King C. Gillette: o barbeador que fez King Camp Gillette se revirar no túmulo.
Amigos,
Hoje quero falar de um barbeador que carrega um nome pesado demais para o que entrega: o King C. Gillette. Sim, King Camp Gillette, o próprio criador da marca.
E aqui começa o problema.
Colocar o nome do fundador da Gillette em um barbeador tão ineficiente é quase uma afronta histórica. É como colocar o nome de Ayrton Senna em um carro que não passa de 80 km/h ou batizar um Fusca de “Ferrari Enzo”. A homenagem existe, o nome é bonito, mas alguma coisa claramente deu errado no departamento de engenharia e marketing.
O primeiro barbeador desenvolvido pela Gillette foi um open comb extremamente eficiente.
E sim, eu sou fã dos pentes abertos. Portanto, se a Gillette realmente quisesse homenagear King Camp Gillette, para mim o caminho seria bastante óbvio: um tradicional barbeador de três peças, open comb, inspirado em um Old Type. Aí sim estaríamos falando de uma homenagem coerente e historicamente correta.
Mas não. Resolveram fazer um closed comb extremamente suave e, na minha opinião, pouco eficiente.
Eu tenho dois Gillette Tech: um dos anos 1940 e outro da década de 1970. Ambos são suaves, mas, ainda assim, considero os dois pelo menos duas vezes mais eficientes que o King C. Gillette.
E aí entra uma teoria minha.
Tenho para mim que a Gillette percebeu o crescimento do barbear clássico, o surgimento de novas marcas e o forte retorno das lâminas Double Edge. O mercado começou a crescer, surgiram fabricantes especializados, novas opções de barbeadores e, principalmente, consumidores descobrindo que é perfeitamente possível fazer a barba usando uma única lâmina, que custa uma fração de um cartucho moderno e, na minha experiência, não provoca nem 10% da irritação que um descartável proporciona.
Então a Gillette resolveu fazer um aceno para esse mercado.
Primeiro veio o Gillette Heritage. Depois, o King C. Gillette.
Para mim, foram dois acenos muito bem calculados.
“Olha aí, pessoal! Nós também fazemos barbeadores clássicos!
Fomos nós que começamos com isto há mais de 100 anos, lembram?”
Mas existe um detalhe muito conveniente nessa história: eles não poderiam ser bons demais.
Imaginem a Gillette lançando um barbeador tradicional realmente eficiente, durável, que pudesse durar dez, quinze ou vinte anos, usando lâminas Double Edge fabricadas por dezenas de empresas e que custam centavos.
Imaginem a Gillette dizendo aos próprios consumidores:
“Senhor consumidor, sabe aqueles cartuchos de cinco lâminas que custam uma fortuna? Então... você pode fazer a barba com uma única lâmina, e ela é muito mais barata.”
Isso seria praticamente um suicídio comercial.
Não faria sentido uma empresa construir um barbeador tradicional excelente, capaz de durar décadas, e ainda ensinar o consumidor a usar um produto que não depende exclusivamente dela para comprar as lâminas.
Por isso, minha teoria é que o King C. Gillette precisava ser suficientemente clássico para despertar curiosidade, mas não suficientemente eficiente para ameaçar o ecossistema dos cartuchos.
O consumidor de cartucho compra o King C. Gillette, experimenta o tal “barbear clássico” e pensa:
“Então é isso? Essa é a maravilha que todo mundo fala? Isso aqui mal raspa minha barba! Vou voltar para meu cartucho de cinco lâminas.”
Pronto.
A curiosidade foi satisfeita, o cliente voltou para os cartuchos e a Gillette não precisou colocar um concorrente realmente perigoso dentro do próprio ninho.
E o que mais me incomoda nisso tudo é justamente o nome.
King Camp Gillette.
O homem que criou a marca.
O sujeito que colocou seu nome na história do barbear.
E aí alguém olha para um barbeador pouco eficiente e pensa:
“Já sei! Vamos colocar o nome do fundador nele. É clássico, é antigo e, principalmente, vai chamar atenção!”
Imagino que, se King Camp Gillette pudesse acompanhar tudo isso do além, a primeira vez que alguém fez a barba com um King C. Gillette e achou ruim ele deve ter se revirado no túmulo.
E olha que eu nem estou dizendo que o aparelho seja perigoso, ruim de acabamento ou impossível de usar. Não. Ele é extremamente suave. E, na minha opinião, ineficiente.
O problema é justamente esse.
Suave demais.
Amigos, eu realmente considero o King C. Gillette absurdamente ineficiente.
E agora vem a parte que provavelmente vai me condenar para sempre.
Se algum dia, depois da minha morte, alguém aqui do fórum resolver lançar um barbeador e pensar:
“Já sei! Vou homenagear o Maximus, aquele chato que escrevia os posts imensos. Vou colocar o nome dele no aparelho!”
E eu, que sempre gostei de open comb, descobrir lá do além que resolveram lançar um closed comb extremamente suave, pouco eficiente e que mal raspa a barba...
Meus amigos, eu voltarei.
Não necessariamente para puxar o pé de ninguém de madrugada.
Mas vou dar um jeito de aparecer.
Serei praticamente o fantasma do filme Ghost.
Só que esqueçam o vaso de barro e a musiquinha romântica que, com certeza, pelo menos uma vez na vida, você cantou tomando banho.
Eu vou aparecer justamente na hora em que o sujeito estiver fazendo a barba.
A lâmina vai cegar.
A espuma vai secar.
O barbeador vai escapar da mão.
E, quando ele finalmente conseguir terminar a tragédia que vai chamar de barba, passar o pós-barba, gritar de ardência e dor e colocar um pedaço de papel higiênico para conter os diversos cortes, vai ouvir uma voz vindo do além, bem no seu ouvido:
“Eu avisei que era para fazer um open comb!”
Bem, depois desse absurdo todo, encerro por aqui.
Abraços,
Igor
Amigos,
Hoje quero falar de um barbeador que carrega um nome pesado demais para o que entrega: o King C. Gillette. Sim, King Camp Gillette, o próprio criador da marca.
E aqui começa o problema.
Colocar o nome do fundador da Gillette em um barbeador tão ineficiente é quase uma afronta histórica. É como colocar o nome de Ayrton Senna em um carro que não passa de 80 km/h ou batizar um Fusca de “Ferrari Enzo”. A homenagem existe, o nome é bonito, mas alguma coisa claramente deu errado no departamento de engenharia e marketing.
O primeiro barbeador desenvolvido pela Gillette foi um open comb extremamente eficiente.
E sim, eu sou fã dos pentes abertos. Portanto, se a Gillette realmente quisesse homenagear King Camp Gillette, para mim o caminho seria bastante óbvio: um tradicional barbeador de três peças, open comb, inspirado em um Old Type. Aí sim estaríamos falando de uma homenagem coerente e historicamente correta.
Mas não. Resolveram fazer um closed comb extremamente suave e, na minha opinião, pouco eficiente.
Eu tenho dois Gillette Tech: um dos anos 1940 e outro da década de 1970. Ambos são suaves, mas, ainda assim, considero os dois pelo menos duas vezes mais eficientes que o King C. Gillette.
E aí entra uma teoria minha.
Tenho para mim que a Gillette percebeu o crescimento do barbear clássico, o surgimento de novas marcas e o forte retorno das lâminas Double Edge. O mercado começou a crescer, surgiram fabricantes especializados, novas opções de barbeadores e, principalmente, consumidores descobrindo que é perfeitamente possível fazer a barba usando uma única lâmina, que custa uma fração de um cartucho moderno e, na minha experiência, não provoca nem 10% da irritação que um descartável proporciona.
Então a Gillette resolveu fazer um aceno para esse mercado.
Primeiro veio o Gillette Heritage. Depois, o King C. Gillette.
Para mim, foram dois acenos muito bem calculados.
“Olha aí, pessoal! Nós também fazemos barbeadores clássicos!
Fomos nós que começamos com isto há mais de 100 anos, lembram?”
Mas existe um detalhe muito conveniente nessa história: eles não poderiam ser bons demais.
Imaginem a Gillette lançando um barbeador tradicional realmente eficiente, durável, que pudesse durar dez, quinze ou vinte anos, usando lâminas Double Edge fabricadas por dezenas de empresas e que custam centavos.
Imaginem a Gillette dizendo aos próprios consumidores:
“Senhor consumidor, sabe aqueles cartuchos de cinco lâminas que custam uma fortuna? Então... você pode fazer a barba com uma única lâmina, e ela é muito mais barata.”
Isso seria praticamente um suicídio comercial.
Não faria sentido uma empresa construir um barbeador tradicional excelente, capaz de durar décadas, e ainda ensinar o consumidor a usar um produto que não depende exclusivamente dela para comprar as lâminas.
Por isso, minha teoria é que o King C. Gillette precisava ser suficientemente clássico para despertar curiosidade, mas não suficientemente eficiente para ameaçar o ecossistema dos cartuchos.
O consumidor de cartucho compra o King C. Gillette, experimenta o tal “barbear clássico” e pensa:
“Então é isso? Essa é a maravilha que todo mundo fala? Isso aqui mal raspa minha barba! Vou voltar para meu cartucho de cinco lâminas.”
Pronto.
A curiosidade foi satisfeita, o cliente voltou para os cartuchos e a Gillette não precisou colocar um concorrente realmente perigoso dentro do próprio ninho.
E o que mais me incomoda nisso tudo é justamente o nome.
King Camp Gillette.
O homem que criou a marca.
O sujeito que colocou seu nome na história do barbear.
E aí alguém olha para um barbeador pouco eficiente e pensa:
“Já sei! Vamos colocar o nome do fundador nele. É clássico, é antigo e, principalmente, vai chamar atenção!”
Imagino que, se King Camp Gillette pudesse acompanhar tudo isso do além, a primeira vez que alguém fez a barba com um King C. Gillette e achou ruim ele deve ter se revirado no túmulo.
E olha que eu nem estou dizendo que o aparelho seja perigoso, ruim de acabamento ou impossível de usar. Não. Ele é extremamente suave. E, na minha opinião, ineficiente.
O problema é justamente esse.
Suave demais.
Amigos, eu realmente considero o King C. Gillette absurdamente ineficiente.
E agora vem a parte que provavelmente vai me condenar para sempre.
Se algum dia, depois da minha morte, alguém aqui do fórum resolver lançar um barbeador e pensar:
“Já sei! Vou homenagear o Maximus, aquele chato que escrevia os posts imensos. Vou colocar o nome dele no aparelho!”
E eu, que sempre gostei de open comb, descobrir lá do além que resolveram lançar um closed comb extremamente suave, pouco eficiente e que mal raspa a barba...
Meus amigos, eu voltarei.
Não necessariamente para puxar o pé de ninguém de madrugada.
Mas vou dar um jeito de aparecer.
Serei praticamente o fantasma do filme Ghost.
Só que esqueçam o vaso de barro e a musiquinha romântica que, com certeza, pelo menos uma vez na vida, você cantou tomando banho.
Eu vou aparecer justamente na hora em que o sujeito estiver fazendo a barba.
A lâmina vai cegar.
A espuma vai secar.
O barbeador vai escapar da mão.
E, quando ele finalmente conseguir terminar a tragédia que vai chamar de barba, passar o pós-barba, gritar de ardência e dor e colocar um pedaço de papel higiênico para conter os diversos cortes, vai ouvir uma voz vindo do além, bem no seu ouvido:
“Eu avisei que era para fazer um open comb!”
Bem, depois desse absurdo todo, encerro por aqui.
Abraços,
Igor
