Nota de falecimento.

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A espuma em lata está morrendo? Calma, confrades. Ainda não é necessário organizar o velório.

De tempos em tempos aparece aquela sensação de que a espuma de barbear em lata está com os dias contados. Afinal, estamos falando de um produto que parece pertencer a uma época em que o homem entrava no banheiro, apertava um botão e acreditava que aquilo era tecnologia de ponta.

Mas os números contam uma história um pouco diferente.

O mercado mundial de espuma de barbear continua crescendo e a boa e velha lata aerossol ainda responde por aproximadamente 75% das receitas. Ou seja: enquanto alguns de nós discutimos se a lâmina deve ser usada três ou quatro vezes, milhões de homens continuam apertando a lata e produzindo uma nuvem branca no rosto.

http://www.mordorintelligence.com/indust...oam-market

E, convenhamos, há uma razão para isso.

A espuma em lata é prática. Não exige tigela, pincel, água na temperatura correta, pré-barba, pós-barba, oração, incenso ou conhecimento de alquimia medieval.

É apertar, passar no rosto e raspar.

Fim.

O problema é que o mundo do barbear mudou.

Cremes, sabões, géis e produtos sem aerossol vêm conquistando espaço, especialmente entre consumidores que procuram uma experiência mais elaborada ou estão preocupados com embalagem e sustentabilidade.

E aí entramos nós.

O sujeito comum olha para um sabão de barbear e pensa:

“Por que eu pagaria 250 pilas por isso se existe espuma em lata?”

O confrade olha para o mesmo sabão e pensa:

“Será que essa espuma melhora se eu usar água morna, uma tigela de cerâmica e o pincel de 24 mm de pelo de javali?”

São dois universos completamente diferentes.

Para o primeiro, fazer a barba é uma tarefa.

Para o segundo, fazer a barba é praticamente uma religião.

E seja justamente aí que esteja o futuro da espuma em lata.

Ela provavelmente não vai desaparecer. Vai continuar sendo o produto de quem quer rapidez e praticidade. Enquanto isso, cremes e sabões continuarão atraindo aqueles malucos que compram um barbeador novo porque o cabo “tem uma geometria interessante”.

No fundo, não estamos vendo o fim da espuma em lata.

Estamos vendo uma divisão cada vez mais clara.

De um lado, o homem que quer simplesmente tirar a barba.

Do outro, o sujeito que possui 20 barbeadores, 15 pincéis diferentes, uma coleção de sabões e consegue passar meia hora discutindo a agressividade de uma cabeça open comb de zamac.

E, sinceramente?

A espuma em lata que se cuide.

Porque enquanto houver confrades militantes como nós, sempre haverá alguém dizendo:

“Essa espuma é boa, mas você já experimentou fazer a sua própria espuma com um pincel de texugo?”

Eu já declarei algumas vezes que sou um apreciador de espumas em lata.

Creio que isto se deve mais à memória afetiva do que ao produto em si. Gosto das latas, das artes usadas nelas e, em 95% dos casos, das fragrâncias das espumas.

Apesar de a maioria de nós, apreciadores do barbear clássico, torcermos o nariz para as espumas em lata, elas ainda têm a maioria esmagadora do mercado.

Estamos no século XXI, onde o tempo é o recurso mais escasso e valioso.

Eu já tive latas de espuma de barbear que duraram mais que o casamento de alguns amigos...

E agora vem a pergunta, caro conviva: nunca tivestes a curiosidade de experimentar uma espuma em lata?

Vou dar uma dica: a espuma em lata da Gillette Prestobarba custa 17 reais, tem 150 ml e, por mais incrível que isto possa parecer, tem um deslize bastante razoável.

Se algum confrade já usou espuma em lata, deixe seu comentário abaixo.

Abs,

Igor



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