Pergunta aos amigos do BTB.

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Prezados Haok e João Americo,

Eu tenho uma leitura um tanto diferente sobre o tema P&G, especialmente em relação aos lançamentos de safety razors.

Como a gigante Gillette tem os cartuchos como seu principal produto, não me parece muito inteligente, do ponto de vista comercial e econômico, lançar um barbeador de metal, durável, acompanhado de lâminas que custam centavos.

Mesmo que as lâminas DE da própria Gillette sejam mais caras, existe hoje uma infinidade de marcas fabricando bons produtos a preços bastante acessíveis.

O meu raciocínio, portanto, é o seguinte, a Gillette jamais fabricaria um produto realmente bom se o mesmo tivesse potencial para canibalizar seus próprios cartuchos.

Se o consumidor está disposto a pagar, por exemplo, R$ 120 em cinco recargas que podem durar cerca de dois meses, por que a empresa fabricaria um sistema no qual as lâminas custam centavos e o barbeador pode durar décadas?

Na minha visão, seria quase um suicídio comercial e financeiro.

E aqui entra a minha teoria, deixando claro que é apenas a análise de um leigo.

Imagino que a Gillette tenha pensado mais ou menos assim,

"Existem várias marcas surgindo com safety razors. Elas estão fazendo barulho, atraindo consumidores e, de alguma maneira, estamos perdendo espaço. Vamos lançar um barbeador clássico, mas que não seja, nem de longe, um produto capaz de competir de verdade com nossos cartuchos."

O consumidor então compra um King C Gillette pensando,

"Finalmente vou experimentar um produto clássico, fabricado justamente pela empresa que criou esse conceito e que agora está sendo novamente valorizado por tanta gente."

É importante fazer uma distinção aqui. Para quem já conhece safety razors, já utiliza outras máquinas e sabe trabalhar com diferentes níveis de exposição, ângulo e pressão, o King C Gillette pode até se tornar um aparelho interessante, dependendo do que esse usuário procura. O foco da minha análise, porém, é outro,; o consumidor que está saindo diretamente dos descartáveis ou dos cartuchos e está tendo seu primeiro contato com um safety razor.

Esse consumidor começa a usar o aparelho e percebe que, para conseguir uma barba realmente rente, precisa passar, passar e passar a lâmina várias vezes sobre o mesmo lugar.

Vem a irritação, a vermelhidão e, eventualmente, aquela sensação de que alguma coisa não deu certo.

aí o consumidor pensa,

"Então era isso? Acho que vou voltar para os meus cartuchos."

Os cartuchos são caros, sem dúvida, mas são mais eficientes para esse usuário. Ele não precisa aprender a controlar um barbeador tradicional, não precisa manipular lâminas soltas, não precisa se preocupar tanto com ângulo, pressão e técnica e, no final, acredita que consegue um resultado melhor com menos esforço.

Existe ainda outro ponto, quem migra diretamente de descartáveis ou cartuchos para um safety razor tende a aplicar a mesma pressão que estava acostumado a aplicar no rosto com os descartáveis....

E aí temos a receita perfeita para reproduzir justamente aquilo que o consumidor imaginava que deixaria para trás ao abandonar os cartuchos, irritação, vermelhidão e desconforto.

Por isso, minha impressão é que o King C Gillette não tenha sido pensado para conquistar definitivamente o consumidor e tirá-lo do sistema de cartuchos.

Talvez tenha sido pensado justamente para mostrar a ele que o sistema tradicional não funciona tão bem assim e, consequentemente, fazê-lo voltar para aquilo que a Gillette realmente ganha dinheiro vendendo.

É apenas uma teoria, claro. Mas, olhando pela ótica de uma empresa que precisa proteger seu principal modelo de negócio, não me parece uma hipótese tão absurda.
abs
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  • Haok, thony
(07-10-2026)Maximus Brow Escreveu: Prezados Haok e João Americo,

Eu tenho uma leitura um tanto diferente sobre o tema P&G, especialmente em relação aos lançamentos de safety razors.

Como a gigante Gillette tem os cartuchos como seu principal produto, não me parece muito inteligente, do ponto de vista comercial e econômico, lançar um barbeador de metal, durável, acompanhado de lâminas que custam centavos.

Mesmo que as lâminas DE da própria Gillette sejam mais caras, existe hoje uma infinidade de marcas fabricando bons produtos a preços bastante acessíveis.

O meu raciocínio, portanto, é o seguinte, a Gillette jamais fabricaria um produto realmente bom se o mesmo tivesse potencial para canibalizar seus próprios cartuchos.

Se o consumidor está disposto a pagar, por exemplo, R$ 120 em cinco recargas que podem durar cerca de dois meses, por que a empresa fabricaria um sistema no qual as lâminas custam centavos e o barbeador pode durar décadas?

Na minha visão, seria quase um suicídio comercial e financeiro.

E aqui entra a minha teoria, deixando claro que é apenas a análise de um leigo.

Imagino que a Gillette tenha pensado mais ou menos assim,

"Existem várias marcas surgindo com safety razors. Elas estão fazendo barulho, atraindo consumidores e, de alguma maneira, estamos perdendo espaço. Vamos lançar um barbeador clássico, mas que não seja, nem de longe, um produto capaz de competir de verdade com nossos cartuchos."

O consumidor então compra um King C Gillette pensando,

"Finalmente vou experimentar um produto clássico, fabricado justamente pela empresa que criou esse conceito e que agora está sendo novamente valorizado por tanta gente."

É importante fazer uma distinção aqui. Para quem já conhece safety razors, já utiliza outras máquinas e sabe trabalhar com diferentes níveis de exposição, ângulo e pressão, o King C Gillette pode até se tornar um aparelho interessante, dependendo do que esse usuário procura. O foco da minha análise, porém, é outro,; o consumidor que está saindo diretamente dos descartáveis ou dos cartuchos e está tendo seu primeiro contato com um safety razor.

Esse consumidor começa a usar o aparelho e percebe que, para conseguir uma barba realmente rente, precisa passar, passar e passar a lâmina várias vezes sobre o mesmo lugar.

Vem a irritação, a vermelhidão e, eventualmente, aquela sensação de que alguma coisa não deu certo.

aí o consumidor pensa,

"Então era isso? Acho que vou voltar para os meus cartuchos."

Os cartuchos são caros, sem dúvida, mas são mais eficientes para esse usuário. Ele não precisa aprender a controlar um barbeador tradicional, não precisa manipular lâminas soltas, não precisa se preocupar tanto com ângulo, pressão e técnica e, no final, acredita que consegue um resultado melhor com menos esforço.

Existe ainda outro ponto, quem migra diretamente de descartáveis ou cartuchos para um safety razor tende a aplicar a mesma pressão que estava acostumado a aplicar no rosto com os descartáveis....

E aí temos a receita perfeita para reproduzir justamente aquilo que o consumidor imaginava que deixaria para trás ao abandonar os cartuchos, irritação, vermelhidão e desconforto.

Por isso, minha impressão é que o King C Gillette não tenha sido pensado para conquistar definitivamente o consumidor e tirá-lo do sistema de cartuchos.

Talvez tenha sido pensado justamente para mostrar a ele que o sistema tradicional não funciona tão bem assim e, consequentemente, fazê-lo voltar para aquilo que a Gillette realmente ganha dinheiro vendendo.

É apenas uma teoria, claro. Mas, olhando pela ótica de uma empresa que precisa proteger seu principal modelo de negócio, não me parece uma hipótese tão absurda.
abs

A sua teoria é instigante, Igor, e confesso que no universo corporativo não faltam jogadas de bastidor para fazer o tiro sair pela culatra de propósito. No entanto, analisando o panorama macro de negócios e o timing desse lançamento, enxergo um movimento ligeiramente diferente por parte da P&G.

Se você acessar a página dedicada ao aparelho no site oficial da Gillette americana, eles tentam seduzir o consumidor exatamente com a seguinte promessa de marketing: "closer shave, better control, and reduced skin irritation".

Agora pense comigo: barbear mais rente (closer), melhor controle (better) e menor irritação na pele (reduced). No inglês, quando usamos essa terminação comparativa, pressupomos uma referência direta. Melhor e mais rente em relação a quê, exatamente? Se for em relação aos próprios cartuchos multilâminas que eles passaram os últimos 40 anos empurrando na goela do consumidor, a própria Gillette estaria admitindo por A mais B a superioridade mecânica de uma lâmina única. É quase uma confissão involuntária de culpa.

A partir dessa contradição, enxergo dois caminhos possíveis:

O primeiro seria a sua tese: uma manobra cínica para colocar um prego no caixão do barbear tradicional, na qual o leigo compra um safety razor excessivamente suave, aplica a força errada, se esfolia por repetição de passes, se frustra e corre de volta para a falsa segurança de um Fusion ou Mach3.

O segundo caminho, que considero o mais provável financeiramente, é que a Gillette simplesmente sentiu a mordida da concorrência e resolveu estancar a perda de território. Embora no Brasil o barbear clássico ainda seja um nicho restrito, no mercado norte-americano e europeu esse movimento vinha acumulando tração constante.

Basta olhar para o calendário de surgimento das marcas que começaram a roubar fatias da base de consumidores:

Isso sem falar em marcas tradicionais que nunca deixaram de operar e vinham ganhando novo fôlego com as vendas online:
  • Mühle: desde 1945 na Alemanha
  • Edwin Jagger: desde 1988 no Reino Unido (sediada em Sheffield, o mesmo berço histórico de gigantes da cutelaria como a Wade & Butcher)
  • Merkur: desde 1896 na lendária cidade de Solingen, Alemanha.

Existe um padrão claro aqui. Pessoas insatisfeitas com preços abusivos de refis e irritações crônicas na pele começaram a buscar alternativas fora da gôndola do supermercado e caíram de cabeça no nosso meio. E a data de lançamento global da linha King C. Gillette não mente: ocorreu em meados de maio de 2020, exatamente no auge da pandemia, quando milhões de pessoas presas em casa começaram a rever hábitos diários de autocuidado. Um prova cabal disso é o subfórum r/wicked_edge no Reddit, que explodiu em milhares de novos inscritos diários nesse exato período. Muito provavelmente a P&G observou as métricas de busca no Google Trends por "safety razor" e "tradicional shaving" dispararem em 2020 e acelerou o lançamento para colocar um produto no mercado enquanto o assunto estava quente.

A P&G é uma máquina gigantesca de dados de consumo; eles sabiam que estavam perdendo a nova geração que busca sustentabilidade (zero plástico) e baixo custo de manutenção.

O problema é que quiseram abraçar o mundo com as pernas. 

Entregaram um aparelho deliberadamente conservador para evitar processos judiciais e devoluções em massa de iniciantes inexperientes, mas acabaram alienando tanto o usuário avançado (que achou a máquina mansa demais) quanto o leigo absoluto (que não tem a paciência de aprender a técnica). Sabemos que o americano médio é litigioso. Se a Gillette lança um aparelho agressivo ou um open comb exposto e o primeiro adolescente arranca uma fatia do queixo na pia, a marca responde a processos e manchetes negativas na imprensa.

Talvez uma cabeça open comb vendida como acessório à parte já teria mudado da água para o vinho a percepção dos aficionados. 

No fim das contas, a ironia é evidente: a Gillette tentou morder o mercado que ela mesma ajudou a dizimar quando lançou o Trac II em 1971.

Seria essa jogada uma tentativa tardia de reparação histórica, ou apenas o desespero de um pioneiro tentando lembrar ao mundo que foi ele quem inventou a roda antes que seu próprio legado caísse no esquecimento?
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 07-10-2026 por Haok.)
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  • Joao Americo, Maximus Brow
(07-10-2026)Haok Escreveu: A sua teoria é instigante, Igor, e confesso que no universo corporativo não faltam jogadas de bastidor para fazer o tiro sair pela culatra de propósito. No entanto, analisando o panorama macro de negócios e o timing desse lançamento, enxergo um movimento ligeiramente diferente por parte da P&G.

Se você acessar a página dedicada ao aparelho no site oficial da Gillette americana, eles tentam seduzir o consumidor exatamente com a seguinte promessa de marketing: "closer shave, better control, and reduced skin irritation".

Agora pense comigo: barbear mais rente (closer), melhor controle (better) e menor irritação na pele (reduced). No inglês, quando usamos essa terminação comparativa, pressupomos uma referência direta. Melhor e mais rente em relação a quê, exatamente? Se for em relação aos próprios cartuchos multilâminas que eles passaram os últimos 40 anos empurrando na goela do consumidor, a própria Gillette estaria admitindo por A mais B a superioridade mecânica de uma lâmina única. É quase uma confissão involuntária de culpa.

A partir dessa contradição, enxergo dois caminhos possíveis:

O primeiro seria a sua tese: uma manobra cínica para colocar um prego no caixão do barbear tradicional, na qual o leigo compra um safety razor excessivamente suave, aplica a força errada, se esfolia por repetição de passes, se frustra e corre de volta para a falsa segurança de um Fusion ou Mach3.

O segundo caminho, que considero o mais provável financeiramente, é que a Gillette simplesmente sentiu a mordida da concorrência e resolveu estancar a perda de território. Embora no Brasil o barbear clássico ainda seja um nicho restrito, no mercado norte-americano e europeu esse movimento vinha acumulando tração constante.

Basta olhar para o calendário de surgimento das marcas que começaram a roubar fatias da base de consumidores:

Isso sem falar em marcas tradicionais que nunca deixaram de operar e vinham ganhando novo fôlego com as vendas online:
  • Mühle: desde 1945 na Alemanha
  • Edwin Jagger: desde 1988 no Reino Unido (sediada em Sheffield, o mesmo berço histórico de gigantes da cutelaria como a Wade & Butcher)
  • Merkur: desde 1896 na lendária cidade de Solingen, Alemanha.

Existe um padrão claro aqui. Pessoas insatisfeitas com preços abusivos de refis e irritações crônicas na pele começaram a buscar alternativas fora da gôndola do supermercado e caíram de cabeça no nosso meio. E a data de lançamento global da linha King C. Gillette não mente: ocorreu em meados de maio de 2020, exatamente no auge da pandemia, quando milhões de pessoas presas em casa começaram a rever hábitos diários de autocuidado. Um prova cabal disso é o subfórum r/wicked_edge no Reddit, que explodiu em milhares de novos inscritos diários nesse exato período. Muito provavelmente a P&G observou as métricas de busca no Google Trends por "safety razor" e "tradicional shaving" dispararem em 2020 e acelerou o lançamento para colocar um produto no mercado enquanto o assunto estava quente.

A P&G é uma máquina gigantesca de dados de consumo; eles sabiam que estavam perdendo a nova geração que busca sustentabilidade (zero plástico) e baixo custo de manutenção.

O problema é que quiseram abraçar o mundo com as pernas. 

Entregaram um aparelho deliberadamente conservador para evitar processos judiciais e devoluções em massa de iniciantes inexperientes, mas acabaram alienando tanto o usuário avançado (que achou a máquina mansa demais) quanto o leigo absoluto (que não tem a paciência de aprender a técnica). Sabemos que o americano médio é litigioso. Se a Gillette lança um aparelho agressivo ou um open comb exposto e o primeiro adolescente arranca uma fatia do queixo na pia, a marca responde a processos e manchetes negativas na imprensa.

Talvez uma cabeça open comb vendida como acessório à parte já teria mudado da água para o vinho a percepção dos aficionados. 

No fim das contas, a ironia é evidente: a Gillette tentou morder o mercado que ela mesma ajudou a dizimar quando lançou o Trac II em 1971.

Seria essa jogada uma tentativa tardia de reparação histórica, ou apenas o desespero de um pioneiro tentando lembrar ao mundo que foi ele quem inventou a roda antes que seu próprio legado caísse no esquecimento?

Apesar de que alguns comentários a seguir podem ser vistos como positivos em relação ao fabricante, não é minha intenção advogar em favor da Gillette  Big Grin

Indo muito diretamente a alguns pontos que eu considero relevantes nessa discussão:

A Gillette literalmente conduziu a mudança do modelo tradicional de aparelhos duráveis com lâminas descartáveis para o modelo definido como de cartuchos em plástico, descartáveis ou de barbeadores que são descartáveis por inteiro, cabo e tudo mais. Não me parece que a empresa agora entenderia como ameaça o retorno aos produtos tradicionais. E também não levantariam a bandeira da superioridade da lâmina única frente aos cartuchos, como comentou o Haok.

Mais do que isso, se assim entendesse, a Gillette poderia se posicionar de outra maneira, com modelos diferentes para todos os gostos, em termos de estilo e agressividade. Certamente não faltariam recursos para pesquisa, desenvolvimento e distribuição. Por isso também não me parece que querem defender o território ou terem qualquer competitividade nesse nicho, tendo somente 1 produto.

A questão de que a agressividade moderada teria o propósito de evitar processos judiciais me pasou pela cabeça em algum momento mas eu avaliei como pouco sustentável também considerando que eles vendem as lâminas, que em si são muito mais perigosas se manuseadas incorretamente. Não sei se caberia um questionamento judicial para um produto em que o risco de corte é inerente, é sua função principal. Todas as empresas vendendo barbeadores agressivos estariam sijeitas aos mesmos processos. Temos ainda como exemplo outra grande corporação que lançou um produto ainda mais agressivo com sua marca, um navalhete > https://www.wilkinsonsword.com/products/the-straight-edge-razor

Aqui podemos aplicar um princípio de lógica que se torna interessante para essa discussão também pela coincidência de termos: uma navalha filosófica, no caso a de Occam (Occam's razor). Por esse princípio, se considera que a explicação mais provável é aquela que necessita de menos suposições para fazer sentido.

Navegando pelo site, que eu já conhecia mas agora com mais atenção para o posicionamento dos produtos, noto que o barbeador KCG faz parte de uma linha particular (specialty) com produtos para cuidados com a barba. As próprias imagens de uso são de um indivídio com barba, fazendo apenas a manutenção do contorno (o verbo utilizado é edging). Nos ícones, ao lado dos textos descritivos mais abaixo, também são representados homens com barba.

Minha conclusão, com base no próprio conteúdo de apresentação da Gillette, é de que se buscou o posicionamento em um nicho, mas não exatamente em nosso nicho (entusiastas de barbeadores tradicionais): o KCG é apresentado como complemento de uma linha de aparadores, shampoos, óleos etc para uam boa manutenção da barba. Eu nunca usei barba mas suponho que para tratar o contorno, um aparelho de cartucho pode ser menos prático pois não têm o fio bem definido. Ser eficiente ou agressivo não seria necessariamente o objetivo maior, tendo isso em mente. E até o preço das lâminas ficaria como uma questão secundária nesse aspecto pois para trabalhar somente no contorno uma lâmina pode durar bastante tempo.

Enfim, essa é só mais uma percepção – fazendo sentido ou não, trocar ideias sobre esse tema é sempre agradável.
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  • Haok, thony
()Joao Americo Escreveu: Apesar de que alguns comentários a seguir podem ser vistos como positivos em relação ao fabricante, não é minha intenção advogar em favor da Gillette  Big Grin

Indo muito diretamente a alguns pontos que eu considero relevantes nessa discussão:

A Gillette literalmente conduziu a mudança do modelo tradicional de aparelhos duráveis com lâminas descartáveis para o modelo definido como de cartuchos em plástico, descartáveis ou de barbeadores que são descartáveis por inteiro, cabo e tudo mais. Não me parece que a empresa agora entenderia como ameaça o retorno aos produtos tradicionais. E também não levantariam a bandeira da superioridade da lâmina única frente aos cartuchos, como comentou o Haok.

Mais do que isso, se assim entendesse, a Gillette poderia se posicionar de outra maneira, com modelos diferentes para todos os gostos, em termos de estilo e agressividade. Certamente não faltariam recursos para pesquisa, desenvolvimento e distribuição. Por isso também não me parece que querem defender o território ou terem qualquer competitividade nesse nicho, tendo somente 1 produto.

A questão de que a agressividade moderada teria o propósito de evitar processos judiciais me pasou pela cabeça em algum momento mas eu avaliei como pouco sustentável também considerando que eles vendem as lâminas, que em si são muito mais perigosas se manuseadas incorretamente. Não sei se caberia um questionamento judicial para um produto em que o risco de corte é inerente, é sua função principal. Todas as empresas vendendo barbeadores agressivos estariam sijeitas aos mesmos processos. Temos ainda como exemplo outra grande corporação que lançou um produto ainda mais agressivo com sua marca, um navalhete > https://www.wilkinsonsword.com/products/the-straight-edge-razor

Aqui podemos aplicar um princípio de lógica que se torna interessante para essa discussão também pela coincidência de termos: uma navalha filosófica, no caso a de Occam (Occam's razor). Por esse princípio, se considera que a explicação mais provável é aquela que necessita de menos suposições para fazer sentido.

Navegando pelo site, que eu já conhecia mas agora com mais atenção para o posicionamento dos produtos, noto que o barbeador KCG faz parte de uma linha particular (specialty) com produtos para cuidados com a barba. As próprias imagens de uso são de um indivídio com barba, fazendo apenas a manutenção do contorno (o verbo utilizado é edging). Nos ícones, ao lado dos textos descritivos mais abaixo, também são representados homens com barba.

Minha conclusão, com base no próprio conteúdo de apresentação da Gillette, é de que se buscou o posicionamento em um nicho, mas não exatamente em nosso nicho (entusiastas de barbeadores tradicionais): o KCG é apresentado como complemento de uma linha de aparadores, shampoos, óleos etc para uam boa manutenção da barba. Eu nunca usei barba mas suponho que para tratar o contorno, um aparelho de cartucho pode ser menos prático pois não têm o fio bem definido. Ser eficiente ou agressivo não seria necessariamente o objetivo maior, tendo isso em mente. E até o preço das lâminas ficaria como uma questão secundária nesse aspecto pois para trabalhar somente no contorno uma lâmina pode durar bastante tempo.

Enfim, essa é só mais uma percepção – fazendo sentido ou não, trocar ideias sobre esse tema é sempre agradável.

Você tocou no ponto nevrálgico, Joao!

Acho que conseguiu amarrar todo o quebra-cabeça: a King C. Gillette não nasceu sob a divisão clássica de Shaving, mas sim dentro da esteira de Beard Care & Grooming.

Olhando sob essa ótica, a mecânica da peça e a escolha conservadora do cabeçote fazem sentido imediato. Para o sujeito que ostenta barba cheia e precisa apenas alinhar as bochechas e limpar o excesso do pescoço (o famoso edging que você bem pontuou), a máquina não precisa de agressividade nem de eficiência para múltiplos passes. Ela precisa apenas de uma guia reta e visível, algo que os cartuchos com cabeçotes plásticos gigantescos e fitas lubrificantes gosmentas realmente dificultam na hora de enxergar o desenho.

Isso explica também o ecossistema de produtos que citei anteriormente: o foco nunca foi a espuma densa com pincel de texugo, mas sim o público do shampoo para barba, do bálsamo e do aparador elétrico.

A beleza de debater com confrades atentos é justamente essa: cada um traz uma lente diferente sobre o tabuleiro corporativo. O Igor trouxe a provocação sobre a retenção de clientes, eu olhei pelo prisma da reação tardia à debandada do mercado durante a pandemia, e você pescou com precisão cirúrgica a segmentação de prateleira da P&G.

No fim das contas, a Navalha de Occam cortou dos dois lados: a Gillette encontrou uma forma simples de vender um produto de nicho para barbudos usando o apelo vintage do fundador, sem precisar assumir o compromisso real de entregar uma máquina para a alta performance que a confraria busca.

Discussão de altíssimo nível, senhores!  Big Grin
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  • Joao Americo, Maximus Brow
Prezados Haok e João Américo,

Realmente, uma discussão em alto nível.

Lendo as “teorias da conspiração” que os senhores postaram acima, dá muito prazer perder 10 ou 15 minutos estudando e escrevendo posts que, na minha opinião, agregam muito à comunidade.

Eu queria ter pelo menos metade da eloquência e do poder de convencimento que os senhores possuem. Talvez assim, quando eu apareço em casa com mais uma máquina, consiga convencer a patroa de que agora, sim, esta será definitivamente a melhor da coleção e que, desta vez, eu finalmente terei alcançado o barbear perfeito.

O problema é que ela já ouviu essa história algumas vezes...

E eu, ao contrário dos convivas, não tenho a língua de um anjo para poder convencê-la.

Abs.
2 curtida(s) para esse Post:
  • Haok, Marco Antonio
Olá, amigos.

Mudando um pouco de assunto: quais cabeças da YAQI vocês recomendam para um iniciado? Eu recebi hoje o meu Slant da YAQI, detestei, rendeu cortes no rosto e na virilha, apesar das cicatrizes que ficaram, passo bem.

Abraços.
()Ronaldo Escreveu: Olá, amigos.

Mudando um pouco de assunto: quais cabeças da YAQI vocês recomendam para um iniciado? Eu recebi hoje o meu Slant da YAQI, detestei, rendeu cortes no rosto e na virilha, apesar das cicatrizes que ficaram, passo bem.

Abraços.
O yaqi mellon e mercury são ótimos pra iniciantes, estão na minha rotação, o slant que você usou seria o agamemnon? Se for dá pra fatiar o churrasco de domingo tranquilamente com esse cabeçal.
()Dablio Escreveu:
()Ronaldo Escreveu: Olá, amigos.

Mudando um pouco de assunto: quais cabeças da YAQI vocês recomendam para um iniciado? Eu recebi hoje o meu Slant da YAQI, detestei, rendeu cortes no rosto e na virilha, apesar das cicatrizes que ficaram, passo bem.

Abraços.
O yaqi mellon e mercury são ótimos pra iniciantes, estão na minha rotação, o slant que você usou seria o agamemnon? Se for dá pra fatiar o churrasco de domingo tranquilamente com esse cabeçal.
Slant não quero nem de graça, já cogitei em comprar um porém o bom senso disse Não kkkkk

()Maximus Brow Escreveu: Prezados Haok e João Américo,

Realmente, uma discussão em alto nível.

Lendo as “teorias da conspiração” que os senhores postaram acima, dá muito prazer perder 10 ou 15 minutos estudando e escrevendo posts que, na minha opinião, agregam muito à comunidade.

Eu queria ter pelo menos metade da eloquência e do poder de convencimento que os senhores possuem. Talvez assim, quando eu apareço em casa com mais uma máquina, consiga convencer a patroa de que agora, sim, esta será definitivamente a melhor da coleção e que, desta vez, eu finalmente terei alcançado o barbear perfeito.

O problema é que ela já ouviu essa história algumas vezes...

E eu, ao contrário dos convivas, não tenho a língua de um anjo para poder convencê-la.

Abs.
Aqui nesse fórum parece que não existe nenhum iletrado kkkk pois lendo as narrativas de alguns ou quase todos,verdadeiros  Tratados barbistico kkkkk não enxerguei nenhum erro de ortografia ,coisa raríssima hoje em dia onde as pessoas não conseguem soletrar o nome, mas nesse fórum só tem Maestros do Português, queria TB ter essa eloquência toda de alguns kkkk
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: por Marco Antonio.)



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