(22-05-2026)stenio Escreveu: Thony, que show. Fazem anos que tenho vontade/curiosidade em fazer a barba com navalha. Como é a experiência?
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Stenio. Eu acho mais fácil (e seguro) a navalha fixa comparado ao navalhete (que é muito arisco) .
Como minha prática é pouca. Vou devagar.
O problema mesmo é afiar a navalha (exige pedras caras). Essa aí um barbeiro adiou pra mim.
Sempre fico nesse impasse. Como iria manter a afiação.. descobri através da olx que tem um camarada aqui na região metropolitana de Recife que faz esse serviço de afição. Inclusive tem umas para venda.
Ontem à noite, num daqueles momentos que tento evitar a todo custo — mas que a rotina da empresa no dia seguinte torna praticamente inevitável — acabei realizando mais um barbear completo. A escolha da vez recaiu sobre dois clássicos da Gillette: o Gillette New Brasil (open comb) e o Gillette Old Type, este último apenas como referência de comparação.
Iniciei com o Gillette New Brasil, exemplar da década de 1930, já pertencente à fase em que a Gillette abandona a brutalidade estética dos primeiros projetos e passa a lapidar suas cabeças com mais critério após a consolidação do sistema de lâmina dupla. O resultado foi, como de costume, quase indecente de tão eficiente: um barbear extremamente limpo, previsível e confortável, com a precisão típica de um projeto que já nasceu com certo senso de civilização mecânica.
Realizei apenas duas passagens e o meu rosto quase reluzia com uma espécie de satisfação suspeita, de tão bem barbeado que fiquei.
A comparação com o Gillette Old Type surge de maneira inevitável quando se observa o comportamento do New.
O Old Type pertence a uma escola mais primitiva de engenharia. Sua construção é deliberadamente simples, quase austera, com a lâmina assumindo uma posição mais exposta e menos “assistida” pelo conjunto. Isso resulta em um comportamento absolutamente medieval: qualquer descuido de ângulo ou pressão é imediatamente convertido em resposta perceptível. Não há tentativa de suavização, tampouco diplomacia técnica. É um aparelho que exige respeito e devolve exatamente o que recebe, sem filtros.
Se o manuseio não for leve como a pena de uma asa de anjo, cortes e irritações serão praticamente garantidos — sem espaço para negociação.
O New Brasil, por outro lado, representa uma evolução mais civilizada desse conceito. A lâmina é melhor estabilizada entre base e tampa, e o conjunto geométrico da cabeça transmite uma sensação clara de maior controle. O pente aberto mantém a eficiência característica, mas com uma previsibilidade quase irritante de tão consistente. É o tipo de aparelho que executa sua função sem drama, como se estivesse discretamente convencido de sua própria superioridade funcional.
Há até um certo risco psicológico: você quase sai do banheiro levemente decepcionado por não ter participado de um pequeno evento caótico.
Em termos práticos e sem romantizações excessivas:
* O Old Type é mais direto, mais exigente e absolutamente intolerante a descuidos.
* O New Brasil é mais estável, mais previsível e consideravelmente mais indulgente, sem abdicar da eficiência.
Para este barbear, utilizei:
1. Barbeador: Gillette New Brasil
2. Pincel: Rockwell sintético
3. Lâmina: Parker
4. Sabão: Rockwell (infelizmente em seus últimos estertores)
5. Pós-barba: Bozano Aloe Vera (simples, acessível e funcional)
No conjunto, um barbear tecnicamente irrepreensível, quase excessivamente competente, daqueles que deixam pouco espaço para qualquer narrativa dramática — o que, ironicamente, talvez seja exatamente o objetivo desses aparelhos quando bem utilizados.