Você Realmente Precisa de um Barbeador Ajustável?

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Você Realmente Precisa de um Barbeador Ajustável?

Todo forista já passou por isso.

Começa com um Tech. Depois vem um Super Speed. Um Slim ajustavel aparece no radar. Um Fatboy pisca para você do outro lado da tela. E então surge aquela frase mágica:

"Preciso de um ajustável."

Precisa mesmo?

Essa é uma pergunta que vale alguns minutos de reflexão antes de abrir a carteira.

A ideia do barbeador ajustável é sedutora. Um único aparelho capaz de oferecer diversos níveis de agressividade. Hoje você usa no 3. Amanhã no 5. Depois experimenta o 7. Um barbeador para todas as ocasiões, todos os humores e todas as fases da vida.

Na teoria.

Na prática, o que acontece com boa parte dos proprietários de ajustáveis?

Eles passam uma semana brincando com as regulagens. Talvez duas.

Depois encontram um ajuste de que gostam.

E nunca mais mexem.

O Fatboy vira um barbeador fixo regulado no 4.

O Progress se aposenta no 3,5.

O Rockwell ajustável encontra a felicidade no plate 4.

O Rex Ambassador estaciona no 2,5.

E ali permanecem pelos próximos dez anos.

O sujeito possui um barbeador com dezenas de possibilidades, mas usa exatamente uma.

Na prática, ele transformou um ajustável em um barbeador fixo extremamente caro.

É como comprar um canivete suíço com cinquenta funções para abrir cartas.

Ou adquirir um carro com sete modos de condução para rodar sempre no modo normal.

Nada contra. Cada um usa o que quiser. Mas é curioso observar como a lógica do ajustável frequentemente desaparece depois da fase inicial de encantamento.

Muitos barbeadores não ajustáveis já nasceram com uma personalidade definida. Um Tech é um Tech. Um New é um New. Um Super Speed é um Super Speed. Um Mühle R41 é um Mühle R41. Você sabe exatamente o que esperar deles.

O ajustável, por outro lado, frequentemente acaba sendo apenas um barbeador comum que passou por uma longa sessão de entrevistas antes de revelar sua verdadeira identidade.

E existe outra questão.

Quando alguém diz que precisa de um ajustável, muitas vezes o que realmente procura não é ajuste.

É curiosidade.

É colecionismo.

É o fascínio mecânico.

É aquela sensação deliciosa de girar um dial numerado e ouvir os cliques.

E tudo isso é perfeitamente legítimo.

Aliás, talvez seja até mais honesto admitir.

Não quero um Fatboy porque preciso de um ajustável.

Quero um Fatboy porque é um Fatboy.

Porque é icônico.

Porque é bonito.

Porque representa uma época.

Porque faz parte da história do barbear.

Esses motivos eu entendo perfeitamente.

E aqui entra uma confissão pessoal.

Hoje eu tenho um Rockwell T2.

É um barbeador premium incrível.

Tem seis regulagens, peso excelente, ergonomia muito boa, regulagens precisas e, se eu tiver o mínimo cuidado, provavelmente ficará para os meus bisnetos.

E, honestamente, é um objeto que dá prazer simplesmente de segurar.

Mas confesso que ele não é tão utilizado quanto muita gente imagina.

Seu uso normalmente acontece quando deixo sete dias de barba.

Isso mesmo.

Sete dias.

Como trabalho de casa e vou para a empresa, na maioria das vezes, apenas uma vez por semana — ou até uma vez a cada quinze dias — não preciso parecer o Brad Pitt ou aquele ator que fez o Thor, cujo nome eu nunca consigo lembrar, o tempo todo.

Quando esse cenário aparece, e eu tenho tempo disponível, utilizo o T2 parecendo uma criança com um Game Boy novo nas mãos.

Faço o famoso protocolo 6-3-1.

Primeira passada no 6.

Segunda no 3.

Terceira no 1.

O resultado é um BBS fácil, fácil.

Mas existe o outro lado da vida real.

Tem dias em que a paciência está curta.

Tem dias em que eu simplesmente não estou a fim de ficar abrindo portas, ajustando regulagem, fechando portas, mudando regulagem novamente e repetindo o processo.

Nessas ocasiões eu vou direto para quem resolve.

Mergulho de cabeça no Old Type.

Ou no R41.

Duas passagens.

Serviço concluído.

Sem cerimônia.

Sem discursos.

Sem reuniões de alinhamento.

Com o tempo, percebi que talvez eu não precisasse de um barbeador que faz tudo.

Talvez eu precisasse apenas dos barbeadores certos.

Hoje, se eu fosse obrigado a ficar apenas com três barbeadores para o resto da vida, um para cada situação, seriam:

1. Gillette Tech Inglês — o meu exemplar da década de 1940, completo no estojo.

2. Parker 87R — um barbeador subestimado e eficiente. Eu daria facilmente uma nota 7 em 10 para ele.

3. Gillette Old Type — para quando a barba resolve aparecer com más intenções.

No dia, eu simplesmente avaliaria o estado do rosto do cidadão e escolheria a ferramenta adequada.

Simples assim.

E isso me leva a uma reflexão final.

Às vezes, o valor que você paga em um Rockwell T2, num Progress ou até num Rex Ambassador é suficiente para comprar algo muito próximo dessa tríade.

Um barbeador suave.

Um intermediário.

Um mais agressivo.

E ainda sobra algum dinheiro para um bom pincel.

Ou um excelente sabão.

Ou ambos.

Por isso, antes de sair correndo atrás de um ajustável, talvez valha a pena fazer uma pergunta simples:

Você realmente precisa de um barbeador ajustável?

Ou apenas de um barbeador interessante, bem construído e com uma história bacana para contar?

A resposta pode economizar dinheiro.

Ou não.

Mas pelo menos a compra será feita por paixão.

E paixão, convenhamos, costuma ser um motivo muito mais honesto do que necessidade.

Porque necessidade é ter um barbeador.

O resto é hobby.

abs,

Igor.
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