Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??

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Fatboy, BMW e Fuscas: meu irmão esta certo ou só é doido mesmo??

Existe uma pergunta que volta e meia aparece no barbear tradicional:

Afinal, o que dá mais prazer? Usar uma máquina moderna, precisa, projetada por engenheiros que provavelmente nunca viram uma lâmina DE sendo usada, ou colocar uma lâmina em um barbeador que já estava trabalhando quando nossos pais ainda mijavam nas fraldas??

Eu já pensei bastante nisso.

Tenho máquinas modernas muito boas. Tenho minha Rockwell T2, Mühle R41, Parker e, recentemente, comprei uma Yaqi The Final Cut. E preciso fazer justiça à máquina: é excelente. Robusta, ajustes precisos e um cabo relativamente curto, que deixa o conjunto muito bom na mão. É daquelas máquinas que você pega e já percebe que fizeram um negócio direito.

Mas, quando a conversa é sobre prazer, e não simplesmente sobre eficiência, para mim a coisa muda um pouco.

Talvez eu tenha aprendido isso com meu irmão mais velho.

Ele sempre gostou de carros antigos. E não daquele jeito de comprar um carro velho, colocar numa garagem, passar um pano e ficar olhando para ele. Meu irmão gosta é de andar nos carros.

Já teve dois Fuscas placa preta, um Opala 1973 também placa preta, restaurou uma Brasília quatro portas e, numa dessas loucuras que só quem gosta de carro antigo entende, trouxe a Brasília andando de Belo Horizonte até São Paulo.

E olha que a Brasília estava precisando urgentemente de restauração.

Mesmo assim, veio.

Foi parado uma vez na estrada. Segundo ele, muito mais pela curiosidade do policial em ver uma Brasília quatro portas do que por qualquer outro motivo. Não sei se foi exatamente assim, mas conhecendo meu irmão, é bem possível.

Ele também já teve um Dodge RT lindo.

Hoje tem carros modernos, mas continua falando dos antigos.

Lembro de uma feira de carros aqui em São Paulo. Quando aparecia um Galaxie, um Maverick ou qualquer uma daquelas aberrações maravilhosas da indústria automobilística brasileira, ele olhava e dizia:

"Isto é um automóvel."

E pronto.

Não precisava explicar mais nada.

Uma vez andei com ele em uma BMW moderna. Não lembro o modelo, então vou preservar minha dignidade e não inventar.

Meu irmão passou boa parte do passeio reclamando.

"Olha que dirigibilidade ruim."

"O carro é duro."

Eu pensava comigo:

O sujeito atravessou o Brasil inteiro numa Brasília que estava pedindo arrego e agora está reclamando de uma BMW.

Mas a parte que mais me chamava atenção era outra.

Na casa dele havia uma cobertura para quatro carros. Os clássicos ficavam lá, protegidos, cobertos, enquanto os carros modernos, como a Commander ou a LD200, ficavam do lado de fora, tomando chuva.

Minha cunhada achava aquilo um absurdo.

Meu irmão e eu achávamos perfeitamente normal.

E talvez seja por isso que eu entenda um pouco essa história dos barbeadores vintage.

Porque você pega um Gillette ABC, um Old Type, um Apollo Travel da década de 1940 ou outra dessas velharias e pensa: isso aqui já deveria ter virado história há muito tempo.

Aí coloca uma lâmina.

Passa o pincel.

E vai fazer a barba.

É aí que a coisa fica interessante.

Você olha para aquele pedaço de metal, que já tem décadas nas costas, e pensa:

"Caramba. Isso ainda funciona."

E funciona mesmo.

Claro que eu não estou dizendo que todo barbeador antigo é maravilhoso. Tem muita porcaria vintage por aí. Tem máquina velha que deveria continuar exatamente onde estava: esquecida numa gaveta, junto com moedas antigas, botões e aquela chave que ninguém sabe mais de qual porta era.

Vintage não é sinônimo de bom.

Da mesma forma que moderno não é sinônimo de ruim.

Mas, para mim, existe uma diferença na sensação de pegar uma ferramenta nova e colocar uma ferramenta antiga para trabalhar.

Quando pego um Gillette Old Type, não estou apenas fazendo a barba. Estou usando uma máquina que já passou por outras mãos e atravessou gerações.

Com o ABC acontece a mesma coisa. Tem a construção, o acabamento, o peso, a maneira como a peça foi feita. É uma coisa que foi produzida numa época em que aparentemente alguém ainda esperava que aquilo durasse bastante.

E aí aparece um Apollo Travel dos anos 1940.

Aquilo não está na minha coleção para ficar bonito na prateleira.

Eu quero colocar uma lâmina e descobrir como uma máquina dessas se comporta depois de todo esse tempo.

É isso que eu acho interessante.

Não é só nostalgia.

É pegar uma coisa antiga e descobrir que ela ainda dá conta do trabalho.

No começo deste mês aconteceu outra coisa que deixou essa conversa ainda mais interessante para mim.

Recebi de presente um Gillette Fatboy G1 enviado pelo Geo Fatboy, provavelmente o whatshaver mais conhecido do YouTube.

Sim.

Um Fatboy do Geo Fatboy.

A máquina chegou em excelente estado. As portas abrem uniformemente, o mecanismo está funcionando muito bem e a regulagem de agressividade está perfeita.

Não pude me aguentar e enviei as fotos para o Leo e para o Thonny.

Pedi conselhos para o Leo sobre como limpar o barbeador. E o Thonny, educado e atencioso como só ele é, disse:

"Maximus, apenas um conselho: quando for regular a agressividade, abra as portas do barbeador, ok?"

Ontem finalmente coloquei uma lâmina nele e fiz a barba.

Não vou entrar nos detalhes agora porque o Fatboy merece um post só para ele. Em breve compartilho com vocês.

E, junto com o barbeador, o Geo ainda me mandou uma pedra de alúmen da Osma, marca francesa que fabrica esse produto desde 1957.

Depois desse barbear fiquei pensando justamente nessa história.

Por que uma máquina com mais de seis décadas consegue dar uma satisfação dessas?

Talvez seja simplesmente porque você sabe que aquilo não deveria mais estar ali funcionando tão bem.

Um pedaço de metal fabricado há décadas, que passou por sabe-se lá quantas mãos, ficou quieto durante anos e, de repente, você coloca uma lâmina nele e ele volta ao trabalho.

E faz o serviço.

Ou faz a mágica.

Sem aplicativo, sem bateria, sem Bluetooth e sem pedir licença para ninguém.

Talvez seja por isso que eu entenda meu irmão quando ele olha para um Galaxie ou um Maverick e diz:

"Isto é um automóvel."

Eu olho para um Old Type, um ABC, um Apollo Travel, um Aristocrat ou um Fatboy e penso quase a mesma coisa:

"Isso aqui é um barbeador."

Agora quero saber de vocês.

Qual aparelho dá mais prazer?

Aquele moderno, recém-saído da caixa, com engenharia atual e tudo funcionando como deveria?

Ou aquela velha máquina que já viu mais décadas do que muitos de nós e que, quando chega a hora de trabalhar, é só colocar a lâmina que ela faz o serviço?

Não quero saber qual é tecnicamente melhor.

Quero saber qual dá mais satisfação.

Porque são coisas diferentes.

Me contem: vintage ou moderno?

Abs,

Igor.
5 curtida(s) para esse Post:
  • fsmishima, GMMCM, Joao Americo, RuasMensGrooming, thony
Rapaz, hj vc extrapolou no texto......prazeres são pessoais, depende dos sentidos de quem os tem.
Mas cada peça tem seus encantos.
Uma vintage me dá essa sensação, mas tb ao usar minha EdwinvJagger DE89 tenho esse prazer.
Já a Fatboy é uma lenda, conte nos sua impressão.
4 curtida(s) para esse Post:
  • fsmishima, GMMCM, Joao Americo, Maximus Brow
Ainda não tive a experiência do vintage, então não consigo opinar nesse tema. Mas aguardarei com curiosidade o seu post sobre o Fatboy, meu caro!
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  • Joao Americo, Maximus Brow
Muito bom o texto, Igor.

Quando eu era mais novo, sofria constantemente com vermelhidão e pelos encravados. Minha experiência com o barbear era péssima, tanto faz se usava multilâminas de última geração ou barbeador elétrico.

Quando conheci o barbear tradicional, essa mesma fagulha que você descreveu no post acendeu em mim. Na época me veio à mente aquela frase clássica de Lavoisier: "nada se cria, tudo se transforma". A questão é que, às vezes, as transformações do mercado não são para melhor.

Ficava pensando: a humanidade passou séculos aprimorando lâminas, geometrias e sabões, e parece que o auge dessa engenharia prática ficou algumas décadas para trás. Hoje, no entanto, a sensação é de estarmos cercados pela "cópia da cópia da cópia" (como no Clube da Luta). Trocamos ferramentas de metal feitas para durar a vida inteira por pedaços de plástico descartáveis, enquanto nos tornamos reféns de conveniências vazias e anestesiados por telas.

Sinto que hoje o prazer das pequenas coisas é desconhecido, pois tudo o que importa agora é quantos seguidores você tem ou quantas curtidas o seu post faz.

Acredito que aqui temos um elemento central em comum: o resgate das coisas que o mundo moderno nos roubou aos poucos.

Quando eu me barbeio hoje em dia, não é mais pelo simples fato de me parecer melhor apessoado, mas porque é um momento no existir. O famoso ser/estar que está em falta.
Talvez seja esse o poder que as coisas vintage exercem em nós.

Isso não significa que os aparelhos modernos sejam ruins; pelo contrário, quando um design atual respeita a história do que realmente funciona e apenas aprimora materiais e precisão, o resultado é fantástico. Mas a verdadeira involução esteve em tentar reinventar a roda com o plástico descartável.

Portanto, respondendo à sua pergunta sobre o que dá mais satisfação: para mim, o vintage ganha com folga, pois entrega alma e presença.
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  • GMMCM, Joao Americo
Você traçou um paralelo muito interessante, Igor. Dá para pensar em como, tanto em automóveis quanto em barbeadores, os processos industriais mudaram e oferecem 'soluções' diferentes tanto na linha de consumo geral quanto para produtos direcionados ao público que pode ser definido como entusiasta. E também como aquilo que foi comum em uma época se torna objeto de alta estima anos depois.

Os barbeadores que eram produzidos em massa no passado agora são itens colecionáveis, com automóveis não é muito diferente. Além dos antigos colecionáveis, hoje também há produtos contemporâneos e especiais, destinados ao público limitado que busca um tanto de exclusividade. Um dos pontos de atenção em relação a isso é o uso de materiais exóticos, algo talvez impensável em outras épocas.

As diferenças muito claras estão no valor de investimento e na praticidade no uso. Ter uma pequena coleção de barbeadores, vintage e atuais, não exige muito em termos de investimento (aquisição, espaço físico, manutenção). Com automóveis é bastante diferente, evidentemente. Usar os itens de uma coleção, no caso de barbeadores, também é algo bastante tranquilo. Muitos adotam os venerávies Tech (3 peças, Mono ou outras versões) como daily drivers – e esse termo, em si, já faz parte da analogia. Com relação a automóveis antigos é comum ouvir falar do uso somente aos finais de semana, pois o uso cotidiano não é uma boa solução prática.

Também nas possibilidades de restauração, há algumas comparações que se pode fazer. É possível trazer de volta as características de um item novo, ou até melhores, aos nossos objetos de admiração. Novamente, guardada a proporção do investimento.

Eu gosto de ter a possibilidade de usar um barbeador vintage em um momento e um contemporâneo em outro. Não acho que chegaria ao ponto de escolher exclusivamente entre um caminho ou outro. Mas entendo também quem venha a optar por usar somente vintages, ou somente os modernos de produção mais refinada. No final das contas, mesmo em nosso mercado muito limitado, todos os gostos podem ser atendidos.
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  • GMMCM, Haok, thony
Interessante essa correlação entre aparelhos vintage e carros.

Eu particularmente gosto muito de unir os dois aspectos máquina "nova" com modelo tradicional.

Como faço isso simples, desde que comprei minha merkur progress parei e pensei, é isso.

Desde então ela praticamente se tornou minha máquina fixa, raramente ponho outras em rodízio.

O prazer de saber que é um modelo fabricado exatamente igual a décadas, e ser novo, pronto para que fique na minha história é fantástico.

O aparelho é, novo fui o primeiro capítulo da história deste aparelho que se bem cuidado durará muitas décadas, isso me deixa muito animado.

E o design clássico é a cereja do bolo.

Enviado de meu motorola edge 60 pro usando o Tapatalk
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  • GMMCM, Haok, Joao Americo, Maximus Brow, thony
Felipe, caro amigo,

Por favor, compartilhe com a gente as máquinas que você possui. Seria interessante saber quais são as vantagens e desvantagens de cada uma, principalmente na sua experiência de uso.

Para mim, uma máquina de duas peças regulável leva uma certa vantagem sobre uma TTO regulável. Não é preciso abrir as portas, fazer a regulagem e depois fechá-las novamente. Nas duas peças, basta regular diretamente no dial e pronto. Parece um detalhe pequeno, mas, para quem gosta de máquinas ajustáveis, acaba fazendo diferença.

E você é um sujeito esperto e sortudo. Nem todos nós podemos começar no hobby com uma Merkur Progress. Pelo menos não com uma original.

Já contei aqui em algum post que tive um amigo, hoje infelizmente falecido, que tinha como coleção as três máquinas reguláveis clássicas da Gillette: a Fatboy, a Slim Adjustable e a Black Beauty.

Ele dizia que sua coleção estava completa...

E eu confesso que invejava o sujeito.

Acho que ele foi o único cara que conheci neste hobby que realmente conseguiu ficar satisfeito com apenas três barbeadores.

Enquanto isso, nós estamos sempre procurando a próxima...

A eterna busca...

Abs.
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  • Haok, Joao Americo, Ronaldo, thony
Bom dia, senhores.

Eu estava navegando pelo Aliexpress. Na opinião dos senhores, quais dessas marcas e modelos de máquina são os melhores?

Isso independente de preço. E se possível, até podem dizer dois modelos, um que serve inclusivamente para você e outro que acredite que seria "democrático", serviria a todos.

Atenciosamente.
(06-10-2026)Ronaldo Escreveu: Bom dia, senhores.

Eu estava navegando pelo Aliexpress. Na opinião dos senhores, quais dessas marcas e modelos de máquina são os melhores?

Isso independente de preço. E se possível, até podem dizer dois modelos, um que serve inclusivamente para você e outro que acredite que seria "democrático", serviria a todos.

Atenciosamente.


https://pt.aliexpress.com/item/100500961...pt=glo2bra

Esse é uma cópia do hanson, ouvi boa opiniões dele, lógico que tem alguns detalhes de acabamento. Mas é um excelente custo benefício, e vc aí a pode escolher o gap.. suave intermediário e agressivo. Possivelmente em breve comprarei.


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  • Joao Americo
(06-10-2026)Maximus Brow Escreveu: Felipe, caro amigo,

Por favor, compartilhe com a gente as máquinas que você possui. Seria interessante saber quais são as vantagens e desvantagens de cada uma, principalmente na sua experiência de uso.

Para mim, uma máquina de duas peças regulável leva uma certa vantagem sobre uma TTO regulável. Não é preciso abrir as portas, fazer a regulagem e depois fechá-las novamente. Nas duas peças, basta regular diretamente no dial e pronto. Parece um detalhe pequeno, mas, para quem gosta de máquinas ajustáveis, acaba fazendo diferença.

E você é um sujeito esperto e sortudo. Nem todos nós podemos começar no hobby com uma Merkur Progress. Pelo menos não com uma original.

Já contei aqui em algum post que tive um amigo, hoje infelizmente falecido, que tinha como coleção as três máquinas reguláveis clássicas da Gillette: a Fatboy, a Slim Adjustable e a Black Beauty.

Ele dizia que sua coleção estava completa...

E eu confesso que invejava o sujeito.

Acho que ele foi o único cara que conheci neste hobby que realmente conseguiu ficar satisfeito com apenas três barbeadores.

Enquanto isso, nós estamos sempre procurando a próxima...

A eterna busca...

Abs.
Respondendo ao nobre amigo.

Atualmente possuo 3 máquinas, sendo elas: muhle R89, Merkur progress, e a Wilkinson classic TTO.

Mas confesso que depois que a progress chegou me acostumei tanto com ela que já nem faço rodízio entre as SR.

Na verdade, não comecei com a progress, minha caminhada no wet shaving começou há quase 20 anos atrás.

Eu com meus 17 anos achei interessante os aparelhos clássicos, aí o que eu fiz como um adolescente com baixíssimo orçamento? Comprei um mondial/enox de 5 reais kkk.

Não preciso dizer que foi um quase desastre, o aparelho tem mais rebarbas do que uma lâmina de serra tico tico, além disso era tão frágil que enferrujava só de olhar torto para ele.

Bom, alguns anos passaram e descobri a versão antiga do fórum, de início li muito conteúdo sem ser inscrito.

Daí tomei conhecimento de técnicas aparelhos e cremes de barbear.

Logo em seguida comprei a Muhle em uma loja online aqui no Brasil, e me inscrevi na antiga versão do fórum.

Pouco depois veio a Wilkinson TTO, e por último a minha querida Merkur Progress, adquirida pelo ebay de um vendedor portugues com loja no porto.

E estou aí até hoje, decidi não comprar mais SR e ficar apenas com esses 3, e ir testando laminas

Mas tudo isso para dizer que são quase 20 anos ainda buscando melhorar e aprender, e se possível ajudar em algo para o hobby crescer, e principalmente tentando resistir a tentação de ter todas as SR que vejo pela frente.


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  • GMMCM, Haok



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