançar o “barbear perfeito”.

Talvez porque eu tenha percebido que os melhores barbeadores para mim já estavam comigo o tempo todo. Ou porque finalmente entendi que o que realmente faz diferença é conhecer a própria barba e saber o que funciona — e principalmente o que não funciona.

Gosto muito dos barbeadores vintage. Tenho alguns, e o que mais me satisfaz continua sendo o bom e velho Gillette Old Type.

Eu simplesmente não consigo gostar do Gillette KCG ou do Wilkinson Classic. Para mim, o que funciona melhor são os barbeadores mais agressivos.

O Parker 87R, por exemplo, é um TTO de cabo curto, parrudo, com um gap razoável e que, num bom dia, entrega um BBS com apenas duas passagens.

O 55SL nem se fala. É um semi-slant extremamente eficiente. Também com duas passagens você consegue um BBS muito satisfatório.

Tenho também um Gillette NEW da década de 30 que impressiona até hoje. Com apenas duas passagens, o resultado é um rosto liso feito vidro.

No fim das contas, acho que muita gente passa por isso no hobby: começa buscando o barbeador perfeito — ou o tal unicórnio encantado — e termina redescobrindo alguns poucos aparelhos que realmente funcionam para você.

E você, caro forista: qual aparelho realmente lhe dá satisfação de usar? E qual foi aquela grande decepção que todo mundo elogiava, mas simplesmente não funcionou para você?

Quero saber sua opinião e gosto pessoal.

Abs
3 curtida(s) para esse Post:
  • Gustavo CDL, stenio, thony



usuários a ver este tópico: 2 Visitante(s)