FARMÁCIA: O LUGAR ONDE A BARBA VAI PARA MORRER

2 Respostas, 64 Views

FARMÁCIA: O LUGAR ONDE A BARBA VAI PARA MORRER

Você entra numa farmácia com um sonho simples:

“Vou comprar alguma coisa bacana para fazer a barba.”

Ingênuo.

Você ainda acredita que encontrará um universo de possibilidades. Um corredor cheio de barbeadores, lâminas, cremes, loções, pós-barba, sabões, novidades... A verdadeira Disneylandia do barbear clássico.

Afinal, eu vi um vídeo onde um cara gringo vai numa farmácia e tem até um pote daquele sabão top, Proraso verde, acredita?

As farmácias lá de fora têm de tudo na prateleira, cara.

Barbeadores Wilkinson Classic, King C Gillette....

Sabões italianos, portugueses, aquele espanhol famoso....

Aí você chega empolgado na seção masculina daquela rede famosa que tem até no shopping.

E encontra:

Wilkinson.

Gillette Mach3.

Alguns Bics e Gillettes descartáveis.

Mais Mach3.

E, em algum canto, duas ou três marcas de espuma em lata.

Fim.

Acabou.

The End.

Game Over.

É quase como se a farmácia tivesse recebido um memorando:

“Senhores, precisamos vender produtos para barba, mas cuidado para não exagerar. Duas opções já são suficientes, afinal, o brasileiro não é exigente com isso.”

E olha que estou sendo injusto.

Porque ainda temos os cremes de barbear da Nivea e o Bozano.

Esses estão lá.

Firmes.

Resistentes.

Como soldados veteranos que sobreviveram a todas as crises do varejo brasileiro.

Agora vem a melhor parte.

Você olha para a prateleira.

Olha novamente.

Olha para os lados.

E pergunta ao atendente:

“É só isso que vocês têm de produto para barba?”

E o sujeito te olha.

Silêncio.

Aquele olhar.

Aquele olhar de quem está tentando entender por que diabos você está perguntando aquilo.

Ele olha para a prateleira.

Olha para você.

Olha novamente para a prateleira.

Pensa:

“O que este idiota funcional está falando?

Não tem aqui na frente dele um blister lindo com um Mach3 novinho?

E esta Nivea da lata preta? Eu só uso esta e é ótima...”

E ainda por cima está na promoção, só R$ 39,90.

E responde:

“É... só isso mesmo.”

Nesse momento você percebe que não está numa farmácia.

Está numa expedição arqueológica.

Você está procurando vestígios de uma civilização que um dia acreditou que homem poderia ter mais de uma opção para fazer a barba.

E o mais curioso é que a farmácia vende shampoo para absolutamente qualquer tipo de cabelo existente na humanidade.

Tem shampoo para cabelo seco.

Oleoso.

Misto.

Cacheado.

Liso.

Com química.

Sem química.

Com frizz.

Sem frizz.

Para reconstrução.

Hidratação.

Nutrição.

Se bobear, daqui a pouco teremos shampoo específico para carecas.....

Mas para fazer a barba?

“Tem Mach3.”

E se você perguntar por creme?

“Tem Nivea.”

Espuma?

“Tem três.”

Pós-barba?

Aí você já está abusando, porque esta frescura de pós-barba?

O balconista começa a lançar olhares para o segurança.

Você percebe que é melhor ir embora.

E é exatamente aí que nós, pobres entusiastas do barbear tradicional, percebemos uma coisa:

O varejo brasileiro conseguiu transformar uma atividade milenar em um mercado com praticamente cinco produtos.

Wilkinson.

Mach3.

Espuma de lata.

Nivea.

Bozano.

E pronto.

Agora pague no caixa e não faça perguntas.

Porque se você perguntar:

“Vocês têm alguma lâmina diferente?”

O atendente pode simplesmente chamar o gerente e alegar que não é pago para atender pessoas com um QI tão baixo.

E se você mencionar “barbeador de segurança”, existe uma possibilidade real de você ser hostilizado.

No fim, você sai da farmácia com uma sensação estranha.

Não encontrou o que queria.

Mas encontrou uma certeza:

No Brasil, escolher um produto para cuidar da barba é muito mais difícil do que escolher o barbeador que vai raspar a própria barba.

E amanhã você volta lá. Você é brasileiro e não desiste nunca, lembra?

Porque, vai que chegou uma Wilkinson nova.

Alguma versão Black, Premium... que, no final, é a mesma lâmina, mas com a caixa diferente.....

Alguma coisa que você, idiota funcional, se engana e compra....

Vai que desta vez é uma novidade....

E, no final, quem sabe o atendente esteja certo: ele não é pago para atender pessoas com o QI tão baixo.

ABS,

Igor.
4 curtida(s) para esse Post:
  • GMMCM, João Clodoaldo., RuasMensGrooming, thony
Igor, você conseguiu descrever com precisão cirúrgica a experiência de qualquer cidadão que tenha cometido o erro de entrar numa farmácia procurando produto para fazer a barba.
1 curtida(s) para esse Post:
  • Maximus Brow
Igor, vc descreveu com primazia as opções no Brasil.
1 curtida(s) para esse Post:
  • Maximus Brow



usuários a ver este tópico: 2 Visitante(s)