Prezados Haok e João Americo,
Eu tenho uma leitura um tanto diferente sobre o tema P&G, especialmente em relação aos lançamentos de safety razors.
Como a gigante Gillette tem os cartuchos como seu principal produto, não me parece muito inteligente, do ponto de vista comercial e econômico, lançar um barbeador de metal, durável, acompanhado de lâminas que custam centavos.
Mesmo que as lâminas DE da própria Gillette sejam mais caras, existe hoje uma infinidade de marcas fabricando bons produtos a preços bastante acessíveis.
O meu raciocínio, portanto, é o seguinte, a Gillette jamais fabricaria um produto realmente bom se o mesmo tivesse potencial para canibalizar seus próprios cartuchos.
Se o consumidor está disposto a pagar, por exemplo, R$ 120 em cinco recargas que podem durar cerca de dois meses, por que a empresa fabricaria um sistema no qual as lâminas custam centavos e o barbeador pode durar décadas?
Na minha visão, seria quase um suicídio comercial e financeiro.
E aqui entra a minha teoria, deixando claro que é apenas a análise de um leigo.
Imagino que a Gillette tenha pensado mais ou menos assim,
"Existem várias marcas surgindo com safety razors. Elas estão fazendo barulho, atraindo consumidores e, de alguma maneira, estamos perdendo espaço. Vamos lançar um barbeador clássico, mas que não seja, nem de longe, um produto capaz de competir de verdade com nossos cartuchos."
O consumidor então compra um King C Gillette pensando,
"Finalmente vou experimentar um produto clássico, fabricado justamente pela empresa que criou esse conceito e que agora está sendo novamente valorizado por tanta gente."
É importante fazer uma distinção aqui. Para quem já conhece safety razors, já utiliza outras máquinas e sabe trabalhar com diferentes níveis de exposição, ângulo e pressão, o King C Gillette pode até se tornar um aparelho interessante, dependendo do que esse usuário procura. O foco da minha análise, porém, é outro,; o consumidor que está saindo diretamente dos descartáveis ou dos cartuchos e está tendo seu primeiro contato com um safety razor.
Esse consumidor começa a usar o aparelho e percebe que, para conseguir uma barba realmente rente, precisa passar, passar e passar a lâmina várias vezes sobre o mesmo lugar.
Vem a irritação, a vermelhidão e, eventualmente, aquela sensação de que alguma coisa não deu certo.
aí o consumidor pensa,
"Então era isso? Acho que vou voltar para os meus cartuchos."
Os cartuchos são caros, sem dúvida, mas são mais eficientes para esse usuário. Ele não precisa aprender a controlar um barbeador tradicional, não precisa manipular lâminas soltas, não precisa se preocupar tanto com ângulo, pressão e técnica e, no final, acredita que consegue um resultado melhor com menos esforço.
Existe ainda outro ponto, quem migra diretamente de descartáveis ou cartuchos para um safety razor tende a aplicar a mesma pressão que estava acostumado a aplicar no rosto com os descartáveis....
E aí temos a receita perfeita para reproduzir justamente aquilo que o consumidor imaginava que deixaria para trás ao abandonar os cartuchos, irritação, vermelhidão e desconforto.
Por isso, minha impressão é que o King C Gillette não tenha sido pensado para conquistar definitivamente o consumidor e tirá-lo do sistema de cartuchos.
Talvez tenha sido pensado justamente para mostrar a ele que o sistema tradicional não funciona tão bem assim e, consequentemente, fazê-lo voltar para aquilo que a Gillette realmente ganha dinheiro vendendo.
É apenas uma teoria, claro. Mas, olhando pela ótica de uma empresa que precisa proteger seu principal modelo de negócio, não me parece uma hipótese tão absurda.
abs
Eu tenho uma leitura um tanto diferente sobre o tema P&G, especialmente em relação aos lançamentos de safety razors.
Como a gigante Gillette tem os cartuchos como seu principal produto, não me parece muito inteligente, do ponto de vista comercial e econômico, lançar um barbeador de metal, durável, acompanhado de lâminas que custam centavos.
Mesmo que as lâminas DE da própria Gillette sejam mais caras, existe hoje uma infinidade de marcas fabricando bons produtos a preços bastante acessíveis.
O meu raciocínio, portanto, é o seguinte, a Gillette jamais fabricaria um produto realmente bom se o mesmo tivesse potencial para canibalizar seus próprios cartuchos.
Se o consumidor está disposto a pagar, por exemplo, R$ 120 em cinco recargas que podem durar cerca de dois meses, por que a empresa fabricaria um sistema no qual as lâminas custam centavos e o barbeador pode durar décadas?
Na minha visão, seria quase um suicídio comercial e financeiro.
E aqui entra a minha teoria, deixando claro que é apenas a análise de um leigo.
Imagino que a Gillette tenha pensado mais ou menos assim,
"Existem várias marcas surgindo com safety razors. Elas estão fazendo barulho, atraindo consumidores e, de alguma maneira, estamos perdendo espaço. Vamos lançar um barbeador clássico, mas que não seja, nem de longe, um produto capaz de competir de verdade com nossos cartuchos."
O consumidor então compra um King C Gillette pensando,
"Finalmente vou experimentar um produto clássico, fabricado justamente pela empresa que criou esse conceito e que agora está sendo novamente valorizado por tanta gente."
É importante fazer uma distinção aqui. Para quem já conhece safety razors, já utiliza outras máquinas e sabe trabalhar com diferentes níveis de exposição, ângulo e pressão, o King C Gillette pode até se tornar um aparelho interessante, dependendo do que esse usuário procura. O foco da minha análise, porém, é outro,; o consumidor que está saindo diretamente dos descartáveis ou dos cartuchos e está tendo seu primeiro contato com um safety razor.
Esse consumidor começa a usar o aparelho e percebe que, para conseguir uma barba realmente rente, precisa passar, passar e passar a lâmina várias vezes sobre o mesmo lugar.
Vem a irritação, a vermelhidão e, eventualmente, aquela sensação de que alguma coisa não deu certo.
aí o consumidor pensa,
"Então era isso? Acho que vou voltar para os meus cartuchos."
Os cartuchos são caros, sem dúvida, mas são mais eficientes para esse usuário. Ele não precisa aprender a controlar um barbeador tradicional, não precisa manipular lâminas soltas, não precisa se preocupar tanto com ângulo, pressão e técnica e, no final, acredita que consegue um resultado melhor com menos esforço.
Existe ainda outro ponto, quem migra diretamente de descartáveis ou cartuchos para um safety razor tende a aplicar a mesma pressão que estava acostumado a aplicar no rosto com os descartáveis....
E aí temos a receita perfeita para reproduzir justamente aquilo que o consumidor imaginava que deixaria para trás ao abandonar os cartuchos, irritação, vermelhidão e desconforto.
Por isso, minha impressão é que o King C Gillette não tenha sido pensado para conquistar definitivamente o consumidor e tirá-lo do sistema de cartuchos.
Talvez tenha sido pensado justamente para mostrar a ele que o sistema tradicional não funciona tão bem assim e, consequentemente, fazê-lo voltar para aquilo que a Gillette realmente ganha dinheiro vendendo.
É apenas uma teoria, claro. Mas, olhando pela ótica de uma empresa que precisa proteger seu principal modelo de negócio, não me parece uma hipótese tão absurda.
abs
