BBS, LÁGRIMAS E TRAIÇão... O TRÁGICO FIM DE UM What Shaver!

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BBS, LÁGRIMAS E TRAIÇÃO... O TRÁGICO FIM DE UM What Shaver!

PREZADOS CONVIVAS, CAROS CONFRADES E DEMAIS TESTEMUNHAS DE MINHA DESGRAÇA...

Gostaria de compartilhar convosco o episódio mais humilhante de minha já combalida existência. Fui vilipendiado, ultrajado e, ouso dizer, moralmente assassinado no interior de minha própria residência. Sim, senhores! Em meu próprio castelo! Afinal, como reza a sabedoria popular, a casa de um homem é o seu castelo. E foi justamente nesse sagrado recinto que sofri tamanha afronta.

Calma. Explico.

No último domingo, 01/11/2026, saí do banheiro ostentando um sorriso de orelha a orelha, peito estufado e semblante de um imperador romano regressando de uma gloriosa campanha militar. Havia acabado de conquistar um BBS digno dos mais respeitáveis anais da barbearia tradicional, utilizando uma lâmina BIC, um venerável Parker 48R e o já consagrado creme Palmindaya.

Não bastasse a excelência técnica da operação, eu ainda exalava o perfume inebriante de uma maravilhosa loção do conjunto Hero, presente do estimado André, nosso confrade do Barba tradicional.

Estava, portanto, no auge de minha vaidade. Um pavão humano. Uma criatura absolutamente insuportável, exibindo à família os resultados de sua magnífica empreitada.

Foi então que minha filha, uma jovem de apenas 11 anos, sem qualquer demonstração de piedade ou consideração pela fragilidade emocional de seu progenitor, resolveu abrir a boca.

Com a tranquilidade de quem comenta a previsão do tempo, declarou que estava pensando em me presentear, no próximo aniversário, com um BARBEADOR ELÉTRICO.

Prezados confrades...

Aquelas três palavras caíram sobre a sala como uma ogiva nuclear.

BARBEADOR ELÉTRICO.

Meu sorriso simplesmente evaporou. O semblante de glória transformou-se em expressão fúnebre. Senti meus olhos marejarem e, num arroubo de dignidade ferida, recolhi-me aos meus aposentos, bati a porta e entreguei-me à mais profunda das lamentações.

Eu havia sido humilhado.

E o pior: pela minha própria filha!

Sangue do meu sangue, carne da minha carne, herdeira direta de meu patrimônio genético e, aparentemente, agente infiltrada da indústria dos barbeadores elétricos!

BARBEADOR ELÉTRICO...

BARBEADOR ELÉTRICO...

Somente de recordar essas palavras, sinto novas lágrimas ameaçarem minha já debilitada estrutura emocional. Inclusive, uma ou duas acabam de atingir o teclado. Perdoem-me as eventuais falhas de digitação. Não são erros gramaticais, mas evidências materiais de meu sofrimento.

Que desgosto, meus amigos!

Confesso que cogitei seriamente abandonar o lar. Partir para terras distantes, onde ninguém conhecesse meu passado, onde pudesse reconstruir minha dignidade e, principalmente, onde não houvesse tomadas elétricas no banheiro.

Desde domingo, tenho apresentado febre leve, palpitações e uma inexplicável aversão ao ruído de pequenos motores elétricos. Minha esposa, preocupada com meu estado deplorável, já providenciou alguns exames. Temo que o diagnóstico seja irreversível.

Portanto, caso os senhores sintam minha ausência nos próximos dias, ou em algum momento se perguntem,

"Mas, afinal, por onde anda o bom e velho Maximus, com suas aldravices, seus textos intermináveis e suas considerações absolutamente desnecessárias sobre o universo da barbearia?"

Tenho duas explicações possíveis.

Ou a tristeza que me consome é tão devastadora que já não encontro forças sequer para abandonar o leito, ou, no exato momento em que os senhores estiverem lendo estas parcas e dolorosas linhas, já estarei repousando em uma fria e desolada sepultura.

Se a segunda hipótese vier a se confirmar, rogo-lhes um último favor, ajudem minha pobre viúva a escolher uma inscrição digna para minha lápide.

Sugiro algumas possibilidades,

"Morto, sim. Barbudo, nunca!"

Ou, quem sabe,

"Partiu deste mundo sem jamais se render a um barbeador elétrico."

Também considero bastante apropriado,

"Aqui jaz um homem que conheceu o BBS, mas não sobreviveu à modernidade."

Prezados colegas, a tristeza provocada por ouvir semelhante blasfêmia da boca de minha própria descendente abateu meu espírito de maneira quase irreparável.

Juro que, por alguns instantes, considerei até mesmo recorrer a um barbeador elétrico, não para fazer a barba, evidentemente, mas como forma de autopunição por tamanha fraqueza diante da vida moderna.

Enfim, rogo-lhes que orem por mim. Encontro-me debilitado física, moral e espiritualmente. Minha dignidade foi por terra, minha autoestima encontra-se em estado terminal e minha coleção de aparelhos de barbear jamais será capaz de reparar tamanha ofensa.

Abraços inconsoláveis,

Maximus Brow (MB)

Defensor do barbear tradicional, guardião do BBS e vítima de uma filha perigosamente modernizada.
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 6 horas atrás por Maximus Brow.)
3 curtida(s) para esse Post:
  • Haok, RuasMensGrooming, thony
Aceite o presente meu amigo. Afinal, um homem que sobreviveu a tantas lâminas BIC não será derrotado por um pequeno motor elétrico!
E lembre-se: o barbeador pode até ser elétrico, mas sua honra continua manual!

Abraço, confrade!
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 2 horas atrás por RuasMensGrooming.)
2 curtida(s) para esse Post:
  • Haok, Maximus Brow
Caro Maximus


Tens aqui minha solidariedade, afinal sua honra wet shaver foi vilipendiada.
Mas de um desconto a menina, jovens nao aprenderam ainda muitas coisas......
Que tal explicitar a jovem descendente suas paixões, seus Hobbes, assim evitadas no futuro tais desgostos.
2 curtida(s) para esse Post:
  • Haok, Maximus Brow
Confesso que ri demais do "pavão humano"!

Com certeza me lembrarei disso no próximo BBS Big Grin



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