Barbearias Gourmet: O Sucesso, os Exageros e a Volta à Simplicidade.

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Barbearias Gourmet: O Sucesso, os Exageros e a Volta à Simplicidade.

Olá, prezados foristas.

Depois de ouvir o relato do meu amigo Lucão e postar aqui no fórum, fui dar uma pesquisada no tema barbearias. O assunto acabou me levando por um caminho muito mais interessante do que eu imaginava: a ascensão, a queda e o curioso renascimento desse tipo de estabelecimento.

Durante boa parte do século XX, a barbearia era muito mais do que um lugar para cortar cabelo ou fazer a barba. Era um verdadeiro ponto de encontro. Ali se falava de futebol, política, trabalho, família e da vida. Em muitas cidades brasileiras, principalmente entre as décadas de 1940 e 1980, era comum existir uma barbearia em praticamente todo bairro.

Naquela época, fazer a barba em casa ainda não era uma realidade para todos. Muitos homens preferiam confiar o serviço ao barbeiro de confiança, que dominava a navalha, a toalha quente e o preparo da espuma. Era um ofício passado de geração em geração.

Mas o cenário começou a mudar a partir das décadas de 1970 e, principalmente, de 1980. A popularização dos barbeadores de cartucho, o crescimento das lâminas descartáveis, a praticidade da espuma em lata e, mais tarde, o avanço dos barbeadores elétricos fizeram com que milhões de homens deixassem de frequentar as barbearias regularmente. Somado a isso, a moda da barba bem feita perdeu força durante boa parte das décadas de 1980 e 1990, quando o rosto completamente barbeado passou a dominar o ambiente corporativo.

Outro fator importante foi a mudança do estilo de vida. As jornadas de trabalho ficaram mais corridas, o tempo passou a ser cada vez mais valorizado e surgiu um novo modelo de negócio: o salão unissex. Em vez de manter estabelecimentos separados para homens e mulheres, muitos profissionais migraram para salões que atendiam toda a família.

O resultado foi uma queda expressiva no número de barbearias tradicionais. Em diversas cidades do interior, elas praticamente desapareceram. Muitas fecharam as portas após décadas de funcionamento, enquanto outras passaram a oferecer apenas cortes de cabelo rápidos, abandonando de vez o serviço de barba com navalha.

Então aconteceu algo curioso.

Por volta de 2012 a 2015, começou uma verdadeira explosão de novas barbearias. O movimento acompanhou a volta das barbas longas, impulsionada por artistas, jogadores de futebol, influenciadores e pelo chamado estilo hipster. Em poucos anos, abrir uma barbearia virou sinônimo de oportunidade de negócio.

Segundo levantamentos do setor de beleza, o número de barbearias no Brasil mais do que dobrou ao longo da década de 2010, passando de cerca de 20 mil estabelecimentos para mais de 40 mil em poucos anos. Em várias capitais, era possível encontrar uma nova inauguração praticamente todos os meses.

Só que essas novas casas eram muito diferentes das antigas.

A cadeira de barbeiro dividiu espaço com videogames, mesas de sinuca, cervejas artesanais, cafés especiais, drinques, charutos, tatuagens e música em alto volume. Em alguns lugares, parecia que cortar o cabelo era apenas um detalhe. A experiência passou a ser vendida quase como um evento social. Em certos casos, havia mais investimento na decoração do que na formação dos barbeiros.

Isso funcionou muito bem durante alguns anos.

Mas, como acontece com quase toda moda, o entusiasmo começou a diminuir.

A partir do período pós-pandemia, muitas dessas barbearias passaram a enfrentar dificuldades. O aumento dos custos de operação, aluguéis elevados, maior concorrência e a redução do poder de compra fizeram muitos clientes voltarem a procurar serviços mais simples e acessíveis. Diversos estabelecimentos fecharam as portas ou precisaram reduzir sua estrutura. Em várias cidades, a concorrência se tornou tão intensa que era possível encontrar duas ou três barbearias na mesma rua, tornando o mercado insustentável para muitos empreendedores.

Hoje, já é possível perceber uma nova mudança de comportamento. Muitos consumidores voltaram a priorizar o bom atendimento, a qualidade do corte e um preço justo, deixando em segundo plano toda aquela estrutura de entretenimento.

Curiosamente, o mesmo parece acontecer com o barbear tradicional doméstico.

Depois do grande entusiasmo vivido entre aproximadamente 2013 e 2020, quando fóruns, canais no YouTube e grupos nas redes sociais cresceram bastante, o mercado também entrou em uma fase mais madura. A empolgação pelos lançamentos diminuiu, muitas marcas deixaram de existir e parte dos entusiastas reduziu as compras para simplesmente aproveitar aquilo que já possui.

Talvez isso seja um ciclo natural.

As modas passam. Os exageros também.

O que permanece é aquilo que realmente funciona.

A velha barbearia de bairro não precisava de chope artesanal, mesa de bilhar ou iluminação digna de estúdio. Bastavam um bom barbeiro, uma cadeira confortável, uma toalha quente e uma boa conversa.

Da mesma forma, nós, apaixonados pelo barbear tradicional, muitas vezes descobrimos que não precisamos de vinte aparelhos, cinquenta cremes ou cem lâminas diferentes para fazer uma excelente barba. Um bom aparelho, uma lâmina que combine com ele, um pincel honesto e um sabão de qualidade continuam sendo suficientes.

No fim das contas, talvez a maior lição da história das barbearias seja justamente essa: a simplicidade nunca deixou de funcionar. Nós é que, por algum tempo, acreditamos que ela precisava ser reinventada.

E vocês, chegaram a frequentar aquelas antigas barbearias de bairro? Acham que esse novo modelo de "barbearia gourmet" veio para ficar ou também está entrando em uma fase de acomodação? Compartilhem suas histórias. Tenho certeza de que muita gente aqui ainda guarda boas lembranças daquele barbeiro que conhecia cada cliente pelo nome.

Obs.: para quem ainda não leu o relato do Lucão:

https://www.barbeartradicional.com.br/th...l#pid21877

Abs.,

Igor.
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  • Ardyllis Alves Soares, thony



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